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Lula enfrenta Trump e cobra negociação para pôr fim ao tarifaço contra o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu tratar diretamente com Donald Trump uma das maiores tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em telefonema de 1 hora e 20 minutos, realizado nesta sexta-feira (21), Lula foi direto ao ponto: afirmou que as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para impor as tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas” e defendeu a retomada imediata das negociações.

A conversa, segundo o governo brasileiro, ocorreu em tom amistoso e cordial, mas isso não significou que Lula tenha aberto mão da defesa dos interesses do Brasil. Ao contrário. O presidente deixou claro que o tarifaço prejudica não apenas a economia brasileira, mas também os próprios Estados Unidos, e sustentou que o caminho mais inteligente é a negociação, não a imposição unilateral de barreiras comerciais.

O recado de Lula é politicamente importante: o Brasil não está disposto a aceitar acusações consideradas sem fundamento como justificativa para medidas que atingem empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países. Em vez de transformar o conflito comercial em uma escalada de retaliações, o presidente brasileiro colocou a diplomacia novamente no centro da discussão.

E houve um resultado concreto. Trump concordou sobre a importância de preservar relações comerciais fortes entre Brasil e Estados Unidos e propôs que as equipes dos dois governos voltem a se reunir o mais rapidamente possível.

Isso significa que o canal de diálogo foi reaberto. E, diante de uma crise que poderia produzir prejuízos econômicos ainda maiores, a retomada das conversas representa uma vitória da diplomacia sobre a lógica do confronto.

Lula também aproveitou o telefonema para reafirmar a disposição brasileira de cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente, porém, fez uma distinção fundamental: organizações criminosas brasileiras são extremamente violentas e precisam ser enfrentadas com firmeza, mas isso não significa que devam ser automaticamente classificadas como organizações terroristas.

O presidente brasileiro ainda levou para a conversa outros temas internacionais, entre eles a guerra na Ucrânia e a necessidade de soluções negociadas para conflitos globais.

O telefonema acontece depois de o governo brasileiro ter aberto formalmente o processo para avaliar medidas de reciprocidade contra as tarifas norte-americanas. Ou seja, Lula negocia, mas negocia respaldado pela disposição de defender os interesses nacionais caso o diálogo não produza resultados.

A estratégia é clara: não aceitar imposições, não abrir mão da soberania e, ao mesmo tempo, manter aberta a porta da negociação.

Mais do que uma conversa protocolar entre dois presidentes, o telefonema mostra que Lula decidiu assumir pessoalmente a condução política da crise. O Brasil sinaliza que quer preservar sua relação estratégica com os Estados Unidos, mas não pretende fazê-lo de joelhos.

A mensagem de Lula a Trump foi, portanto, simples e contundente: se há problemas comerciais, que sejam discutidos à mesa; se há divergências, que sejam negociadas; e se há acusações contra o Brasil, que sejam apresentadas com fatos, não usadas como pretexto para um tarifaço.

Agora, cabe às equipes dos dois países transformar a reabertura do diálogo em resultados concretos. A negociação voltou ao centro da agenda — e o Brasil chega a ela deixando claro que amizade entre países não significa submissão.


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Brasil reage ao tarifaço dos EUA e inicia processo de reciprocidade

O Brasil deu um passo concreto para responder ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nesta quinta-feira (13), o governo federal iniciou formalmente o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao país adotar contramedidas diante de barreiras comerciais consideradas injustificadas. O Itamaraty também notificou os Estados Unidos e solicitou consultas diplomáticas.

A iniciativa não significa que o Brasil vá impor imediatamente novas tarifas aos produtos americanos. É, antes, o início de uma análise que deverá ouvir os setores atingidos e avaliar quais medidas seriam proporcionais aos prejuízos provocados pelas decisões de Washington. Entre as possibilidades estão restrições a importações e outras contramedidas comerciais previstas pela legislação.

