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Flávio Bolsonaro atuou na defesa de PM acusado de matar menina de 5 anos

Senador também atuou na defesa de policiais militares do RJ acusados de matar quatro pessoas

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL/RJ), atuou como advogado de defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Machado, de 5 anos, durante patrulhamento de rotina na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A menina brincava com o irmão de 2 anos na porta de casa quando foi atingida pelo disparo de fuzil efetuado pelo PM, segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O assassinato, ocorrido na manhã de 2 de fevereiro de 2021, teve ampla repercussão nos principais jornais do país à época.

Ana Clara Machado, 5 anos – Foto: Reprodução

Delaroli, que era cabo no 12º BPM de Niterói, chegou a ser preso preventivamente, mas a medida foi revogada em novembro de 2021, quando a Justiça determinou sua substituição por medidas cautelares.

O senador Flávio Bolsonaro integrou a banca de defesa do militar. O parlamentar assina o recurso apresentado em 2024 ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que submeteu o caso a júri popular. O recurso foi negado pela Corte. O caso não cabe mais recurso e Delaroli aguarda julgamento.

A peça também é assinada por advogados dos escritórios Paulo Klein Advogados e Giusto e Klein Advocacia, entre eles, Paulo Márcio Ennes Klein, que já atuou na defesa de Fabrício Queiroz — ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado no esquema das chamadas “rachadinhas” no período em que trabalhou no gabinete do político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Procurado, o escritório Paulo Klein Advogados informou que não vai se pronunciar. O escritório Giusto e Klein Advocacia e o senador Flávio Bolsonaro não retornaram aos contatos do ICL Notícias.

O que diz a denúncia contra o PM
De acordo com a denúncia da promotoria, Delaroli atirou em direção à área residencial e de lazer onde Ana Clara brincava, “com vontade livre e consciente, assumindo o risco de matar”.

Ao escutarem os disparos de arma de fogo, pessoas que passavam pelo local gritaram “é morador, é morador”, em tentativa de fazer com que os disparos cessassem. “Mesmo após a advertência, o policial militar seguiu com os disparos, não se importando com o risco assumido de produzir o resultado morte”, ressaltou a acusação.

Ainda de acordo com os autos, após a criança ser baleada, um colega de farda de Delaroli, “muito nervoso” repetia para o cabo: “olha a merda que você fez”. Testemunhas relataram que os policiais demoraram para prestar socorro à Ana Clara, “apenas o fazendo diante da clemência dos moradores e parentes da vítima fatal”.

Local onde a menina foi assassinada – Imagem: Reprodução/Autos do processo

Em sua defesa, o policial militar afirmou ter reagido a uma suposta agressão de traficantes armados. O MPRJ, no entanto, sustentou que não havia indícios de confronto prévio, com base em depoimentos de testemunhas que negaram a ocorrência de troca de tiros e afirmaram que não havia atividade de tráfico de drogas no local.

A promotoria destacou ainda que a viatura dos policiais não tinha “qualquer sinal de confronto” e que a perícia arrecadou na cena do crime estojos de munição iguais aos usados por Delaroli.

Senador defendeu PMs acusados de emboscada
O senador Flávio Bolsonaro também assinou, ao lado da banca do escritório Paulo Klein Advogados, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em defesa de quatro policiais militares acusados de matar quatro homens durante uma emboscada no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, em 16 de janeiro de 2020.

Nesse caso, a defesa também tentou reverter, no ano passado, a decisão que determinou que os réus fossem julgados pelo tribunal do júri. Os cabos Pedro Jeremias Lemos Pinheiro, Victor Barcelleiro Batista e Rafael Nascimento Rosa e o sargento Ricardo de Moraes Mattos eram lotados à época no Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da Coordenadoria de Polícia Pacificadora.

De acordo com o MPRJ, os assassinatos “foram cometidos mediante emboscada, tendo em vista que os denunciados [os PMs] ficaram escondidos no interior de um imóvel posicionando-se em um plano superior ao que se encontravam as vítimas, para subitamente atacá-las, com disparos de cima para baixo”.

