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Política

Quaest: Novo tarifaço encolhe intenção de voto em Flávio entre eleitores de direita

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) aponta que o tarifaço americano reduziu a vontade de eleitores de direita, inclusive bolsonaristas, de votar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A sondagem veio a público horas depois de Washington confirmar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Quando os entrevistadores perguntaram se o tarifaço aumentava a vontade de votar em Lula, Flávio ou outro pré-candidato, 42% citaram o presidente Lula (PT), contra 39% em junho. No caso de Flávio, o índice caiu de 30% para 27%. A opção “outro” ficou em 23%, e 8% não souberam ou não responderam.

Entre eleitores independentes, a vontade de votar em Lula subiu de 26% para 33%, variação de sete pontos acima da margem de erro de quatro pontos estimada para esse recorte. Nesse mesmo grupo, a preferência por “outro” pré-candidato, considerando o tarifaço, caiu de 45% para 38%.

O recuo de Flávio também apareceu em segmentos de direita. Na direita não bolsonarista, o senador caiu de 70% para 60%, enquanto a vontade de votar em “outro” pré-candidato subiu de 19% para 29%. Entre bolsonaristas, a intenção associada ao tarifaço foi de 88% para 81%, e a escolha por “outro” nome cresceu na mesma proporção.

A Quaest também perguntou com quem os eleitores concordam mais no embate sobre a origem da medida. Na pergunta sobre a acusação de Lula de que Flávio pediu a Donald Trump sanções contra o Brasil, 51% concordaram mais com o petista, ante 47% em junho; 30% ficaram com a versão de Flávio, contra 35% no mês anterior; e 19% não souberam ou não responderam.

Em outra questão, 49% concordaram mais com Lula na avaliação de que as tarifas são retaliações ao Pix, enquanto 33% preferiram a versão de Flávio, segundo a qual a medida seria reação a declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos. Outros 10% responderam “nenhum dos dois”, e 8% não souberam ou não responderam.

O governo Lula repudiou o tarifaço e criticou os Bolsonaros, chamados de “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”. Flávio respondeu que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil”, atribuiu “atraso, incompetência e vingança” à atual gestão e chamou o adversário de “Biden brasileiro”.

Flávio discursou neste mês em Washington contra o tarifaço sobre produtos brasileiros e em defesa do Pix. Em maio, o senador foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca, em agenda articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo Figueiredo.

A pesquisa apontou que 57% dos brasileiros não sabiam da viagem de Flávio aos Estados Unidos em defesa do Pix e contra o tarifaço. Entre os que conheciam a agenda, 58% disseram que o senador não tem força para convencer Trump e o governo americano a rever as tarifas, enquanto 34% afirmaram confiar nessa capacidade.

Seis em cada dez brasileiros, 63%, disseram acreditar que as novas tarifas impostas por Trump vão prejudicar sua vida ou a de sua família; em junho, eram 55%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre 10 e 13 de julho, tem margem de erro geral de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-07181/2026. DCM.


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Brasil Mundo

Donald Trump usa acusações comerciais e tarifas para atacar autonomia do Brasil

A estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de recorrer a tarifas e acusações comerciais contra o Brasil tem sido interpretada por analistas internacionais como uma tentativa de pressionar o país por decisões que extrapolam a esfera econômica. Em editorial publicado nesta semana, o jornal britânico The Guardian afirma que a Casa Branca transformou iniciativas ligadas à soberania brasileira em supostos problemas comerciais, utilizando o comércio exterior como instrumento de pressão política.

Entre os principais alvos da ofensiva americana estão decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos antidemocráticos e o sistema de pagamentos instantâneos Pix, desenvolvido pelo Banco Central. Para o governo Trump, essas medidas afetariam interesses de empresas e redes financeiras dos Estados Unidos, justificando a ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

O editorial sustenta que o verdadeiro incômodo de Washington não seria um desequilíbrio comercial, mas o fortalecimento da capacidade brasileira de definir suas próprias regras para o ambiente digital e para sua infraestrutura financeira. Nesse contexto, a política tarifária deixa de ser apenas uma ferramenta econômica e passa a funcionar como mecanismo de pressão contra a autonomia institucional e tecnológica do Brasil.

