Mês: março 2026

PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 e alcança R$ 12,7 trilhões

Agropecuária lidera expansão econômica, enquanto investimentos e consumo mostram desaceleração no ano

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou 2025 com alta de 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões em valores correntes, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As informações integram as Contas Nacionais Trimestrais e apontam crescimento nas três grandes atividades econômicas analisadas: Agropecuária, Indústria e Serviços. O PIB per capita atingiu R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% na comparação com 2024.

A Agropecuária foi o principal destaque do ano, com expansão de 11,7%, impulsionada pelo aumento da produção e ganhos de produtividade em diversas culturas. O milho registrou crescimento de 23,6%, enquanto a soja avançou 14,6%, ambos com recordes de produção em 2025. A Pecuária também contribuiu positivamente para o resultado do setor.

Na Indústria, o desempenho foi influenciado sobretudo pela extração de petróleo e gás, que levou as Indústrias Extrativas a um crescimento de 8,6% no ano. A Construção teve variação positiva de 0,5%. Em contrapartida, os segmentos de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as Indústrias de Transformação (-0,2%) encerraram o período com retração.

O setor de Serviços manteve trajetória de crescimento, com alta de 1,8% em 2025. Todas as atividades apresentaram resultados positivos, com destaque para Informação e comunicação (6,5%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%) e Transporte, armazenagem e correio (2,1%). Também avançaram Outras atividades de serviços (2,0%), Atividades imobiliárias (2,0%), Comércio (1,1%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou a concentração do crescimento em segmentos menos impactados pelo aperto monetário. “Quatro atividades: Agropecuária, Indústrias extrativas, Informação e comunicação e Outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista”, afirmou.

Pela ótica da demanda, o Consumo das Famílias cresceu 1,3% em relação a 2024, apoiado pela melhora no mercado de trabalho, ampliação do crédito e programas governamentais de transferência de renda. Ainda assim, houve desaceleração frente ao avanço de 5,1% registrado no ano anterior, refletindo os efeitos da política monetária contracionista. O Consumo do Governo subiu 2,1%.

A Formação Bruta de Capital Fixo, que representa os investimentos, avançou 2,9% em 2025, influenciada pelo aumento das importações de bens de capital, pelo desenvolvimento de software e pela alta na Construção. Esse movimento compensou a queda na produção interna de bens de capital. A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% observados em 2024. Já a taxa de poupança passou de 14,1% para 14,4%. 247.


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Um dia após bradar a prisão de Moraes, Nikolas Ferreira é detonado pelo Globo, denunciando que o deputado fez uma turnê pelo Brasil em campanha por Bolsonaro em avião de Vorcaro

Nikolas, Vorcaro e Lagoinha são uma coisa só. Em síntese, foi o que escreveu Malu Gaspar sobre o bibelô da direita nativa, que trombeteou a prisão de Alexandre de Moraes.

Nesta segunda, 2, Valdemar da Costa Neto disse que Bolsonaro recebeu de Daniel Vorcaro, diretamente em sua conta, não via PL, o valor de R$ 3 milhões, dizendo que vai exlodir uma bomba sobre o Banco Master.

Aeronave foi utilizada em caravana que percorreu pelo menos nove estados e o DF em busca de virada do então presidente contra Lula no segundo turno.

Nikolas, que frequenta a Lagoinha, aparece em uma foto nas redes sociais diante do Embraer 505 Phenom 300 ao lado de Batista, da mulher do pastor, Mariel, e da influenciadora cristã Jey Reis, que publicou o registro.

“MISSÃO CUMPRIDA!!”, diz Jey na postagem. “ Em cinco dias rodamos todas as capitais do Nordeste com lotação máxima em todos os lugares!!! A oportunidade de viver isso com esse mega time, pregar e mostrar amor pelo nosso país foi inesquecível!!! AMAMOS JESUS E AMAMOS O BRASIL!!”, escreveu a influencer, que publicou ainda outra foto na porta do jatinho com a hashtag #juventudepelobrasil em Recife.

Em seguida, no Globo, Malu Gaspar sapecou em garrafais:

“Nikolas e pastor da Lagoinha usaram jato de Vorcaro em campanha por Bolsonaro em 2022”

Será mesmo que Moraes será preso como bradou Nikolas Ferreira?


