Mês: julho 2026

Sob Tarcísio, população em situação de rua praticamente dobra em São Paulo

Explosão da população em situação de rua expõe também o fracasso social na gestão Tarcísio

Na capital, o número ultrapassa 96 mil pessoas e mais de 143 mil em todo o estado, conforme dados oficiais recentes. O total representa cerca de 27% de todas as pessoas sem teto no Brasil.

O crescimento acelerado da população em situação de rua em São Paulo tornou-se um dos mais contundentes retratos da crise social enfrentada pelo estado. Dados recentes mostram que o número de pessoas vivendo nas ruas praticamente dobrou durante a gestão de Tarcísio de Freitas, evidenciando que o problema está longe de ser resolvido, como prometeu o governador A ausência de uma política pública robusta de prevenção, acolhimento e reinserção social tem agravado um cenário que já era preocupante.

A realidade é visível nas ruas da capital e de diversas cidades do interior. Barracas improvisadas, ocupação de praças, viadutos e calçadas passaram a fazer parte da paisagem urbana, enquanto cresce também a demanda por alimentação, atendimento médico, assistência social e moradia. Organizações que atuam diretamente com essa população relatam aumento constante na procura por ajuda, ao mesmo tempo em que denunciam insuficiência da rede de atendimento.

Especialistas apontam que o fenômeno resulta da combinação de fatores como desemprego, perda de renda, aumento do custo da moradia, dependência química, problemas de saúde mental e rompimento de vínculos familiares. Diante desse quadro complexo, políticas centradas apenas na retirada de pessoas das ruas ou em ações pontuais tendem a produzir resultados limitados, sem enfrentar as causas estruturais da exclusão.

Críticos da administração de Tarcísio afirmam que faltou prioridade política para enfrentar a questão. Em vez de ampliar programas de habitação social, atendimento multidisciplinar e reinserção no mercado de trabalho, o governo teria concentrado esforços em medidas de impacto imediato, incapazes de alterar a trajetória de crescimento da população em situação de rua.

O aumento desse contingente representa não apenas um drama humanitário, mas também um indicador do enfraquecimento das políticas de proteção social. Quando milhares de pessoas passam a viver sem acesso à moradia, alimentação adequada e serviços básicos, evidencia-se uma falha coletiva do poder público em garantir direitos fundamentais previstos na Constituição.

Mais do que números, a expansão da população em situação de rua revela histórias de perda, vulnerabilidade e abandono. Enfrentar esse desafio exige planejamento, investimento contínuo e integração entre políticas de assistência social, saúde, emprego e habitação. Sem uma estratégia consistente, a tendência é que o problema continue crescendo, aprofundando a desigualdade e tornando cada vez mais difícil a reconstrução da dignidade dessas pessoas.


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Explodem casos de suicídio na falida Argentina de Milei

Saúde mental entra em colapso na Argentina sob Milei e casos de suicídio disparam

A crise social provocada pelo duro ajuste econômico implementado pelo governo de Javier Milei começa a revelar um de seus efeitos mais dramáticos: o agravamento da saúde mental da população. Dados oficiais argentinos apontam um aumento expressivo das tentativas e dos casos de suicídio, em meio ao desemprego, à perda do poder de compra, ao fechamento de serviços públicos e ao crescimento da insegurança econômica.

Segundo o Boletim Epidemiológico Nacional da Argentina, somente até 31 de outubro de 2025 foram registradas 11.799 tentativas de suicídio, uma média superior a 33 ocorrências por dia. O próprio boletim classificou o suicídio como um problema prioritário de saúde pública e reforçou que a maioria desses casos poderia ser evitada com políticas adequadas de prevenção e assistência.

Especialistas em saúde mental alertam que crises econômicas prolongadas costumam estar associadas ao aumento de depressão, ansiedade e comportamento suicida, sobretudo quando são acompanhadas pela redução da proteção social. Na Argentina, o ajuste fiscal promovido pelo governo Milei coincidiu com cortes de gastos públicos e um ambiente de forte instabilidade para milhões de famílias.

Profissionais da área afirmam que o contexto de deterioração das condições de vida e de sofrimento psicológico constitui um fator de risco importante. O aumento das notificações levou autoridades sanitárias e organizações sociais a defenderem maior investimento em prevenção, atendimento psicológico e fortalecimento da rede pública de saúde mental.


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Pesquisa Nexus/BTG: Lula amplia vantagem para 9 pontos no 1º turno

Presidente lidera entre mulheres, nordestinos e mais pobres; Flávio Bolsonaro mantém rejeição de 50%, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira

A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (27), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança na disputa pelo primeiro turno das eleições de 2026. No cenário estimulado, o petista alcançou 42% das intenções de voto, frente a 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com esse resultado, a diferença entre os dois principais concorrentes, que era de seis pontos percentuais no levantamento anterior realizado em 13 de julho, subiu para nove pontos.