A avaliação também chama atenção para o fato de que o Brasil busca reduzir sua dependência de plataformas e sistemas estrangeiros, movimento semelhante ao adotado por outros países que investem em infraestrutura digital própria. Segundo a análise, iniciativas como o Pix representam um avanço na soberania financeira nacional e desafiam modelos tradicionais dominados por grandes empresas internacionais.

Nesse cenário, a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos ganha contornos geopolíticos. Mais do que tarifas sobre exportações, o embate envolve a capacidade do Brasil de exercer sua soberania regulatória, tecnológica e econômica sem sofrer retaliações externas por decisões tomadas dentro de seu próprio ordenamento jurídico.


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Esporte Mundo

NYT: Fifa anulou expulsão de jogador da seleção dos EUA após contato de Trump

A decisão da Fifa provocou reação da Federação Belga de Futebol (RBFA), que afirmou estar “perplexa”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou na última quarta-feira para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revisão do cartão vermelho recebido por Folarin Balogun na vitória da seleção norte-americana sobre a Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026. A informação foi revelada neste domingo pelo jornal The New York Times.

Dias após a ligação, a Comissão Disciplinar da Fifa anunciou a suspensão da execução da punição aplicada ao atacante, que, desta forma, está liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final do Mundial.

Segundo comunicado divulgado pela entidade, Balogun recebeu a suspensão de uma partida, mas sua execução foi condicionalmente suspensa pelo período de um ano. Caso o jogador cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período, a punição será aplicada, sem prejuízo de eventuais novas sanções.

De acordo com o The New York Times, a decisão representa um fato incomum na história recente das Copas do Mundo. Ainda segundo a publicação, a reviravolta acontece em um momento em que Infantino busca fortalecer sua relação com Donald Trump.

Críticas da Bélgica à posição da FIFA
A decisão da Fifa provocou reação da Federação Belga de Futebol (RBFA), que afirmou estar “perplexa” com a liberação do atacante norte-americano para a partida desta segunda-feira.

“A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) está perplexa com a decisão da FIFA de declarar o jogador norte-americano Folarin Balogun — que estava suspenso — elegível para disputar a partida entre EUA e Bélgica na segunda-feira, 6 de julho, às 17h (horário de Seattle)”, escreveu a entidade em comunicado.

A federação belga argumenta que a decisão se baseia no artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA, que permite a suspensão da execução de sanções disciplinares. No entanto, a RBFA sustenta que o artigo 66 do mesmo código e o regulamento da Copa do Mundo determinam a suspensão automática do jogador para a partida seguinte após um cartão vermelho.

Diante disso, a entidade informou que estuda todas as medidas possíveis para preservar os direitos da seleção belga e os princípios de fair play da competição.

Confira a nota na íntegra:
“A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) está perplexa com a decisão da FIFA de declarar o jogador norte-americano Folarin Balogun — que estava suspenso — elegível para disputar a partida entre EUA e Bélgica na segunda-feira, 6 de julho, às 17h (horário de Seattle).

A FIFA baseia sua decisão no Artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA. Tal dispositivo estabelece que o Comitê Disciplinar da FIFA pode decidir suspender a execução de uma sanção disciplinar previamente imposta.

No entanto, o Artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da FIFA determina claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a partida seguinte da equipe, como ocorreu com todos os cartões vermelhos aplicados anteriormente nesta Copa do Mundo da FIFA.

Além disso, e independentemente do exposto acima, a decisão contradiz diretamente as disposições do Regulamento da Competição da Copa do Mundo da FIFA 2026, conforme estabelecido no Artigo 10.5:

“Se um jogador ou membro da comissão técnica for expulso em decorrência de um cartão vermelho direto ou indireto (segunda advertência), ele será automaticamente suspenso da partida subsequente de sua equipe. Adicionalmente, outras sanções poderão ser impostas.”

