★ É impressionante como a grande mídia muda de comportamento conforme seus interesses políticos.
Em 2013, Globo, Folha, Estadão e companhia faziam questão de mostrar, ao vivo, as manifestações contra Dilma Rousseff. Convocavam, davam ampla cobertura e repetiam as imagens dos protestos até transformar as ruas no principal assunto do país. Aquela cobertura ajudou a aumentar a pressão política que, anos depois, desembocaria no impeachment de Dilma, considerado por seus críticos um golpe parlamentar.
Agora, quando estudantes, trabalhadores e gente do povo vão às ruas protestar contra Flávio Bolsonaro, cadê aquela disposição toda para mostrar a multidão? Cadê as transmissões ao vivo, as manchetes de destaque e a repetição das imagens nos telejornais?
Quando o protesto interessa à mídia, vira espetáculo. Quando contraria seus interesses, parece que deixa de existir.
O povo continua nas ruas, mas, pelo que se denuncia, falta à grande mídia a mesma vontade de mostrar essas manifestações que demonstrava quando o alvo era Dilma e o PT.
E isso não é pouca coisa. Quem aparece na televisão ganha visibilidade; quem vira notícia entra no debate nacional. Quando uma manifestação recebe cobertura maciça e outra é deixada de lado, milhões de pessoas acabam vendo apenas uma parte da realidade.
A pergunta é simples: por que tanta disposição para mostrar as manifestações contra Dilma e tão pouco interesse em dar o mesmo espaço aos protestos contra Flávio Bolsonaro?
A população não precisa da Globo, da Folha ou do Estadão para ir às ruas. Mas esses veículos têm o poder de mostrar o que acontece ou fingir que nada importante está acontecendo.
O povo protesta, a multidão ocupa as ruas, mas a velha mídia parece querer escolher qual povo merece ser visto e qual deve ser escondido.
Isso não é jornalismo independente. É uma cobertura que precisa ser questionada, cobrada e confrontada com os fatos.
Porque a rua não pertence à Globo, não pertence à Folha e muito menos ao Estadão. A rua pertence ao povo. E nenhuma empresa de comunicação tem o direito de apagar sua voz simplesmente porque ela incomoda seus interesses políticos.
A tática da grande mídia brejeira sempre foi essa. Nesse caso em que ela tenta dematerializar o Brasil como ele é, a coisa fica escancarada porque os jornais de mais peso mundo afora, destacam as gigantescas manifestações que ocorrem em apoio a Lula e em repúdio a Flavio Bolsonaro por todo mal que ele e Jair Bolsonaro representam.
É a velha fórmula dos Mainho e cia., como dizia o grande cartunista, Henfil, sobre o jogo feito nas sombras do poder midiático, “se uma coisa não aconteceu, mas a Globo diz que acoteceu, então, é verdade. Mas se a coisa aconteceu e a Globo ignora, então, não aconteceu”.
O estilo da mídia brasileira, sobretudo da Globo, sempre foi esse, o de poetar sentimentos do povo, desde que não se pinte uma paisagem política que se choque com os intersses da grande mídia e de seus comparsas de oligarquia.
Assim seguirá, em vão, tentando manter de pé uma candidatura miliciana, escondendo o que de fato as ruas estão gritando. Por isso nunca saiu das próprias ventas esse cheiro de enxofre que caracteriza essa mídia sucupirana.
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