O levantamento estatístico entrevistou 2.004 eleitores por telefone entre os dias 24 e 26 de julho. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está devidamente cadastrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o registro BR-01489/2026.

Na comparação em um intervalo de 15 dias, a evolução das intenções de voto mostra que Lula cresceu de 40% para 42%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou negativamente de 34% para 33%. Os demais pré-candidatos testados mantiveram pontuações em patamares reduzidos: Ronaldo Caiado (PSD) registrou 6%, seguido por Renan Santos (Missão) com 5%, Romeu Zema (Novo) com 3%, Augusto Cury (Avante) com 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) acumulando 1%.

Rejeição dos pré-candidatos

Além do cenário de intenção de voto, os dados sobre a rejeição aos nomes apresentados permanecem como um dos recortes mais relevantes do levantamento. Exatamente metade dos entrevistados, somando 50%, declarou que não votaria de jeito nenhum no senador Flávio Bolsonaro, mantendo o mesmo patamar apurado na rodada anterior da pesquisa. Por outro lado, a taxa de rejeição ao presidente Lula passou de 46% para 48%. Apesar da leve variação dentro da margem de erro, o chefe do Executivo permanece com índice de rejeição inferior ao do principal pré-candidato do bloco da extrema direita.

Leia mais: Datafolha: Lula mantém boa vantagem sobre Flávio Bolsonaro nos dois turnos

Bases de sustentação e aspectos regionais

A análise dos dados por recortes sociodemográficos detalha onde se concentram os principais apoios do eleitorado. A liderança do presidente Lula é sustentada por vantagem expressiva entre o eleitorado feminino (47% a 28%), na parcela da população com renda familiar de até um salário mínimo (58% a 24%) e entre as pessoas com ensino fundamental completo ou incompleto (53% a 29%). O petista também apresenta desempenho superior no segmento de eleitores com mais de 60 anos (54% a 29%) e entre os católicos (49% a 27%).

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro apresenta melhores percentuais de preferência entre o eleitorado masculino (39% a 37%), entre cidadãos com ensino médio (39% a 35%) e, de maneira destacada, junto ao público evangélico, onde marca 50% contra 28% atribuídos a Lula.

A divisão geográfica das intenções de voto expõe o quadro de polarização regional no país. Na região Nordeste, Lula mantém larga vantagem ao somar 57% das preferências ante 24% atribuídos a Flávio Bolsonaro. No Sudeste, o presidente lidera com 41% contra 32% do senador. Já na região Sul, o parlamentar do PL aparece na frente com 47% das intenções de voto contra 31% do petista, enquanto no agrupamento Norte e Centro-Oeste o senador registra 39% frente a 33% de Lula.

Simulações para o segundo turno

Em um eventual cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa indica Lula registrando 47% das intenções de voto e o senador somando 43%. Na comparação com o levantamento de 13 de julho, quando o placar marcava 47% a 44%, Flávio caiu um ponto para baixo.

O detalhamento do segundo turno reproduz dinâmicas semelhantes às observadas no primeiro turno. Lula vence com folga entre as mulheres (54% a 36%), no Nordeste (62% a 30%) e no segmento de menor renda, onde chega a 62% contra 28% de Flávio na faixa de até um salário mínimo. Já o senador do PL lidera entre homens (50% a 41%), no Sul (57% a 36%) e entre os eleitores evangélicos (62% a 30%). Nas outras hipóteses de segundo turno testadas, Lula figura numericamente à frente de Ronaldo Caiado (45% a 43%), Romeu Zema (46% a 42%) e Renan Santos (47% a 39%).

Avaliação da gestão federal

O levantamento mensurou ainda a percepção pública sobre a atuação do governo federal. A aprovação da gestão Lula registrou 47%, enquanto a desaprovação ficou em 49%. Na avaliação qualitativa do governo, 36% dos entrevistados classificam a administração como ótima ou boa, 20% a avaliam como regular e 43% a consideram ruim ou péssima. A aprovação é mais expressiva no Nordeste e na faixa de renda de até um salário mínimo, ambas com 62%, ao passo que a desaprovação atinge seus maiores índices na região Sul, com 64%, e nas parcelas de maior poder aquisitivo.

A captação desses dados ocorreu poucos dias após o anúncio do novo tarifaço promovido pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Mesmo diante desse contexto internacional, o levantamento indica consolidação da vantagem de Lula na corrida presencial, ancorada nos segmentos populares e regionais que compõem sua base histórica de apoio. Vermelho.


