Mês: março 2026

Paz mundial vive ‘grave ameaça’, alerta chefe da ONU

Guterres faz apelo para que governos voltem para a mesa de negociação

Num discurso neste sábado no Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, soou o alerta: a paz e a segurança internacional estão ameaçadas diante dos ataques no Irã.

O chefe da entidade lamentou o fato de que os ataques contra o Irã ocorreram, mesmo com reuniões diplomáticas tendo sido agendadas para ocorrer em Viena na próxima semana.

Guterres condenou tanto os ataques dos EUA e Israel, quanto a resposta por parte de Teerã. Ele ainda fez um apelo para que os governos voltem à mesa negociadora.

“A ação militar está se expandindo rapidamente por toda a região, criando uma situação cada vez mais volátil e imprevisível e aumentando o risco de erros de cálculo”, alertou.

Leia a declaração completa:

Hoje, abordarei diretamente três áreas: os princípios, os fatos e a solução.

Primeiro, os princípios.

A Carta da ONU fornece a base para a manutenção da paz e da segurança internacionais.

O Artigo 2 da Carta afirma claramente: “Todos os Membros devem abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.”

O direito internacional e o direito internacional humanitário devem sempre ser respeitados.

É por isso que, desde esta manhã, condenei os ataques militares maciços dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Também condenei os ataques subsequentes do Irã, que violaram a soberania e a integridade territorial do Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Estamos testemunhando uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais.

A ação militar acarreta o risco de desencadear uma série de eventos que ninguém pode controlar na região mais volátil do mundo.

Deixe-me ser claro:

Não há alternativa viável à solução pacífica de disputas internacionais. A paz duradoura só pode ser alcançada por meios pacíficos, incluindo diálogo genuíno e negociações.

Em segundo lugar, os fatos.

A situação no terreno é muito instável.

Há muitos relatos não confirmados.

Eis o que sabemos.

Cerca de 20 cidades em todo o Irã — incluindo Teerã, Isfahan, Qom, Shahriar e Tabriz — teriam sido atacadas.

Em Teerã, grandes explosões foram relatadas no distrito que inclui o palácio presidencial e a residência do Líder Supremo.

Vários altos funcionários teriam sido mortos, incluindo — segundo fontes israelenses — o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, informação que não posso confirmar.

O espaço aéreo iraniano foi fechado e o país está sob um bloqueio de internet quase total.

Os ataques teriam causado um número significativo de vítimas civis.

Segundo a mídia iraniana, um ataque aéreo matou pelo menos 85 pessoas e feriu muitas outras em uma escola feminina em Minab, província de Hormogan.

Uma escola em Teerã também teria sido atingida, causando duas mortes.

A ação militar está se expandindo rapidamente por toda a região, criando uma situação cada vez mais volátil e imprevisível e aumentando o risco de erros de cálculo.

De acordo com fontes israelenses, 89 pessoas ficaram feridas nos ataques subsequentes do Irã contra Israel, e também houve impactos na Cisjordânia ocupada.

O Irã anunciou que, em reação aos ataques aéreos dos EUA e de Israel, atacou alvos militares americanos na região.

Esses ataques teriam atingido áreas civis e infraestrutura nos países que já mencionei.

Também foram relatados impactos indiretos de destroços no Líbano e na Síria.

A maioria dos países do Golfo interceptou com sucesso os ataques iranianos.

No entanto, os Emirados Árabes Unidos relataram que um civil foi morto por destroços de um míssil interceptado.

No Iraque, há relatos de ataques com drones e mísseis de ambos os lados. Há também relatos de que o Irã está fechando o Estreito de Ormuz para a navegação internacional.

Os ataques dos EUA e de Israel ocorreram após a terceira rodada de negociações indiretas entre os EUA e o Irã, mediadas por Omã.

Estavam sendo feitos preparativos para conversas técnicas em Viena na próxima semana, seguidas por uma nova rodada de conversas políticas.

Lamento profundamente que esta oportunidade diplomática tenha sido desperdiçada.

Em terceiro lugar, a região e o mundo precisam de uma saída agora.

Apelo à desescalada e à cessação imediata das hostilidades.

A alternativa é um potencial conflito mais amplo com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional.

Exorto veementemente todas as partes a retornarem imediatamente à mesa de negociações, principalmente em relação ao programa nuclear iraniano.

Observo que o Presidente dos EUA teria conversado com líderes da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã teria conversado com seus homólogos nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e no Iraque.

Tudo deve ser feito para evitar uma escalada ainda maior.

Para esse fim, apelo a todos os Estados-Membros para que cumpram rigorosamente as suas obrigações ao abrigo do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, para respeitar e proteger os civis em conformidade com o direito internacional humanitário e para garantir a segurança nuclear.

Vamos agir — com responsabilidade e em conjunto — para afastar a região, e o nosso mundo, da beira do abismo.

Obrigado.

