Em discurso no 14º Encontro Nacional do MST, presidente brasileiro rechaça política externa dos EUA, repudia sequestro de Nicolás Maduro e defende soberania dos países latino-americanos
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (23/01) da cerimônia de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocasião em que fez um discurso com ênfase nos conflitos internacionais vigentes na atualidade e no papel do Brasil diante desse cenário.
Em um dos trechos mais importantes do pronunciamento, Lula criticou a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “criar uma nova ONU”, em referência ao “Conselho da Paz”, promovido pelo líder norte-americano.
“O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, está prevalecendo a lei do mais forte, a Carta da ONU está sendo rasgada, e em vez de a gente corrigir a ONU, que é algo que a gente reivindica desde o meu primeiro mandato, em 2003, com a reforma da ONU, com a entrada de novos países como o Brasil, o México, os países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta para criar uma nova ONU, e que ele sozinho seja o dono da ONU”, comentou o presidente.
Lula também disse que tem conversado nos últimos dias com diferentes presidentes e primeiros-ministros, mencionando Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia), Viktor Orbán (Hungria), Claudia Sheinbaum (México), para “tentar ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão e evitar que predomine a força da arma da intolerância de qualquer país do mundo”.
Em seguida, o mandatário enfatizou que “o Brasil não tem preferência de relação. O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, com Cuba, com a China, com a Índia, com a Rússia… o que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém querer mandar da gente”.
Na mesma linha, Lula afirmou ser “um homem da paz”, e que “não quero guerra armada com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, não quero nem com Uruguai ou com a Bolívia. Eu quero fazer a guerra com o poder do convencimento, com o argumento, mostrando que a democracia é imbatível”.
Questão palestina
No discurso, Lula também falou sobre o cenário atual na Faixa de Gaza. “Vocês viram a fotografia do que eles (Estados Unidos) vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que agora vamos recuperar Gaza e fazer hotel de luxo. E o povo que morreu? E as pessoas pobres que estão lá? Vão morar onde?”, questionou.
“Em vez disso, poderiam chamar o Brasil: ‘ô Lula, vem aqui, ensine a gente como é que reconstrói Gaza para pobre. Poderiam fazer o Minha Casa Minha Vida e colocar o povo pobre para morar decentemente, como a gente coloca aqui no Brasil”, acrescentou o presidente brasileiro.
*Opera Mundi
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