Categorias
Mundo

Recorde: China investe R$ 3 trilhões em inovação e lidera transição energética global em 2025

Intensidade de gastos em pesquisa atinge 2,8% do PIB, superando média da OCDE; manufatura de alta tecnologia cresce 9,4%

FacebookWhatsAppEmailXCompartilhar
A China investiu 3,9262 trilhões de yuans (R$ 3 trilhões) em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) experimental em 2025, informou nesta segunda-feira (19), o diretor do Escritório Nacional de Estatísticas, Kang Yi. A cifra representa um aumento de 8,7% em relação aos 3,613 trilhões de yuans (R$ 2,7 tri) de 2024. A intensidade de gastos (proporção do PIB investido em P&D) foi de 2,8% do PIB, crescimento de 0,12 ponto percentual em relação aos 2,68% de 2024, e superando pela primeira vez a média dos países da OCDE.

De acordo com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, o índice de inovação da China entrou pela primeira vez entre os dez primeiros do mundo. Durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025), o investimento total em P&D cresceu a uma taxa média anual de 10%, com a intensidade aumentando 0,44 ponto percentual ao longo dos cinco anos.

“A China alcançou sucessos frequentes em campos de ponta, como inteligência artificial, tecnologia quântica e interfaces cérebro-computador, com o surgimento de diversas conquistas importantes em pesquisa científica”, destacou Kang Yi em coletiva de imprensa sobre o desempenho econômico de 2025. O voo inaugural bem-sucedido do veículo aéreo não tripulado “Jiutian”, o lançamento da missão “caça-estrelas” do Tianwen-2 e o trem de alta velocidade CR450 estabelecendo novo recorde de “velocidade chinesa” são alguns dos exemplos dos avanços científicos e tecnológicos do país.

Nova qualidade das forças produtivas impulsionam manufatura avançada
O valor agregado da manufatura de alta tecnologia cresceu 9,4% em 2025, representando 17,1% do valor agregado das indústrias acima do porte designado, segundo o diretor do Departamento de Estatísticas Econômicas Gerais, Fu Linghui. O setor de fabricação de equipamentos alcançou participação de 36,8%, aumento de 2,2 pontos percentuais.

“Robôs humanoides passaram de aparecer no palco do Festival da Primavera para participar de competições e agora estão entrando em fábricas em unidades organizadas”, exemplificou Kang Yi ao destacar o avanço das forças produtivas de nova qualidade. A produção de robôs industriais cresceu 28%, e a de drones civis aumentaram 37,3%.

A fabricação de circuitos integrados registrou crescimento de 26,7%, enquanto dispositivos optoeletrônicos avançaram 18,8%. A produção de chips de memória cresceu 22,8% e servidores 12,6%, impulsionada pelo desenvolvimento de inteligência artificial.

O valor agregado da indústria de manufatura de produtos digitais cresceu 9,3%, contribuindo com 20,3% para a taxa de crescimento geral das indústrias acima do porte estipulado. A produção de equipamentos para estações base de comunicação móvel aumentou 13,5%, enquanto smartphones 5G cresceram 12,5%.

Transição energética avança

No ano passado, pela primeira vez, a capacidade instalada de energia eólica e solar ultrapassou pela primeira vez a de energia termoelétrica, segundo o diretor do Departamento de Estatísticas de Energia, Hu Hanzhou. A proporção de energia não fóssil no consumo total aumentou cerca de 2 pontos percentuais, superou o petróleo e se tornou a segunda maior fonte de energia.

A geração de energia a partir de fontes renováveis – hidrelétrica, nuclear, eólica e solar – por empresas de grande porte (com receita operacional anual principal igual ou superior a 20 milhões de yuans ou R$ 15,4 milhões) atingiu 3.421,3 bilhões de quilowatts-hora, crescimento de 8,8%, representando 35,2% da geração total, aumento de 2,1 pontos percentuais. A geração solar avançou 24,4%, enquanto a eólica cresceu 9,7%.

A capacidade instalada mede o potencial máximo de geração de energia em um determinado momento (em quilowatts), enquanto a geração de energia refere-se à eletricidade efetivamente produzida em um período (em quilowatts-hora); a primeira representa a capacidade disponível, a segunda o resultado concreto da produção.

“A capacidade instalada de armazenamento de novas energias ultrapassou 100 milhões de quilowatts, representando mais de 40% da capacidade global e ocupando o primeiro lugar mundial”, afirmou Hu Hanzhou.

Tanto a produção anual quanto o volume de vendas anuais de veículos de nova energia ultrapassaram, cada um, a marca de 16 milhões de unidades, mantendo o primeiro lugar mundial pelo 11º ano consecutivo. A produção de baterias de íon-lítio para automóveis cresceu 41,7%, e as estações de carregamento aumentaram 11%. A produção de geradores para turbinas eólicas avançou 48,9% e carbonato de lítio 57,1%.

Estimativas preliminares indicam que após excluir do cálculo o consumo de energia usado como matéria-prima e o consumo de fontes não fósseis, o consumo de energia por unidade de PIB caiu mais de 5%.”

Esse indicador mede quanta energia é necessária para produzir riqueza. Sua redução indicaria maior eficiência energética. Nesse caso, também são excluídos os combustíveis como matéria-prima, como por exemplo o petróleo para fabricação de plástico, e as energias renováveis.

