Dia: 22 de fevereiro de 2020

Major Olímpio critica líderes “visando urnas” e atitude “terrorista” de PMs no Ceará

Major Olimpio (PSL-SP) fez parte de uma comitiva de senadores que foi negociar o fim do motim no Ceará.

O senador Major Olimpio (PSL-SP) voltou do Ceará assustado com o quadro de “quebra de hierarquia absoluta” que encontrou nos quartéis tomados por policiais militares amotinados em greve.

O motim em quartéis de Fortaleza, capital cearense, e cidades do interior, foi iniciado na última terça-feira (18), horas depois do anúncio de um acordo de reajuste costurado entre representantes da PM, do governo do estado e deputados estaduais. Nos principais quarteis rebelados, políticos oriundos da PM cearense assumem um papel de liderança.

Segundo Olimpio, há interesses políticos evidentes por trás da greve. “Alguns [líderes] estão visando o 4 de outubro nas urnas”, afirma, fazendo referência à data da eleição deste ano.

O líder do PSL no Senado cita ainda o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante-CE) como uma dessas lideranças. “Sabino é meu amigo. Ele ficou quatro anos comigo como deputado. Eles estão irredutíveis, dizem que ou dão anistia, ou o movimento vai continuar”, lamenta o senador, lembrando de um encontro com os grevistas, do qual também participaram os senadores Eduardo Girão (PROS-CE), e Elmano Férrer (PODE-PI), além do deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE).

“Só faltamos ficar de joelhos e implorar para eles. A maioria dos policiais acha que vai ter anistia”, explica.

Além de Sabino, Major Olimpio cita outros políticos cearenses que estão atuando na caserna, mobilizando os PMs amotinados.

Um deles seria vereador de Sobral, Sargento Ailton (Solidariedade), que comandava o piquete onde o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado. Olimpio aponta também do deputado estadual Soldado Noelio (PROS-CE) e o vereador de Fortaleza Sargento Reginauro (Sem partido).

Todos têm em comum a forte oposição à família Ferreira Gomes —liderada pelo ex-governador Ciro Gomes (PDT), que apoia o governador Camilo Santana (PT).

Olimpio defendeu o petista no que diz respeito à negociação de aumento com a categoria.

“O governador me disse que não tem mais condição de esticar a corda. Já botou R$ 600 milhões para dar o reajuste e eles vieram com um pleito que custa R$ 2 bilhões. Eles merecem mais do que estão pedindo, mas o governo do Ceará está dando R$ 4.500 para um soldado. São Paulo, que tem R$ 239 bilhões de orçamento, paga R$ 3.180”.

Além dos políticos locais, Olimpio cita também o deputado estadual da Bahia Soldado Prisco (PSC), presidente da Aspra (Associação Nacional dos Praças). Segundo o senador, Prisco tenta fomentar movimentos como o do Ceará em outros estados.

“O Prisco foi expulso da PM da Bahia [conseguiu ser reintegrado pela Justiça em 2017] e se tornou um mobilizador de greves profissional”, critica.

Para Olimpio, os homens encapuzados e armados na rua “pareciam o Hezbollah [partido e grupo paramilitar libanês]”. Já ataques contra bens públicos e privados —um PM chegou a ser preso em flagrante em Crato, interior cearense, por incendiar o carro de uma moradora contrária à greve— são “coisa de terrorista e de criminoso”, como definiu em um vídeo publicado nas redes sociais.

O senador teme que o exemplo cearense seja seguido por policiais de outros estados. “Eu me preocupo demais com isso nesse momento. Porque por salários miseráveis, piores que os que têm no Ceará, você tem no Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul. Na Paraíba tem um movimento semelhante”.

Olimpio, porém, garante que uma anistia aos grevistas do Ceará não passa no Congresso. Nem mesmo a bancada da bala apoiaria uma medida desse tipo.

“A bancada de profissionais de segurança aumentou pela credibilidade dos policiais e da atividade policial. Não vamos criar lideranças criminosas em uma atividade fundamental do Estado. Por isso que está escrito na Constituição que é vedada sindicalização e greve”.

 

 

*Igor Mello/Uol

Vídeo: Bolsonaro desmonta o Inmetro para facilitar a venda combustíveis adulterados

Se há um objetivo claro nos arroubos de Bolsonaro, qual o motivo de taxar de idiota sua atitude de tentar acabar com o Inmetro? É pela supina ignorância de não entender a relevância do Inmetro para a economia brasileira.

Não interprete a ofensiva de Jair Bolsonaro contra o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia) como apenas uma demonstração a mais de ignorância sólida. Há um objetivo disfarçado em todos esses movimentos, que é abrir espaço para a ampliação do crime organizado.

