O candidato que adora posar de valentão, distribuir acusações e prometer que vai revelar os supostos crimes dos adversários encontrou, de repente, uma pergunta que não cabia em seu repertório de bravatas. Acostumado a atacar, não esperava ser desafiado a colocar as próprias cartas na mesa. E, quando a proposta veio, a fanfarronice perdeu o fôlego.
Foi um mata-leão político no gogó da pose de valentão. Lula não precisou levantar a voz, fazer teatro ou transformar o debate num espetáculo de histeria. Bastou colocar a transparência na mesa e esperar pela reação.
O sorriso do presidente contrastou com o desconforto de Flávio, que, segundo a leitura daquele momento, não conseguiu dar uma resposta.
E não foi um episódio isolado. Na dinâmica do confronto, Lula só bateu onde doia e Flávio voltou a demonstrar dificuldade para responder diretamente às provocações e perguntas de Lula.
É muito fácil posar de paladino da moralidade quando se está apenas acusando os outros. Difícil é sustentar a pose do garganta quando o adversário devolve o desafio e exige que o discurso seja acompanhado de atos.
Afinal, quem faz da acusação uma arma eleitoral precisa estar preparado para encarar um contra-ataque com o mesmo rigor que exige dos outros. Não dá para querer o sigilo alheio escancarado enquanto se foge de um confronto sobre a própria transparência. Não dá para vender uma imagem de destemor e, diante de um desafio que descadera os hipócritas, refugiar-se no silêncio ou mudar de assunto.
Lula entendeu o momento e acertou onde mais dói: na contradição entre a valentia encenada e a disposição real de enfrentar um teste de transparência. Flávio foi ao debate querendo encurralar o presidente, mas acabou nocauteado diante de uma situação que não estava no roteiro de sua campanha.
O problema de Flávio Bolsonaro é que a bravata funciona até encontrar uma pergunta que não pode ser respondida com outra bravata. Na Band, Lula fez essa pergunta. E, por alguns instantes, o sorriso de quem lançou o desafio falou mais alto que a pose de quem não esperava recebê-lo.
No fim, ficou a imagem de um Lula tranquilo, que sabe explorar o momento, diante de um Flávio acuado pelo próprio desafio que não esperava ouvir. Para quem vive de vender a imagem de durão, poucas coisas são mais constrangedoras do que descobrir, ao vivo, que o adversário não está disposto a jogar apenas no terreno das acusações.
E com isso, o presidente Lula apagou Flavio, ao vivo e a cores, diante de milhões de espectadores, fazendo do ronca e fuça um meme que será explorado até o dia da eleição.
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