A investigação apontou que os policiais teriam invadido uma residência pela manhã e aguardado até a tarde para realizar os disparos, feitos de cima para baixo, surpreendendo as vítimas sem chance de defesa.

Os policiais alegaram em sua defesa que foram para a comunidade pela manhã, para uma operação de combate ao tráfico. Após a prisão de um traficante e um policial ser baleado, os agentes afirmaram que deixaram o local.

O escritório de Flávio Bolsonaro em Brasília
Flávio Bolsonaro atuou nos dois casos com inscrição suplementar da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF). Seu registro de origem é no Rio de Janeiro. O senador tirou o registro no DF em abril de 2021, mesmo mês em que abriu um escritório de advocacia na capital federal, com endereço na mansão onde mora no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.

Ele não é impedido de trabalhar como advogado por ocupar o cargo de senador. Pelo Estatuto da Advocacia, parlamentares não podem advogar contra ou a favor de órgãos e entidades ligados à administração pública.

Conforme mostrou reportagem da Agência Pública publicada em junho de 2022, Flávio Bolsonaro registrou como administradora do seu escritório de advocacia Letícia Caetano dos Reis. Ela contou em entrevista à Pública ter sido indicada à vaga pelo advogado Willer Tomaz, amigo do senador – que negou conhecê-la. “Eu fui convidada por um conhecido [do Flávio Bolsonaro] que também me conhecia. Eles me ofereceram para entrar em sociedade para administrar a empresa dele e aí eu aceitei para fazer essa administração”, contou Letícia Reis.

Foto: Reprodução – Agência Pública

Mais recentemente, investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou que Letícia Reis é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o lobista conhecido como Careca do INSS.

Relatório alternativo da CPMI apresentado na última sexta-feira por parlamentares governistas pede o indiciamento de Flávio Bolsonaro pela ligação com Reis.

Flávio Bolsonaro e a milícia
A relação de Flávio Bolsonaro com policiais militares associados ao crime no Rio de Janeiro é antiga. Quando era deputado estadual, o político empregou em seu gabinete na Alerj a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega. Morto em 2020, Adriano foi acusado pelo MPRJ de liderar o grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime.

O podcast do Uol Investiga, “Polícia Bandida e o clã Bolsonaro”, sobre a relação da família Bolsonaro com agentes de segurança, mostrou que Flávio Bolsonaro e seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro, condecoraram pelo menos 16 PMs denunciados em organizações criminosas.

*Alice Maciel /ICL


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Política

Moraes vota para condenar 5 membros da cúpula da PM do DF por omissão no 8/1

Ministro propôs pena de 16 anos aos réus, perda de cargos públicos e multa

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes votou para condenar cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal acusados de omissão nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O julgamento começou, nesta sexta-feira (28), no plenário virtual da corte e vai até o dia 5 de dezembro. O caso é analisado pela Primeira Turma do tribunal.

Moraes considerou que os militares cometeram os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Pena e voto de Moraes
Ele propôs penas de 16 anos aos réus, o que inclui 13 anos e seis meses de reclusão, dois anos e seis meses de detenção, 100 dias-multa (cada dia multa no valor de um terço do salário-mínimo) e a perda de cargos públicos.

Moraes considerou que cometeram estes crimes o então comandante-geral da PM-DF Fábio Augusto Vieira, o ex-subcomandante-geral Klepter Rosa e três coronéis (Jorge Eduardo Barreto Naime, Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra e Marcelo Casimiro Vasconcelos).

No entanto, ele votou para absolver dois militares que também foram denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República), o major Flávio Silvestre de Alencar e o tenente Rafael Pereira Martins.

Segundo a PGR, apesar de terem meios para evitar os ataques e a depredação na Praça dos Três Poderes, a cúpula da PMDF se omitiu. Os sete réus estão em liberdade provisória e utilizam tornozeleiras eletrônicas.

