20 de setembro de 2021
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O mundo não assiste, por acaso, à tentativa de Bolsonaro de dizimar os índios e os povos da floresta em nome do progresso dos estúpidos e, muito menos, ao extermínio de jovens negros no Brasil sob a regência repugnante de uma milícia disfarçada de governo que tomou o poder.

Ninguém chega a esse grau de estupidez sem beijar a mão da oligarquia, sem se associar a um dos maiores símbolos de segregação desse país, que é a Globo, menos ainda sem hipotecar o Brasil, numa adoração servil ao grande capital internacional.

Abro aqui um parênteses para lembrar dos anos em que a Globo praticou um dos maiores projetos de segregação racial, não só impedindo, durante décadas de sua história, que negros assumissem papel de destaque em seus cenários, como fez uma imensa campanha com lançamentos de livros, crônicas e etc., contra o movimento negro e cotas.

O motivo é somente um, não admitir que um negro seja cidadão, muito menos que o Estado fosse dotado de direitos que permitissem que esse cidadão negro se transformasse num forte agente na participação do debate nacional.

Esse também é um caso que busca produzir uma democracia incompleta no cotidiano do país.

Poderia aqui traçar uma lista de cidadanias mutiladas no Brasil a partir da construção de um preconceito, resumindo índios e negros a um grau de não cidadãos, portanto, não merecendo que se busque justiça ou reparação num país de cinco séculos em que quatro deles teve escravidão de negros e massacre de povos indígenas.

Como disse Darcy Ribeiro: “O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”. 

E é justamente nesse modelo cívico residual que se ampliou durante o nosso regime autoritário que Mourão foi adestrado.

A serviço das grandes corporações transnacionais, a milícia que tomou o poder com Bolsonaro, Mourão e cia., quer construir o nosso “novo modelo econômico”, para que essas grandes corporações utilizem o que há de essencial tanto dos recursos públicos quanto dos recursos da própria Amazônia, transformando-a na territorialização corporativa.

Isso, num país que mostra a expansão violenta da bugigangalização da economia, aonde se busca respaldo na ideia de que, bom para o país é a precarização do trabalho, impedindo que haja fronteiras entre o oferecido “empreendedorismo”, leia-se, sacolagem, camelotagem e etc. e a organização formal do trabalho.

Tudo isso é condimentado pela violência central da publicidade feita pela mídia.

Mourão, com esse estúpido post em seu twitter, só mostra uma cabeça tipicamente colonizada de um general como tantos e o quanto o Brasil terá que lutar para dizimar um problema tatuado na alma das classes economicamente dominantes, que só têm um objetivo na vida, massacrar as camadas mais pobres da população em nome do lucro selvagem.

 

*Por Carlos Henrique Machado Freitas

Celeste Silveira

Produtora cultural

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