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Se Flávio Bolsonaro for ao debate com Lula, afunda. Se não for, afunda também

Flávio chegou ao segundo turno carregando um problema que nenhum treinamento de televisão consegue esconder: agora não haverá candidatos para dividir os ataques, nem espaço para discursos genéricos, nem a possibilidade de transformar adversários ausentes em espantalhos.

Será Lula contra Flávio. Um contra um.

Se Flávio for ao debate, terá de encarar Lula de frente, responder perguntas, sustentar suas propostas e explicar contradições, alianças e episódios que sua campanha preferiria manter longe dos holofotes. E, sobretudo, terá de demonstrar que existe por trás do sobrenome Bolsonaro alguma coisa além da herança política do pai.

Se fugir, o problema muda de forma, mas não desaparece. A ausência será interpretada como medo do confronto, incapacidade de sustentar suas próprias ideias e falta de preparo para ocupar a Presidência da República.

É o clássico dilema: se correr, o eleitor vê a fuga; se ficar, o eleitor vê o despreparo.

Flávio pode até escolher não comparecer. Pode tentar transformar a ausência em estratégia. Pode produzir lives, vídeos, discursos e acusações. Mas nada disso substitui o teste mais elementar de uma eleição presidencial: sentar diante do adversário e explicar, olho no olho, por que o país deveria entregar a ele o comando da República.

Por isso, o debate com Lula é uma armadilha política para Flávio.

Se for, corre o risco de afundar diante das câmeras.
Se não for, corre o risco de afundar pela covardia.

E talvez seja justamente essa a maior fragilidade de sua candidatura: Flávio precisa desesperadamente do debate para provar que está preparado, mas o próprio debate pode provar o contrário.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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