Em seu voto, Moraes afirmou que os militares aderiram a propósitos criminosos direcionados a uma tentativa de ruptura institucional, que acarretaria a abolição do Estado democrático de Direito e a deposição do governo legitimamente eleito.

“Cabe destacar, ainda, que a horda criminosa golpista atuava desde a proclamação do resultado das eleições gerais de 2022, em intento organizado que procedeu em escalada de violência até culminar no lamentável episódio do início de janeiro deste ano”, disse.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, os policiais aderiram subjetivamente às ações delitivas dos golpistas que depredaram as sedes dos três Poderes, em vez de agirem para evitar a destruição dos prédios públicos.

A denúncia também narrou que a PMDF tinha informantes ou policiais infiltrados nos movimentos de insurgência popular, inclusive nos acampamentos em frente ao quartel-general do Exército, que municiaram os oficiais com informações frequentes e imagens, evidenciando a necessidade de ação preventiva para impedir os atos delituosos.

*ICL


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Política

Coronel da PM quer reabrir instrução penal com provas de ação contra Bolsonaro

Advogados afirmam que processo contra alto escalão do governo reúne elementos novos.

A defesa do coronel Jorge Naime Barreto pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a reabertura da instrução penal contra o policial no caso da trama golpista de 2022. A partir daí, pede mais prazo para a apresentar as defesas finais e que isso seja feito depois das provas constantes na ação penal contra o núcleo central.

Os advogados Bruno Jordano e Marina Mansur afirmam que a abertura do processo penal contra o núcleo 1, grupo central segundo a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), é um fato novo que influencia o caso do coronel.

“Se os verdadeiros detentores da decisão estratégica foram identificados posteriormente, por que manter-se a responsabilização de quem sequer teve o poder de agir?”, dizem os advogados, em referência aos réus pela articulação da ação golpista.

“Os elementos trazidos pela AP 2668 [a ação contra Bolsonaro e outros 7 réus], que decorre do inquérito 4923 reconstroem a narrativa dos acontecimentos, afetando por completo o nexo causal atribuído aos presentes autos, trazendo outra perspectiva sobre os acontecimentos e revelando a verdadeira cadeia de comando responsável pela ação omissão e facilitação dos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.”

De acordo com a defesa, a ação penal contra o ex-presidente evidencia que o coronel Naime foi acusado, mas não fazia parte dos círculos onde atos de ação e omissão foram decididos.

“A ação proposta pela PGR passou a delinear com clareza que os reais centros de decisão e comando estavam localizados na alta cúpula política e institucional do Governo Federal e da SSP/DF. O coronel Naime sequer integrava o grupo de mensagens ‘Difusão’, onde em tese circularam os alertas da Abin, os relatórios da inteligência e a decisão de liberar o fluxo de manifestantes, determinante para o caos. Naime também não integrava o Grupo Perímetro.”

Na última quarta-feira (30), o relator liberou o acesso a todas as provas coletadas pela Polícia Federal à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo sobre a trama golpista de 2022.

O ministro disse que aceita o requerimento de “imediato acesso à íntegra do conjunto probatório colhido no curso das investigações e, especialmente, ao conteúdo integral dos celulares e outras mídias apreendidas e parcialmente utilizadas pela acusação”.

O processo contra o coronel Naime está na fase final antes do julgamento. Em fevereiro de 2024, a Primeira Turma da corte aceitou, por unanimidade, a denúncia contra sete oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, inclusive ex-integrantes da cúpula da corporação, pelos ataques de 8 de janeiro.

“É algo gritante, o defendente estava de férias, e foi preso. Quem ficou solto relatou como quis e entendeu, criando-se relatórios que omitem fatos, distorcem informações, e alimentam estórias de heróis e vilões, à margem da verdade”, diz a defesa do coronel na questão de ordem levada a Moraes.

Assim, Bruno Jordano e Marina Mansur pedem o compartilhamento de provas colhidas na ação penal do núcleo 1. Sem isso, alegam haver cerceamento do direito de defesa.