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Ex-ministro do TSE vê indícios de crime eleitoral em convenção do PL com Milei e IA de Bolsonaro

Convenção do PL com Milei e Bolsonaro por IA entra na mira da Justiça Eleitoral

A participação do presidente argentino Javier Milei e a utilização de uma imagem gerada por inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL passaram a ser alvo de questionamentos jurídicos. Segundo um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há indícios de possíveis irregularidades que podem caracterizar crime eleitoral ou abuso de poder político e econômico, dependendo da apuração dos fatos e das circunstâncias em que os episódios ocorreram.

A avaliação é de que a presença de uma autoridade estrangeira em um evento de natureza eminentemente eleitoral, associada ao uso de recursos tecnológicos para inserir virtualmente um líder político impedido de participar presencialmente, levanta dúvidas sobre os limites impostos pela legislação eleitoral brasileira. Especialistas destacam que a Justiça Eleitoral costuma analisar não apenas atos isolados, mas também o contexto, o alcance da divulgação e o eventual benefício obtido por candidaturas.

No caso da inteligência artificial, o uso de imagens sintéticas em campanhas tornou-se um dos principais desafios das eleições contemporâneas. A legislação brasileira exige transparência quanto ao emprego desse tipo de tecnologia, justamente para evitar que o eleitor seja induzido a erro ou que conteúdos artificiais sejam apresentados como autênticos.

Já a participação de Milei reacendeu o debate sobre a influência de agentes estrangeiros no processo político brasileiro. Embora manifestações públicas de líderes internacionais não sejam, por si só, proibidas, sua presença em atos de campanha pode ser analisada à luz das normas que protegem a soberania do processo eleitoral e vedam práticas capazes de desequilibrar a disputa.

As declarações do ex-ministro não representam um julgamento definitivo, mas indicam que os fatos, caso sejam formalmente levados à Justiça Eleitoral, poderão ser examinados para verificar eventual violação da legislação. Caberá ao Ministério Público Eleitoral e, posteriormente, ao TSE, avaliar se há elementos suficientes para a abertura de investigação e eventual responsabilização dos envolvidos.


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Flavio é apoiado por Trump? Lula tem apoio de Xi Jinping

Xi Jinping reafirma apoio ao Brasil e endurece discurso contra ingerência dos EUA e destaca a soberania brasileira

A China elevou o tom em defesa do Brasil diante das recentes tensões com os Estados Unidos. Em conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência e se opõe a qualquer forma de “interferência externa”, em uma declaração amplamente interpretada como um recado direto a Washington.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi destacou que a China considera o Brasil um parceiro estratégico de peso e está disposta a ampliar a coordenação política entre os dois países em temas bilaterais e multilaterais. O líder chinês também manifestou apoio ao papel brasileiro na promoção da paz e da estabilidade regional e global.

Do lado brasileiro, Lula informou que a conversa, que durou mais de uma hora, tratou do fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países, da ampliação da cooperação em áreas como inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes, além da aceleração das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China.

A manifestação de Xi ocorre em um contexto de crescente atrito entre Brasília e Washington, marcado por disputas comerciais e diplomáticas. Ao reiterar seu apoio à soberania brasileira e condenar “interferências externas”, Pequim reforça sua aproximação com o governo Lula e sinaliza disposição para aprofundar a parceria com o Brasil em um cenário internacional cada vez mais polarizado.

A disputa política brasileira passou a refletir, cada vez mais, alinhamentos internacionais. De um lado, Flávio Bolsonaro procura associar sua imagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apostando na afinidade ideológica construída pelo bolsonarismo com o movimento trumpista. De outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça a relação estratégica com a China diante das pressões dos EUA.


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Ser de direita aos 20 anos, é ser alienado, aos 30 anos, patético, a partir dos 40, um idiota completo

Quando a idade deixa de ser desculpa

Há quem diga que ser de direita aos 20 anos é apenas um reflexo da inexperiência. Nessa fase da vida, é comum que convicções políticas sejam moldadas mais por slogans, redes sociais e discursos simplificados do que por uma compreensão mais profunda da realidade. A alienação, nesse contexto, pode ser fruto da falta de vivência ou de inteligência.

Aos 30 anos, porém, a situação muda. Espera-se que a experiência profissional, o contato com diferentes realidades e a maturidade intelectual tenham ampliado a capacidade de análise. Permanecer preso a discursos rasos, que ignoram desigualdades, negam evidências ou transformam preconceitos em programa político, torna-se algo difícil de justificar. O que antes podia ser ingenuidade passa a soar como uma escolha consciente de ignorar a complexidade do mundo.