O caráter automático de tal suspensão também foi explicitamente reafirmado na Circular nº 16 da Copa do Mundo da FIFA 2026, distribuída a todas as associações-membro participantes em 12 de maio de 2026.

A mesma regra é reiterada em todas as reuniões de coordenação de jogos da Copa do Mundo da FIFA 2026, antes de cada partida, e consta em todas as apresentações dos workshops do torneio.

Com o objetivo de salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do *fair play* em nosso esporte — tanto nesta Copa do Mundo da FIFA quanto em futuras edições do torneio —, a RBFA está analisando todas as opções possíveis.”


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Brasil Mundo

O PCC que atormenta Trump, é o Partido Comunista Chinês

Os Estados Unidos são, disparado, o país que mais consome e comercializa drogas no mundo. Ou seja, o maior consumo absoluto e financeiro está justamente lá.

O país, presidido por Donald Trump, é o principal destino financeiro do narcotráfico global. Conforme dados compilados pelo Escritório das Nações Unidas sobre drogas e crime organizado, os EUA enfrentam uma grave crise de saúde pública.

O consumo de fentanil e outros sintéticos gera um mercado de bilhões de dólares e altos índices de overdose.

Os EUA são, historicamente, considerados o maior mercado consumidor de drogas ilícitas no mundo em valores econômicos e volume absluto. O país também lidera o comércio financeiro do narcotráfico pelo alto poder aquisitivo da população e pela forte demanda por opióides sintéticos, como fentanil e cocaína.

O cenário global do tráfico e consumo divide-se de forma específica entre consumo proporcional e comercialização e os EUA são o líder de todos esses quesitos.

Por isso, terceirizam a produção para o México e Colômbia e pulverizam a distribuição das drogas por todo o território norte-americano debaixo das barbas da CIA, do FBI, etc.

Se os EUA não conseguem resolver esse gigantesco comércio e consumo dentro do próprio território, como quer resolver essa questão em país alheio?

Aliás, essa é a principal crítica feita por especialistas em segurança pública e relações internacionais à política externa dos EUA.

É de fato uma estrondosa contradição entre suas ações internas e externas.

A tal guerra às drogas, que os americanos fantasiam, é uma balela estratégica para se meter em outros países, impondo sanções econômicas e classificando grupos estrangeiros como terroristas, como faz agora com o Brasil.

Na verdade, no caso brasileiro, além do olho gordo de Trump nas terras raras, na Amazônia, no petróleo e até mesmo na água, a China, a maior parceira comercial do Brasil, tendo o nosso país como principal destino de seus investimentos, que chegam a 10%, é o grande calcanhar de Aquiles dos EUA.

Pouco ou nada adianta Trump ficar nesse cerca frango para impedir a China de continuar a tratorar a economia americana, porque não tem capacidade nenhuma de disputar o mercado global com ela.

Os problemas são muitos e se acumulam e detonam o próprio mandato de Trump, que hoje vê a inflação americana crescer, a economia estagnar e, logicamente, sua rejeição explodir, tendo apenas 32% de aprovação.

Para os americanos, o demônio é muito mais feio que o próprio pinta.

Mas a coisa não para por aí, para Trump seguir tentando ficar de pé com o populismo que lhe é peculiar, sua situação política fica cada vez pior, sobretudo com o fracasso da política de tarifas, que não aterou em nada positivamente os números da economia americana, somado à humilhante derrota da bradada super potência para o Irã, tendo que sair do país persa com o rabo entre as pernas.

E se não pode militarmente com o Irã, que fará com a China.

Que fique claro que o problema de Trump não é o PCC brasileiro (Primeiro Comando da Capital), mas sim, o PCC chinês (Partido Comunista Chinês), que avança de forma cada vez mais acelerada em Inteligência Artificial, transição energética, semicondutores e domínio do mercado global de veículos elétricos, pressionando a liderança tecnológica de Washington.

Ou seja, não tem nada de Flavio, comparsa de narcomilicianos e outros bichos soltos com relações pesadas com o PCC nativo e com o Comando Vermelho.