“A fim de oferecer defesa plena, o réu precisa demonstrar, de forma técnica e objetiva, eventual adulteração de fatos, supressão ou manipulação de fatos, nesse sentido, faz-se necessária a contextualização das conversas contidas em mídias digitais, e o compartilhamento integral das imagens forenses dos réus”, afirmam.

“A ação proposta pela PGR passou a delinear com clareza que os reais centros de decisão e comando estavam localizados na alta cúpula política e institucional do Governo Federal e da SSP/DF. O coronel Naime sequer integrava o grupo de mensagens ‘Difusão’, onde em tese circularam os alertas da Abin, os relatórios da inteligência e a decisão de liberar o fluxo de manifestantes, determinante para o caos. Naime também não integrava o Grupo Perímetro.”

Na última quarta-feira (30), o relator liberou o acesso a todas as provas coletadas pela Polícia Federal à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo sobre a trama golpista de 2022, diz o ICL.

O ministro disse que aceita o requerimento de “imediato acesso à íntegra do conjunto probatório colhido no curso das investigações e, especialmente, ao conteúdo integral dos celulares e outras mídias apreendidas e parcialmente utilizadas pela acusação”.

O processo contra o coronel Naime está na fase final antes do julgamento. Em fevereiro de 2024, a Primeira Turma da corte aceitou, por unanimidade, a denúncia contra sete oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, inclusive ex-integrantes da cúpula da corporação, pelos ataques de 8 de janeiro.

“É algo gritante, o defendente estava de férias, e foi preso. Quem ficou solto relatou como quis e entendeu, criando-se relatórios que omitem fatos, distorcem informações, e alimentam estórias de heróis e vilões, à margem da verdade”, diz a defesa do coronel na questão de ordem levada a Moraes.

Assim, Bruno Jordano e Marina Mansur pedem o compartilhamento de provas colhidas na ação penal do núcleo 1. Sem isso, alegam haver cerceamento do direito de defesa.

“A fim de oferecer defesa plena, o réu precisa demonstrar, de forma técnica e objetiva, eventual adulteração de fatos, supressão ou manipulação de fatos, nesse sentido, faz-se necessária a contextualização das conversas contidas em mídias digitais, e o compartilhamento integral das imagens forenses dos réus”, afirmam.

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Política

No governo Tarcísio, morte de crianças e adolescentes pela PM cresceu 120%

Aumento da letalidade coincide com ascensão dos discursos contra câmeras corporais e mudanças no controle do uso da força.

Em novembro de 2024, Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17 anos, foi morto por sete tiros, quatro pelas costas, disparados por policiais militares, na comunidade Morro do São Bento, em Santos. Ele estava numa moto com um amigo de 15, que ficou ferido, mas sobreviveu. A PM diz que a morte de Gregory ocorreu em confronto, versão contestada. Os policiais envolvidos no caso não usavam câmeras corporais.

No mesmo dia, na mesma comunidade, Ryan da Silva Andrade dos Santos, de apenas 4 anos, brincava quando foi morto com um tiro no abdômen disparado por outro PM que também não usava câmeras corporais.

PM

Os dois casos ilustram uma mudança recente nas estatísticas de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) entre crianças e adolescentes. O número de pessoas de 10 a 19 anos mortas por PMs de São Paulo aumentou 120% entre 2022 e 2024, ou seja, desde o início do mandato do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e da posse do secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite.

É o que aponta a segunda edição do relatório “As câmeras corporais na Polícia Militar do Estado de São Paulo: mudanças na política e impacto nas mortes de adolescentes”, produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em números absolutos, 77 crianças e adolescentes de 10 a 19 anos morreram em intervenções da PM no estado em 2024, mais que o dobro das 35 mortes registradas em 2022. Jovens negros são maioria (67%) entre essas vítimas. As MDIP representam 34% das mortes violentas nesta faixa etária e são a segunda principal causa de morte violenta desse grupo.

“É um absurdo que essas crianças e adolescentes estejam perdendo a vida nas mãos de quem deveria protegê-los”, afirma Adriana Alvarenga, chefe do escritório do Unicef em São Paulo. “As vidas perdidas afetam a família, a comunidade e a escola, e criam um ambiente negativo para a população como um todo, em especial para aqueles que são nosso presente e nosso futuro.”

