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Escolhendo Flavio e não Tarcísio, Bolsonaro dá um mata-leão na grande mídia

Não há como reconfigurar essa dura realidade para a mídia brasileira, que já havia ocupado seu lugar na tribuna de honra da eleição de 2026, enviando um recado para a sociedade, o de que Tarcísio de Freitas era seu candidato para enfrentar Lula.

Na verdade, a mídia ofereceu um produto que não tinha como entregar e, com isso, os Marinho e cia. acabaram telegrafando a jogada que ajustava a imagem da direita à sua própria fábula e, de lambuja, arremessava Bolsonaro e seus filhos no piche.

Deu tudo errado. A mídia, agora, amarga um amarra-bode de quarta-feira de cinzas, sem candidato para se contrapor à candidatura de Lula, sobrando apenas a satanização ao aumento do salário mínimo para tentar fazer um arranhão qualquer na imagem de Lula, com futurologia pateta daquela velha forma de terrorismo do homem do saco, do velho da porteira, da mula sem cabeça e de outras divindades do submundo folclórico.

Na prática, ali na batata, a mídia está com as mãos vazias para jogar pedra em Lula, já que seria uma desmoralização total apoiar Flavio Bolsonaro, suas rachaqdinhas, sua fantástica fábrica de chocolate, sua relação direta com assassinos como Adriano da Nóbrega e outros milicianos como Queiroz, herdados do esquema de peculato e formação de quadrilha do seu pai, hoje, carta fora do baralho numa cadeia da Federal.

Fico imaginando o tabuleiro de xadrez na frente dos barões da mídia na busca por uma solução tão crua de uma bomba que caiu sobre as suas cabeças.

Não há espaço para ser ocupado nesse novo desenho, o que significa que não há como prometer nada para os endinheirados numa nova remessa de beneces, já que Bolsonaro enfiou toda a direita dentro do mesmo caixão que enterrou a candidatura de Tarcísio.

Ora, a poucos metros dali essa realidade gritava. Bolsonaro não daria de graça seu espólio para ninguém que não fosse do seu próprio templo familiar.

Lógico, a mídia não admite que foi de uma ingenuidade infantiloide de acreditar que poderia substituir o maldito Bolsonaro por um bendito Tarcísio.

A mídia sonhou com esse milagre e, agora, enfrenta uma verdadeira loucura, porque após a redemocratização, é a primeira vez que ela se encontra em um não lugar na disputa eleitoral.

A Globo e congêneres ficaram no vácuo, porque foram diretamente atingidas por um mata-leão empregado coletivamente por Bolsonaro no pecoço daqueles que, de olho no pescoço de Lula, esqueceram de investir em sua própria guarda.

Deu no que deu. A mídia se encontra num nonsense total.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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