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Lula retoma obra de fábrica de fertilizantes paralisada há 12 anos

Com investimento de R$ 5 bilhões, UFN-3 em Três Lagoas (MS) deve entrar em operação até 2029 e elevar a produção nacional de ureia, reduzindo a dependência de importações

O presidente Lula esteve nesta quinta-feira (25) na cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS). O empreendimento da Petrobras é estratégico para ampliar a produção nacional de fertilizantes, o que permite fortalecer a segurança alimentar do país, com a redução da necessidade de importação de produtos cruciais para a agricultura.

São cerca de R$ 5 bilhões em investimentos para a unidade, paralisada desde 2015, entrar em produção como parte da retomada de investimentos da Petrobras até 2030. O investimento conta com recursos do Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

Em seu discurso, Lula disse que não abre mão de debater estrategicamente o papel da Petrobras para o país.

“Eu estou orgulhoso porque eu ainda sonho que a gente vai ter, não sei quando, mas a gente vai ter acima de setenta por cento de todo fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono de sua produção”, afirmou.

Leia mais: Brasil busca suprir 35% do mercado interno de fertilizantes

O presidente ainda criticou os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que adotaram uma agenda privatista e entreguista para as principais empresas nacionais.

“Não tem explicação porque uma empresa desta magnitude, que ia produzir fertilizante para ajudar no barateamento e na qualidade dos alimentos produzidos nesse país, ficou parada doze anos. Uma coisa é não começar. Não se começa por várias razões: porque não quer fazer, porque não tem projeto, porque não tem dinheiro. Outra coisa é começar, ter dinheiro, projeto e necessidade, mas quando chega a quase 85% da estrutura, de repente as obras param e ficam doze anos paradas. E o Brasil pagando preços absurdos de fertilizante que poderiam ser produzidos”, criticou Lula.

A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o país e a estatal saíram de uma produção que não existia para produzir 25% da demanda nacional por fertilizantes em menos de um ano e que chegará a 35% com a UFN-3.

“A Petrobras segue crescendo. Nesse primeiro trimestre, só para vocês terem uma ideia, a Petrobras investiu no Brasil R$ 26,8 bilhões. A gente cresce porque nós estamos investindo. É 25,6% a mais do que investimos no mesmo período do ano passado”, disse Chambriard, que destacou que a estatal produz cerca de 31% de toda a energia primária consumida no país.

Leia mais: Petrobras investe R$ 72,5 bilhões em Sergipe e gera 28 mil empregos

Na ocasião, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que já foi prefeita de Três Lagoas, confirmou que será pré-candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, por indicação do presidente Lula. Também estiveram presentes no ato o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli.

De acordo com a Petrobras, as obras na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 irão gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Quando a planta entrar em operação, em 2029 [Magda acredita que poderá ser um ano antes, em 2028], serão produzidas 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia. Em um ano, serão produzidos 1,3 milhão de toneladas de ureia, o que equivale a 16% da demanda brasileira.

A retomada da UFN-3 faz parte da estratégia da Petrobras e do governo Lula, que compreende outras três unidades: Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA. Com todas as quatro fábricas em operação, o país produzirá cerca de 35% da ureia que consome, antes da retomada dessas unidades, o país dependia totalmente de importações

Com a guerra entre Ucrânia e Rússia, o preço do insumo disparou nos últimos anos e expôs países dependentes de importação. Para reverter esse cenário e fortalecer a soberania nacional, o presidente Lula adotou a iniciativa para fazer o setor de fertilizantes voltar a produzir no país, contrariando a lógica entreguista que paralisou obras e vendeu patrimônios nacionais adotada nos governos Temer-Bolsonaro.


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Brasil

Como a nova ordem geopolítica consolida as parcerias estratégicas entre Brasil e Rússia?

