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Brasil ignora e não comparece à cúpula de Rubio contra ‘antifascistas’

Evento tem como meta criar aliança para combater ‘extrema esquerda’

O governo brasileiro decidiu não enviar ninguém para a cúpula que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, está organizando para criar uma aliança contra movimentos antifascistas e de esquerda considerados como “violentos”. Nos EUA, a Casa Branca passou a designar o grupo Antifa como parte do combate ao terrorismo e chegou a aplicar restrições de vistos contra ativistas estrangeiros que tenham relações com esse movimento.

Agora, sob a bandeira do combate ao terrorismo e a violência política, Donald Trump quer a criação de uma coalizão internacional e não descarta também designar o movimento Antifa como uma organização terrorista internacional. Para Rubio, os EUA irão desmontar “tijolo por tijolo” o movimento de esquerda.

Rubio indicou que 60 países foram convidados ao evento realizado nesta quinta-feira. Mas a comunicação ao Brasil só chegou na semana passada. O chanceler Mauro Vieira, com uma agenda em Brasília e recebendo autoridades estrangeiras, optou por não cancelar seus compromissos.

O Brasil, porém, avaliou as regras e metodologias de trabalho da cúpula para definir se iria designar algum representante para o evento. Mas a opção foi por não estar presente.

Nesta madrugada, Rubio ainda criticou o governo Lula e o “ego” do presidente.

O Palácio do Planalto considera que não deve participar de nada que tenha como alvo apenas uma parcela do que pode ser considerado como “terrorismo”.

Oficialmente, Washington fala em combater o “ressurgimento do terrorismo político” e os países convidados incluem o Hemisfério Ocidental, a Europa e a Ásia. Governos como o da Argentina e Índia foram convidados.

Mas, na abertura do evento, Rubio escancarou o motivo do evento. “Por tempo demais, nossa doutrina de contraterrorismo apresentou um ponto cego. Um ponto cego no que diz respeito à violência extremista proveniente da esquerda política”, disse.

Num dos trechos do discurso, o chefe da diplomacia dos EUA foi revelador sobre o que pensa da esquerda:

“Trata-se de um mal distinto e singular. Ele sempre foi impulsionado, acima de tudo, por um ódio à própria civilização. É uma revolta dos piores contra os melhores; dos fracos e covardes contra os fortes e bons. É perpetrado por aqueles que não sabem construir, criar ou realizar grandes feitos — e que se vingam do mundo por sua própria insuficiência ao tentar destruir aqueles que são capazes de fazê-lo. É isso que é a esquerda radical. Ela pode adotar diversos slogans e ideologias, dependendo do lugar e da época — anticapitalista, anti-imperialista, comunista, anarquista, marxista —, mas sua natureza fundamental permanece sempre a mesma. Trata-se de um ressentimento venenoso, disfarçado sob a linguagem da igualdade, da justiça e da libertação; uma necessidade avassaladora de derrubar o que homens grandiosos construíram, de arruinar o que é belo e correto, em nome de pessoas repletas apenas de feiura e que nada mais têm a oferecer ao mundo. Por meio da violência e do terror, buscam mais uma vez impor sua feiura a todos nós. O velho dogma estava errado. Nada disso é movido por “idealismo”. Não é algo “utópico” — muito pelo contrário, na verdade. Uma das críticas que se ouve ocasionalmente sobre o comunismo é: “Parece bom na teoria, mas nunca funciona na prática”. Mas isso não é verdade. Não parece bom nem na teoria. O mundo que ele idealiza para todos nós é pequeno, plano e cinzento — nivelado de modo a eliminar qualquer exceção, esvaziado de tudo o que há de bom e nobre na alma humana. É um mundo sem coragem, criatividade ou ambição; sem heróis, glória ou grandes causas pelas quais lutar. Sem milagres. Sem mitos. Sem homens que se elevam acima dos demais para realizar feitos incríveis e extraordinários. Sem Deus. Para esses arquitetos da violência revolucionária, as realizações monumentais de nossa civilização representam uma humilhação insuportável — um lembrete daquilo que eles são incapazes de fazer ou de ser.

A cúpula faz parte ainda da estratégia anunciada por Trump para o combate ao terrorismo e que, em maio, atualizou a doutrina dos EUA.

Um dos pontos principais do foco das agências de Washington são os “grupos políticos seculares e violentos cuja ideologia é antiamericana, radicalmente transgênero ou anarquista, como o Antifa”.