A reação brasileira ocorre diante de tarifas americanas que podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos. O impacto já começa a aparecer no comércio bilateral: entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 12,2%, segundo levantamento da Amcham Brasil. Nos produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, a queda chegou a 31,5%.

O governo Lula, porém, procura evitar uma escalada irresponsável. A estratégia combina pressão diplomática, defesa do comércio multilateral e preparação de uma resposta caso os Estados Unidos mantenham as tarifas. A mensagem é clara: o Brasil não pretende aceitar unilateralmente uma política comercial que prejudique sua economia, seus empregos e suas empresas.

A Lei da Reciprocidade funciona, nesse cenário, como instrumento de soberania econômica. O Brasil sinaliza que está disposto a negociar, mas também demonstra que negociação não significa submissão. Se Washington escolhe impor barreiras de forma unilateral, Brasília passa a ter mecanismos legais para responder.

Mais do que uma disputa tarifária, está em jogo o princípio de que relações entre países soberanos não podem ser conduzidas pela lógica do ultimato. O Brasil abre a porta para o diálogo, mas deixa claro que também está preparado para defender seus interesses.

E essa talvez seja a principal mensagem do movimento: o Brasil prefere a negociação, mas não aceitará que a negociação seja confundida com rendição.


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China quer se unir ao Brasil contra o tarifaço de Trump na OMC

O tarifaço de Donald Trump contra o Brasil começa a produzir um efeito que talvez o governo americano não tenha calculado: em vez de isolar o país, está ajudando a aproximá-lo ainda mais de outras grandes economias que também rejeitam a política de imposição unilateral de tarifas adotada pela Casa Branca.

A China sinaliza disposição para atuar ao lado do Brasil na defesa das regras do comércio internacional e no enfrentamento das medidas protecionistas de Washington. Não se trata de uma simples demonstração de solidariedade diplomática. É o reconhecimento de que o que está em jogo ultrapassa os interesses comerciais brasileiros: é o próprio funcionamento do sistema multilateral de comércio que está sob pressão.

O Brasil já recorreu à Organização Mundial do Comércio para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos. O movimento coloca Brasília no terreno das regras internacionais, justamente o oposto da lógica de Trump, que tenta transformar tarifas em instrumento de pressão política e econômica.

E aqui está o grande paradoxo do tarifaço: Trump pretendia usar o tamanho do mercado americano para obrigar o Brasil a se curvar, mas pode estar acelerando a diversificação comercial brasileira.

A China já é um mercado fundamental para o Brasil e, no primeiro semestre de 2026, absorveu muito mais exportações brasileiras do que os Estados Unidos. A ampliação dessa relação não significa abandonar o mercado americano, mas deixa evidente que o Brasil não precisa aceitar uma relação de dependência em que Washington determina as condições e Brasília simplesmente obedece.

O que Trump parece não compreender é que o mundo mudou.

O planeta não é mais uma extensão econômica dos Estados Unidos. Há China, Índia, União Europeia, países do Oriente Médio, América Latina e outras economias capazes de estabelecer relações comerciais, investimentos e alianças estratégicas sem submissão automática aos interesses de Washington.

Por isso, a aproximação entre Brasil e China na OMC pode adquirir um significado muito maior do que uma disputa tarifária. Pode representar a defesa de um princípio básico: nenhuma potência deveria ter o direito de transformar sua força econômica em instrumento permanente de chantagem contra países soberanos.

Trump pode até aumentar tarifas. Pode ameaçar parceiros. Pode tentar impor acordos assimétricos. Mas não pode simplesmente decretar que o comércio internacional funcionará segundo a vontade de um único governo.

E é justamente aí que a resistência brasileira ganha importância.

O Brasil não precisa escolher entre Estados Unidos e China como quem escolhe um lado de uma guerra. Precisa escolher o lado de seus próprios interesses nacionais. E isso significa negociar com todos, ampliar mercados, fortalecer sua indústria, proteger seus exportadores e defender as instituições multilaterais.

