Mês: janeiro 2026

Com aval de Ibaneis, BRB herda rombo bilionário de relações com Master, vê futuro em xeque e fantasma da privatização ressurgir

Estimativas apontam perdas de até R$ 5 bi; aquisições do banco privado podem ter superado 20% da carteira do BRBEstimativas apontam perdas de até R$ 5 bi; aquisições do banco privado podem ter superado 20% da carteira do BRB

O Banco de Brasília (BRB), instituição pública com mais de meio século de história, vê seu futuro em xeque após uma sequência de operações com o Banco Master – instituição privada focada em créditos e investimentos liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025 por decisão do Banco Central (BC).

O BRB foi o maior comprador de ativos do Master entre 2024 e 2025, mesmo após alertas de risco e sinais claros de que o banco privado enfrentava sérios problemas de liquidez. De acordo com o sistema IF.data do Banco Central, a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, um crescimento de R$ 20 bilhões em apenas 12 meses. Deste total, ao menos R$ 12,2 bilhões são decorrentes de operações com o Banco Master. Ou seja, mais de 20% da carteira foi atrelada a papéis do banco que viria a quebrar. Trata-se de uma exposição que, segundo especialistas, compromete a solidez da instituição.

“O principal ativo de um banco é a confiança. Quando ela é corroída, nem mesmo a carteira sólida consegue sustentar sua credibilidade”, afirma o economista Pedro Faria, doutor em História pela Universidade de Cambridge. Para ele, a forma como o BRB foi utilizado para capitalizar o Master representa “o uso político de um banco público para beneficiar aliados privados, e o prejuízo fica socializado”.

Ivan Amarante, secretário de organização do ramo financeiro do Sindicato dos Bancários de Brasília, também chama atenção para o tamanho da exposição. “Foi uma operação de mais de R$ 10 bilhões com um banco que tinha R$ 5 bilhões de patrimônio líquido. É o tipo de descompasso que coloca qualquer banco em risco, veja o que foi a fraude das Americanas para o Bradesco, que é muito maior que o BRB. Aqui, o tamanho da operação beira a irresponsabilidade.”

A estimativa inicial do rombo era de R$ 2,6 bilhões. Mas, conforme revelou a Reuters, o valor pode alcançar R$ 5 bilhões, segundo depoimento à Polícia Federal (PF) do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino. O montante supera o próprio patrimônio líquido do BRB, que era de R$ 4,9 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2025, segundo dados mais recentes do Banco Central.

A crise pode comprometer o futuro do banco. O atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, já confirmou a necessidade de buscar apoio junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ao próprio Governo do Distrito Federal (GDF) para cobrir o buraco. “Não é só que o BRB fez um mau negócio, ele foi usado para tentar salvar um banco privado com problemas antigos e conexões políticas fortes. Isso é muito mais grave”, avalia Faria.

O Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro através de uma holding com sede nas Ilhas Cayman, vinha sendo acompanhado pelo Banco Central desde 2024 e operava com sinais evidentes de desequilíbrio. O grupo é investigado por práticas fraudulentas envolvendo a revenda de carteiras de crédito falsas, operações com entidades de fachada e articulações com fundos e fintechs sem lastro real.

Ainda assim, documentos e depoimentos obtidos pela reportagem do Brasil de Fato mostram que a direção do BRB, sob comando de Paulo Henrique Costa, demitido por Ibaneis Rocha em novembro, seguia pressionando internamente pela continuidade das compras. Costa deixou o cargo em 19 de novembro de 2025, após ter sido afastado em 18 de novembro de 2025 por decisão judicial no âmbito da Operação Compliance Zero da PF.

Meses antes, o Banco Central vetou, em setembro de 2025, uma tentativa do BRB de investir mais dinheiro para, desta vez, adquirir não somente carteiras de crédito, mas o controle do Master. O conselho do BRB havia aprovado, em março, a compra de 58% do capital do banco privado. O veto do BC à operação foi seguido pela liquidação extrajudicial da instituição financeira privada semanas depois, escancarando fraudes e forçando o BRB a reconhecer prejuízos em larga escala.

“A gente está falando do uso de um banco público para socorrer um aliado, com decisão política clara de correr risco com dinheiro do povo”, afirma Amarante. Segundo ele, o sindicato emitiu alertas formais desde 2024 sobre o risco de exposição ao Master, mas foi ignorado. “A postura do Ibaneis e da gestão do BRB foi de pisar no acelerador, mesmo diante dos sinais de alerta”, afirma.

A combinação entre o rombo bilionário e o desgaste reputacional gera debate sobre o futuro da instituição. Em janeiro de 2026, o governador Ibaneis Rocha indicou Edison Garcia para o conselho de administração do BRB. Garcia é conhecido por ter conduzido, sob o governo Ibaneis, a privatização da distribuidora de energia do Distrito Federal (CEB), e hoje ocupa cinco conselhos da empresa que arrematou a estatal, a Neoenergia.

