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Flávio Dino e Gilmar Mendes furam o pixuleco eleitoral de André Mendonça

O que parecia destinado a ser mais um capítulo cuidadosamente montado em torno do caso Master acabou encontrando dois obstáculos dentro do próprio Supremo: Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Gilmar Mendes foi direto ao ponto. Ao criticar a condução do caso por André Mendonça, chamou a iniciativa de “pixuleco eleitoral” e questionou o timing de uma ofensiva que atinge outro ministro do Supremo justamente em pleno período eleitoral.

Dino foi por outro caminho, mas o efeito político-institucional foi igualmente contundente. Ao pedir vista nesta terça-feira, suspendeu o julgamento e defendeu que os diferentes processos relacionados ao caso Master sejam analisados conjuntamente, evitando que episódios conectados sejam tratados como se fossem histórias completamente independentes.

E aqui está o ponto que desmonta a narrativa cuidadosamente construída: quando os casos deixam de ser apresentados como uma via de mão única contra um único ministro e passam a ser examinados em conjunto, todas as conexões precisam entrar na mesa.

Inclusive as que envolvem o próprio Mendonça.

Não por acaso, Dino já havia questionado o contexto do encontro de Mendonça com Daniel Vorcaro, banqueiro do antigo Banco Master, ressaltando que a situação exigia cautela redobrada da magistratura em período eleitoral.

Gilmar, por sua vez, já havia pedido que o caso envolvendo Mendonça fosse analisado conjuntamente com o processo relativo a Moraes.

É justamente aí que o chamado “pixuleco eleitoral” perde o verniz.

Porque uma coisa é transformar um episódio específico em munição política. Outra, completamente diferente, é abrir o conjunto dos fatos, cruzar personagens, decisões, encontros, documentos e relações e permitir que tudo seja submetido ao mesmo escrutínio.

E quanto mais se abre o leque, mais difícil fica sustentar uma narrativa construída em torno de um único alvo.

A decisão de Dino também ocorre depois de ele ter revertido o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça. Na ocasião, Dino apontou problemas processuais e determinou a reintegração de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

Portanto, o que se viu nesta terça-feira foi algo muito maior que um bate-boca entre ministros.

Foi o rompimento da blindagem narrativa.

Gilmar colocou o rótulo na mesa. Dino interrompeu o movimento e puxou o debate para o terreno do exame conjunto dos fatos.

E quando a lupa passa a mirar todos os lados, o problema deixa de ser apenas quem acusa quem.

Passa a ser, simplesmente: o que existe nos autos, quem aparece neles e por que determinadas conexões chegaram ao Supremo justamente agora?

É essa pergunta que o “pixuleco eleitoral” não consegue esconder.


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