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Cultura Política

Assim na terra como no céu

É difícil a esquerda ouvir tranquilamente uma crítica sobre a falta de um projeto nacional de cultura, como se financiamento bastasse.

No Brasil, muitas vezes, o que se debate é produção cultural e, consequentemente, o financiamento público para tal.

A indústria cultural de massa, no auge de sua política hegemônica, tinha a estratégia de domínio em suas mãos, quase total da produção, da difusão e da distribuição. Essas duas últimas não são sequer citadas nos debates oficiais de cultura. É como se não existissem.

Normalmente, a cultura institucionalizada muito mais por uma visão tecnocrática, não contempla nada sobre o lúdico ou sobre a realidade do universo cultural do Brasil, proprianente dito. Como se organizam as comunidades em torno da representação cultural e muito menos quais desdobramentos em termos de identidade e soberania como formulação de um tratado nacional que contemple a realidade brasileira.

A sensação que se tem é a de uma repaginância neoliberal que acontece desde a implementação da Lei Rouanet, criada no governo Collor e estimulada, de forma ainda mais enviesada e neoliberal, no governo FHC em que se propunha a cultura como um grande negócio, expressão utilizada por Fernando Henrique em seu governo.

Quando Lula, na campanha de 2002, declara, no filme Entreatos, que tinha um encantamento por um colega de trabalho que extraia som do próprio corpo na batida do samba, ele enxergou a alma da cultura brasileira.

Sempre que leio ou ouço falar sobre política pública de cultura, lembro-me dessa fala de Lula sobre a síntese da cultura do Brasil. Ali, Lula não estipulava um olhar sobrenatural para uma visão estética ou o benefício financeiro que a cultura pode dar ao país, o assunto ali era gente, sentimento de representação coletiva que ele deixava claro que não havia como substituir por outra coisa. O que seu amigo fazia era fruto da identidade brasileira máxima com o povo e, por isso, mantinha-se forte a ponto de se traduzir essa alma em sons extraídos do próprio corpo.

Isso nada tem a ver com dados estatísticos do ponto de vista econômico, como se vê muita gente reproduzir, de forma até contraditória, Lula teve a felicidade arguta de ir direto àquilo que corre nas artérias desse país e que o capitalismo, com a hegemomia da cultura de massa, tentou inutilmente destruir.

Hoje, essa mesma indústria de massa foi convetida, junto às big techs, em ações regidas pelos algoritmos, que funciona na base do monopólio do dinheiro grosso,

É um assunto espinhoso, mais contemporâneo, impossível. Então fica a pergunta, por que os podcasts de esquerda nunca colocam esse debate na mesa?

Lula, na visita que fez a Gil e Caetano, retoma a importância de um debate estratégico da cultura brasileira na política, porque um dos maiores crimes hoje, no mundo, são praticados pelas bilionárias big techs e que viu sua censura férrea ser arrombada por um movimento político de grandes ícones da cultura brasileira, liderado por Gil e Caetano, que reuniu milhões de brasileiros por todo país numa mobilização histórica que fulminou a PEC da Bandidagem nas ruas de forma absolutamente espetacular.

Aquela hipertrofia dos algoritmos, parte do jogo financeiro, não teve qualquer chance diante de uma multidão que, em nome de uma ordem social, rebelou-se contra a guerra da chamada extrema direita no Congresso contra as leis e a própria democracia.

O Brasil precisa se reescrever a partir de sua cultura, e Lula sabe disso e, possivelmente, a sua visita a Gil e Caetano seja uma beve introdução de uma política pública moldada pelos movimentos da própria sociedade em busca de um objetico real e concreto daquilo que chamamos do fazer cultura a partir do interior de cada brasileiro.


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Vídeo: Caetano e Gil choram a morte de Gal Costa

Os cantores e compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil se emocionaram ao falar da amiga e conterrânea Gal Costa. A baiana morreu aos 77 anos nesta quarta-feira (9).

“A maior cantora do Brasil”, disse muito emocionado Caetano Veloso, em entrevista ao Estúdio i.

Eu ouvi mais cedo Nelsinho Motta falando que a voz de Gal era cristal e veludo, mas também labareda. E é incrível porque passou o primeiro disco, era todo quase veludo, com algum cristal, e depois veio mais cristal e de repente no ‘Divino Maravilhoso’ explodiu o aspecto labareda”, falou Caetano.

Gal morreu em sua casa em São Paulo. A causa da morte não foi informada. Ela havia dado uma pausa em shows, após passar por uma cirurgia para retirar um nódulo na fossa nasal direita.

https://twitter.com/GloboNews/status/1590413343151439872?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1590413343151439872%7Ctwgr%5E78cc95a9dabf458603876d07e93e6dc860703f3d%7Ctwcon%5Es1_c10&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.srzd.com%2Fentretenimento%2Fmusica%2Fcaetano-e-gil-choram-ao-falar-da-morte-de-gal-gosta-video%2F

 

Caetano relembrou a parceria com Gal ao longo dos anos e, chorando, cantou um trecho de uma das canções.

“Ao longo dos anos compus muitas canções pra Gal cantar, a pedido dela. Ela apenas me avisava que estava fazendo um novo disco e queria canção. E tem uma canção que talvez responda a essa pergunta.”

  • “Minha voz, minha vida
  • Meu segredo e minha revelação
  • Minha luz escondida
  • Minha bússola e minha desorientação
  • Se o amor escraviza
  • Mas é a única libertação
  • Minha voz é precisa
  • Vida que não é menos minha que da canção”.

Já Gilberto Gil relembrou a “grandeza” da amiga.

“Muita emoção, porque na hora em que recebi a notícia até me controlei, porque a morte faz parte da vida, a gente sabe disso. A gente sempre procura e numa certa medida encontra o modo de deixar que a notícia da morte de um ente querido chegue de forma tranquila.”

“Depois, com a compreensão da grandeza dela e da abrangência do que ela fez, do que ela fazia, da música que ela representava, e da comoção que foi se revelando mesmo no país inteiro, através do espalhamento da notícia eu fui ficando muito assim”, falou triste, sem completar a frase.

*Com G1

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Vídeo: A emocionante revelação de Thelminha (BBB) a Lula de como se formou em médica pelo Prouni

Essa manifestação do 07 de setembro que está arrastando pessoas ricas e que se hospedam nos hotéis mais caros do Brasil, em Brasília, não é exatamente o livre exercício de cidadania ou mesmo apoio a Bolsonaro, mas ao político nefasto que ele é, que trata negros e pobres como resto da sociedade. E eles, logicamente, são contra histórias como a de Thelminha e Gil que tiveram ascensão social através da educação pelos programas do governo Lula.

O que essa gente faz em Brasília é tentar impedir que Lula volte ao poder e, novamente, permita que milhões de brasileiros segregados pelo governo Bolsonaro tenham história como a desses dois que se emocionam e nos emocionam nessa lindo encontro com Lula.

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