“Estamos diante de um roteiro conhecido. Sucateia-se por dentro e depois aparece a privatização como única saída ‘responsável’”, alerta Pedro Faria.

Em nota enviada à reportagem, o banco afirma que estuda alternativas como a criação de um fundo com imóveis do GDF, empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e até capitalização direta pelos controladores. “A conta será paga com dinheiro público”, rebate Amarante.

O Banco Central e o GDF não responderam aos pedidos de posicionamento do Brasil de Fato até a publicação desta reportagem. O espaço seque aberto.

Ato mobiliza juventude em Brasília para denunciar relação do governador Ibaneis Rocha no caso Master

Como o BRB foi tragado para o centro da crise
Entre 2024 e 2025, sob o comando de Paulo Henrique Costa, o BRB passou a adquirir massivamente carteiras de crédito do Master, mesmo diante de alertas internos e da desconfiança crescente do mercado. Em depoimento à PF, Costa diz que as operações visavam diversificar a atuação do banco e que eram encaradas como uma oportunidade de crescimento pela direção.

Internamente, a pressão por novas compras era evidente. Em setembro, segundo anotações apreendidas pela PF, o presidente do BRB teria afirmado, durante reunião de diretoria, que “faz-se necessário efetuar as compras de carteiras”, sob pena de o Master quebrar. As transações se davam mesmo após a revelação da fraude da Tirreno, uma das carteiras fictícias repassadas ao BRB pelo Master.

Segundo o ex-presidente, a continuidade das compras seria necessária para tentar reverter, com a troca dos ativos adquiridos anteriormente por papeis “de melhor qualidade”, o potencial de prejuízo de transações anteriores.

“O BRB estava sendo usado para salvar um banco de um aliado político. E, depois, se descobriu que nem isso, o Master estava vendendo carteiras inexistentes”, rebate o economista Pedro Faria. “É a utilização de um banco público como instrumento de resgate privado, sob verniz técnico e com conivência institucional.”

Nesta quinta-feira (29), o ministro Dias Toffoli, relator do processo do Banco Master, retirou o sigilo da acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, que expôs contradições entre as versões. Em comum, ambos mencionam que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) sabia das negociações entre os bancos.

Ibaneis como fiador da relação com o Master e o ‘fantasma’ da privatização

Ao longo de todo o processo de aproximação entre o BRB e o Banco Master, Ibaneis Rocha não apenas esteve informado sobre as negociações, como atuou ativamente como avalista político da operação.

Em diversas declarações públicas, o governador tratou as operações como seguras e estratégicas para o fortalecimento do BRB, classificando as críticas como “movimentações políticas para desestabilizar o banco”.

Em entrevista concedida em março de 2025, Ibaneis chegou a afirmar que “os ativos do Banco Master são sólidos” e que “o BRB está fazendo uma aquisição estratégica, dentro da legalidade e com total apoio do GDF [Governo do Distrito Federal]”. Mesmo após a Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, ele insistiu que “nenhuma ilegalidade foi cometida” e que “a oposição tenta criar um escândalo político onde não há”.

*BdF


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Megavazamento de dados: Justiça inglesa recebe ação coletiva sobre dados expostos de brasileiros

Agência Pública – A Justiça da Inglaterra irá julgar um dos maiores casos de vazamento de dados da história recente do Brasil, que afetou cerca de 220 milhões de pessoas, há cinco anos. A ação coletiva busca responsabilizar a Serasa e outras duas empresas do grupo britânico Experian, que teriam expostos dados sensíveis de brasileiros.

O vazamento foi identificado em janeiro de 2021, descoberto pelo laboratório de cibersegurança da empresa de aplicativo de segurança Psafe, quando criminosos passaram a divulgar dados sensíveis dos brasileiros como CPF, RG, data de nascimento, escolaridade, CNPJs e receitas do FGTS.

Protocolada em 9 de janeiro deste ano, na Corte inglesa, a ação sustenta que esses dados sensíveis foram expostos em fóruns clandestinos, conhecidos como “deep web” e deixaram os brasileiros vulneráveis. O caso tramita exclusivamente na Inglaterra, porque duas das empresas controladoras do grupo Experian estão sediadas e operam a partir do território inglês, o que permite que sejam processadas no país.

“O Serasa faz parte do Experian Group, que é um grupo econômico internacional. Essas duas empresas matriciais, parent companies, como a gente se refere, têm uma sede na Inglaterra e [lá] conduzem seus negócios”, explica Andrew Shorts, sócio do escritório de advocacia internacional Mishcon de Reya responsável pela ação.