Sputnik – Em entrevista à Sputnik Brasil, o presidente da Câmara Brasil–Rússia de Comércio explicou como os fertilizantes russos se tornaram a porta de entrada para a consolidação de parcerias estratégicas entre Brasília e Moscou, apesar do conflito na Ucrânia e da tentativa de isolamento da Rússia comandada pelos EUA e seus aliados na Europa.

O temor levantado em recente estudo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), que indica que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro, no acumulado de janeiro a novembro de 2022, sofreram uma redução de 11,3%, “não é razão para se preocupar”.

Quem garante é Gilberto Ramos, presidente da Câmara Brasil–Rússia de Comércio, Indústria e Turismo. Em conversa com a Sputnik Brasil, ele apontou que o mercado global de fertilizantes sofre alterações naturais em razão das muitas variantes logísticas externas, embora, no caso do Brasil, o abastecimento esteja devidamente garantido.

Isso foi possível, segundo ele, graças aos esforços de governos e empresários para expandir o comércio e as relações bilaterais entre os dois países, um deles feito em 16 de fevereiro de 2022 (há cerca de um ano) pelo então presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em visita à Rússia. Na ocasião, dezenas de documentos sigilosos foram assinados.

Além disso, a confirmação da nomeação da ex-presidente Dilma Rousseff para o banco do BRICS é um bom indicativo de que o fortalecimento desses laços continuará. Afinal, como apontou Gilberto Ramos, “Dilma tem uma visão desse bloco muito mais profunda” que o atual presidente da instituição financeira.

De acordo com ele, ao se analisar o comércio entre Brasília e Moscou, estimativas feitas no âmbito do Ministério da Economia apontam que “o potencial para […] investimentos entre os dois países poderá chegar a mais de US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 519 bilhões) dentro dos próximos cinco a sete anos”.

‘O céu é o limite’

Embora as relações entre Moscou e Brasília tenham começado há muito tempo, a visita de Bolsonaro à Rússia em meio à escalada de tensões com a Ucrânia abriu uma nova etapa dessa aproximação, e daí em diante, apontou Gilberto Ramos, “o céu é o limite”.

O presidente da Câmara Brasil–Rússia de Comércio relembrou que na época o Brasil conseguiu acordos para importar “fertilizantes, como ureia e cloreto de potássio, em função de tratativas feitas no mais alto nível”.

“De lá para cá, chegaram dezenas de navios com produtos russos e belarussos. Esse movimento […] [fez com] que 71% das importações brasileiras da Rússia [em 2022] fossem de fertilizantes, com uma corrente comercial que bateu recordes, chegando a cerca de US$ 7 bilhões [aproximadamente R$ 36 bilhões]”, disse ele.

Grãos de arroz da Chisty Ris, cultivados na região de Krasnodar, Rússia, foto publicada em 6 de outubro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.01.2023

Como se sabe, a Rússia é o principal fornecedor dos fertilizantes usados na agricultura brasileira, que por sua vez é o motor da economia brasileira. Com o conflito na Ucrânia, a rota comercial que ligava a Rússia ao Brasil precisou ser reinventada, em meio à disparada do custo do frete e dificuldades de logística.

No entanto, após a visita de Bolsonaro e os acordos que foram assinados, os portos brasileiros nunca viram “tantos navios com as cores da Rússia atracarem à nossa costa, a maior parte carregada de fertilizantes”, disse Gilberto Ramos.

Traduzindo esses tratados que nunca vieram à público em números, Moscou passou do 12º para o 5º lugar no ranking de parceiros comerciais do Brasil, apenas atrás de Alemanha, Argentina, Estados Unidos e China.

Conforme explicou Gilberto Ramos, “tudo isso foi facilitado a partir de operações logísticas que foram criadas, especialmente para embarques do porto de Murmansk [cidade russa]. Além disso, existem empresas russas trabalhando em outros lugares do mundo que buscam alternativas para essas questões logísticas”.

Trator joga fertilizantes em plantação de soja em de Campo Mourão, na região Centro-Oeste do Paraná, 27 de novembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 23.11.2022

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