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Brasil

Brasil é quem define como combate e classifica o crime, diz Planalto

Governo critica família Bolsonaro por buscar “intervenção estrangeira”

O governo afirmou, nesta sexta-feira (29), que são os brasileiros que definem como o crime é classificado e combatido dentro do território do país, com suas instituições, leis e forças de segurança. O Palácio do Planalto afirmou também, em nota, que a família Bolsonaro tem buscado uma intervenção estrangeira no Brasil.

“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, diz a nota do Palácio do Planalto.

O posicionamento é uma resposta à decisão dos Estados Unidos (EUA) de classificarem organizações narcotraficantes como terroristas. Para especialistas, a decisão pode servir como pretexto para intervenção no país.

Para o Planalto, a medida dos EUA pode prejudicar o combate ao crime, a economia e o sistema financeiro, além de sistemas inovadores como o Pix.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz o comunicado.

Os EUA têm investigado o Pix do Brasil por suposta “concorrência desleal”. O mecanismo prejudica comercialmente empresas financeiras dos EUA.

Família Bolsonaro
Para o governo brasileiro, a família Bolsonaro tem buscado provocar o governo de Donald Trump para que intervenha no país.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, acrescenta o comunicado.

O pré-candidato à presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se encontrou com o presidente Donald Trump, nesta semana, tendo pedido ao chefe da Casa Branca para classificar grupos narcotraficantes no Brasil como terroristas.

Ainda segundo o Planalto, “traidores” tentam manipulada politicamente o debate sobre o tema.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, disse o Palácio do Planalto.

Terrorismo
O governo ainda reconheceu, no comunicado, que o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”.

Porém, argumenta que não se pode misturar esse terror, usado para obter lucro, com o terrorismo internacional com motivações políticas, religiosas ou ideológicas.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, diz o governo.

*Agência Brasil


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Brasil Mundo

Lula à revista alemã Der Spiegel: “Vamos ganhar as eleições porque no Brasil não há lugar para fascistas”

Presidente afirma que a democracia brasileira sairá mais forte, critica Donald Trump, defende o multilateralismo e reafirma soberania do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o campo democrático vencerá as próximas eleições no Brasil e declarou que o país não abrirá espaço para o fascismo. “Vamos ganhar as eleições porque no Brasil não há lugar para fascistas”, disse Lula em entrevista à revista alemã Der Spiegel, na qual também abordou o cenário internacional, criticou Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, defendeu o multilateralismo e reafirmou a soberania brasileira diante das pressões geopolíticas.

Na entrevista publicada pela Der Spiegel, Lula tratou ainda do acordo entre Mercosul e União Europeia, da relação com a Alemanha, da guerra no Oriente Médio, da crise internacional provocada pela escalada militar liderada por grandes potências e da situação política na América Latina. Segundo o 247, ao longo da conversa, o presidente apresentou o Brasil como uma democracia sólida e insistiu que o mundo vive um momento de desordem que exige mais diálogo, mais equilíbrio institucional e menos imposições unilaterais.

“Aqui não há lugar para fascistas”
Ao comentar o ambiente político brasileiro e a possibilidade de uma nova disputa presidencial, Lula demonstrou confiança na vitória das forças democráticas e fez a declaração mais forte da entrevista: “O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, nós vamos ganhar esta eleição e fazer com que a nossa democracia fique ainda mais estável. Aqui não há lugar para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia”.

A fala sintetiza a visão do presidente sobre o momento político nacional, ainda marcado pelos efeitos da tentativa de ruptura institucional promovida por setores da extrema direita após sua eleição. Lula reforçou que o Brasil dispõe hoje de instituições mais preparadas para reagir a ataques contra a ordem democrática e ressaltou a responsabilização de envolvidos em ações golpistas.

“É a primeira vez na nossa história que um ex-presidente e quatro generais foram responsabilizados por seus atos”, afirmou, ao defender o funcionamento da Justiça como condição essencial para impedir recaídas autoritárias.