Ainda no ano passado, num evento, Trump colocou a esquerda como um risco à segurança nacional. “Deve ficar claro para todos os americanos que temos uma ameaça terrorista de esquerda muito séria em nosso país: radicais associados ao grupo terrorista doméstico Antifa”, disse.

“Outros extremistas de extrema-esquerda vêm realizando uma campanha de violência contra agentes do ICE e outras autoridades encarregadas de aplicar a lei federal”, continuou o presidente.

Na semana passada, ao celebrar os 250 anos dos EUA, Trump colocou o combate ao comunismo como um dos centros de sua ação.

A base para o evento é o Memorando de Segurança Nacional, de 25 de setembro de 2025. Seu nome: o Combate ao Terrorismo Doméstico e à Violência Política Organizada.

O documento cria uma estratégia nacional para investigar e desmantelar redes e organizações que fomentam violência política, intimidação violenta, conspirações contra direitos e outras perturbações à democracia, antes que resultem em “terrorismo doméstico” e “violência política organizada”.

Mas a diretriz se concentra particularmente em movimentos “antifascistas”, que, segundo ela, ameaçam os “princípios, a democracia e os direitos americanos”. O documento cita o exemplo da Antifa, entidade designada como organização terrorista doméstica por uma Ordem Executiva Presidencial dos EUA de 22 de setembro de 2025.

Segundo a Casa Branca, os grupos que incentivam essa “conduta violenta incluem antiamericanismo, anticapitalismo e anticristianismo; apoio à derrubada do governo dos Estados Unidos; extremismo em relação à migração, raça e gênero; e hostilidade contra aqueles que defendem visões americanas tradicionais sobre família, religião e moralidade”.

Num outro trecho, a Casa Branca estabelece uma Força-Tarefa Nacional Conjunta de Combate ao Terrorismo, com escritórios locais para coordenar e supervisionar a estratégia nacional.
A Força-Tarefa tem a incumbência de investigar potenciais crimes relacionados a atos de recrutamento ou radicalização de pessoas com o propósito de “violência política, terrorismo ou conspiração contra direitos”.

Por isso, a entidade recebeu o mandato para investigar financiadores dessas entidades, organizações não governamentais “com laços estreitos com governos estrangeiros, agentes, cidadãos, fundações ou redes de influência” que poderiam estar apoiando o que a Casa Branca passou a denominar como “terrorismo doméstico”.

O Memorando ainda dá o direito ao Secretário do Tesouro de identificar e desmantelar as redes que financiam essas entidades.

Como resultado da ofensiva, a Procuradoria-Geral dos EUA instruiu autoridades policiais federais sobre as prioridades de investigação, concentrando-se no risco de terrorismo doméstico e violência política, particularmente por parte de movimentos antifascistas e da Antifa e seus financiadores.

O que chama a atenção é que os documentos oficiais da Casa Branca fornecem uma lista detalhada de crimes federais que os investigadores devem priorizar, a maioria dos quais não envolve violência contra a pessoa.

“Muitos desses crimes estão associados ao policiamento de protestos, incluindo obstrução, resistência à prisão, crimes contra o patrimônio e piquetes ou desfiles com a intenção de obstruir a administração da justiça e atividades online, bem como crimes financeiros (por exemplo, fraude fiscal, postal ou eletrônica), conspiração e cumplicidade para capturar atividades de grupos”, alertou a carta enviada para o governo Trump.

A ordem também instrui o FBI a “compilar uma lista de grupos ou entidades envolvidas em atos que possam constituir terrorismo doméstico” e a fornecê-la ao Procurador-Geral.

*Jamil Chade/ICL


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Política

André Mendonça e o delegado Marcantonio montaram a lista de funcionários públicos antifascistas

Marcantonio atuou em cargos ligados à inteligência e ao MJ, na gestão Mendonça. Tornou-se diretor de inteligência da SEOPI.

Quem acompanha de perto as movimentações internas da Polícia Federal tem pouca esperança de uma mudança de rumo na partidarização que voltou a dominar a organização.

As investigações do Banco Master estão nas mãos da Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal, que abriga a maior parcela dos delegados bolsonaristas — entre eles, Thiago Marcantonio Ferreira, responsável direto pelo caso Master.

Antes, Marcantonio atuou em cargos ligados à inteligência e ao Ministério da Justiça, na gestão André Mendonça. De assessor especial, tornou-se diretor de inteligência da SEOPI (Secretaria de Operações Integradas) do Ministério da Justiça, sendo responsável pelo dossiê que delatava 579 servidores públicos participantes de grupos antifascistas nas redes sociais. Depois, tornou-se assessor de Mendonça no Supremo Tribunal Federal.M

A própria existência da SEOPI — criada para integrar a inteligência policial — acabou sendo questionada após o episódio, e a secretaria passou por mudanças estruturais posteriormente.

