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Globo parte para cima dos pobres: a campanha por Flávio Bolsonaro passa pelo ataque ao Bolsa Família

Há momentos em que o jornalismo deixa de ser apenas jornalismo e passa a revelar quais interesses e quais projetos de sociedade estão em disputa. Quando o debate sobre o Bolsa Família é reduzido a uma crítica ao aumento de R$ 90 destinado aos beneficiários mais pobres, a pergunta que se impõe é: por que a renda de quem está na base da pirâmide incomoda tanto?

O Bolsa Família não é um privilégio. É uma política pública voltada à redução da pobreza e à garantia de condições mínimas de sobrevivência para milhões de brasileiros. Transformar um reajuste destinado aos mais vulneráveis em motivo de ataque político exige uma discussão séria sobre prioridades, desigualdade e o papel do Estado.

O discurso da austeridade seletiva

O reajuste anunciado pelo governo Lula eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, uma correção de 15,04% baseada na inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. O governo afirma que a medida busca preservar o poder de compra das famílias.
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É legítimo questionar o momento do reajuste, seus impactos fiscais e eventuais efeitos eleitorais. O que não pode acontecer é transformar a população pobre em alvo de uma disputa política na qual seus direitos são tratados como moeda de troca.

Flávio Bolsonaro classificou o reajuste como uma ação de desespero e questionou sua finalidade eleitoral. Ao mesmo tempo, o aumento realizado pelo governo Bolsonaro em 2022, que elevou o benefício de R$ 400 para R$ 600, também é parte do histórico desse debate.

A discussão precisa ser coerente: o critério para avaliar políticas sociais deve ser o impacto sobre a população, a legalidade, o financiamento e os resultados — não a conveniência eleitoral de quem está no governo.

E, quando veículos de comunicação criticam medidas de transferência de renda, vale examinar concretamente o conteúdo da cobertura: quais argumentos são apresentados, quais fontes são ouvidas e se existe tratamento equivalente para políticas de diferentes governos.

Seja como for, o caso é sério, porque mostra como operam as classes economicamente dominantes no Brasil, classificadas como direita, unsem-se e se protegem para um único propósito, manter o próprio monumento que sempre fez do Estado moradia paa seus próprios interesses.

O Grupo Globo é o próprio busto de uma lavra de gerações dos Marinho que se confunde com a história da desigualdade social desse país.

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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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