Lula critica Trump e diz que presidente dos EUA “não foi eleito imperador do mundo”
Um dos trechos centrais da entrevista foi a crítica direta de Lula a Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Ao analisar a postura de Washington diante de outros países, o presidente brasileiro afirmou: “Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ameaçar outros países o tempo todo com guerra”.

Lula acrescentou que a ordem internacional vive um processo acelerado de deterioração. “Precisamos colocar este mundo em ordem; ele está se transformando em um único campo de batalha”, declarou. Em sua avaliação, o sistema global se tornou refém da lógica militar e do poder concentrado nas mãos de poucas nações, em prejuízo da paz e do desenvolvimento.

O presidente também criticou o volume de recursos despejados na indústria bélica. “No ano passado, foram gastos 2,7 trilhões de dólares com armas e militares. Esse dinheiro poderia ser melhor empregado no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina”, disse.

Soberania e respeito nas relações com os Estados Unidos
Ao recordar os atritos comerciais com os Estados Unidos, Lula afirmou que não existe fórmula mágica para lidar com Trump, mas insistiu que o respeito entre os países depende da capacidade de cada governo de se impor politicamente. “Ninguém respeita alguém que não se faça respeitar”, afirmou.

Segundo o presidente, ele próprio deixou claro a Trump que o Brasil não abrirá mão de seus interesses nacionais. “Eu disse a Trump: você pode dizer que tem os maiores navios, aviões e foguetes do mundo. Eu quero paz, meu país quer se desenvolver. Minha guerra com você é uma guerra de narrativas”, declarou.

Lula também contestou o argumento utilizado pelos Estados Unidos para justificar medidas tarifárias contra o Brasil. “Essas tarifas são um erro, porque os Estados Unidos têm há anos um superávit comercial com o Brasil. Então não vamos contar histórias falsas”, afirmou.

Ao mesmo tempo, deixou claro que o Brasil não aceitará ficar dependente de um único parceiro comercial. “Se Trump não quiser comprar nada de mim, eu procuro meus compradores em outro lugar. Em três anos e meio, abrimos 518 novos mercados para os produtos brasileiros. Eu não vou ficar sentado lamentando”, disse.


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Mundo

Bloqueio dos EUA no Golfo pode levar guerra para o Mar Vermelho e Suez

Escalada naval de Trump em Ormuz eleva tensão. Irã ameaça fechar o Mar Vermelho via Houthis, no Iêmen, pondo em risco rota de 12% do comércio global

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã atingiu um novo e perigoso patamar nesta semana. O bloqueio naval imposto pelo governo de Donald Trump ao Estreito de Ormuz, iniciado na segunda-feira (13), não apenas paralisou o fluxo de energia no Golfo Pérsico, como ameaça transbordar para o Mar Vermelho, arrastando o comércio global para o epicentro do conflito iniciado em fevereiro.

O ponto central da tensão agora se desloca para a possibilidade de uma guerra de bloqueios. O Quartel-General Central do Khatam al-Anbiya, comando unificado iraniano, classificou a interdição americana — que mobiliza mais de 10 mil militares — como “pirataria ilegal”. Em resposta direta, Teerã alertou que, caso o cerco persista, seus aliados no Iêmen, o movimento Ansar Allah (Houthis), poderão fechar o estreito de Bab el-Mandeb.

Conhecido como “Portão das Lágrimas”, o local é o gargalo que dá acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, e a obstrução dele teria impactos catastróficos, afetando diretamente 12% do comércio marítimo mundial, o que comprometeria cadeias de suprimentos vitais entre a Ásia e a Europa. O comando iraniano já elevou o tom político ao afirmar que o “Eixo da Resistência” trata Bab el-Mandeb com a mesma prioridade estratégica que Ormuz, embora analistas ponderem as limitações dessa estratégia, já que um bloqueio total exigiria uma coordenação logística complexa sob intensa pressão de coalizões internacionais, além de representar um risco diplomático ao desgastar a relação do Irã com aliados fundamentais como China e Rússia, que dependem economicamente da fluidez desta rota.