Shorts foi um dos idealizadores de um site que convocava as vítimas do megavazamento para que se juntassem à ação coletiva. Segundo ele, até o momento, cerca de 25 mil pessoas já manifestaram o seu interesse em integrar o caso, sendo a grande maioria composta por brasileiros.

O rito do processo é diferente do praticado no Brasil, uma vez que a petição inicial é protocolada com dados mais simples e os detalhes do caso são apresentados no decorrer do processo. Isso permite, portanto, que outras vítimas do vazamento possam se juntar à ação, mesmo que ela já tenha sido protocolada.

Embora o processo seja conduzido pela Justiça da Inglaterra, o caso também irá considerar a legislação brasileira, segundo o organizador da ação. “O direito de indenização dos autores decorre das leis brasileiras, ainda que o processo esteja sendo julgado na Inglaterra”, afirma.

“O tribunal inglês aplicará a lei brasileira porque [os direitos desrespeitados] em que se baseia a ação, existem no direito brasileiro, mas não no direito inglês. Os tribunais ingleses têm ampla experiência em julgar disputas internacionais, muitas das quais exigem a aplicação de leis estrangeiras. As normas processuais, no entanto, serão as inglesas”, explica Shorts.

O principal pedido da ação é a condenação das empresas, e o pagamento de indenização financeira aos titulares afetados. Os valores para as vítimas serão definidos pelo julgamento da corte inglesa, caso a responsabilidade do grupo Experian seja reconhecida.

Outro lado
À Agência Pública, a Serasa Experian disse que não houve invasões aos seus sistemas de dados à época e que chegou a apresentar um laudo pericial, feito por uma auditoria independente, às autoridades componentes.

O laudo foi solicitado pela reportagem, mas a Serasa não o encaminhou e declarou que não poderia informar qual organização assinou a auditoria.

A empresa de informação de crédito afirmou ainda em seu posicionamento (leia na íntegra) que não foi citada “na ação judicial referida”, porém a Pública acessou o sistema da Justiça inglesa e confirmou a presença da Serasa Experian no processo.

A nota diz que a empresa lamenta e repudia a “propagação de informações enganosas, com promessas falsas de indenizações ou compensações financeiras”. Em outro trecho, salienta que “reforça seu compromisso com a proteção de dados, a legalidade de suas práticas e a segurança das informações sob sua guarda.”

Segundo Shorts, a ação também serve de “ponto de atenção para as grandes corporações que têm esses dados, para que elas melhorem a sua segurança, porque vai doer no bolso delas e elas devem evitar esse tipo de vazamento.”


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A mando de Bolsonaro, Tarcísio confirma apoio a Flavio e tentará a reeleição em SP

Ao sair da Papudinha, Tarcísico, obedediente a Bolsonaro, se declara candidato à reeleição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou nesta quinta-feira (29) que pretende disputar a reeleição ao comando do Palácio dos Bandeirantes. A declaração foi feita após uma visita a Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e ocorre no momento em que o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos no campo da direita.

No encontro, realizado na unidade prisional conhecida como “Papudinha”, Tarcísio também reiterou publicamente seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Segundo o governador, a decisão de permanecer focado na política paulista não é recente e vem sendo discutida há anos com aliados. “A gente conversa sobre isso desde 2023, que meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma linha de coerência. Tenho comprometimento ao estado de São Paulo. Sou grato ao estado de São Paulo”, afirmou Tarcísio a jornalistas.

A visita marcou o primeiro encontro entre Tarcísio e Jair Bolsonaro desde que Flávio Bolsonaro foi anunciado pelo pai como o nome escolhido para representar o grupo político na corrida ao Palácio do Planalto. O governador chegou a ensaiar uma candidatura presidencial, mas recuou após a pressão dos bolsonaristas.

Questionado sobre o apoio ao senador Flávio Bolsonaro, o governador foi direto ao reafirmar sua posição. “Sem dúvidas, como tenho afirmado constantemente. Não tem dúvida com relação a isso”, afinal, deve obediência a Bolsonaro.

Claro, são ordens de Bolsonaro


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Juro real no Brasil atinge maior nível em 20 anos e expõe abusos do BC

Com a Selic em 15%, o país atinge juro real de 10,6% e consolida a 2ª maior taxa do mundo, penalizando trabalhadores e favorecendo rentistas

A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira (28), de manter a Selic em 15% pela quinta vez consecutiva elevou o juro real brasileiro a 10,6%, nível não visto desde maio de 2006. Com a inflação projetada em 4% para 2026, o país se consolida como o segundo com maior juro real entre as 40 principais economias, atrás apenas da Rússia.