Depois dos 40 anos, quando a vida já ofereceu oportunidades suficientes para aprender com a história, compreender o funcionamento das instituições e reconhecer os efeitos concretos de determinadas políticas, insistir em posições sustentadas por desinformação, fanatismo ou culto à personalidade, revela, no mínimo, uma profunda recusa ao pensamento crítico. Não se trata apenas de uma divergência ideológica, mas da opção por fechar os olhos para fatos, evidências e consequências.

Naturalmente, a inteligência e a capacidade de reflexão apontam sim para uma corrente política específica. O verdadeiro problema, além de estar à direita, é abrir mão do senso crítico, da honestidade intelectual e da disposição para rever as próprias convicções diante da realidade.

A maturidade deveria ampliar a capacidade de compreender o mundo, não estreitá-la. Quando isso não acontece, a idade deixa de ser justificativa e passa a evidenciar uma escolha, a de ser de direita.


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Milei veio ao Brasil servir de mata-burro da campanha de Flavio

Milei cruzou a fronteira para servir de escada à campanha de Flávio Bolsonaro

Para quem levou seu povo a comer carne de burro, derrubar mais um como o Flavio, é fácil.

A passagem do presidente argentino Javier Milei pelo Brasil teve um objetivo que extrapolou em muito a agenda diplomática. Ao escolher participar de um evento de caráter eminentemente político, Milei acabou assumindo o papel de “mata-burro” da campanha de Flávio Bolsonaro: uma tentativa de criar impacto midiático e mobilizar a militância, mas que dificilmente amplia o apoio eleitoral para além do núcleo já convencido.

Em vez de fortalecer a candidatura de Flávio, a presença do argentino reforçou a percepção de que o bolsonarismo continua dependente de figuras estrangeiras e de pautas importadas para tentar recuperar protagonismo. Em um momento em que os eleitores brasileiros estão mais preocupados com questões como a que o Brasil siga no compasso de crescimento, estabilidade da economia e pleno emprego, a aposta em um espetáculo ideológico cai no ridículo, sem falar nas ofensas de Milei ao judiciário braileiro, isso dentro do Brasil.

Milei também assumiu um risco político considerável. Ao se envolver diretamente em uma disputa eleitoral brasileira, rompeu com a tradição de prudência esperada nas relações entre chefes de Estado. O gesto inevitavelmente produz desgaste diplomático e alimenta tensões desnecessárias entre dois países que possuem uma das mais importantes relações econômicas da América do Sul.

Para Flávio Bolsonaro, o cálculo parece claro: transformar o apoio de Milei em um símbolo de resistência da direita internacional. O problema é que símbolos não substituem propostas, nem resolvem dificuldades de uma campanha que enfrenta questionamentos políticos e obstáculos para ampliar sua base de apoio.

No fim das contas, a visita serviu mais para produzir imagens e manchetes do que para alterar o cenário eleitoral. Se havia a expectativa de que Milei funcionasse como um grande cabo eleitoral, o efeito pode ter sido o oposto, o de reforçar a narrativa de que a candidatura de Flávio ainda depende mais do prestígio alheio do que da própria capacidade de convencer o eleitor brasileiro.


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Flávio, perdendo ou desistindo da eleição, Bolsonaro evapora e o bolsonarismo, idem

Derrota ou desistência de Flávio pode acelerar o fim do bolsonarismo

A eventual derrota de Flávio Bolsonaro nas urnas — ou mesmo uma desistência da disputa — teria um impacto que vai muito além de uma candidatura. Representaria um duro golpe na tentativa de sobrevivência política de Jair Bolsonaro e colocaria em xeque a própria capacidade de mobilização do bolsonarismo como força nacional.

Depois de anos apostando na transferência de capital político dentro da própria família, o ex-presidente transformou Flávio em seu principal herdeiro eleitoral. Se esse projeto fracassar, ficará evidente que o bolsonarismo não conseguiu construir uma liderança capaz de manter vivo o movimento sem a presença direta de seu fundador.

Uma derrota de Flávio significaria mais do que perder uma eleição. Seria a demonstração de que o discurso de perseguição, as constantes ofensivas contra as instituições e a estratégia de polarização permanente já não bastam para sustentar um projeto de poder. A incapacidade de conquistar apoio suficiente revelaria o desgaste de uma marca política que, durante anos, viveu da confrontação e da mobilização emocional de sua base.