Se a China realmente avançar ao lado do Brasil na OMC, o recado a Washington será inequívoco: o Brasil não está sozinho e o mundo não está obrigado a aceitar o jogo de Trump.

O tiro pode, portanto, sair pela culatra.


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Política

Tarifaço de Trump deve falhar e ampliar apoio a Lula, diz Nobel de Economia

O economista americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, afirmou que a nova rodada de tarifas imposta pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros dificilmente alcançará os objetivos políticos e econômicos pretendidos pela Casa Branca. Em análise publicada nesta segunda-feira (20), Krugman sustenta que a medida terá impacto econômico limitado e, paradoxalmente, tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o economista, a decisão dos Estados Unidos vai além de uma disputa comercial. Para ele, as tarifas representam uma tentativa de pressionar o Brasil por políticas consideradas bem-sucedidas, especialmente o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central e amplamente adotado pela população brasileira. Krugman questiona a lógica da medida ao perguntar por que um país deveria ser punido por oferecer aos seus cidadãos uma forma mais eficiente e barata de realizar pagamentos.

Na avaliação do Nobel, o alcance econômico das tarifas será reduzido. Isso porque diversos produtos estratégicos para o mercado americano, como café, carne bovina e suco de laranja, permanecem essenciais para os consumidores e empresas dos Estados Unidos, limitando o espaço para uma ruptura comercial mais ampla. Além disso, a economia brasileira possui alternativas para diversificar mercados e reduzir parte dos impactos das restrições impostas por Washington.

Krugman também argumenta que o efeito político pode ser exatamente o oposto do desejado pelo governo Trump. Em vez de enfraquecer o presidente brasileiro, a pressão externa tende a reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e a ampliar o apoio interno ao governo Lula. Historicamente, medidas vistas como interferência estrangeira costumam gerar reações de unidade nacional, beneficiando o governante que assume a defesa dos interesses do país.

As tarifas, confirmadas na última semana e previstas para entrar em vigor em 22 de julho, fazem parte de uma ofensiva comercial baseada na Seção 301 da legislação americana. O governo brasileiro já sinalizou que pretende reagir por meio da Lei da Reciprocidade e manter diálogo com organismos internacionais, classificando a iniciativa dos Estados Unidos como uma medida de natureza política, e não econômica.

Para Krugman, o episódio evidencia os limites do uso de barreiras comerciais como instrumento de pressão diplomática. Em sua avaliação, tentar punir o Brasil pelo sucesso de seu sistema financeiro digital e por decisões de política econômica não apenas terá pouca eficácia prática, como poderá consolidar a imagem de Lula como defensor da soberania brasileira diante das pressões externas.


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Mundo Política

Vitória de Lula em 2026 ficou mais robusta

Lula completa hoje 80 anos e foi parabenizado por Trump o que é um tiro de canhão nessa direita vassala que agora não tem mais nada pra ela servir de papagaio de pirata, especialmente daquela ala que ainda vive ecoando as bravatas do mandatário americano como se fosse oráculo infalível.

O encontro de Trump com Lula foi mais um tempero político que Lula jogou na sua reeleição.

Num cenário onde Trump é idolatrado pela direita como o anti-Lula definitivo, esse gesto casual, mas público, bagunça o roteiro dos reacionários de uma nota só.

Lula não precisou de bravatas para sentar à mesa de negociação, voou 24h para a Malásia, conseguiu 45min de conversa direta com Trump e saiu com elogios.

Isso neutraliza os palavrórios de “fracasso” e abre caminho pra negociações comerciais que beneficiam o Brasil.

A direita, que usava Trump como “aliado moral”, agora, fica sem munição.

Sem mais o “Trump odeia Lula” para colar nas urnas, sobra somente o eco vazio. Lula, aos 80 anos, vira símbolo de longevidade política, vigoroso, como disse o gringão laranja.

Trump elogiando e parabenizando Lula?

Isso vale mais que 10 debates na Globo.

O fato é que do tarifaço ao feliz aniversário, o encontro mudou o rumo da relação entre Lula e Trump e deixou a direita bolsonarenta no vácuo.


