14 de maio de 2021
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Dias Gomes soube como poucos, em plena ditadura militar, definir com precisão, num único personagem, Odorico Paraguaçu, interpretado magistralmente por Paulo Gracindo, o que é a classe dominante brasileira, esteja ela aonde estiver.

Violenta e caricata, porque sempre teve a amplitude cultural presa no tronco da escravidão colonialista. Não importa o período, seja aquela gente da nobreza, sejam as classes mais poderosas da atualidade.

No Brasil, é difícil falar em equilíbrio social quando o predomínio nas camadas mais pobres da população é, por condição de sobrevivência, imensamente criativa e, com isso ou por isso, têm uma noção de mundo muito mais ampla do que o clero dos abastados da nossa Sucupira.

Quando se vê, sobretudo a elite paulista opulenta com característica de domínio, carregada de uma ambição perigosa sem a menor liberdade na busca por um assento qualquer nas relações sociais, fica cristalizado que temos uma civilização formada aos solavancos, talvez pelo grito do Ipiranga.

A questão que tortura essa elite imperial, inclusive a militar em relação a Lula, é a total falta de sabedoria e originalidade dos grandes pensadores do país.

As festas promovidas por Dória, cheias de rapapés com as figuras máximas do empresariado brasileiro, retratam isso de forma fidedigna.

Não é sem motivos que Bolsonaro ainda se apoia num eleitorado eminentemente classista, independente da classe social, o que é mais louco.

Agora mesmo um detalhe chama a atenção, no bom sentido, segundo pesquisa do PoderData, 82% dos que se identificam como pretos reprovam o governo Bolsonaro. Isso é uma maravilha, porque simplesmente, no Brasil, se dependesse dos negros que são a maior parte da população, Bolsonaro já teria sido cassado e certamente preso pelos seus múltiplos crimes.

Por outro lado, sabe-se que Bolsonaro chegou ao poder com apoio maciço do grande empresariado brasileiro 100% branco. Isso traz um significado cultural de extrema importância, não só porque os negros são os grandes protagonistas de uma massa de manifestações culturais que dão ao pais identidade própria, rica e extremamente profunda, mas porque, historicamente, a elite brasileira nunca teve vida própria, nunca teve lucidez de seu papel no país, que fará no mundo.

E é aí que entra Lula e, junto, o próprio Moro e a mídia nativa de algum lugar da grande Sucupira.

A trajetória de Lula, de onde veio e aonde chegou, por si só já é uma síntese de sua grandeza, grandeza esta que dá a ele a condição de estar entre as maiores e mais influentes lideranças políticas do planeta.

Então, vem um juiz como Moro carregado de um provincianismo inacreditável, ainda mais quando se junta com a sua esposa que prometeu transformar o bocó em príncipe regente através da 13ª Vara de Curitiba. Para tanto, bastaria somente condenar e prender Lula sem provas que ele teria todos os troféus, medalhas, flâmulas e bustos de bronze concedidos pelo Brasil oficial, ao qual Machado de Assis chamava de “caricato e burlesco”.

E o trouxa caiu no conto familiar, pior, na mediocridade que habita o mundo dos endinheirados brasileiros que se confundem com o próprio baronato da mídia que não é outra coisa, senão a herança mais provinciana herdada da aristocracia cafeeira com uma boa dose de coronelismo do cacau. Tudo isso junto, deu no que deu.

Bolsonaro é o genocida escolhido pela elite e que hoje é considerado uma figura contagiosa, repugnante em todo o planeta por quase todos os chefes de Estado, enquanto lula, ao contrário do que sonhava essa turma casca grossa que faz esse caldo social no Brasil, ganha ainda mais dimensão política depois de sua condenação e prisão, porque dá ao mundo uma clara noção dos problemas concretos do Brasil.

E sem a classe dominante, bolsonarista e morista, entender o tamanho do vulto e o lugar que Lula ocupa na geopolítica mundial, a vergonha hoje cobre o Brasil, como se fosse uma maldição sobre as almas danadas que fazem da elite brasileira uma jurássica piada internacional, enquanto Lula ganha cada vez mais a imagem polida de uma das maiores celebridades globais, o que certamente não entra nos tímpanos dessas múmias, que fará na cabeça.

Todos esses relinchos da classe dominante contra Lula são, na verdade, um ódio de quem o tem atravessado na garganta, justamente pela sombra que ele sozinho faz diante dos olhos planeta sobre a nossa podre oligarquia provinciana que fala somente entre ela o “dialeto dos elegantes”.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Celeste Silveira

Produtora cultural, parecerista de projetos culturais em âmbito nacional

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