Flávio Bolsonaro quer chegar ao Palácio do Planalto com o discurso de responsabilidade fiscal, mas o que está em jogo é muito mais do que uma disputa sobre números, gastos públicos e controle da dívida. É a velha discussão sobre quem deve pagar a conta dos ajustes econômicos e quem ficará com os benefícios das decisões do governo.
Não por acaso, Flávio corteja a Faria Lima, promete um novo teto de gastos e anuncia um corte de despesas públicas que sua equipe pretende viabilizar. Em agosto, prometeu à elite financeira substituir o atual arcabouço fiscal por um mecanismo semelhante ao teto de gastos do governo Temer. Seu plano também prevê reduzir ministérios, cargos e despesas administrativas.
O problema é que, quando se fala em cortar gastos, a pergunta fundamental é: cortar gastos de quem e em benefício de quem?
Se a prioridade for satisfazer os investidores e os grandes interesses financeiros, enquanto a população depende de serviços públicos, políticas sociais, saúde, educação e investimentos em infraestrutura, o ajuste pode deixar de ser apenas uma questão contábil e se transformar em uma escolha política com consequências diretas para milhões de brasileiros.
E há outro ponto: até agora, a campanha apresentou metas ambiciosas, mas deixou dúvidas sobre como pretende executá-las. Reportagens recentes apontaram que faltam detalhes sobre a nova regra fiscal e sobre os mecanismos necessários para alcançar a economia anunciada.
É legítimo discutir equilíbrio das contas públicas. O que não se pode é tratar os interesses do mercado financeiro como se fossem automaticamente os interesses de todo o país.
A pergunta que Flávio precisa responder é simples: quer governar para o Brasil inteiro ou pretende transformar o Estado em instrumento dos setores que esperam lucrar com sua eventual chegada ao poder?
Porque governar não é apenas agradar à Faria Lima. É decidir como a riqueza nacional será distribuída, quais direitos serão preservados e quem será chamado a pagar a conta.
E o eleitor tem o direito de conhecer essas respostas antes de votar, não depois.
É por isso que a ambição de Flavio Bolsonaro é perigosa para a população brasileira. O que ele promete à Faria Lima é ampliar os lucros dos “senhores da terra”, transformando os benefícios conquistados no governo Lula em matéria morta.
No caso dos trabalhadores, Flavio quer a volta de uma feroz escravidão em nome das forças vagas que habitam os intermúndios do capital financeiro, resumindo o Brasil à pátria da Faria Lima, como se essa plutocracia brejeira fosse uma tutoria imperial.
Por outro lado, não durou muito tempo o soberbo espetáculo de Flavio que prometia uma tara radical ao chamado corte de gastos, o que. Agora, a realidade deu-lhe conselhos, se for por esse caminho, irá direto para o precipício eleitoral.
O resultado é que ele passa a não agradar à sociedade brasileira, muito menos ao velho patriarcado paratatá.
Ou seja, morre o “gênio” para nascer o velhaco.
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