Caso Flávio opte por desistir da disputa, o efeito simbólico pode ser ainda maior. A renúncia seria interpretada como o reconhecimento de que a candidatura se tornou inviável, seja pelo isolamento político, pela dificuldade de formar alianças ou pelo peso das sucessivas crises que cercam o entorno bolsonarista. Em política, desistências raramente são vistas como gestos estratégicos; quase sempre são lidas como sinais de fraqueza.

Sem um sucessor competitivo, Jair Bolsonaro perderia sua principal vitrine para manter influência sobre o cenário nacional. Sua capacidade de ditar o rumo da direita seria inevitavelmente reduzida, abrindo espaço para outras lideranças conservadoras disputarem esse eleitorado sem a necessidade de se submeter ao comando da família Bolsonaro.

O bolsonarismo, que durante anos se apresentou como um movimento sólido e duradouro, corre o risco de revelar uma fragilidade estrutural: depender excessivamente de um único sobrenome. Se esse sobrenome deixar de ser eleitoralmente competitivo, o movimento pode se fragmentar rapidamente, dando lugar a novos grupos, novas lideranças e novas estratégias dentro da direita brasileira.

Nesse cenário, a derrota ou a desistência de Flávio deixaria de ser apenas um revés individual. Seria o marco de uma transição política em que Jair Bolsonaro perderia protagonismo e o bolsonarismo, tal como foi concebido, começaria a se dissolver como principal força de oposição no país.


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Crise diplomática: Itamaraty reage a Milei e convoca embaixador do Brasil na Argentina

Ataques de Milei provocam reação do governo Lula e crise diplomática com a Argentina

O governo brasileiro elevou o tom na relação com a Argentina neste domingo (26) ao convocar para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, após os ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. A decisão, tomada pelo Itamaraty com o aval do presidente Lula, representa um dos mais duros instrumentos de protesto diplomático entre dois países.

Milei participou da convenção nacional do PL, em São Paulo, onde oficializou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante seu discurso, o presidente argentino dirigiu ofensas a Lula, ao governo brasileiro e ao Judiciário, classificando o presidente brasileiro como “presidiário” e fazendo ataques também ao ministro Alexandre de Moraes. As declarações foram interpretadas pelo governo brasileiro como uma afronta às instituições nacionais e à soberania do país.

Na prática diplomática, convocar um embaixador para consultas significa que o governo considera a situação suficientemente grave para reavaliar a condução das relações bilaterais. Embora não represente o rompimento de relações diplomáticas, trata-se de um gesto político de forte reprovação e costuma ser reservado para momentos de elevada tensão entre Estados.

A medida aprofunda o distanciamento entre Brasília e Buenos Aires, cujas relações já vinham marcadas por sucessivos atritos desde a posse de Milei. Segundo fontes do governo, a participação do presidente argentino em um ato de campanha da oposição brasileira, acompanhada de ataques às autoridades nacionais, ultrapassou os limites considerados aceitáveis nas relações entre os dois países.


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Estadão revela presença do PCC na PM de Tarcísio de Freitas

Estadão expõe infiltração do PCC na PM e amplia pressão sobre Tarcísio

A revelação publicada pelo Estadão de que investigações apontam a atuação de núcleos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro da Polícia Militar de São Paulo coloca o governo Tarcísio de Freitas diante de uma das mais graves crises de segurança pública de sua gestão. Segundo as apurações, policiais militares são suspeitos de integrar uma estrutura que prestava serviços à facção criminosa, incluindo vazamento de informações, proteção de interesses do grupo e participação em execuções.

O caso reforça o alerta de que o principal desafio da segurança pública paulista deixou de ser apenas o enfrentamento do crime organizado nas ruas. A suspeita de infiltração em setores da própria corporação indica que o PCC pode ter encontrado espaço para operar a partir de agentes encarregados justamente de combatê-lo.

As investigações ganharam força após o assassinato do empresário e delator Antônio Vinicius Gritzbach, morto no Aeroporto de Guarulhos, episódio que desencadeou uma série de operações contra policiais suspeitos de manter vínculos com a organização criminosa. As apurações apontam a existência de grupos especializados em fornecer informações privilegiadas ao PCC e em executar ações de interesse da facção.

A repercussão do caso aumenta a pressão sobre o governador Tarcísio de Freitas e sua política de segurança. O episódio alimenta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno da corporação e sobre a capacidade do Estado de impedir que organizações criminosas se infiltrem em instituições responsáveis por garantir a ordem pública.

Embora as investigações estejam em andamento e as responsabilidades individuais ainda dependam de conclusão judicial, a gravidade das suspeitas evidencia um problema institucional que desafia diretamente o governo paulista e exige respostas consistentes para restaurar a confiança na Polícia Militar.


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