Caos no Golfo Pérsico

Dentro do Golfo Pérsico, o cenário é de paralisia quase total. Dados de rastreamento marítimo de plataformas como Kpler e MarineTraffic indicam um colapso operacional: o fluxo, que em tempos de normalidade registrava entre 100 e 140 navios diários, caiu drasticamente para uma oscilação entre apenas 3 e 8 embarcações. De acordo com o Vermelho, o represamento é visível nos radares, com centenas de navios ancorados em pontos estratégicos, pressionando por uma janela de saída antes que o cerco do CENTCOM se torne intransponível.

Apesar do rigor da marinha americana, o bloqueio apresenta fissuras que expõem os limites da força bruta. Um caso emblemático é o do petroleiro chinês Rich Starry (IMO 9773301). Mesmo sob sanções e carregando cerca de 250 mil barris de metanol, a embarcação conseguiu cruzar o Estreito de Ormuz em 14 de abril. Atualmente, o navio encontra-se em posição próxima à costa sul do Irã, operando em velocidade mínima de 0,1 nós. A velocidade quase nula do Rich Starry indica que o navio está em modo de espera ou ancorado, possivelmente aguardando instruções de segurança ou autorização para atracação em meio ao caos das interceptações navais.

Diplomacia sob pressão

Enquanto o preço do petróleo Brent dispara nos mercados internacionais, a diplomacia corre contra o tempo. O cessar-fogo frágil, mediado pelo Paquistão, tem data de validade até 22 de abril. As rodadas de negociação em Islamabad fracassaram nos dias 12 e 13, travadas por exigências irreconciliáveis sobre o programa nuclear iraniano e o pagamento de reparações de guerra.

Com o relógio avançando, a comunidade internacional observa com temor a possibilidade de que o impasse econômico e a demonstração de força no mar transformem o Golfo Pérsico e o Mar Vermelho em um único e extenso campo de batalha naval.


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Mundo Política

Se cuida Brasil! Trump começa a promover intromissão em eleições com participação da extrema direita

O presidente Donald Trump decidiu que votações fora de seu país que envolvam a extrema direita são também eleições de seu interesse. Nesta semana, a Casa Branca decidiu despachar o vice-presidente JD Vance para a Hungria, numa operação para tentar salvar o líder ultraconservador e considerado como um modelo para Bolsonaro, Javier Milei, José Antonio Kast e tantos outros.

Orbán, no poder há 16 anos, vive uma encruzilhada. Pela primeira vez, as pesquisas de opinião mostram que ele pode perder a eleição que ocorre no dia 12 de abril.

A visita de Vance, que começa na terça-feira, incluirá encontros com Orbán e um discurso público, justamente na reta final de uma acirrada campanha eleitoral. A cidade será praticamente fechada, inclusive uma ala do aeroporto.

Não é a primeira vez que Trump decide se fazer presente numa eleição. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, agiu para apoiar o presidente Javier Milei antes das eleições de meio de mandato, inclusive com um cheque de US$ 20 bilhões. No Japão, a eleição também revelou um ação direta dos EUA.

Honduras, Polônia, Romênia e vários outros países sentiram o que representa ter seu processo eleitoral no foco de Washington nos últimos meses.

Mas, no caso da Hungria, o que está em jogo é o futuro de um dos principais aliados do movimento MAGA em toda a Europa.

A relação entre a Casa Branca e Orbán, porém, foi marcada por desencontros. Em novembro, tentando repetir o cheque recebido por Milei, o húngaro foi até Washington para ser recebido por Trump. O húngaro chegou a anunciar a aprovação de um pacote financeiro, negado dias depois pela Casa Branca.

Mesmo assim, Budapeste modificou sua narrativa para explicar que, de fato, o pacote estava “disponível” caso o país precisasse.

O mal-estar foi superado com uma viagem de Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, para a Hungria em fevereiro.

A ação não se limita às visitas oficiais. Apesar de todos os institutos de sondagem darem a vitória ao opositor de Orbán, aliados de Trump divulgaram há poucas semanas um resultado diferente. A McLaughlin & Associates, conhecida como a “pesquisa de opinião preferida de Trump”, publicou um levantamento dizendo que Orbán vencerá a eleição com seis pontos de vantagem.