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China apoia Irã em direito à defesa e exige que EUA e Israel cessem ataques

Durante conversa com homólogo iraniano Abbas Araghchi, chanceler chinês Wang Yi defendeu soberania, integridade territorial e dignidade nacional de Teerã

O governo chinês condenou energicamente, nesta segunda-feira (02/03), os ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, no cargo desde 1989, além de altos comandantes militares do país. Entre os mortos estão o chefe do Estado-maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour.

Em conversa por telefone, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao chanceler iraniano Abbas Araghchi, que o país apoia o Irã em seu direito à defesa e afirmou que pressiona Estados Unidos e Israel para que cessem imediatamente os ataques.

Wang Yi reiterou o apoio da China à soberania, integridade territorial e dignidade nacional do Irã, reforçando a amizade tradicional entre os dois países e destacando a necessidade de proteger os direitos e interesses legítimos do Irã.

O chanceler chinês enfatizou ainda que a China instou publicamente EUA e Israel a cessarem imediatamente as operações militares, evitando assim uma escalada que poderia desestabilizar todo o Oriente Médio. Wang Yi demonstrou confiança de que o Irã, mesmo diante da situação grave e complexa, manterá a estabilidade interna, protegerá seus cidadãos e salvaguardará instituições estrangeiras presentes no país, incluindo as chinesas.

Durante a conversa, Araghchi destacou a situação crítica enfrentada pelo Irã, relatando que os Estados Unidos lançaram ataques militares contra o país durante negociações em curso, violando o direito internacional e desrespeitando as linhas vermelhas de Teerã. Ele ressaltou que, apesar de avanços positivos nas negociações, a agressão estadunidense obriga o Irã a defender sua soberania com todas as forças, em defesa da integridade e da segurança da nação.

Araghchi garantiu que o Irã está comprometido em assegurar a proteção do pessoal e das instituições chinesas, reafirmando o papel do país como ator respo

Durante o diálogo, os chanceleres também destacaram a necessidade de retomar o diálogo diplomático entre as partes envolvidas, reforçaram a coordenação regional para reduzir tensões e sublinharam o papel da China como mediadora imparcial e construtiva, contribuindo para prevenir uma escalada militar e humanitária na região e preservar a paz.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que a prioridade imediata é cessar as operações militares e evitar que o conflito se espalhe para outros países vizinhos. “É preciso fomentar que os problemas se resolvam por meio do diálogo e da negociação, com o objetivo de manter a paz e a estabilidade na região e no mundo”, declarou Mao.

Ela denunciou que os ataques de EUA e Israel foram realizados sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, violando o direito internacional e ameaçando a segurança de toda a região. “A China insta todas as partes a interromper as ações militares e a prevenir que o conflito se estenda ainda mais. A diplomacia é a única via para superar a crise e manter a segurança regional.”

Mao  Ning destacou ainda a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados do Golfo. Além disso, a porta-voz valorizou a reunião especial dos ministros de Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), ressaltando que o diálogo e a diplomacia são a única forma de superar a crise atual e garantir a segurança regional.

Entre os episódios mais chocantes, um bombardeio atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, matando dezenas de estudantes e funcionários e deixando centenas de feridos. Autoridades iranianas estimam que ao menos 165 pessoas morreram, a maioria meninas, e cerca de 96 ficaram feridas.

Sobre a morte do líder supremo, Mao destacou que se trata de uma grave violação da soberania do Irã e dos princípios da ONU. “Os ataques pisoteiam os propósitos e princípios da Carta da ONU e as normas básicas das relações internacionais. A China se opõe firmemente e condena energicamente esses atos.”

*Opera Mundi


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Embaixada dos EUA na Arábia Saudita é incendiada após ataque com drones do Irã

Explosões ocorrem num momento em que o Irã intensifica sua campanha contra os países do Golfo, com ondas de ataques com mísseis e drones em resposta aos ataques aéreos dos EUA e de Israel. Questionado sobre retaliação, Trump disse: ‘Vocês vão ver’.

A embaixada dos Estados Unidos em Riad, na Arábia Saudita, foi atingida por dois drones na terça-feira (3, noite de segunda em Brasília). O local estava vazio, e não houve mortos ou feridos, disse a representação americana.

