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Flávio saiu menor do que entrou no JN. A campanha pagará a conta

Flávio Bolsonaro entrou no Jornal Nacional com a missão de vender a imagem de candidato preparado, seguro e capaz de enfrentar perguntas difíceis. Saiu, porém, muito menor do que entrou — e isso dificilmente será apagado pelos cortes cuidadosamente selecionados para as redes sociais.

Da primeira à última pergunta, Flávio pareceu mais preocupado em escapar das questões do que em respondê-las. Quando apertado, se embananou. Quando precisava ser objetivo, desviou. Quando a pergunta exigia explicação, entregou justificativas que abriram ainda mais espaço para novas dúvidas.

Mas foi quando entraram em cena Vorcaro e Adriano da Nóbrega que a situação ficou particularmente desconfortável. Ali, a entrevista deixou de ser apenas um teste eleitoral e passou a expor o tamanho do problema que acompanha sua candidatura: quanto mais se tenta explicar determinadas relações e episódios, mais perguntas aparecem.

E esse é justamente o pesadelo de uma campanha: o candidato sair de uma entrevista de grande audiência não com uma frase forte, uma resposta memorável ou uma proposta capaz de dominar o debate, mas com um rastro de contradições, explicações atravessadas e assuntos espinhosos repercutindo.

O JN não precisa derrubar candidato algum. Basta fazer perguntas.

Quem chega preparado responde. Quem tem domínio sobre a própria história não precisa se enrolar para explicar o passado. E quem pretende disputar a Presidência precisa entender que entrevista não é palanque particular, muito menos sessão de perguntas combinadas para produzir vídeo de campanha.

Flávio teve diante de si uma oportunidade gigantesca para apresentar-se como alternativa política. Conseguiu, em vez disso, alimentar justamente as dúvidas que sua campanha gostaria de manter longe dos holofotes.

Agora vem a parte mais difícil: a internet não esquece, os adversários vão explorar cada tropeço e os trechos mais constrangedores continuarão circulando. A entrevista acaba no estúdio, mas suas consequências políticas podem permanecer por muito tempo.

No fim das contas, o problema de Flávio não foi apenas ter enfrentado perguntas duras, até porque os entrevistadores foram maleávies com ele, foi não ter conseguido parecer confortável diante delas.

Saiu do JN com menos estatura política do que entrou. E, para uma campanha presidencial, isso é um péssimo negócio.

Deu ruim — e não foi pouco.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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