Foi assim nos episódios em que tentou tirar fiscais da Receita do porto de Itaguaí, depois de recordes de apreensão de contrabando, pois é a porta de entrada no país não apenas de contrabando comum, mas de armas.

Foi assim também no decreto que facilitou a vida das vaquejadas, campo preferencial de lavagem de dinheiro das milícias.

E foi assim com o Inmetro.

Não foi apenas uma demonstração a mais de imbecilidade a afirmação de Bolsonaro que ‘implodiu’ o Inmetro e mandou ‘todo mundo embora’.

Só um completo imbecil para não entender a importância de um órgão de metrologia nas economias modernas. Mas um imbecil com objetivo, que não foi o de aliviar a vida dos caminhoneiros, ante as novas exigências do órgão.

O busílis da questão está no seguinte trecho da reportagem de O Globo:

Bolsonaro ainda criticou um plano do órgão para determinar a instalação de chips em todas as bombas de combustíveis no país para coibir fraudes.

Esse é o ponto.

Há um conjunto de atividades clandestinas utilizadas por organizações criminosas ou pelo chamado lúmpem do empresariado. São os que exploram nichos como bingo, manicômios, clínicas psiquiátricas, escolas para deficientes e, no caso das milícias, transporte público, construções irregulares em áreas de preservação, venda de gatos e de gás, venda de proteção privada, adulteração de combustíveis e de cigarros.

A falsificação de combustíveis é mais forte de todas as atividades criminosas.

Vá para a home de O Globo. No mesmo espaço em que Bolsonaro fala sobre o Inmetro, há o banner principal, do patrocinador oficial do carnaval carioca, a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, envolvida até o pescoço com Eduardo Cunha. Trata-se de uma refinaria sem nenhuma indicação que continue refinando petróleo. Há anos é suspeita de ser o polo central de venda de sonegação de combustíveis, e atuando impávida, graças a uma blindagem ampla e irrestrita inclusive do Judiciário.

Meses atrás um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro me condenou a R$ 20 mil de multas por “difamar” Eduardo Cunha. A matéria em questão falava justamente do envolvimento dele com a refinaria.

Se há um objetivo claro nos arroubos de Bolsonaro, qual o motivo de taxar de idiota sua atitude de tentar acabar com o Inmetro? É pela supina ignorância de não entender a relevância do Inmetro para a economia brasileira.

O Inmetro é essencial para todas as exportações brasileiras, de industrializados ao agronegócio. Cabe a ele fiscalizar todos os laboratórios de certificação. E a certificação é peça essencial nas exportações. É através da certificação que o exportador sabe quais as especificações técnicas e legais de cada país para onde pretende exportar. É o certificado do Inmetro que assegurará sua entrada em economias avançadas, sem risco de barreiras técnicas no caminho. É a certificação que permite o fortalecimento das pequenas e médias empresas, para produzir componentes adequados para empresas maiores.

No caso do agronegócio, é a certificação de origem que dá ao comprador a garantia de produtos isento de doenças ou de crimes ambientais, ou mesmo produtos de marca da região.

É o Inmetro que define padrões de instalações elétricas, de carros, de instrumentos de saúde.

Por tudo isso, Bolsonaro, o imbecil, terá que recuar mais uma vez de sua imbecilidade. Mas deixa a marca da ação pertinaz em favor da economia do crime.

Pergunto: até quando permitirão esse desmonte da economia e todos esses passos para fortalecimento do crime organizado?

 

*Luis Nassfi/GGN

Camilo Santana afasta 168 policiais amotinados e suspende porte de arma

O governador do Ceará também afirmou que não vai negociar qualquer anistia aos agentes.

O governador do Ceará Camilo Santana (PT) determinou nesta sexta-feira (21) o afastamento de 168 policiais militares por participação no motim, que já dura cinco dias no estado. O afastamento vai durar 120 dias e policiais deverão entregar a identificação funcional, distintivo, arma, algema e qualquer outro instrumento que identifique suas unidades.

A decisão também inclui a suspensão de salário a partir deste mês de fevereiro. Os PMs amotinados também devem passar por dois processos disciplinares: o primeiro deles envolve os inquéritos militares, cujo julgamento acontecerá na Justiça Militar. O segundo consiste no procedimento administrativo disciplinar realizado pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD). A informação é do jornal O Globo.

O secretário de Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou que 261 PMs respondem a inquéritos militares e procedimentos administrativos por envolvimento nos atos e que os agentes não vão receber salário.

