Analistas alertam para desidratação do filho do ex-presidente, que pode ser pressionado a abrir mão do pleito eleitoral
A divulgação das conversas entre o pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou uma hecatombe na política brasileira. Ainda sob escombros, a extrema direita já reflete sobre os rumos da campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Cientistas políticos escutados pelo Brasil de Fato falaram sobre a continuidade da pré-candidatura da extrema-direita. “Com (o senador) Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro jogados no olho do furacão, uma coisa é certa, a direita e a extrema direita perderam muito nestas duas semanas, vão ter que rebolar para se recolocarem no jogo eleitoral. O jogo está sendo jogado, contudo, é bom termos em conta que nem todas as cartas estão na mesa, muita coisa ainda deve aparecer das investigações dos escândalos do Master, o que embolará ainda mais o lado direito do tabuleiro das eleições”, afirma José Henrique Artigas, professor de Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (CCHLA-UFPB).
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é uma peça-chave para compreender a relação de Vorcaro com o bolsonarismo. O parlamentar foi apontado pela Polícia Federal como “braço político” do banqueiro para se aproximar do Congresso Nacional e teria recebido mesadas de R$ 300 mil a R$ 500 mil, de acordo com as investigações.
Meses antes de apresentar uma emenda que propunha a alteração no valor-teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, medida que favoreceria o Banco Master, Nogueira comprou um imóvel em São Paulo que custou R$ 22 milhões.
A relação de Nogueira e Vorcaro se tornou pública em 7 de maio deste ano. Desde então, Flávio Bolsonaro não citou mais seu aliado em entrevistas e materiais para as suas redes sociais. Em março deste ano, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se referiu ao senador do PP como o “vice dos sonhos” para uma chapa presidencial.
Na última quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro para produzir o filme “Dark Horse”, que contará a vida de seu pai. Durante as conversas, o senador chama o banqueiro de “irmão” e os dois deixam transparecer uma relação íntima.
A proximidade de Flávio e seu núcleo político do escândalo do Banco Master foi fatal para a campanha do senador ao Palácio do Planalto, para o cientista político Rudá Ricci. “Se continuar candidato, ele será destruído até outubro. Se eu estou no comando das articulações políticas da direita, neste momento, trabalharia para afastar Flávio imediatamente”, diz.
O primeiro aliado a soltar a mão de Flávio foi o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato à presidência. “Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou.
“Entenda, o pessoal do Zema não quer que o Flávio desista, eles querem que o Flávio sangre em praça pública até outubro. Dessa forma, haverá um chamado ao voto crítico em Zema ou no Ronaldo Caiado”, explicou Ricci.
Para Artigas, somente um eleitor se manterá fiel a Flávio. “Parte do eleitorado bolsonarista, especialmente aquele mais aguerrido, o bolsonarismo raiz, mostrou-se historicamente fiel mesmo em face das mais graves denúncias e condenações contra o clã Bolsonaro, o que pode sugerir que, mesmo fortemente impactada, a campanha de Flávio possa ser mantida e sustentada pelos grupos mais radicalizados do bolsonarismo, embora sem o mesmo potencial eleitoral e competitivo que vinha demonstrando nas pesquisas de intenção de voto até agora.”
Porém, alerta Artigas, “o bolsonarismo raiz representa a menor parte do eleitorado que vinha expressando intenção de voto em Flávio Bolsonaro, de sorte que os áudios vazados certamente terão uma expressiva repercussão negativa na campanha do PL, com grande possibilidade de inviabilizar sua competitividade se mantida a candidatura de Flávio.”
A relação de Nogueira e Vorcaro se tornou pública em 7 de maio deste ano. Desde então, Flávio Bolsonaro não citou mais seu aliado em entrevistas e materiais para as suas redes sociais. Em março deste ano, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se referiu ao senador do PP como o “vice dos sonhos” para uma chapa presidencial.
Na última quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro para produzir o filme “Dark Horse”, que contará a vida de seu pai. Durante as conversas, o senador chama o banqueiro de “irmão” e os dois deixam transparecer uma relação íntima.
A proximidade de Flávio e seu núcleo político do escândalo do Banco Master foi fatal para a campanha do senador ao Palácio do Planalto, para o cientista político Rudá Ricci. “Se continuar candidato, ele será destruído até outubro. Se eu estou no comando das articulações políticas da direita, neste momento, trabalharia para afastar Flávio imediatamente”, diz.
O primeiro aliado a soltar a mão de Flávio foi o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato à presidência. “Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou.
“Entenda, o pessoal do Zema não quer que o Flávio desista, eles querem que o Flávio sangre em praça pública até outubro. Dessa forma, haverá um chamado ao voto crítico em Zema ou no Ronaldo Caiado”, explicou Ricci.
Para Artigas, somente um eleitor se manterá fiel a Flávio. “Parte do eleitorado bolsonarista, especialmente aquele mais aguerrido, o bolsonarismo raiz, mostrou-se historicamente fiel mesmo em face das mais graves denúncias e condenações contra o clã Bolsonaro, o que pode sugerir que, mesmo fortemente impactada, a campanha de Flávio possa ser mantida e sustentada pelos grupos mais radicalizados do bolsonarismo, embora sem o mesmo potencial eleitoral e competitivo que vinha demonstrando nas pesquisas de intenção de voto até agora.”
Porém, alerta Artigas, “o bolsonarismo raiz representa a menor parte do eleitorado que vinha expressando intenção de voto em Flávio Bolsonaro, de sorte que os áudios vazados certamente terão uma expressiva repercussão negativa na campanha do PL, com grande possibilidade de inviabilizar sua competitividade se mantida a candidatura de Flávio.”
*BdF
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