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Política

Queda no preço dos alimentos e reação ao tarifaço de Trump impulsionam aprovação do governo Lula

O aumento da aprovação do governo Lula (PT), de 43% para 46%, é impulsionado pela reação à tarifa estadunidense aos produtos brasileiros e pela queda do preço dos alimentos, avaliam analistas ouvidos pelo Brasil de Fato. Segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (20), a gestão petista alcançou o melhor resultado desde janeiro deste ano.

“Esta melhora foi nos segmentos que são a base de apoio mais nuclear do presidente Lula – e da sua figura individualmente, menos até do que o PT. Então foi uma recuperação dessa base que lhe é mais cara”, considera a cientista política Mayra Goulart, do Instituto de Estudos Políticos e Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj).

O levantamento registra que o crescimento de 3 pontos percentuais na aprovação do governo petista entre julho e agosto segue uma tendência: em maio, o índice era de 40%. Já o índice dos que desaprovam o governo estava em 57% em maio, baixou para 53% em julho e está, agora, em 51%.

O economista Renato Eliseu Costa, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), aponta que o levantamento do instituto reforça o que outras pesquisas já haviam verificado com relação à avaliação do governo.

“Às vezes essas pesquisas captam muito o cenário daquele momento em específico, e não necessariamente uma tendência. Aqui, como já temos um conjunto de pesquisas que vem mostrando isso, conseguimos visualizar que isso é uma tendência”, afirma.

A avaliação positiva da gestão de Lula cresceu em todas as regiões do país, com destaque para o Nordeste, onde o salto foi de 7 pontos percentuais. Bahia e Pernambuco lideram. Já com o recorte por faixa de renda, nota-se que a aprovação subiu em especial entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, aumentando de 46% para 55%, com margem de erro de 4 pontos percentuais.

Goulart destaca que a aprovação foi alavancada não só pelos mais pobres, mas também pelas mulheres. “São grupos que votam muito ligados nas condições materiais, porque estão diretamente afetados pelo preço das coisas, pela capacidade de comprar alimentos. E essa melhora na economia, a meu ver, é o que explica a melhora na popularidade nesses segmentos que são menos suscetíveis à polarização ideológica”, pontua.

A pesquisadora ressalta a queda na inflação dos alimentos, que em julho caiu 0,27%, conforme dados divulgados no último dia 12 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa redução foi a maior desde agosto de 2024 (-0,44%). Desde então, o grupamento teve nove meses seguidos de alta, antes de cair em junho e julho.

“É um fator muito importante para esse grupo, para quem a dinâmica do valor dos alimentos é percebida, de maneira mais subjetiva, como importante”, ressalta Mayra Goulart. “Nas camadas médias outras demandas são concorrentes, porque a questão alimentar já está garantida”, compara.

Os dados apontam que em março 88% dos entrevistados disseram que o preço dos alimentos tinha subido no mês anterior. Agora, esta percepção reduziu em 22 pontos percentuais, chegando a 60%.

A melhora na qualidade de vida também é apontada por Renato Costa como fator preponderante para o crescimento da avaliação positiva do governo.

“Destaco, por exemplo, o Brasil sair, mais uma vez, do Mapa da Fome, o índice de emprego – que é o menor índice de desemprego da história. São pontos que talvez não sejam sentidos por uma classe média, mas quando a gente olha, por exemplo, para essa pesquisa, para aqueles que recebem até dois salários mínimos, a gente vai ver que teve um salto maior de aprovação do que em outros setores”, reforça.

Perguntados sobre a “expectativa em relação à economia” nos próximos 12 meses, 40% dos entrevistados responderam que acham que vai melhorar. Outros 40% consideram que vai piorar. O empate registra uma melhora do humor em relação ao tema. Um mês atrás, 35% diziam que a economia iria melhorar.