PM

Entre adultos com mais de 20 anos, o aumento das MDIP no mesmo período foi de 157% e o percentual dessas mortes em 2024 foi de 18% do total de mortes violentas, o que evidencia o peso maior da letalidade policial entre os mais jovens.

Entre PM’s, o crescimento de mortos em serviço também foi expressivo: 133% entre 2022, quando ocorreram 6 mortes, e 2024, quando elas foram 14.

Este cenário é o oposto daquele revelado pela primeira edição do estudo, dois anos atrás, que indicou uma queda de 66,3% nas mortes por intervenção policial de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos entre 2019 e 2022. O resultado havia sido atribuído ao uso das câmeras corporais e à adoção de políticas para controle do uso da força policial. No mesmo período, também houve redução de 57% nas mortes de policiais militares em serviço.

De acordo com a edição atual do relatório, o crescimento nas MDIP foi observado no mesmo período em que ocorreram mudanças em mecanismos de controle das forças de segurança e no discurso sobre câmeras.
Desde a sua campanha para o Governo de São Paulo, Tarcísio se posicionou sistematicamente de maneira contrária ao uso de câmeras corporais, que foram desqualificadas pelo hoje governador, apesar da redução nas mortes de policiais e daquelas provocadas pela PM desde a incorporação gradual do equipamento por batalhões da corporação, a partir de 2021.

No final do ano passado, após virem à tona vídeos de policiais atuando fora do protocolo, inclusive matando pessoas desarmadas, Tarcísio fez mea culpa e disse que “estava completamente errado nessa questão”.

Ao mesmo tempo, entre 2022 e 2024, caiu o número de procedimentos instaurados pela Corregedoria da PM, órgão interno de correição. Os autos de prisão de PMs em flagrante delito caíram quase pela metade (48%), assim como a instauração de conselhos de disciplina (46%).

Derrite mudou o comando da Corregedoria no início de 2024 e, em junho, o trâmite para afastamento de policiais. Aqueles envolvidos em casos de atentado às instituições, ao Estado e aos direitos humanos agora precisam ter o afastamento autorizado pelo subcomandante-geral da PM, o que retira independência da Corregedoria.

O titular da Segurança Pública é capitão reformado da PM e foi desligado da Rota por excesso de mortes. Ele é apontado como uma liderança que estimula o confronto e o uso letal da força, ao mesmo tempo em que relaxa punições por práticas fora do procedimento operacional padrão.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública afirmou, por meio de nota, que não compactua com “desvios de conduta ou excessos” e que pune “com absoluto rigor todas as ocorrências dessa natureza”, citando a prisão de 550 policiais e a demissão ou expulsão de outros 364 desde 2023., segundo o ICL.

Sobre câmeras operacionais, a nota informa que a gestão Tarcísio ampliou o número de equipamentos em 18,5% e que seu uso “segue regras rígidas, e qualquer agente que descumpri-las estará sujeito às sanções cabíveis”.

O governo vai trocar as câmeras atuais, que gravam de maneira ininterrupta, por outras que são acionadas pelo policial ou pelo centro de operações da PM. Na prática, segundo especialistas, as gravações de patrulhamentos de rotina, quando muitas dessas mortes ocorrem, podem deixar de ser feitas.

Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, mesmo antes da mudança, “houve uma série de operações em que policiais que deveriam estar usando a câmera não gravaram nada”.

“Se hoje já há policiais tentando obstruir as gravações ou deixando as câmeras de lado, o que deve acontecer quando retirarmos essa gravação ininterrupta?”, questiona.

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Cotidiano

PM de São Paulo prende dois suspeitos pelo sequestro de Marcelinho Carioca

As prisões ocorreram nas proximidades do local onde o carro do ex-atleta foi encontrado, na cidade de Itaquaquecetuba, região metropolitana de São Paulo.

