18 de junho de 2021
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A comentarista Flávia Oliveira não conteve as lágrimas na transmissão ao vivo da GloboNews de hoje ao comentar a morte de Kathlen Romeu, de 24 anos, que estava grávida e foi atingida ontem por uma bala perdida em uma ação policial na comunidade do Lins, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Durante o “Estúdio i”, a jornalista pediu desculpas ao começar seu comentário enxugando algumas lágrimas.

Muito difícil, peço desculpas a você [Maria Beltrão] e aos meus colegas, mas é muito difícil ouvir o que a gente está ouvindo, assistir o que a gente tem assistido no Rio de Janeiro, esse lugar que é o cenário, o ambiente de uma ‘necropolítica de segurança pública.’ Diariamente a gente chora mortes de crianças, jovens, policiais e agora também de mulheres e bebês.

Flávia citou dados do Instituto Fogo Cruzado, que acompanha ocorrências violentas no Rio de Janeiro, para justificar sua indignação e mostrar que a morte de Kathlen não é um caso isolado. Segundo a plataforma, nos últimos cinco anos, 15 mulheres grávidas foram baleadas na região metropolitana da cidade — oito morreram.

É impossível não se emocionar com essa história, a Kathlen era o projeto de vida de uma família, de uma avó, de um pai, de uma mãe. Tinha a mesma idade da minha filha, ela faria 25 anos, minha filha já completou. Eu sei o que é ser uma mãe negra, botar uma filha negra no mundo, e lutar pela educação delas. Eu sou filha também de uma mulher negra. É muito difícil lidar com uma situação tão dramática, tão desnecessária, uma violência gratuita que não tem produzido melhora na sensação de segurança, não tem produzido ressocialização de criminosos, redução do crime organizado. Ela só tem produzido luto em famílias negras de favelas, principalmente, mas também em famílias negras de policiais.

Nas redes sociais, famosos como Ícaro Silva, Elza Soares, Paulo Vieira, Preta Gil, Thelma, Thiaguinho e outros nomes também pediram justiça em relação ao caso.

De acordo com a Polícia Civil, com base na perícia do IML (Instituto Médico-Legal), um tiro de fuzil atravessou o corpo de Kathlen. Moradores contestam a versão da PM, que diz ter reagido a uma ação criminosa. Testemunhas afirmam que os agentes estavam escondidos em uma casa e abriram fogo contra um ponto de venda de drogas, atingindo a jovem.

Eu não sei mais quantas lágrimas a gente vai ter que derramar em razão dessa tragédia cotidiana, é muito duro.

*Com informações do Uol

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Celeste Silveira

Produtora cultural, parecerista de projetos culturais em âmbito nacional

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