Reação ao tarifaço de Trump
O aumento da percepção positiva acontece a despeito da entrada em vigor da sanção tarifária imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a mercadorias brasileiras e da interpretação de 64% dos entrevistados de que a medida vai aumentar o preço dos alimentos no país.

Questionados sobre “Qual lado está fazendo o que é mais certo nesse embate”, 48% responderam que “Lula e o PT”. Outros 28% disseram que “Bolsonaro e seus aliados”. Outros 15% avaliaram que nenhum.

A reação aos ataques dos EUA, para Renato Eliseu Costa, também é um ponto que ajudou a impulsionar o índice de aprovação do governo. Na avaliação do economista, os esforços de diálogo do Planalto foram percebidos pela população que, por outro lado, também enxergou os interesses políticos e pessoais na atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“A população viu esse elemento do patriotismo, da soberania nacional [na atuação do governo]. Mas, mais do que isso, quando essa pergunta é feita: ‘por que Eduardo Bolsonaro atua?’, 70% da população acredita que ele atua em interesse próprio. Então, mesmo entre aqueles que na mesma pesquisa não se declaram partidários de nenhum lado, veem que a família Bolsonaro prejudicou o Brasil em nome de interesses próprios”, assinala.

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 13 e 17 de agosto, com margem de erro específica para cada estrato pesquisado, com variação 2 a 8 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

*BdF


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EUA aceitam conversar sobre tarifaço com Brasil na OMC

Os Estados Unidos aceitaram o pedido de consulta do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas de até 50% impostas a produtos brasileiros, conforme solicitado no início de agosto de 2025.

No entanto, os EUA argumentam que as medidas tarifárias são questões de segurança nacional, baseadas na Lei de Emergências Nacionais e na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, e, portanto, não passíveis de revisão pelo mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Apesar disso, concordaram em iniciar consultas e estão dispostos a discutir uma data para o diálogo.

O Brasil contesta as tarifas, alegando que violam regras da OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados, além de discriminar produtos brasileiros ao isentar outros parceiros comerciais.

A solicitação brasileira também questiona uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sob a Seção 301, que aborda práticas comerciais brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento (como o Pix), tarifas preferenciais, anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Essa etapa de consultas é uma tentativa de mediação. Caso não haja acordo em 60 dias, o Brasil pode solicitar a abertura de um painel na OMC para avaliar possíveis violações às regras do comércio global. O governo brasileiro vê a aceitação das consultas como um passo positivo, mas reconhece que um acordo é desafiador devido à posição dos EUA de vincular as tarifas à segurança nacional.


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Política

Em resposta a tarifaço, governo federal vai comprar alimentos que seriam vendidos aos EUA

Plano Brasil Soberano prevê medidas para atender aos pequenos agricultores impactados pela tarifa de 50%

O Plano Brasil Soberano, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (13), prevê a compra pública de alimentos perecíveis que não puderam ser exportados ao mercado estadunidense. A Medida Provisória (MP) traz medidas de enfrentamento aos impactos das tarifas de 50% impostas pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

“Isso vai permitir que esses produtos perecíveis que iam para exportação sejam absorvidos no nosso mercado interno e vá alimentar as nossas crianças por meio da merenda escolar e vai também para as compras institucionais. Essa é uma das frentes”, destacou a ministra em exercício do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, ao Brasil de Fato.

Machiaveli lembrou que muitos agricultores familiares estão inseridos nas cadeias exportadoras, a exemplo dos produtores de frutas, pescados, açaí, castanhas e mel. Por isso, destacou a ministra, as medidas apresentadas serão fundamentais para auxiliar a pequena agricultura a enfrentar a crise.

“Outra frente”, seguiu ela, “é que nós estamos retomando o programa de formação de estoques, que é justamente para dar apoio para as cooperativas que iriam exportar, mas também para as demais, para que elas possam justamente ter um capital de giro, fazer o carregamento de estoques e esperar esse momento para conseguir direcionar seus produtos para outros mercados, seja interno, seja externo.”