O juro real, resultado da diferença entre a Selic e a inflação, é o mais alto em duas décadas. O Brasil ocupa a segunda posição global há sete meses, com variações entre 9,23% e 10,6%, superando Argentina e Turquia. Em termos nominais, aparece em quarto lugar, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (16%). Nos Estados Unidos, o índice é de 1,55%, enquanto o Japão registra -1,18%.

Desde 2006, picos acima de 10% foram raros. Durante a pandemia, os juros chegaram a ser negativos, mas o retorno ao patamar atual marca um dos períodos mais restritivos da política monetária brasileira.

Alta persistente apesar da desaceleração da inflação

Apesar da desaceleração do IPCA-15 de janeiro — que registrou 0,20% e acumulou 4,5% em 12 meses, situando-se dentro da margem de tolerância —, o Copom sinalizou que cortes ocorrerão apenas a partir de março. De acordo com o Vermelho, mesmo com indicadores revelando que a economia gira com menores índices de inflação, o comunicado do Comitê justificou a manutenção da Selic pela persistência de incertezas externas e expectativas inflacionárias acima da meta oficial de 3% (com tolerância de 1,5 ponto percentual).

O efeito da política monetária em curso drena para os títulos públicos recursos que seriam destinados a investimentos produtivos. Além disso, encarece o crédito, trava novos investimentos e sufoca o consumo das famílias devido ao endividamento, que já atinge 79,5% dos lares, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A dívida pública brasileira alcançou R$ 8,6 trilhões em 2025, com R$ 984 bilhões pagos apenas em juros (o equivalente a 7,98% do PIB), consumindo praticamente metade do Orçamento da União.

Sociedade critica a Selic a 15%

Centrais sindicais como CTB, CUT e Força Sindical apontam prejuízos severos ao emprego e ao consumo. Para Adilson Araújo, presidente da CTB, “a dívida pública se transformou no principal meio de valorização do capital operado por banqueiros, agiotas e rentistas em nosso país. O pagamento de juros a favor desta casta de parasitas consome, agora, mais do que a metade do orçamento público e configura uma brutal transferência de renda do conjunto da sociedade para os rentistas”, afirmou.

As críticas ao nível alto da Taxa Selic também encontram eco no setor produtivo. A indústria, representada pela CNI, e o setor da construção civil criticam a restrição ao crédito imobiliário, que inviabiliza investimentos e o acesso da população à moradia. O editorial do portal Vermelho reforça que a atual política monetária é antagônica aos interesses populares, blinda o rentismo e exige uma reforma profunda no sistema financeiro, visando recolocar o Banco Central sob o controle do Estado.


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Direita foge e fugirá da pauta econômica na disputa presidencial

Na disputa eleitoral para a Presidência da República, a direita fugirá da pauta econômica. Os motivos são claros, Lula faz a economia voar batendo recordes reais de crescimento. Do outro lado, a economia americana chafurda no marasmo com Trump rumo à insolvência do império.

O nome disso é alta pintura fora do quadro, o que significa que tal fato está fora do script eleitoral no Brasil desde a redemocratização.

Lula pegou o país com 34 milhões de mendigos, miseráveis, produzidos pela política nefasta de Bolsonaro e Guedes para a glória maior do classismo financeirista.

Esses dois, um, burro de carroça e, outro, a besta do balão, são o caso da nudez crua e seca do capitalismo neoliberal mais selvagem da terra.

Não é sem motivos que o baronato da agiotagem nacional usa de todas as formas possíveis, mesmo as mais caquéticas, para tentar sequestrar o Brasil, através de uma taxa de juros imunda, parelha somente com a milícia que atua criminosamente nas favelas e periferias de todo o  Brasil.

Durante muitos anos de tecnocracia neoliberal, a mídia e seus sabujos coroavam de louros a cabeça dos Ceos, coachs e outras porcarias mais do campo corporativo, que criaram histórias paralelas à do Brasil real para vender a bíblia do neoliberalismo como a própria cadeira dos reis.

A nós súditos desse helenismo contemporâneo, sempre coube o papel passivo de ter o direito máximo de balançar a cabeça em sinal de negação.

Pois bem, o que veremos agora, é basicamente inédito no Brasil, a direita fugindo dos temas econômicos, por duas questões diametralmente opostas. Se Lula e Haddad, como mostram os números, promoveram a queda do dólar, a queda da inflação, os recordes recorrentes da bolsa de valores, por uma visão humanista da economia, por outro lado, assistimos a Trump descambar para a graça natural de um império em ruínas, que tenta corrigir os números econômicos na cartilha nua e crua do fascismo.

