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Economia Política

Sem malabarismos, a maior oposição a Lula não é a dos Bolsonaro, mas do custo de vida a partir dos juros reais mais altos do mundo

Não adianta enfeitar o pavão, a imagem de Lula está atada naquilo que hoje é o maior presente de grego deixado por Temer e Bolsonaro, o custo de vida nas alturas, puxado pela agiotagem nacional com o suposto Banco Central independente, já que quem manda é o mercado.

A fatia da renda para pagar juros é a maior em 20 anos.

Certamente, tais disparates só vão piorar, Deus que me perdoe, numa gestão de Flavio ou Tarcísio. Mas a luta das famílias para se manterem diante do custo dos alimentos não é nada amável e, com certeza, o tom do guincho imposto pela taxa Selic é o grande pesadelo brasileiro.

É preciso entender os dois golpes dados em Dilma num piscar de olhos, quando ela enquadrou a agiotagem com o menor spread da história. Chacinaram seu governo e seguem abalando o terceiro mandato de Lula com o senquestro do Banco Central pela agiotagem nacional.

Essa é a pior forma de raptar uma gestão, porque temos que lembrar que, nos dois primeiros mandatos de Lula, o Banco Central não estava nas mãos dessa choldra de agiotas. Agora, o dinheiro está num preço profundamente imoral, desumano e isso, logicamente afeta os preços dos alimentos, do crédito e faz com que, por mais que Lula faça uma ótima gestão com avanços fundamentais, não alcance a glória merecida, do ponto de vista político.

Esse pesadelo continuará, caso nada seja feito até a eleição. O velho patriarcado rentista mostrou do que é capaz de fazer com o país, por mais generoso que um governo seja com a população, infelizmente, a vida como ela é no cotidiano dos brasileiros, é sim melhor do que nos períodos de Temer e Bolsonaro, mas a banana continua com o preço nas alturas, o torresmo, idem, a proteina animal está com preço trágico, nas estrelas.

Conclusão, a população está indiferente a todos os grandes avanços do Planalto na gestão Lula, demonstrando que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outr coisa. E todos os sacrifícios do governo para benefíciar o povo, não passam de uma arte de plumaria diante da caristia implacável que o assalta cotidianamente.

Para piorar, o governo, com a guerra contra o Irã, promovida pelos EUA e Israel, fica amarrado a um novelo difícil de se livrar, já que, como todos sabem, Bolsonaro fez o que fez contra a Petrobras e o cheiro de enxofre, mesmo depoiis de 4 anos de Bolsonaro longe do poder, segue praticamente inabalável.

Trocando em miúdos, o desequilíbrio da balança política está essencialmente na economia de vida no cotidiano dos brasileiros, isso precisa ser o foco central, sobretudo a feroz taxa Selic do Banco Central “independente”. Somente assim, Lula ganhará o terreno perdido, porque não há espaço para paralelismos que compense tal estupro que os agiotas impõem aos brasileiros.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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