“Um incêndio foi deflagrado na embaixada dos EUA na capital saudita, Riad, após uma explosão”, disse a Reuters
“Ouvi duas explosões seguidas de fumaça subindo sobre o bairro”, disse um morador da região à AFP. A agência diz ter confirmado a informação com quatro testemunhas na zona oeste de Riad, onde se concentram as embaixadas.

Questionado por um repórter sobre se haverá retaliação ao ataque à embaixada e aos seis militares mortos desde o início da guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu: “Vocês vão ver”.

A Embaixada dos EUA na Arábia Saudita emitiram um aviso para que cidadãos americanos no país busquem abrigo imediatamente.

As explosões ocorrem num momento em que o Irã intensifica sua campanha contra os países do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, com ondas de ataques com mísseis e drones em resposta aos ataques aéreos dos EUA e de Israel.

Diversos drones Shahed têm sido lançados por Teerã contra alvos no Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, entre outros países da região — muitos deles em direção a bases americanas.

Nesta segunda, um drone iraniano atingiu uma refinaria da Saudi Aramco, a empresa de petróleo saudita, em Ras Tanura, a 438 km de Riad, resultando em grande destruição.

Imagem de satélite mostra complexo da embaixada dos EUA em Riad, na Arábia Saudita — Foto: Reprodução/Google Maps

Imagem de satélite mostra complexo da embaixada dos EUA em Riad, na Arábia Saudita — Foto: Reprodução/Google Maps

*G1


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Irã promete incendiar navios no Estreito de Ormuz; militares dos EUA mortos são 6

O Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã, é uma das rotas de trânsito de petróleo mais importantes do mundo

Um comandante da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz está fechado e alertou que qualquer embarcação que tentar passar será atacada, segundo a mídia estatal iraniana.

“O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, disse Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do comandante-em-chefe da força paramilitar.

O Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã, é uma das rotas de trânsito de petróleo mais importantes do mundo, por onde passam cerca de 20% do fornecimento global de petróleo.

Qualquer interrupção nessa rota provavelmente fará com que os preços do petróleo bruto subam acentuadamente e aumentará os temores de uma escalada regional.

Número de militares americanos mortos chega a seis
Na rede social X, a Central de Comando das Forças Armadas dos EUA informou nesta segunda-feira (2) que pelo menos seis militares americanos morreram em combate após os Estados Unidos e Israel iniciarem os bombardeios ao Irã no sábado, informou o Exército. Até um dia antes, a informação era de quatro militares mortos.

“As forças americanas recuperaram recentemente os restos mortais de dois militares que estavam desaparecidos em uma instalação atingida durante os ataques iniciais do Irã na região”, afirmou o Comando Central dos EUA em um comunicado.

“As principais operações de combate continuam. As identidades dos falecidos serão mantidas em sigilo até 24 horas após a notificação dos familiares.”

*BdF


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Irã afirma ter bombardeado gabinete de Netanyahu, diz agência

Segundo agência, o ataque teria sido coordenado pela Guarda Revolucionária

O governo iraniano teria atacado o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na manhã desta segunda-feira (2). A notícia é da agência AFP. O governo israelense ainda não confirmou.

O ataque teria sido coordenado pela Guarda Revolucionária do Irã, que também afirma ter alvejado o quartel-general da Força Aérea de Israel com uma série de mísseis.

“O gabinete do criminoso primeiro-ministro do regime sionista e o quartel-general do comandante da força aérea do regime foram alvo”, disse a Guarda Revolucionária do Irã, em comunicado divulgado pela agência Fars.

Essa notícia está em atualização.

*BdF


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O velório do bolsonarismo: Atos da extrema direita na Paulista e Rio fracassaram

Na Paulista, apenas 20 mil pessoas e No Rio de Janeiro, a USP contabilizou 4,7 mil participantes em Copacabana

A manifestação organizada por lideranças da direita neste domingo (1º), na avenida Paulista, reuniu somente cerca de 20,4 mil pessoas, de acordo com estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP/Cebrap) em parceria com a ONG More in Common. Ato semelhante realizado em setembro do ano passado reuniu 42 mil pessoas.

O levantamento tem margem de erro de 12%, o que indica um público entre 18 mil e 22,9 mil pessoas no momento de maior concentração, registrado às 15h53.

Um sistema de Inteligência Artificial identifica e contabiliza automaticamente as pessoas presentes na área analisada.

Ao final do ato na Paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliou a participação como positiva. “Achei que foi um bom número. Como sempre, os brasileiros aqui dando a cara a tapa, vindo pra rua, mostrando que não têm medo de perseguição”, declarou.