O silêncio sobre tal tema em tal caso, ou seja, as eleições, será estratétigo para a direita, porque não terá como a direita esclarecer para o seu eleitorado por que os tecnocratas, que desdenharam da politica econômica de Haddad e Lula, agora, estão aí paralisados, alheios, sem pai e mãe, nem vizinho, em caso contrário a tudo o que pregaram a vida inteira.

É muita ironia diante dos nossos próprios olhos.


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Governo Lula deve entregar mais 400 unidades odontológicas móveis

Até março, serão 800 novas unidades doadas pelo Brasil Sorridente

O governo federal projeta entregar mais 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) até o mês de março, além das 400 que já foram entregues no ano passado, informou hoje (28) o coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Hilan Gomes de Lucena, que participa do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, no Expo Center Norte, na capital paulista.

“No total, vamos somar 800 novas unidades móveis até março, que serão distribuídas para todas as unidades federativas”, disse à Agência Brasil.

As unidades fazem parte do programa Brasil Sorridente, que tem como foco levar atendimento odontológico às populações que têm dificuldade de acesso ao serviço, incluindo indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e assentadas. O objetivo da ação, segundo ministério, é garantir assistência a todas as pessoas.

A iniciativa oferece tanto procedimentos de atenção primária quanto ações especializadas em tratamento endodôntico e oferta de próteses dentárias.

“O Brasil Sorridente, que é a política nacional de saúde bucal, tem o dever de levar cuidados para toda população brasileira”, afirmou.

Segundo Gomes de Lucena, a unidade móvel é um dos componentes do programa, um consultório completo em carro equipado com raio X, cadeira e equipamentos para fazer restauração, extração e procedimentos preventivos, levando a equipe de saúde bucal até aqueles territórios mais distantes como na zona rural, quilombos, assentamentos e população em situação de rua.

Em setembro do ano passado, a população da cidade de Mâncio Lima, no Acre, Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) recebeu, por exemplo, uma das unidades móveis, o que permitiu o acesso de populações ribeirinhas ao tratamento odontológico. As equipes locais construíram uma balsa e instalaram a unidade móvel nela para fazer o atendimento chegar às comunidades por meio do rio.

Congresso
Em entrevista à Agência Brasil, durante o congresso, Lucena informou que o governo federal também planeja ampliar a oferta de tratamentos que serão oferecidos por cada uma das unidades móveis, de forma que possam também realizar tratamento de canal e prótese dentária com fluxo digital, que utiliza tecnologia para restaurações mais rápidas e precisas.

“Estamos fazendo um piloto para prótese dentária com fluxo digital no município de Cavalcante, em Goiás. Provavelmente na próxima semana estaremos lançando isso”, informou. “Com esse equipamento, a boca da pessoa é escaneada para impressão da prótese. No retorno, o paciente já sai com a prótese. Serão doados 500 kits de combo para o fluxo digital para diversos municípios do país”, disse.

Retorno do programa
As unidades móveis odontológicas foram criadas no segundo mandato do governo Lula, em 2009. No entanto, o programa foi interrompido em 2015 e retomado somente em agosto do ano passado, quando passou a receber investimentos do Novo PAC Saúde.

O professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira, coordenou um censo para avaliar a ação, realizado em 267 municípios brasileiros, que receberam unidades móveis até o ano de 2017. O censo foi feito antes de o programa ser interrompido e já demonstrou que as unidades odontológicas móveis cumprem um importante papel, ampliando o acesso da população à saúde bucal. “A importância é a ampliação do acesso”, destacou o coordenador-geral.

“Em 75% das unidades que funcionam, foi unânime o relato de gestores e dentistas sobre a ampliação do acesso. Uma fala muito comum deles era que uma determinada comunidade jamais ia ver um dentista se não fosse por essas unidades móveis”, acrescentou.

*Agência Brasil


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PF investiga: mesma teia de ‘influenciadores’ serviu a Vorcaro, Tarcísio, Nikolas e Flávio

No inquérito já aberto, Polícia Federal apura elo entre as ‘bets’ VaiDeBet, de Gustavo Lima, e 7GamesBet, de empresário ligado a Ciro Nogueira, e pagamento de mídia do esquema

A agência Qualimedia Digital Inteligence, uma espécie de pequena-gigante empresa de planejamento estratégico e marketing digital que tem em seu portfólio de clientes o portal UOL, o metrô de São Paulo e o Instituto Ayrton Senna, está na base da pirâmide de pessoas físicas e jurídicas que desde esta quarta-feira (28) são formalmente investigadas pela Polícia Federal por disseminarem mentiras nas redes sociais a partir de perfis de “influenciadores digitais” e de sites de caráter tóxico.

