Categorias
Política

Folha teve acesso a anotações de Flávio Bolsonaro sobre candidatos nos estados

Ele afirma que um candidato está pedindo R$ 15 milhões pra desistir; outra anotação é sobre uma provável troca do vice de Tarcísio, Felício Ramuth, indicado por uma seta com um “$”

Anotações feitas à mão durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), realizada nesta terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais, preferências internas e avaliações reservadas sobre possíveis candidatos nas eleições deste ano. O encontro contou com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de dirigentes nacionais da legenda.

O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha e reúne uma lista impressa de nomes com observações manuscritas. O jornal afirma não ser possível identificar quem fez as anotações. Segundo relatos, além de Flávio, estavam na sala o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, além de outros integrantes da cúpula. Entre as anotações, no entanto, uma delas referente ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, está escrita a frase “me puxa para baixo”, indicando o único interlocutor que poderia falar na primeira pessoa dentro daquela sala.

Nesta quarta-feira (25), Flávio admitiu ser o autor das anotações.

No topo da primeira página aparece a orientação “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.

São Paulo: tensão na vice e disputa ao Senado
As anotações indicam preocupação com a escolha do vice na chapa paulista. O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), nome preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta ao símbolo “$”. Ramuth é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, acusação que nega.

Logo abaixo, surge a hipótese “André do Prado vice?”, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, filiado ao PL e interessado na vaga.

Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é apontado como nome certo na chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser indicada pelo PL, segue indefinida. Entre os cotados aparecem, nesta ordem: Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

Minas Gerais: descrença e busca por alternativa
Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, conforme dito acima, recebe a anotação “me puxa para baixo”, indicando ceticismo interno. O documento observa que, caso ele confirme candidatura, os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Cleitinho (Republicanos-MG) também devem entrar na disputa.

O PL avalia lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo mineiro. Ao lado do nome há a anotação “conversa com Nikolas”, referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que chegou a ser cotado, mas resiste à candidatura ao Executivo.

Para o Senado, aparecem os nomes de Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e Domingos Sávio. Apenas Viana e Sávio têm marcações de endosso.

Nordeste e Centro-Oeste: alianças e impasses
Em Alagoas, são citados o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, há a observação de que é preciso conversar com ele até 15 de março. Já Gaspar é descrito como “único que pedirá voto para mim”. Para o Senado, surge a indicação “Arthur (JB)”, em referência ao deputado Arthur Lira (PP-AL), possível apoiado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Distrito Federal, o documento aponta impasse. A composição previa Celina Leão (PP) ao governo, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mas uma anotação afirma que, se Ibaneis Rocha (MDB) disputar o Senado, “não dá para oficializar com Celina”, indicando dificuldade para acomodar duas candidatas do PL.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve receber apoio do PL. Para o Senado, aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último com a observação “recall/melhor nas pesquisas”.

Já o deputado Marcos Pollon (PL-MS) é citado com a anotação: “pediu 15 mi para não ser candidato”. Procurado, Pollon negou a informação e classificou o registro como “campanha de assassinato de reputação”.

Outras articulações
Na Bahia, o foco é costurar aliança com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o plano é integrar a chapa de Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, aparece como opção de apoio ao Senado o senador Ciro Nogueira (PP).

Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) deve se filiar ao PL para disputar o governo, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga é cotado ao Senado.

No Paraná, o plano é apoiar Filipe Barros ao Senado, evitando dividir votos com outros nomes como Cristina Graeml. Segundo a Forum, rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol como favorito nas pesquisas, associado ao governador Ratinho Júnior (PSD).

O Rio Grande do Sul aparece como “ok”, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado para possível composição como vice.

Em Goiás, são mencionados Daniel Vilela e Wilder Moraes ao governo, além de Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado.

No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é descrito como “primeiro lugar nas pesquisas” ao governo. Já Janaina Riva aparece como nome certo ao Senado “de qualquer jeito”.

Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin foi preterido na chapa ao Senado, que terá Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, por determinação de Jair Bolsonaro — no rascunho, o nome de Amin aparece riscado.

O documento é descrito por interlocutores como um “brainstorm” interno. As anotações apontam para um retrato cru das negociações e tensões regionais do PL meses antes do registro oficial das candidaturas, previsto para agosto.