No Rio de Janeiro, a contagem realizada pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e pela More in Common estimou 4,7 mil participantes na praia de Copacabana.

Considerando a margem de erro de 12%, o público teria variado entre 4,1 mil e 5,3 mil pessoas, com pico às 11h20. Não houve estimativas divulgadas para outras capitais do país.

*ICL


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Brasil manifesta ‘profunda preocupação’ com escalada de conflito no Oriente Médio

Sem mencionar EUA e Israel, governo brasileiro condenou violações à soberania e expressou solidariedade a países da região

Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, o governo brasileiro manifestou, em comunicado divulgado na noite de sábado (28/02), “profunda preocupação”. O Brasil reafirmou que o diálogo e a negociação diplomática “constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura” e reforçou o papel das Nações Unidas na prevenção e na resolução de conflitos.

O Brasil também fez um apelo à interrupção de ações militares ofensivas e instou todas as partes a respeitar o direito internacional.

O país “condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis”, diz a nota.

O governo se solidarizou com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia, atacados pelo Irã em 28 de fevereiro.

“Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário”.

“O governo brasileiro manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.

Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o direito internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. Recordando que a legítima defesa, prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é medida excepcional e sujeita à proporcionalidade e ao nexo causal com o ataque armado, o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.

Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário.

O Brasil reafirma que o diálogo e a negociação diplomática constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura, cabendo às Nações Unidas papel central na prevenção e na resolução de conflitos, nos termos da Carta de São Francisco.

*Opera Mundi


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Irã ataca Israel e países do golfo, 3 soldados americanos morreram

A situação no Oriente Médio escalou drasticamente entre ontem e hoje (1º de março de 2026). O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou a morte de 3 soldados americanos e ferimentos graves em outros cinco durante a Operação Epic Fury, uma ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Os soldados americanos morreram após um ataque iraniano contra o Camp Arifjan, no Kuwait. Esta é a primeira confirmação de baixas fatais dos EUA desde que o presidente Donald Trump anunciou o início de “grandes operações de combate” contra o Irã no sábado.

Ataques aos Países do Golfo: Em retaliação aos bombardeios em seu território, o Irã lançou centenas de mísseis e drones contra bases e centros civis em países que abrigam forças americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos (Dubai e Abu Dhabi), Catar (Doha), Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita.

Impacto em Israel: Mísseis iranianos atingiram áreas residenciais próximas a Jerusalém e Tel Aviv, resultando em pelo menos 9 mortes confirmadas no lado israelense até o momento.

Situação no Irã: A ofensiva EUA-Israel matou o Líder Supremo Ali Khamenei e outros oficiais de alto escalão, além de causar mais de 200 mortes em Teerã e outras cidades.

A escalada levou ao fechamento do espaço aéreo em toda a região e à suspensão de voos internacionais nos principais hubs do Golfo.


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Para analistas, assassinato de aiatolá Khamenei é golpe ao multilateralismo: ‘Ditadura militar global dos Estados Unidos’

Mudança de regime é sonho antigo dos EUA, que violam leis internacionais e ignoram a ONU

Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que causaram a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, é um duro golpe ao direito internacional e, em especial, ao multilateralismo global. A opinião é de analistas políticos a respeito do conflito, que entrou em seu segundo dia neste domingo (1º).

“Em termos da geopolítica internacional creio que é um revés ao eixo multipolar anti-americano liderado por China, Rússia e Irã e Venezuela, Cuba e Coreia do Norte”, disse ao Brasil de Fato Mohammed Nadir, do Observatório de Política Externa do Brasil (Opeb).

Os ataques de sábado, na opinião do professor, economista e escritor Elias Jabbour, representam “a consolidação de uma ditadura militar global por parte dos Estados Unidos”. “Eles mostram ao mundo que são o único país capaz de intervir em todos os lugares”, avalia.

Para Jabbour, estes ataques são também uma “tentativa de colocar o Brics em xeque”. “E mais: ao atacar o Irã e tentar desmoralizar seu governo, ao assassinar seu líder, tentam implodir a iniciativa Cinturão e Rota [também conhecida como Nova Rota da Seda] a partir do Irã, que é uma das regiões mais estratégicas para essa iniciativa.”