A Polícia Militar de São Paulo prendeu nesta segunda-feira, 18, dois indivíduos suspeitos de participarem do sequestro do ex-jogador de futebol Marcelinho Carioca. As prisões ocorreram nas proximidades do local onde o carro do ex-atleta foi encontrado, na cidade de Itaquaquecetuba, região metropolitana de São Paulo, informa Igor Gadelha, do Metrópoles.

Marcelinho Carioca está desaparecido desde domingo, 17, conforme informações da Polícia Militar. Até o momento, as autoridades não divulgaram as identidades dos suspeitos detidos.

O caso foi registrado oficialmente na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, também na Grande São Paulo, por meio de um boletim de ocorrência que descreve o ocorrido como “desaparecimento de pessoa e localização de veículo”. As circunstâncias do desaparecimento do ex-jogador estão sendo investigadas pelas autoridades policiais.

 

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Cotidiano

Defensoria compara ação da PM em Guarujá a ‘Esquadrão da Morte’ e aciona Justiça para obrigar uso de câmeras

Órgão afirma que Operação Escudo se pautou por ‘vingança institucional’ e que governo reforça violações de direitos ao não obrigar que policiais usem o equipamento.

A Defensoria Pública de São Paulo e a organização da sociedade civil Conectas Direitos Humanos ingressaram na madrugada desta terça (5) com uma ação civil pública pedindo que a Justiça obrigue o governo de São Paulo a instalar câmeras corporais nos policiais que atuam na Operação Escudo, deflagrada em Guarujá e em outras localidades da Baixada Santista, segundo Mônica Bergamo, Folha.

Elas seriam necessárias para garantir às autoridades competentes, como previsto em lei, “o controle externo do uso da força”, afirmam os defensores.

No caso de impossibilidade de atendimento do pedido, o órgão defende que a operação seja suspensa.

Com 27 mortos, a ação policial já é considerada a mais letal depois do Massacre do Carandiru, chacina em que 102 presos foram assassinados por PMs em 1992.

O número de homicídios por agentes de segurança pública na Baixada já se iguala ao de mortos por policiais em todo o estado de SP nos meses de abril (26) e junho (27).

Houve relatos de execuções sumárias, tortura, invasão de domicílios, destruição de moradias e outros abusos e excessos das forças de segurança, de acordo com o Conselho Nacional de Direitos Humanos.

“Contudo, em apenas uma ocorrência há menção de um policial militar ferido e nenhuma outra traz qualquer referência a viaturas atingidas por disparo de fogo”, registra a Defensoria.

Na ação apresentada à Justiça, os defensores relatam uma série de evidências de abuso de poder e uso desproporcional da força por PMs deslocados para atuarem na Baixada.

De acordo o órgão, “a postura adotada pela administração pública estadual em relação ao uso das câmeras corporais durante a Operação Escudo reforça o cenário de violações de direitos”.

Segundo a própria Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP), do total de ocorrências letais da operação, apenas seis envolveram policiais de batalhões que dispõem desse tipo de equipamento.

Em somente três delas, no entanto, as imagens teriam fornecido elementos suficientes para a análise das ocorrências. Em outras duas foram alegados problemas técnicos, e uma das câmeras não trouxe dados relevantes.

“Tal informação causa preocupação porque sabe-se que as nove primeiras ocorrências de morte por intervenção policial foram praticadas por agentes da Rota, batalhão já equipado com câmeras corporais, sendo necessário, portanto, que se esclareça a razão desses agentes não estarem com o equipamento durante as ações da Operação Escudo como medida de tornar mais transparente a atuação policial e garantir o controle externo do uso da força pelas instituições”, reforçam os defensores.

A Defensoria Pública afirma que não teve acesso, até o momento, às imagens das câmeras corporais disponíveis, e pede ao Estado que as envie ao órgão.

Os boletins de ocorrência registrados na operação, e consultados pela coluna, mostram que, em praticamente todos os homicídios, os investigadores ouviram como testemunhas apenas os próprios policiais envolvidos nas mortes.