A secretária-executiva do MDA ressaltou que há ainda outra frente de atuação, liderada pelo ministro da pasta, Paulo Teixeira, para o redirecionamento dos mercados para os produtos brasileiros que envolvem os pequenos agricultores.

“O açaí, as nossas frutas, os pescados, estão muito direcionados para os Estados Unidos, e agora, a gente está fazendo um esforço para pactuar com outros compradores. O ministro Paulo Teixeira está hoje no Japão fazendo isso. E dessa forma, a gente vai amparar a agricultura familiar”, disse Machiaveli.

*BdF


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Política

Vídeo: Em entrevista a Reinaldo Azevedo, Lula anuncia amanhã R$ 30 bilhões para empresas afetadas por tarifaço

Plano será lançado nesta quarta e terá recursos fora da meta fiscal

As empresas afetadas pelo tarifaço do governo de Donald Trump receberão R$ 30 bilhões em linhas de crédito, disse há pouco o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao canal Band News, ele adiantou o valor da ajuda em crédito que será anunciada nesta quarta-feira (13).

“Amanhã, vou lançar uma medida provisória que cria uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para as empresas brasileiras que porvntura tiveram prejuízos com a taxação do Trump. [Essa quantia de] R$ 30 bilhões é o começo. Você não pode colocar mais porque não sabe quanto é’, declarou Lula, indicando que o valor pode aumentar, caso seja necessário.

De acordo com Lula, o plano dará prioridade às menores companhias e a alimentos perecíveis.

“A gente está pensando em ajudar as pequenas empresas, que exportam espinafre, frutas, mel e outras coisas. Empresas de máquinas. As grandes empresas têm mais poder de resistência. Nós vamos aprovar [a medida provisória] amanhã, e acho que vai ser importante para a gente mostrar que ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump”, prosseguiu o presidente.

Segundo Lula, o plano procurará preservar os empregos e buscar mercados alternativos para os setores afetados.

“Vamos cuidar dos trabalhadores dessas empresas, vamos procurar achar outros mercados para essas empresas. Estamos mandando a outros países a lista das empresas que vendiam para os Estados Unidos porque a gente tem um lema: ninguém larga a mão de ninguém”, acrescentou.

O presidente também anunciou que ajudará os empresários afetados a brigar, na Justiça estadunidense, contra o tarifaço aos produtos brasileiros. “Vamos incentivar os empresários a brigar pelos mercados. Não dá para dar de barato a taxação do Trump. Tem leis nos Estados Unidos, e a gente pode abrir processo. Eles podem brigar lá”, explicou.

Créditos extraordinários
Mais cedo, pouco após audiência pública no Senado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esclareceu que as medidas de ajuda virão por meio de crédito extraordinário ao Orçamento, recursos usados em situações de emergência fora do limite de gastos do arcabouço fiscal. Esse sistema foi usado no ano passado para socorrer as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Sem dar detalhes sobre o plano, Haddad afirmou que as medidas estão 100% prontas e que contemplam as demandas do setor produtivo. Ele ressaltou que a formulação das propostas ocorreu após reuniões com vários representantes e que deve ser “o necessário para atender aos afetados”.

Assista à entrevista na íntegra:

*Com Agência Brasil


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Economia

Enchendo as burras: Megaoperações de R$ 1,22 bilhão em dólar ocorreram horas antes de adiamento do tarifaço

Volume bilionário de contratos foi registrado pouco antes do anúncio da Casa Branca, destoando do padrão de outros pregões

Contratos de dólar futuro negociados na Bolsa em volumes centenas de vezes acima da média chamaram atenção no mercado financeiro por terem sido registrados poucas horas antes de um anúncio crucial da Casa Branca. Na tarde de 30 de julho, às 15 horas, o governo norte-americano comunicou o adiamento da aplicação de tarifas contra o Brasil — decisão com potencial para provocar variações expressivas na taxa de câmbio e gerar ganhos imediatos para quem estivesse posicionado corretamente. A proximidade temporal entre essas negociações e o anúncio levanta sinais de alerta para autoridades e analistas de mercado.