Setor de serviços lidera contribuição ao crescimento
O setor de serviços registrou valor agregado de 80,9 trilhões de yuans ou R$ 60,68 trilhões, crescimento de 5,4%, contribuindo com 61,4% para o crescimento econômico nacional, segundo o diretor do Centro de Pesquisa do Setor de Serviços, Peng Yongtao. A participação do setor no PIB alcançou 57,7%, aumento de 0,9 ponto percentual.

O valor agregado da transmissão de informações, software e serviços de tecnologia da informação cresceu 11,1%, enquanto leasing e serviços empresariais avançaram 10,3%. Esses dois setores representaram 9,6% do PIB, aumento de 0,6 ponto percentual.

As vendas no varejo de serviços aumentaram 5,5%, superando em 1,7 ponto percentual o crescimento das vendas de mercadorias. “O consumo dos residentes está passando de um foco primário em bens para um equilíbrio entre bens e serviços”, explicou Kang Yi. O gasto per capita com consumo de serviços representou 46,1% do gasto total de consumo.

De janeiro a novembro, a receita operacional de empresas de grande porte nos setores de serviços emergentes estratégicos e nos setores de serviços de alta tecnologia aumentou 9,9% e 8,6%, respectivamente. Os serviços de comércio eletrônico e P&D mantiveram crescimento de dois dígitos, com aumentos de 14,1% e 10,5%.

As vendas online no varejo cresceram 8,6%, impulsionadas por novos modelos como comércio eletrônico por transmissões ao vivo e varejo instantâneo. O volume de transações de e-commerce por transmissões ao vivo aumentou 11,3%.

Desafios estruturais e perspectivas para 2026
Apesar dos avanços, as autoridades reconheceram desafios persistentes. “O impacto das mudanças no ambiente externo está se aprofundando, a contradição entre a forte oferta e a fraca demanda é evidente internamente”, admitiu Kang Yi, destacando riscos ocultos em áreas-chave.

O Índice de Preços ao Consumidor manteve-se estável durante o ano, com alta de 0,8% em dezembro, maior aumento desde março de 2023. O núcleo do IPC, excluindo alimentos e energia, subiu 0,7% no ano, permanecendo acima de 1% por quatro meses consecutivos desde setembro.

Para 2026, início do 15º Plano Quinquenal, o governo implementará políticas macroeconômicas mais proativas. O primeiro lote de 62,5 bilhões de yuans em títulos do tesouro especiais de ultralongo prazo já foi alocado antecipadamente para expandir demanda interna.

“As oportunidades superam os desafios e as condições favoráveis superam os fatores desfavoráveis”, afirmou Kang Yi. A contribuição média anual da China para o crescimento econômico global durante o 14º Plano Quinquenal atingiu cerca de 30%, consolidando o país como principal motor do crescimento mundial.


Queridos leitores,

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 45013993768. Agradecemos de coração o seu apoio.

*BdF


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no Whatsapp https://chat.whatsapp.com/GvuXvoe7xtB1XJliMvNOX

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-no no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?igsh=YzljYTk1O

Categorias
Economia

Financiamentos do BNDES para infraestrutura e transição energética em 2023 foi o maior em 5 anos e deve aumentar em 2024

Valores aprovados para investimentos somaram R$ 57,4 bilhões em 2023; o crescimento foi de 24%.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, por meio da diretoria de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática, financiamentos da ordem de R$ 57,4 bilhões em projetos voltados para infraestrutura e transição energética ao longo de 2023. O valor é 24% maior que o registrado no ano anterior e marca o maior volume dos últimos cinco anos.

Segundo o jornal O GLOBO, a expectativa para 2024 é que os financiamentos sejam ainda maiores devido à queda das taxas de juros no país e a posição de liderança do Brasil na defesa da energia renovável.

Luciana Costa, diretora responsável pela área, prevê que o total aprovado chegue a R$ 132 bilhões em projetos por meio de diversos setores, uma vez que o BNDES costuma financiar parte dos empreendimentos em parceria com outros investidores.

Mesmo diante da Taxa de Longo Prazo (TLP) sem redutor desde o ano passado, a demanda por empréstimos cresceu consideravelmente. Dos R$ 57,4 bilhões aprovados em 2023, os desembolsos totalizaram R$ 36,1 bilhões, um montante 27% superior ao ano anterior.

Um destaque do ano foi a participação do BNDES na emissão de 16 debêntures, totalizando R$ 14,5 bilhões. “Começamos a usar esse instrumento com mais frequência e a importância de apoiarmos as emissões é que o mercado de capitais no Brasil não tem muita profundidade ou volume”, disse Luciana à reportagem.

Entre as prioridades do banco estão investimentos em saneamento básico, com R$ 10,5 bilhões destinados a projetos no Rio de Janeiro, Amapá e Paraná. Energia eólica e mobilidade urbana também estão entre os focos. A diretora destacou o Rio de Janeiro como o local do maior projeto de saneamento do país, com investimentos de R$ 32 bilhões.

Além disso, o BNDES apoiou a operação da Atlas Renewable Energy e a Albras, concedendo um empréstimo de US$ 450 milhões para a construção de um complexo de 18 usinas fotovoltaicas em Minas Gerais, representando o maior financiamento em dólares para geração de energia renovável já realizado pela instituição.

Na área de mobilidade, foram aprovados R$ 10 bilhões para financiar dois projetos do Novo PAC no Estado de São Paulo, incluindo a implantação do Trem Intercidades Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas, e a aquisição de 44 trens para a extensão da Linha 2 (Verde) do metrô de São Paulo.