Conteúdo distorcido acusava profissionais de imprensa de desejar a morte de Bolsonaro; Abraji, Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do DF condenaram os ataques e pediram investigação das ameaças
Ocompartilhamento de um vídeo pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais desencadeou uma onda de ataques contra jornalistas que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
O vídeo, divulgado originalmente por uma influenciadora bolsonarista, acusa repórteres de estarem comemorando os problemas de saúde do ex-presidente. Não há qualquer evidência que sustente a acusação.
As imagens mostram jornalistas reunidos em frente ao hospital DF Star, onde aguardavam informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro. Mesmo sem provas, a gravação sugere que os profissionais estariam desejando a morte do ex-presidente.
Michelle compartilhou o conteúdo em seu perfil no Instagram, onde possui mais de 8 milhões de seguidores, ampliando rapidamente a circulação do vídeo, segundo a Forum
Após a postagem, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a receber ameaças de morte, ofensas e mensagens de intimidação nas redes sociais. Um dos profissionais procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência.
Também começaram a circular montagens e vídeos manipulados, incluindo um conteúdo produzido com inteligência artificial que simula o esfaqueamento de uma jornalista.
Veja o vídeo:
https://twitter.com/i/status/2033367881774215494
Entidades denunciam intimidação
Organizações que representam profissionais da imprensa reagiram à disseminação do vídeo e aos ataques.
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou que o material foi retirado de contexto e acabou expondo repórteres que estavam apenas exercendo seu trabalho.
Segundo a entidade, a divulgação do conteúdo por figuras públicas ampliou uma campanha de desinformação que resultou em ameaças contra jornalistas.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também condenaram os ataques e pediram investigação das ameaças.
As entidades destacaram que intimidar jornalistas por meio de campanhas de difamação representa um ataque direto à liberdade de imprensa.
Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13) na UTI do hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. Segundo boletim médico divulgado neste domingo (15), o quadro é estável, embora ainda não haja previsão de alta da unidade de terapia intensiva.
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