Somando apenas as operações de maior porte realizadas antes das 15h via mesas do BTG Pactual (cód. 85) e da Tullett Prebon (cód. 127), foram 24.430 contratos de dólar futuro do tipo DOLQ25. Cada contrato representa R$ 50 mil, o que totaliza R$ 1,221 bilhão em valor nocional. Esse volume destoa de forma acentuada da média do dia, de apenas 9 contratos por transação, e também dos padrões verificados em outros pregões.

O maior pico ocorreu às 12h29, quando a mesa do BTG intermediou quatro ordens sequenciais — de 5.000, 5.000, 5.000 e 4.930 contratos — executadas com diferença de apenas 47 milissegundos, totalizando 19,9 mil contratos. Mais cedo, às 10h42, a Tullett registrou uma única operação de 4.500 contratos, volume 497 vezes maior que a média diária. Ordens acima de mil contratos também foram identificadas pelas mesas da BGC Liquidez e da CM Capital, sempre antes das 15h.

Embora operações vultosas possam ocorrer por razões legítimas, como hedge ou realocação de portfólio, a concentração extrema em um curto espaço de tempo e a coincidência com um evento de alto impacto econômico e político reforçam a necessidade de apuração. Além disso, a execução em milissegundos sugere uso de sistemas de negociação de alta frequência, geralmente operados por grandes players institucionais.

Comparativo com outros dias do mês
A análise de pregões anteriores e posteriores mostra que o dia 30 de julho foge completamente do padrão. Em outros pregões de junho e julho, os volumes negociados por essas mesas foram bem menores e diluídos ao longo do dia. No dia 31 de julho, primeiro pregão após o anúncio da Casa Branca, o total negociado pelas mesmas mesas despencou para 570 contratos, uma queda superior a 97%. Essa mudança abrupta reforça a percepção de que as operações do dia 30 estavam diretamente relacionadas à expectativa ou ao conhecimento prévio da decisão.

O que caracteriza suspeita de informação privilegiada
No Brasil, a Lei nº 6.385/76 proíbe o uso de informação relevante não pública para obter vantagem no mercado. Posicionar-se com base em dados estratégicos antes de sua divulgação configura crime de insider trading, sujeito a sanções severas. No caso de 30 de junho, a magnitude das ordens, a sincronia com o anúncio e a ausência de padrão similar nos demais pregões reúnem indícios típicos para justificar a abertura de investigações pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Ministério Público Federal.

Movimentações desse porte, especialmente antes de anúncios de grande impacto, podem provocar distorções significativas nos preços e prejudicar investidores que não têm acesso a informações privilegiadas. No mercado de câmbio futuro, oscilações abruptas afetam desde fundos de investimento atrelados ao dólar até empresas com contratos de importação e exportação indexados à moeda americana, com impactos em cadeias produtivas inteiras. Casos suspeitos de insider trading corroem a confiança no sistema financeiro, tornando imprescindível uma atuação rápida e efetiva dos órgãos reguladores.

Anúncio do tarifaço também teve negociações incomuns
Esta não é a primeira grande movimentação atípica envolvendo o tarifaço. Como o ICL Notícias revelou com exclusividade, na manhã de 9 de julho, o mercado de contratos futuros de dólar também teve um movimento fora do comum. Em apenas 75 minutos, entre 11h30 e 12h45, nove negociações somaram mais de R$ 6,6 bilhões, quase 10% do total daquele dia. O maior negócio ocorreu às 11h38, com o BTG Pactual intermediando quase 10 mil contratos, equivalentes a R$ 2,7 bilhões. O anúncio das tarifas foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump às 16h17.

Os valores foram calculados com base no dólar a R$ 5,44, cotação do início do dia. As operações ocorreram pouco antes do anúncio do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e agora essas movimentações são investigadas pelo Supremo Tribunal Federal.

*Por Cleber Lourenço e Deborah Magagna. Publicado com exclusividade pelo ICL.


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