Peter Magyar, o opositor, vem usando a ingerência dos EUA na eleição para alertar sobre o preço que Trump poderá cobrar pelo apoio, insinuando acordos militares não divulgados e sugerindo que Washington pode buscar concessões em troca de seu apoio. “Tanto a ajuda do Leste quanto a do Oeste têm um preço”, disse.

*Jamil Chade/ICL


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Epstein e Bannon planejaram derrubar o Papa Francisco, revelam documentos dos EUA

Jeffrey Epstein e o ex-chefe de campanha de Donald Trump, Steve Bannon, trocaram mensagens sobre a necessidade de financiar organizações católicas como forma de se infiltrar no Vaticano com o objetivo de derrubar o papa Francisco.

A informação consta em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Em uma troca de e-mails, Bannon diz a Epstein: “Vamos derrubar Francisco”. Na mesma mensagem, acrescenta que também deveriam atacar Hillary e Bill Clinton, o presidente da China, Xi Jinping, e a União Europeia.

Diversas mensagens revelam a obsessão de Epstein pelo Vaticano e uma aliança perturbadora com Bannon para o que chamavam de “purificar” a Igreja. Epstein também demonstrava grande interesse pela política externa do Vaticano. Por isso, passou a financiar organizações beneficentes católicas por meio de sua fundação e enviou integrantes de sua equipe para eventos ligados ao Vaticano.

Em uma das conversas, Epstein incentiva a cruzada de Steve Bannon contra o papa Francisco. O aliado de Trump chegou a brincar dizendo que Epstein era agora produtor executivo de um projeto com o codinome “ITCOTV”, em referência a um livro que aborda segredos da Santa Sé.

A resposta de Epstein, que morreu na prisão em 2019, foi uma única palavra enigmática: “Pornografia”. Bannon reagiu com a frase: “Vou derrubar Francisco”. Com DCM.

As revelações destacam os vínculos de Epstein com setores católicos ultraconservadores, aos quais Bannon se aproximou, sobretudo em oposição às reformas promovidas pelo papa Francisco. O pontífice, por sua vez, fez críticas duras ao tráfico de pessoas e à exploração sexual, que classificava como “escravidão moderna” e “violação da dignidade humana”.

Esses são justamente os crimes pelos quais Epstein foi condenado: tráfico de dezenas de meninas, além de exploração e abuso sexual.

Também veio a público um vídeo de uma longa entrevista entre Bannon e Epstein, gravada em 2019, pouco antes da prisão do financista. Na gravação, os dois conversam sobre política, economia e outros temas, demonstrando uma proximidade maior do que a conhecida até então. O material reacendeu o debate sobre a rede de contatos de Epstein com figuras poderosas e nomes influentes da mídia.


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Sem Brasil e potências europeias, Trump funda seu ‘Conselho da Paz’ e critica ONU

Evento em Davos ocorre depois que Reino Unido e França informaram que não irão aderir por enquanto ao projeto. Ato se transformou em palanque de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fundou nesta quinta-feira, em Davos, o que ele passou a chamar de Conselho da Paz. O órgão que rivaliza com a ONU teria a missão de lidar com as principais crises mundiais, ainda que o mandato e os detalhes do organismo não tenham sido esclarecidos.

Num palco com o símbolo da nova organização, repetindo os ramos cruzados no emblema das Nações Unidas, o protocolo sugeria que estava sendo criada uma entidade para consolidar o poder de Trump no mundo. Não por acaso, em todo o pano de fundo, era o brasão dos EUA que estava ao lado do termo “Conselho da Paz”.

O evento começou quando Trump foi chamado ao palco como autoridade máxima da nova iniciativa. O americano justificou que ele foi “convidado” a ser o líder do projeto, ainda que não tenha explicado quem o convidou.

Os demais líderes eram meros coadjuvantes, sentados em silêncio ao lado do americano, que fazia um longo monólogo sobre seus feitos.

