A família Bolsonaro conseguiu uma proeza internacional: transformar seu projeto de poder em motivo de constrangimento em mais de um idioma. Perdeu no Brasil, viu Trump enfrentar uma reação eleitoral nos Estados Unidos e agora assiste ao esvaziamento de suas apostas políticas também no Paraguai. A internacionalização do bolsonarismo, que pretendia ser uma demonstração de força, virou um roteiro de filme de terror e constrangimentos.
Eduardo e Flávio Bolsonaro apostaram todas as fichas na articulação com a extrema direita internacional. Trump era o padrinho, Milei o modelo, os aliados estrangeiros seriam a retaguarda e a velha mídia brasileira faria o serviço de vender essa engrenagem como uma onda irresistível. Só esqueceram de combinar com as urnas, com a realidade política de cada país e, principalmente, com os eleitores.
O problema é que não adianta importar discursos, copiar estratégias, desfilar com figurões estrangeiros nem tentar transformar o Brasil em território subordinado aos interesses de uma direita internacional. Política não se faz por procuração, e a soberania de um país não é mercadoria para ser negociada em gabinetes estrangeiros.
O mais curioso é assistir ao clã Bolsonaro, que sempre vendeu a imagem de uma família poderosa e influente, descobrir que seus padrinhos internacionais não são capazes de garantir sequer a própria estabilidade política.
A aventura internacional bolsonarista virou uma espécie de comédia de erros com legendas em três idiomas. Perdeu em português, perdeu em inglês e perdeu em paraguaio. E, pelo andar da carruagem, está ficando difícil encontrar um idioma em que essa família consiga traduzir sua ambição de poder em apoio.
Agora o sentido da frase fica ainda mais claro: a ironia está na coincidência entre a fuga anunciada de bolsonaristas para o Paraguai, apresentado como refúgio econômico e político, e a intervenção no Ueno Bank, que deixou milhões de correntistas sem acesso às contas, incluindo os brasileiros bolsonaristas.
Agora, resta ao clã explicar aos seus aliados que a derrota não foi problema de comunicação, de idioma ou de tradução. Foi o resultado de um projeto político que encontrou resistência em diferentes países e contextos.
O bolsonarismo queria falar com o mundo. O mundo respondeu em várias línguas: não é por aí!
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