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Tarifaço de Trump deve falhar e ampliar apoio a Lula, diz Nobel de Economia

O economista americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, afirmou que a nova rodada de tarifas imposta pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros dificilmente alcançará os objetivos políticos e econômicos pretendidos pela Casa Branca. Em análise publicada nesta segunda-feira (20), Krugman sustenta que a medida terá impacto econômico limitado e, paradoxalmente, tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o economista, a decisão dos Estados Unidos vai além de uma disputa comercial. Para ele, as tarifas representam uma tentativa de pressionar o Brasil por políticas consideradas bem-sucedidas, especialmente o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central e amplamente adotado pela população brasileira. Krugman questiona a lógica da medida ao perguntar por que um país deveria ser punido por oferecer aos seus cidadãos uma forma mais eficiente e barata de realizar pagamentos.

Na avaliação do Nobel, o alcance econômico das tarifas será reduzido. Isso porque diversos produtos estratégicos para o mercado americano, como café, carne bovina e suco de laranja, permanecem essenciais para os consumidores e empresas dos Estados Unidos, limitando o espaço para uma ruptura comercial mais ampla. Além disso, a economia brasileira possui alternativas para diversificar mercados e reduzir parte dos impactos das restrições impostas por Washington.

Krugman também argumenta que o efeito político pode ser exatamente o oposto do desejado pelo governo Trump. Em vez de enfraquecer o presidente brasileiro, a pressão externa tende a reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e a ampliar o apoio interno ao governo Lula. Historicamente, medidas vistas como interferência estrangeira costumam gerar reações de unidade nacional, beneficiando o governante que assume a defesa dos interesses do país.

As tarifas, confirmadas na última semana e previstas para entrar em vigor em 22 de julho, fazem parte de uma ofensiva comercial baseada na Seção 301 da legislação americana. O governo brasileiro já sinalizou que pretende reagir por meio da Lei da Reciprocidade e manter diálogo com organismos internacionais, classificando a iniciativa dos Estados Unidos como uma medida de natureza política, e não econômica.

Para Krugman, o episódio evidencia os limites do uso de barreiras comerciais como instrumento de pressão diplomática. Em sua avaliação, tentar punir o Brasil pelo sucesso de seu sistema financeiro digital e por decisões de política econômica não apenas terá pouca eficácia prática, como poderá consolidar a imagem de Lula como defensor da soberania brasileira diante das pressões externas.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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