16 de julho de 2020
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A PM desativou uma base avançada na favela Bateau Mouche, na Praça Seca, na Zona Oeste, após a milícia que domina a região ameaçar explodir a estrutura e atacar os policiais. A intimidação por parte dos paramilitares começou após agentes do 18º BPM (Jacarepaguá) prenderem Raphael da Silva Nascimento, o Pezão, apontado como chefe da milícia que ocupa o Bateau Mouche, no último dia 11.

O miliciano foi flagrado por agentes do Serviço Reservado (P2) da unidade por volta das 21h, quando extorquia moradores na favela. Após a detenção, o batalhão precisou pedir reforço de homens do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom) e do 2º Comando de Policiamento de Área (CPA) para conseguir tirar o preso da favela. Comparsas do criminoso cercaram os PMs que fizeram a abordagem e não queriam deixar que ele fosse levado para a delegacia.

Após a chegada do reforço, o miliciano foi retirado da favela. Com Pezão, os PMs apreenderam uma pistola .40 municiada, uma granada, um cinto tático, um radiotransmissor, R$ 1.334 reais e 85 boletos de cobrança, usados para catalogar os pagamentos de moradores. Logo após a prisão, PMs que davam plantão na base passaram a receber ameaças da milícia. A cada turno, sete agentes ficavam no local. De acordo com moradores da favela, os paramilitares afirmavam que iriam explodir a estrutura.

A base ocupava, desde o início do ano, um imóvel na favela. Antes de ser desativada, a estrutura foi toda pintada de branco — antes, havia a inscrição “PMERJ” sobre um fundo azul.

Procurada, a PM alegou que a base “passou por um realinhamento estratégico que visa dar maior mobilidade ao policiamento ostensivo na região”.

Preso respondia por homicídio

Raphael da Silva Nascimento, o Pezão da Chacrinha, estava foragido desde outubro do ano passado, quando o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Criminal, decretou sua prisão, junto com outros 14 réus, pelo homicídio de um miliciano rival. De acordo com a denúncia do Ministério Público, em dezembro de 2017, o bando matou Alexandro de Lemos Esteves Braz, o Corujinha, a tiros.

De acordo com a investigação da polícia, Raphael e os demais acusados integram uma milícia chamada “Bonde do Horácio”, que atua no Bateau Mouche e na favela da Chacrinha, também dominada por paramilitares. Os homens invadiram uma área ocupada por um grupo rival em plena luz do dia, com carros roubados e portando fuzis. Um dos integrantes do bando aturou na vítima, os demais passaram a intimidar testemunhas. Pezão teria assumido a chefia do bando após a prisão de Horácio Souza Carvalho, em fevereiro de 2018, num apartamento na Barra da Tijuca.

Em agosto deste ano, outro mandado de prisão foi expedido contra Pezão e outros 20 réus por determinação da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá pelo crime de organização criminosa.

No último dia 11, a PM mudou bases da UPP Vila Cruzeiro de lugar, após um vídeo de homens armados com fuzis na frente da estrutura viralizar nas redes sociais. A cabine foi tirada do Bairro 13 e recolocada na Ladeira da Raia.

Na ocasião, houve tiroteio entre policiais, que faziam uma operação na favela, e os criminosos flagrados. A PM também alegou que “foi realizado um remanejamento estratégico do aparelhamento”.

 

 

*Rafael Soares/Jornal Extra

Celeste Silveira

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