Um relatório preliminar de investigação, usado como base da PF para abrir o procedimento oficial, mostra que a Qualimedia (que surge nos papéis prévios em nome dos empresários Beni Marcus Biston e Kleber Rodrigues) é sócia da agência Eleven. Dedicada à administração de perfis e carreiras de influenciadores digitais, a Eleven subcontrata ou administra os perfis @alfinetei, @futrikei, @garotxsdoblog, @otariano e os sites “Bacci Notícias”, de Luiz Bacci, Portal Babados, Lugar da Fama e Planeta Jovem.

Num dos fluxogramas desenhados pelos investigadores fica claro que nos dias 28 e 29 de dezembro de 2025 esses perfis de redes sociais e sites da chamada “esgotosfera” da internet engajaram-se no chamado “Projeto DV” (iniciais de Daniel Vorcaro) e postaram insistentemente críticas à “velocidade da liquidação” do Banco Master, à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban, que elogiou e apoiou a ação do Banco Central), ataques ao diretor de normas do BC, Renato Gomes, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além de acusações ao banqueiro André Esteves (BTG) como sendo um “idealizador” da liquidação do ex-banco de Daniel Vorcaro.

Teia de intrigas contra BC e elogios à extrema direita
Todas as denominações virtuais enredadas na teia tecida pelos investigadores da PF têm mais de 70 milhões de seguidores somados no país. Entre os meses de novembro de 2025 e janeiro de 2026, publicaram postagens elogiosas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, referentes à redução do valor do IPVA, a obras do Rodoanel, a ações de segurança pública e denotando “firmeza” dele na cobrança à multinacional italiana Enel, culpando-a pelos apagões na capital paulista.

Segundo as investigações preliminares que agora serão aprofundadas, os perfis também foram usados para turbinar críticas do deputado Nikolas Ferreira à Caixa Econômica Federal em razão do atraso do sorteio da “Mega da Virada”, no dia 31 de dezembro do ano passado, e ainda para anunciar e cobrir a “caminhada da insensatez” do parlamentar, em janeiro deste ano, entre Paracatu (MG) e Brasília (DF) a fim de clamar por “liberdade” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (sentenciado a 27 anos e 4 meses de cadeia por tentativa de golpe de Estado). No mesmo período, a fauna de influenciadores contida nesse mesmo zoológico virtual foi usada espalhar informações a favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência.

Entre os vários serviços que oferece ao mercado digital, a Qualimedia é usada como chanceladora da audiência de portais e de páginas da internet na relação comercial com governos dos três níveis – federal, estaduais e municipais – e suas respectivas agências de publicidade licitadas para o atendimento. As auditorias de audiência da Qualimedia determinam o volume de recursos a ser recebido pelos veículos em cada campanha pública que ela designada a atuar como “AdTracker”. Muitas das agências que trabalham com o atual governo federal utilizam ou já utilizaram serviços da Qualimedia. Há um disclaimer no rol de informações advertindo que o relatório foi elaborado a partir de “OSINT – Open Source Intelligence”, ou seja, pesquisa em fontes abertas, e que “os achados apresentados… não devem ser entendidos como afirmações definitivas”.

Saiba quem eram os trens-pagadores
Associados à Eleven surgem nos papéis prévios os nomes de Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e ex-deputado federal pelo PT de São Paulo, e do filho dele, Lucas Sanchez. O filho de Andrés Sanchez, por sua vez, surge no dossiê associado a Felipe Filipelli, publicitário dono da agência Banca Digital e filho do ex-vice-governador do Distrital Tadeu Filipelli (MDB). A Banca Digital contratou a empresa Lorena Magazine, responsável por bancar financeiramente publicações elogiosas a supostas ações de Tarcísio de Freitas no Rodoanel naquela miríade de @s descritas no início desta reportagem.

O capítulo financeiro será destaque nos procedimentos investigatórios da Polícia Federal. Nos levantamentos feitos anteriormente à instauração do inquérito e que balizam as ações, os nomes dos empresários mineiros Flávio Carneiro e Antônio Carlos Freixo protagonizam alentados parágrafos. Carneiro é dono de 100% do site PlatôBR e de 49% do Brazil Journal. Nos registros de posse da PF ele aparece como tendo admitido possuir 60% das ações do site de fofocas “Leo Dias”.

No ano passado, Carneiro e Freixo Júnior montaram uma Sociedade Para Fins Específicos chamado “FOONE” que, segundo os organizadores do dossiê, tinha participação oculta de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, por meio do Duke Fundo de Investimento em Participações e Multiestratégia. A Sociedade Para Fins Específicos unia as empresas de mídia de Carneiro à operação digital da Istoé e ao portal Infomoney, de Freixo, além do site de Leo Dias, num único “conglomerado” de mídia digital. O objetivo era partilhar captações publicitárias públicas e privadas em conjunto e partilhar os lucros. “Não deu certo. Foi um projeto que deu errado. Desfizemos essa sociedade ainda em 2025”, admitiu Flávio Carneiro ao ICL Notícias há duas semanas.