Essa dupla — Mendonça e Marcantonio — é responsável pelas investigações sobre o caso Master e pelos vazamentos de informações descontextualizadas sobre adversários.

Os vazamentos são tão indecentes que, recentemente, repórteres do Metrópoles foram perguntar aos advogados de Lulinha o que seria um pagamento mensal feito a uma mulher. Não conseguiram o escândalo sexual que buscavam — a mulher era a babá dos filhos de Fábio —, mas demonstraram o grau de abertura proporcionado pela Polícia Federal.

O diretor-geral da PF, Andrei Meirelles, é considerado um policial probo, mas com pouca experiência em matéria investigativa. Cometeu um erro básico ao tentar conciliar todos os setores da PF: manteve no cargo delegados bolsonaristas — e, o que é pior, concentrados na Regional do Distrito Federal. Não há sinais de que consiga agir sem sofrer a pressão da Associação dos Delegados da Polícia Federal.

Há poucas esperanças de reversão. Advogados que acompanham o processo confirmaram ao GGN a existência do pedido de prisão de Lulinha e disseram acreditar no legalismo e na boa-fé de Mendonça.

Que não se iludam:

  1. Alguns setores do meio jurídico têm André Mendonça em boa conta, devido ao seu estilo amável. É um engano. Da parceria com Marcantonio — na lista antifascistas – à quebra do sigilo bancário de Fábio Luiz, demonstram o contrário.
  2. As notas em que declara preocupação com os vazamentos são exemplos de cinismo institucional, pois são divulgadas no mesmo momento em que a PF escancara seus arquivos para jornalistas lavajatistas.

*Luis Nassif/GGN


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Mundo

Manifestação neonazista em Berlim é cercada por antifascistas e impedida de seguir

Marcha organizada por ex-membro da AfD é a terceira na Alemanha nos últimos meses.

Cerca de 800 neonazistas tentaram marchar, neste sábado (22) em Berlim, no distrito de Friedrichshain, mas tiveram de ir para casa mais cedo devido à forte oposição de contra-manifestações antifascistas.

Os participantes não conseguiram avançar além do ponto de chegada na estação de trem de Ostkreuz, no leste da capital alemã.

“Algumas centenas de nazistas se reuniram em Ostkreuz, mas só puderam andar cerca de 50 metros porque a rota do protesto estava bloqueada por milhares de antifas!” disse à coluna uma jovem alemã que fez parte das contramanifestações mas pediu para não ser identificada.

O que se sabe até agora é que a polícia mobilizou cerca de 1500 policiais para evitar confrontos entre o grupo de extrema direita e os grupos antifascistas. Enquanto, segundo a polícia alemã, o grupo neonazista tinha aproximadamente 850 pessoas, as contra manifestações antifascistas reuniram entre 2 mil e 5 mil participantes.

Até o momento da publicação da coluna, 100 pessoas haviam sido presas. Os motivos teriam sido o uso de disfarces e símbolos de organizações inconstitucionais. Investigações também estão em andamento por perturbação da paz. Além disso, a saudação de Hitler teria sido feita diante de policiais.

Mas manifestantes antifascistas também relatam violência policial e o uso de gás de pimenta.

Além disso, segundo o jornal alemão Deutsche Welle, três pessoas foram impedidas de participar da manifestação neonazista por determinação judicial. Elas já haviam sido presas anteriormente por exibirem símbolos de organizações inconstitucionais, incluindo um homem que fez a saudação nazista.

Essa foi a terceira de uma série de marchas de extrema direita desde dezembro na Alemanha, com o mesmo lema: “Pela lei e pela ordem. Contra o extremismo de esquerda e a violência com motivação política” e estariam sendo organizados pelo ex-membro da ala mais radical da AfD (partido de extrema direita alemão que ficou em segundo lugar nas últimas eleições parlamentares) Ferhat Sentürk.

Os atos passaram de 150 manifestantes em fevereiro para 850 neste sábado.

Há relatos de que os primeiros atos contaram com outros integrantes da AfD, mas o partido nega que tenha relação com a série de encontros neonazistas, segtundo o ICL.

A polícia alemã declarou no X que estava protegendo a liberdade de expressão e o direito ao protesto e não o conteúdo do ato em si, mas afirmou que fará novas declarações neste domingo (23).