Queridos amigos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704. Agradecemos de coração o seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no Whatsapp https://chat.whatsapp.com/GvuXvoe7xtB1XJliMvNOX

Siga-os no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-os no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?igsh=YzljYTk10

Categorias
Política

Vice de Tarcísio é investigado em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro

Felício Ramuth nega qualquer irregularidade e diz que recursos são lícitos e declarados à Receita Federal

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), é investigado junto de sua esposa, Vanessa Ramuth, por suposta lavagem de dinheiro em Andorra, país europeu localizado entre a França e a Espanha e que já foi considerado paraíso fiscal.

A investigação conduzida em Andorra, revelada pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha, indica que o casal teria movimentado mais de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões, na cotação atual) em uma conta no AndBank, banco sediado no país, por meio de transferências de “fundos procedentes de atividades ilícitas”.

O dinheiro, de acordo com a Unidade de Inteligência Financeira de Andorra, teria sido transferido de contas vinculadas à Visio Corporation Ltd S.A., uma offshore no Panamá em nome da mulher de Ramuth, sem comprovação de origem. Tanto a Visio como a conta no AndBank foram abertas na mesma data, em outubro de 2009.

À Folha o vice-governador negou qualquer irregularidade e afirmou ter prestado todos os esclarecimentos às autoridades de Andorra. Ele também disse que todos os recursos foram devidamente declarados à Receita Federal.

Ramuth tem a intenção de se candidatar novamente como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição de 2026 ao governo paulista e é visto pelo entorno do governador como um dos nomes favoritos ao posto. Além dele, outro cotado para a vice é o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado André do Prado (PL).

Procurado pela reportagem, o Governo de São Paulo afirmou que não há processo aberto no Brasil sobre o caso. “Não existe acusação contra o vice-governador e sua esposa, e nem processo aberto no Brasil, mas sim uma investigação a respeito do referido banco AndBank. Todos os esclarecimentos sobre o caso já foram prestados diretamente em Andorra, não havendo nova oitiva agendada e nem fato novo. Todos os recursos foram devidamente declarados, bem como todos os impostos pagos.”

A Justiça de Andorra, no processo, relata ter chegado à conta do casal enquanto investigava “uma trama de branqueamento de capitais e valores”. O termo “branqueamento de capitais” é utilizado para se referir a crimes de lavagem de dinheiro.

Ramuth e Vanessa viajaram a Andorra em outubro passado para prestar depoimento sobre o caso. A audiência é mencionada em um procedimento aberto no Brasil, no STJ (Superior Tribunal de Justiça), após o país europeu ter solicitado cooperação ao governo federal, também em 2025.

Nos autos, aos quais a reportagem teve acesso, consta que a Justiça de Andorra bloqueou US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 7,2 milhões) da conta do casal em maio de 2023, quando Felício já era vice-governador, segundo Juliana Arreguy, do ICL.

Segundo a investigação, a movimentação na conta do AndBank de 2009 a 2011″foi nutrida através de transferências internacionais ordenadas por sociedades instrumentais das quais não existe nenhuma informação disponível e que procedem de países como Estados Unidos da América e Luxemburgo”.

Ramuth não declarou à Justiça Eleitoral nenhuma conta no exterior em seu nome nem em 2022, quando foi eleito vice-governador de São Paulo, nem em 2016 e 2020, em sua eleição e reeleição à Prefeitura de São José dos Campos, no interior paulista.

O vice de Tarcísio argumenta que a conta de Andorra está no nome de sua mulher e que todos os valores foram depositados em período anterior ao de sua vida política.

“Não existe nenhuma acusação formal sobre minha esposa ou sobre mim, (mas) sim uma investigação que envolve o banco. Todos os esclarecimentos já foram prestados diretamente em Andorra, inclusive com a cópia do Imposto de Renda, comprovando origem. Todos os recursos estão devidamente declarados e com todos os impostos pagos no Brasil, oriundos de atividades privadas, e depositados integralmente em período anterior (2009/2011) ao início da minha vida política”, afirmou Ramuth em nota à reportagem.


Queridos amigos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704. Agradecemos de coração o seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no Whatsapp https://chat.whatsapp.com/GvuXvoe7xtB1XJliMvNOX

Siga-os no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-os no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?igsh=YzljYTk10