Até mesmo a entrada em vigor do acordo foi feito a partir de uma manipulação. Pelo tratado, a assinatura de três países era suficiente para que a organização passasse a existir. Trump, então, chamou Bahrein e Marrocos para a mesa central do palco, assinou e seus assessores anunciaram que o novo organismo internacional estava criado.

Um por um, os demais líderes foram chamados para assinar o ato de fundação. Todos em silêncio.

Além de Trump, apenas mais três pessoas tomaram a palavra: a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leaviit, o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, e o secretário de Estado, Marco Rubio. “Isso aqui é resultado do sonho do presidente Trump”, disse o chefe da diplomacia dos EUA.

Rubio ainda criticou entidades onde “nada acontece” e sinalizou que o destino de Gaza pode ser o destino de “outras parte dos mundo”.

Alfinetadas contra a ONU
“Vamos trabalhar com todos, inclusive com a ONU”, prometeu Trump, que repetiu seu mantra que teria encerrado sozinho oito guerras. Em certo momento, ele admitiu que “nem sabia” que algumas daquelas guerras estavam ocorrendo.

Mas usou o evento para repetir suas críticas contra a instituição. “A ONU tem um enorme potencial e acho que combinação desse Conselho com eles pode ser positiva”, disse. No acordo, porém, o novo organismo tem o compromisso de apenas informar a cada seis meses o que está fazendo às Nações Unidas.

Se o Conselho é da paz, o discurso foi desenhado para insistir no poder militar dos EUA e no êxito dos ataques de seu governo contra inimigos. “Somos o maior poder militar do mundo”, disse.

Ele ainda garantiu que Gaza será desmilitarizada e que será “reconstruída lindamente”. O evento ainda anunciou a “desradicalização” do local, livre mercado e segurança. Um dos pontos de fronteira entre Gaza e o Egito serão abertos a partir da semana que vem.

Nova fase contra narcotráfico latino-americano
O discurso de criação ainda sugeriu que o governo americano poderá lançar uma nova ofensiva contra grupos do crime organizado na América Latina, desta vez por terra.

Para Trump, a parte “mais difícil” era por mar. “Agora será mais fácil”, disse. Ele sinalizou que estava esperando “resolver” a situação política na Venezuela com o sequestro de Nicolás Maduro para, agora, ampliar sua atuação.

Esvaziado
Trump, que convidou 59 líderes pelo mundo ao novo organismo, esperava transformar o ato na confirmação de seu poder. Pelas regras do Conselho, o presidente americano será a autoridade máxima da nova entidade e o único a poder vetar decisões. A adesão de um país para ser membro permanente depende de apenas dois critérios: depositar US$ 1 bilhão e ser convidado pelo presidente dos EUA.

A resposta gelada por parte de algumas das principais potências esvaziou o encontro em Davos. Ao lado de Trump estavam apenas seus aliados mais submissos, entre eles a Argentina, Paraguai, Marrocos, Armênia, Hungria e Israel.

Também farão parte os governos da Arábia Saudita, Paquistão, Catar, Kosovo, Indonésia, Uzbequistão, Mongólia, Turquia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão e Vietnã.

O governo brasileiro não mandou nenhum representante ao evento e ainda examina a proposta. Mas há uma forte pressão por parte de assessores do Palácio do Planalto para que o Brasil não aceite o convite.

Governos como o do Reino Unido, França, Eslovênia, Irlanda, Holanda e Noruega rejeitaram a iniciativa, por enquanto. Itália e Alemanha optaram por uma cautela, não se comprometendo com qualquer adesão.

Um dos principais temores é de que o projeto represente um abalo mortal para a já combalida ONU.

Já Vladimir Putin sugeriu que poderia considerar o projeto. Mas disse que estava disposto a pagar US$ 1 bilhão, caso os ativos russos confiscados nos EUA desde a invasão da Ucrânia sejam descongelados. O Kremlin, assim, coloca a administração Trump em uma encruzilhada.

Trump parecia não se importar com os fatos e o esvaziamento do projeto. “Teremos paz no mundo”, disse.

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