“Temos que pensar o conceito de multipolaridade neste momento porque o mundo está de cabeça para baixo e os americanos mostram uma capacidade muito grande de intervir mundo a fora”, diz Jabbour.

Violação da Carta da ONU
O analista Julian Borger, do jornal britânico The Guardian, por sua vez, afirma que “o presidente dos Estados Unidos viola a Carta da ONU poucos dias após assumir o Conselho de Paz e opta por correr o maior risco de sua administração”.

“A primeira guerra da era do Conselho de Paz de Donald Trump começou – uma tentativa não provocada de mudança de regime em colaboração com Israel, sem qualquer fundamento legal, lançada em meio a esforços diplomáticos para evitar o conflito e com consulta mínima ao Congresso ou ao público americano”, escreveu.

O Conselho de Paz foi apresentado ao Conselho de Segurança da ONU em novembro como caminho para acabar com o massacre em Gaza. “Mas já era evidente, muito antes dos primeiros mísseis serem disparados contra o Irã, que se tratava de uma manobra enganosa. A ONU pensou estar comprando uma coisa, mas recebeu algo bem diferente: um órgão rival ao Conselho de Segurança, porém sob a direção de Trump”, analisa Borger.

O especialista britânico ressalta que, “ao longo desse meio século, o Irã provavelmente nunca representou uma ameaça tão pequena quanto agora, enfraquecido tanto pelo ataque conjunto dos EUA e de Israel em junho passado, que degradou suas defesas, quanto por décadas de sanções combinadas com a migração econômica, que levou a protestos em massa nas ruas”.

O correspondente do jornal em Washington, Robert Tait, afirma que derrubar o governo da República Islâmica do Irã é sonho antigo da Casa Branca, desde a revolução de 1979, que fez 52 reféns estadunidenses, detidos por mais de ano.

“A tomada da embaixada dos EUA em Teerã por revolucionários islâmicos em novembro de 1979 trouxe aos Estados Unidos uma humilhação no cenário mundial comparável à derrota no Vietnã”, aponta Tait.

Como fica o Irã sem Khamenei?
Analistas se debruçam neste domingo sobre o cenário iraniano após a confirmação do assassinato do líder do país. “O assassinato do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel, representou um dos golpes mais significativos para a liderança do país desde a Revolução Islâmica de 1979, desencadeando protestos por parte de seus apoiadores”, disse o analista Mohammed Mansour à Al Jazeera.

“Fontes internas, especialistas militares e sociólogos políticos sugerem que a decapitação da cúpula do Irã pode não ocorrer da forma prevista pelo Ocidente. Em vez disso, corre o risco de dar origem a um Estado paranoico e militarizado, lutando por sua sobrevivência, sem mais limites políticos a serem ultrapassados.”

À reportagem, Mohammed Nadir disse concordar que o assassinato foi um “duro golpe à elite clerical iraniana”.

“Seguramente vai ter consequências no futuro do Irã. Ainda é cedo para se pronunciar sobre o futuro, mas é bem possível que haja alguma negociação no sentido de mudar o regime sem mexer muito no Estado profundo iraniano, mas com algumas concessões, tais como a neutralização do projeto nuclear iraniano, o sistema de mísseis balísticos e o fim do apoio ao eixo de resistência no Oriente Médio”, avalia.

Ele acredita que pode haver uma oportunidade para o surgimento de uma ala reformadora no Irã, que certamente já existe no país. “[Uma ala] que seja capaz de alinhar o Irã aos EUA, abrindo mão do projeto nuclear, mas tendo apenas uma energia nuclear civil com controle internacional.”

A analista Lyse Doucet, da BBC, afirmou que “estes são momentos cruciais na turbulenta história da República Islâmica do Irã, mas seus clérigos e comandantes mais poderosos já vinham se preparando para isso”.

“Somente na primeira noite, na primeira onda de ataques [em junho de 2025], Israel conseguiu assassinar nove cientistas nucleares e vários chefes de segurança. E, nos dias seguintes, mais cientistas de alto escalão e pelo menos 30 comandantes importantes foram mortos. Ficou claro que o aiatolá também poderia estar na mira deles.”

Para Doucet, “independentemente de quem emergir, o objetivo primordial permanecerá o mesmo: a sobrevivência de uma ordem que mantém o clero e suas poderosas forças de segurança no poder”.

*BdF


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