Por conta do motim, o estado já acumula 51 assassinatos em 48 horas, o que equivale a uma morte por hora. A principal exigência dos policiais militares é o aumento salarial.

Camilo Santana tem afirmado, no entanto, que não negociará qualquer anistia administrativa aos PMs, algo que é exigido pelos líderes do motim para evitar punições previstas em lei.

 

 

*Com informações da Forum

Vídeo: Numa revelação bombástica, Jungmann fala da trama de Thompson Flores, TRF-4, para impedir a libertação de Lula

Nisso, não há exatamente novidade, só confirma a total falta de independência do TRF-4, ao contrário do ramerrão que Moro martela, de que não foi ele sozinho que condenou Lula na velha malandragem de desqualificar a sua defesa, quando todos sabiam, pela própria atitude dos desembargadores do TRF-4 e a alegação ridícula utilizada por eles para a ampliação da pena de Lula, que era um jogo de cartas marcadas entre Moro e os três porquinhos.

Jungmann confessa o quanto isso foi feito de forma leviana, com o intuito político de condenar Lula e tirá-lo da eleição de 2018 para que o monstro miliciano assumisse o poder do país e produzisse o que produziu, pior, tendo justamente Moro como Ministro da Justiça e Segurança Pública que se transformou no capanga da milícia.

Ministro Extraordinário da Segurança Pública do golpe, nomeado por Temer, Raul Jungmann confessou em entrevista ao jornalista Fábio Pannunzio que o então presidente do TRF-4, Thompson Flores, pediu-lhe que descumprisse ordem judicial para soltar Lula em 8 de julho de 2018.

Uma revelação bombástica. Raul Jungmann confessou, em entrevista à TV Democracia do jornalista Fábio Pannunzio, ter recebido um pedido ilegal do então presidente do TRF-4, Thompson Flores, para o descumprimento da ordem judicial para soltar Lula em 8 de julho de 2018. A ordem partira do desembargador plantonista do Tribunal Regional da 4ª Região, Rogério Favreto, que determinou a imediata libertação do ex-presidente Lula, que estava preso em Curitiba desde abril daquele ano. Na ocasião, Jungmann era o ministro Extraordinário da Segurança Pública do golpe, nomeado por Temer.

Assista:

Marcelo Freixo: Bolsonaro está acuado

“Bolsonaro usa a Presidência para repetir mentiras à exaustão até que elas ganhem status de verdade”

Jair Bolsonaro está acuado. O presidente sempre defendeu milicianos, mas essas relações ganharam nova dimensão após a morte de Adriano da Nóbrega, cuja ex-mulher e mãe foram assessoras do ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Para tentar tirar o foco de si, Bolsonaro dobrou a aposta e transformou fake news em política de governo. Em vez de alimentar clandestinamente os discursos de ódio nos subterrâneos dos grupos de Whatsapp, presidente e ministros assumiram a ofensiva, passando a usar canais oficiais para disseminar mentiras contra opositores e jornalistas.

Bolsonaro usou o perfil da Presidência no Twitter para afirmar que a oposição é a verdadeira interessada em eliminar Adriano. A inversão da narrativa parece estapafúrdia, mas é preciso lembrar que o campo de batalha bolsonarista não é o da razão, é o da emoção — mais precisamente do ódio. Ele sabe que nesse embate os fatos importam menos do que o engajamento que uma determinada versão é capaz de gerar. O objetivo é manter coesas e insuflar suas hostes nas redes para tentar se manter em pé.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, usou a mesma estratégia. No Twitter, o ex-juiz acusou a mim, que há mais de dez anos vivo sob ameaça de morte por ter enfrentado as milícias, de defender milicianos. Mas o fato é que Moro propôs que esses bandos deixassem de ser enquadrados no Código Penal e passassem para a Lei das Organizações Criminosas, o que reduziria a pena dos bandidos. Nós mantivemos a regra mais dura. O ministro sabe disso, mas preferiu mentir para incitar seguidores.

O recrudescimento contra a imprensa faz parte dessa artilharia: Bolsonaro usa a Presidência para repetir mentiras à exaustão até que elas ganhem status de verdade ou pelo menos façam barulho suficiente para bagunçar o jogo. Por isso, tenta deslegitimar profissionais e métodos reconhecidos de produção de informação.

 

*Do Globo

O antigo pacto entre a família Bolsonaro e a parte podre da PM do Ceará

Em 2016, Eduardo Bolsonaro chegou a visitar policiais envolvidos em chacina que matou 11 pessoas.

O belicismo da família Bolsonaro se tornou mais evidente quando o patriarca, Jair Bolsonaro, assumiu a presidência, mas tal postura não é necessariamente uma novidade.