Vorcaro pode voltar para a cadeia
Caso o aprofundamento das investigações da Polícia Federal leve ao estabelecimento de conexão financeira entre Vorcaro, o fundo Duke, a FOONE e o pagamento das postagens derrogatórias ao Banco Central, ao seu diretor Renato Gomes e ao ministro Alexandre de Moraes, o ex-controlador do Master voltará ao regime de prisão preventiva em regime fechado por obstrução de Justiça. Criar obstáculos a uma investigação ou atrapalhar a atuação judicial com disseminação de mentiras e aleivosias, por exemplo, é crime inafiançável e sem possibilidade de relaxamento de medidas cautelares.

No material com o qual a PF trabalha há mapas gráficos determinando o “ecossistema digital de influenciadores”. Nele, lê-se que “foram identificadas contas relacionadas a pelo menos cinco agências de marketing e três empresas de aposta on line” responsáveis por viabilizar o pagamento das postagens que enaltecem Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira enquanto detratam o BC, Moraes e Gomes e tentam criar burburinho e confusão em torno da compreensão pública do fato “liquidação do Banco Master”.

As cinco agências de marketing digital referenciadas são MiThi, relacionada diretamente ao publicitário brasiliense Thiago Miranda, Portal GroupBR, Agência Grupo Farol, Deu Buzz e Mynd8. Todas estão sob investigação. Entre as ‘bets’, surgem destacadas a 7GamesBet, administrada por um operador de Goiás chamado Fernando Oliveira Lima. Este operador está referenciado nos textos de posse da PF e do BC como sendo alguém “estreitamente ligado” ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e ao cantor sertanejo Gusttavo Lima. O cantor, por sua vez, é associado nos levantamentos prévios da Polícia Federal como sendo controlador da VaiDeBet, outra das empresas do ramo de “jogos de azar” eletrônicos que teriam viabilizado recursos para pagar as postagens. Por fim, a terceira ‘bet’ do sistema é a ZeroUm.Bet cujos administradores parecem ser meros testas-de-ferro na visão dos investigadores.

*Luis Costa Pinto/ICL


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Indústria de máquinas agrícolas do Brasil aumenta vendas em 7,4% para R$ 66,75 bilhões

Segundo a Abimaq, o faturamento com as vendas no mercado interno também aumentou

(Reuters) – A receita líquida total do setor de máquinas e implementos agrícolas no Brasil alcançou R$66,75 bilhões em 2025, alta de 7,4% sobre 2024, com produtores embalados por safras recordes de soja e milho, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados nesta quarta-feira (28).

O faturamento com as vendas no mercado interno, que responde pela maior parte da receita, somou R$ 57,6 bilhões em 2025, aumento de 6,7% sobre 2024.

“Depois de dois anos de queda, teve crescimento interessante… Viemos de um quadro climático e preços ruins, o que impactou negativamente os investimentos… (mas) o ano de 2025 foi de clima bastante favorável, com crescimento de safra, e viabilizou ganhos de investimentos”, afirmou a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, a jornalistas.

Para 2026, ela prevê que o setor seguirá crescendo, mas em menor intensidade, com expectativa de avanço de mais de 3% na receita.

Em 2025, as exportações da indústria de máquinas agrícolas avançaram 12,2% no ano, totalizando US$1,63 bilhão.

As vendas totais de tratores e colheitadeiras pelo setor no país no ano passado somaram 61.064 unidades, crescimento de 14,1% ante 2024, mesmo com a desaceleração observada em dezembro, quando as vendas caíram 15,6% em relação ao mesmo mês de 2024, totalizando 4.098 máquinas.

Tratores responderam pela maior parte do volume. As vendas no mercado interno atingiram 52.124 unidades em 2025, expansão de 16,5% ante 2024, apesar da queda de 18,1% na comparação de dezembro contra o mesmo mês do ano anterior.

No caso das colheitadeiras, as vendas internas cresceram 5,2% no ano, para 3.410 unidades, embora dezembro tenha registrado queda de 13,7% sobre o mesmo mês de 2024.


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Tarcísio amarela e vai à Brasília pedir a bênção ao papudo para concorrer à reeleição ao governo de São Paulo

Mais uma vez Tarcísio confirma o que todos já sabem, ele é fraco politicamente e acaba por desmentir a mídia e a Faria Lima, que teria estrela suficiente para enfrentar Lula na disputa presidencial.

Bastou Bolsonaro pintar a paisagem de um de sues filhos como candidato para Tarcísio passar vergonha e achar que acertaria mais se mudasse o rumo da prosa, deixando de lado a ambição de ser presidente, vivendo na sombra de Bolsonaro para seguir na mesma sombra na disputa pela reeleição ao governo de São Paulo.