*Jamil Chade/ICL


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Guarda Revolucionária do Irã fecha por onde passam mais de 20% do petróleo do mundo

Analistas e autoridades do setor citam que um bloqueio pode reter de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo. O volume retido seria de mais de 20 milhões de barris por dia, com destino principalmente à Ásia, como China, Japão, Índia e Filipinas.

Reuters – A Guarda Revolucionário do Irã interrompeu a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz em retaliação ao ataque dos Estados Unidos e Israel ao país, de acordo com a Reuters.

Guarda informou que “nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz”. A informação foi repassada por transmissão VHS a um navio da União Europeia que circulava pelo local e informada por um tripulante da embarcação a Reuters.

Estreito fica entre Omã e o Irã. Ele liga o Golfo Persa com o golfo de Omã.

Estreito é essencial para fluxo global de petróleo. A região é usada por embarcações para escoar a produção de óleo de Arábia Saudita, Iraque e outros países da região para o restante do globo. Estimativas apontam que um quinto da produção global passa pela região.

Ataques a navios não estão descartados. De acordo com militares europeus que participam de operação na região, rebeldes hutis ameaçaram atacar Israel e embarcações americanos em resposta aos últimos acontecimentos.

Em resposta à ofensiva de Estados Unidos e Israel, Irã atacou bases militares americanas no Oriente Médio. Ao menos seis instalações localizadas no Qatar, no Kuwait, nos Emirados Árabes, no Bahrein, na Jordânia e no norte do Iraque foram alvejadas, segundo o Uol.


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Irã confirma morte do líder supremo Ali Khamenei

O Aiatolá comandou o Irã por quase quatro décadas com mão de ferro e reprimiu opositores com força. Presidente dos EUA afirmou que ataques continuarão nos próximos dias.

O governo do Irã e a sua mídia estatal confirmaram a morte do aiatolá Ali Khamenei neste sábado (28). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado mais cedo que o líder supremo do Irã foi morto durante um bombardeio.

Khamenei comandou o país por quase quatro décadas. A morte foi inicialmente confirmada pela agência estatal Fars em seu perfil no Telegram. “O líder supremo da Revolução foi martirizado”, diz a publicação.

“É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio”, diz nota.

O texto classifica o episódio como um “crime” e diz que “marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo”. “O sangue puro deste descendente do profeta fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionista. Desta vez, com toda a força e firmeza, e com o apoio da nação islâmica e dos homens livres do mundo, faremos com que os autores e mandantes deste grande crime se arrependam”.

Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã deste sábado.

“Os meios de comunicação ligados ao regime sionista e à reação regional alegaram repetidamente que, por medo de assassinato, o líder da Revolução vivia em um local seguro e escondido. Seu martírio em seu local de trabalho provou, mais uma vez, a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo”, completa a nota.

A agência também compartilhou o comunicado das Guardas Revolucionárias do Irã, que lamentaram a morte. “O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica, as Forças Armadas da República Islâmica e o vasto Basij (milícia popular) continuarão poderosamente o caminho de seu guia para defender o precioso legado deste líder supremo”.

O que disse o gabinete de governo do Irã
“É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência, o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio.

O sucessor justo de Khomeini, que por mais de 37 anos de liderança sábia assumiu a vanguarda e a verdadeira liderança da frente do Islã, marcou com sua coragem exemplar e fé inabalável um novo capítulo de governança na história islâmica. Até o último momento de sua vida abençoada e histórica, ele liderou a nação islâmica contra a descrença, a tirania e a arrogância.

O mártir glorioso, grande aiatolá Ali Khamenei, foi o modelo de sacrifício e resistência da era atual — o ‘Imam das Promessas Verdadeiras, o Imam da Esperança e da Autoridade’ — nas mentes dos homens livres, oprimidos e combatentes do mundo. Ele permanecerá para sempre eterno nos corações das nações ao lado do nome de ‘Khomeini, o Grande’.

Sua abrangência e domínio das ciências contemporâneas, sabedoria, visão de futuro, fé pura, sinceridade nas ações, vontade de aço, crença profunda em suas palavras e objetivos, coragem inigualável, vasto conhecimento religioso, alma gentil e pura, e esperança e confiança no Senhor Todo-Poderoso foram características marcantes deste grande personagem, raramente encontradas em outros líderes políticos.

O Gabinete do Governo da República Islâmica do Irã expressa suas condolências por esta grande perda a Sua Santidade Baqiyatallah al-A’zam, à nobre nação do Irã, à grande nação islâmica e a todos os homens livres do mundo. Em solidariedade ao povo resiliente do Irã, declara 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado público.

Este grande crime jamais ficará sem resposta e marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo. O sangue puro deste descendente do profeta fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionista. Desta vez, com toda a força e firmeza, e com o apoio da nação islâmica e dos homens livres do mundo, faremos com que os autores e mandantes deste grande crime se arrependam.

Nosso querido Irã, com o apoio da vitória divina, unido em uma só voz e um só coração, atravessará este difícil caminho com orgulho; pois Deus está à espreita de nossos inimigos opressores e é o ajudador dos crentes e oprimidos.”

*G1


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