Um exemplo disso pode ser visto em 2016. Por coincidência, o caso também ocorreu no Ceará – onde um motim recente causado por policiais militares acabou por ferir o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) com dois tiros, e onde os policiais envolvidos tiveram o apoio tanto de Jair Bolsonaro como de seus filhos.

Na ocasião, 44 policiais militares foram presos acusados de participarem de uma chacina que matou 11 pessoas e feriu outras cinco no crime chamado A Chacina do Curió, ocorrido na madrugada de 12 de novembro de 2015. Das vítimas fatais, apenas duas tinham antecedentes policiais, e quatro adolescentes também estavam entre as vítimas.

Segundo o jornal Extra, Eduardo Bolsonaro não só viajou ao Ceará para visitar os policiais – “presos por trabalhar”, na visão do deputado – como fez uma postagem afirmando que as acusações teriam sido baseadas em “denúncias genéricas”. “É como se ocorresse um assassinato no seu prédio e prendessem todos os moradores dele em razão disso”, disse, como pode ser visto abaixo.

Ou seja: a postura da família Bolsonaro em favor desse tipo de atitude não pode ser considerada uma surpresa.

 

 

*Com informações do GGN

Não se viu e nem se verá Moro, Ministro da Justiça e da Segurança Pública, criticar o motim miliciano no Ceará

Mais do que Bolsonaro, o que marca hoje as relações entre governo e milícia é a adesão de Moro ao projeto miliciano que, naturalmente inclui, principalmente o comando da família Bolsonaro.

Ninguém esperava outra atitude do presidente ligado às milícias que não fosse criticar Cid Gomes em apoio descarado ao motim dos bandidos mascarados que fizeram da população cearense refém da violência, de parte da estrutura do estado pela milícia.

O que assombra não é o bolsonarismo doido apoiar qualquer sandice, mesmo contra si, vinda da língua de trapo de Bolsonaro, essa gente está amarga de ódio desde que Aécio sofreu a quarta derrota tucana.

Sim, porque o bolsonarismo não existe, o que existe é uma xepa tucana em estado de putrefação moral que, de tão podre de ódio, optou por Bolsonaro depois que Aécio caiu em desgraça pública a partir das revelações, em áudio e vídeo, de corrupção envolvendo a JBS.

Assim, o fel que essa gente traz aceita qualquer produção de ódio contra o PT ou contra a esquerda, porque ela entende política como um torcedor fanático entende a lógica do futebol, desses que se engalfinham e se matam em torcidas organizadas por seu time. Ou seja, é doença e não tem cura. Para piorar, são pessoas incultas e incapazes de frear o próprio impulso de ignorância.

A questão aqui é outra e de complexidade muito maior e mais aguda. Afirmar que Moro se transformou em capanga da milícia não é retórica de Glauber Braga, é síntese, tanto que ele mesmo prova, poucos dias depois de ser espinafrado pelo deputado do Psol, calando-se e se escondendo sob a atitude criminosa de PMs armados e mascarados infiltrados na corporação do Ceará pela milícia para trazer terror à sociedade com os aplausos do Palácio do Planalto.

Moro pode não acreditar, mas está assinando a sua sentença de morte política, porque o judiciário inteiro, que apoiou todas as suas trapaças na Lava Jato, sobretudo contra Lula, não vai querer posar ao lado de um Adriano da Nóbrega, de um Ronnie Lessa, de um Élcio de Queiroz envolvidos no assassinato de Marielle, que é hoje uma personalidade mundial. Essa gente não vai querer se indispor com a comunidade jurídica internacional em defesa de um ex-herói do judiciário que se transformou em cão de guarda de assassinos.

Na verdade, Moro tem cumprido um ótimo papel a serviço de Lula, mostrando o que ele verdadeiramente é e não como parecia ser, revelando sua ambição política, sua lógica de ética enviesada e sua total falta de compromisso com a justiça e com a constituição.

Por isso o silêncio de Moro sobre o motim do Ceará, promovido pela família Bolsonaro, fala muito mais de si do que qualquer outra retórica, porque esse silêncio obsequioso de Moro transborda submissão ao comando do levante miliciano convocado pelos ratos que habitam os porões do Palácio do Planalto depois da chegada de Bolsonaro ao poder.

O detalhe que engrossa ainda mais essa trama que envolve Moro e as milícias, é que hora nenhuma a Globo, que vivia dando holofotes a Moro, sequer indagou seu comportamento e, muito menos lhe cobrou respostas concretas sobre a insubordinação criminosa da milícia infiltrada na PM do Ceará.

 

*Carlos Henrique Machado Freitas