O nome disso não é receio, é certeza de que a sua candidatura sem a mão de Bolsonaro na cabeça, seria uma tragédia que, numa só machadada, lhe tiraria a possibilidade de tentar a presidência e a própria reeleição. Preferiu fazer o que está mais desembaraçado, administrando a tentativa à reeleição, mesmo tendo sido um governador absolutamente inútil, assim como foi ministro de Bolsonaro, mas que a língua da Faria Lima, fintechs e PCC.

Isso, junto com outros muquiranas como Zema, Caiado, Ratinho Junior, mostra que a diretia de fato não tem candidato. Mesmo o Flavio, com o apoio do pai e do rsto do clã, está arrastando uma bola de ferro amarrada no pé para seguir viagem, pois não tem o apoio efetivo do centrão, dos evangélicos, de Michelle, da Faria Lima e o notório corpo mole de Valdemar, proprietário do PL

Há uma série de lacunas para que tal sonho se realize. Flavio, além de fraco emocionalmente, como se viu no debate para a prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, em que, ao vivo e a cores, cagou-se inteiro e desmaiou, é nulo intelectual e políticamente, ou seja, nenhuma surpresa rumo à caça fda cadeira presidencial.

Já Tarcísio, escanteado e desprezado pelo clã, teve que retirar seu quadro de vulto da direita brejeira e jogar no lixo a ilusão de que poderia ser candidato usando a cacunda de Bolsonaro como atestado de estupidez bolsonarista.


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Anvisa aprova cultivo de cannabis medicinal no Brasil; veja o que muda

Decisão também prevê mudanças sobre venda em farmácias e amplia formas de uso de medicamentos

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (28), o cultivo de cannabis para fins medicinais e de pesquisa no país. A decisão foi aprovada de forma unânime e atendeu a um pedido do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em novembro de 2024, determinou que a Anvisa regulamentasse o cultivo da planta, desde que exclusivamente para fins medicinais e farmacológicos.

Com a nova regra, a Cannabis sativa poderá ser cultivada por empresas, universidades e associações de pacientes para o uso em medicamentos. Até então, o Brasil não permitia o cultivo, o que fazia com que as empresas importassem a planta ou seus extratos.

A decisão prevê que será permitido o cultivo do cânhamo industrial com uma variação da Cannabis sativa com teor de tetrahidrocanabinol (THC), o principal componente psicoativo da planta, inferior a 0,3%. Essa concentração não causa efeitos psicotrópicos, mas ao mesmo tempo possui alto teor de canabidiol (CBD), substância terapêutica utilizada em medicamentos. Entre os distúrbios tratados com o canabidiol, estão ansiedade, dor crônica, epilepsia, distúrbios do sono, Parkinson, Alzheimer e outras condições neurológicas.

De acordo com a nova regra, a produção de cannabis será limitada de acordo com a demanda farmacêutica e estará sujeita a justificativas apresentadas pelas empresas responsáveis.

A Anvisa também impôs regras para o cultivo de cannabis com THC acima de 0,3%. Nesse caso, o cultivo será exclusivamente para fins de pesquisa e para ambientes regulatórios experimentais autorizados pelo órgão.

Abaixo, entenda o que muda com as novas decisões da Anvisa

Venda em farmácias
Com as novas regras, a Anvisa passa a permitir a venda de canabidiol em farmácias de manipulação. O diretor do órgão, Thiago Campos, ressaltou que o avanço representa uma alternativa “relevante” de acesso para associações de pacientes.

Expansão das formas de uso
Antes, fármacos contendo cannabis só podiam ser registrados nos formatos oral e inalatório. Com a nova regra, também estão permitidos medicamentos via bucal, sublingual e dermatológica.

Ampliação do acesso
Outra mudança se refere ao público que poderá utilizar os medicamentos à base da canabidiol. Atualmente, somente pacientes em cuidados paliativos ou com condições clínicas irreversíveis ou terminais podem fazer uso da substância. Com a nova decisão, pacientes com doenças debilitantes graves também poderão usar os medicamentos.

Produção em centros e projetos de pesquisa
As novas regras da Anvisa também ampliaram os locais de produção e estudo sobre a cannabis. A partir da decisão, instituições de ensino e pesquisa reconhecidas pelo MEC, ICTs públicos, indústrias farmacêuticas e Órgãos de Defesa do Estado também poderão realizar pesquisas sobre a substância.

Nesses casos, no entanto, não está permitida a comercialização ou doação para pacientes.

A expectativa com as novas decisões da Anvisa é que o país avance não só na produção da substância, mas principalmente no tratamento de doenças e distúrbios tratados a partir da cannabis.


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