“Não bastasse esse quadro de violações de direito, chama atenção a postura adotada pela administração pública estadual em relação ao uso das câmeras corporais durante a Operação Escudo. Apesar da mobilização de 600 policiais militares, a Secretaria de Segurança Pública descartou o uso de câmeras por parte dos agentes de segurança envolvidos na operação na Baixada Santista”, dizem ainda os defensores, citando entrevista coletiva da SSP.

Ofícios foram enviados à Secretaria de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas recomendando o uso de câmeras corporais “para que as abordagens sejam capturadas e passem por controle pelas autoridades competentes”. Não houve sequer resposta, relatam os defensores.

Além disso, a Defensoria afirma que os esclarecimentos dados pelo governo a outros questionamentos sobre a operação reforçam que os órgãos de segurança se pautaram por uma “vingança institucional” pela morte do PM da rota Patrick Bastos Reis, de 30 anos. E não por uma atuação racional e técnica.

Patrick foi alvejado por tiros em Guarujá no dia 27 de julho.

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Opinião

O ódio bolsonarista do PM que chicoteou um homem negro é o mesmo de Nikolas Ferreira e de JR Guzzo do Estadão

Todos sabem que uma coisa puxa outra.

Vejam a lista de militares graduados que estão com os coturnos atolados na lama que envolve Bolsonaro, Michelle e as joias milionárias da Arábia Saudita. Almirante Bento Albuquerque; tenente-coronel Mauro Cid; sargento da Marinha Marcos André Soeiro; e sargento da Marinha Jairo Moreira da Silvia; contra-almirante da Marinha José Roberto Bueno Jr, pra cá.

E para não generalizar, colocamos aqui a lista de quem, até agora, apareceu no imbróglio.

As cenas do vídeo abaixo, na verdade, não fogem a uma única luz de farol que guia o comportamento criminoso do PM à paisana, com uma arma em uma das mãos, chicoteando um homem negro que esperava por um prato de comida.

Com esse mesmo caráter de ódio, sem qualquer reticência, Nikolas Ferreira, sabendo e confessando saber que é crime o que iria praticar na tribuna da Câmara, não se viu amarrado o suficiente para despejar seu ódio transfóbico nu e cru.

Lógico que, naquele momento, ele cometia um duplo desprezo, primeiro, com as mulheres, já que sua ação fascista teve como gancho o Dia Internacional da Mulher. Nikolas fez disso um verdadeiro discurso nazista contra os transexuais num país que mais mata pessoas trans em todo o mundo. Pior, mata mais do que o dobro do México, que está na segunda colocação.

Na realidade, então, Nikolas subiu na tribuna para celebrar esses assassinatos e botar ainda mais lenha na fogueira do ódio bolsonarista que ele carrega no DNA político.

Hoje, como escrevemos há pouco, numa das mais baixas paixões sórdidas, o Estadão, que fiscaliza cada ato ou intenção do governo Lula, resolveu acentuar seus ataques de modo a imprimir ainda mais veneno, utilizando o rancor inebriante de JR Guzzo contra Lula para ser utilizado como editorial do Estadão.

Todos os três casos carregam muito ódio bolsonarista, muito desprezo humano e muita falsa moral, como é comum no mundo animal dos bolsonaristas.

O fato é que o Brasil ficou infinitamente mais violento depois da toxicidade que Bolsonaro espalhou com o apoio substancial do Estadão em sua eleição, com a adesão de um contingente enorme de PMs a esse tipo de violência bolsonarista e o próprio Nikolas Ferreira, que é o filho caçula do mais odioso pensamento bolsonarista.

Confira

https://twitter.com/lazarorosa25/status/1633818141737222145?s=20

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Cotidiano

Vídeo: professora peita oficial da PM e comunidade nega militarização de escola

Vários bolsonaristas favoráveis ao projeto estavam presentes, inclusive policiais da Força Tática que portavam fuzis.

Uma professora de Várzea Grande (MT) peitou um oficial da Polícia Militar nesta segunda-feira (23), durante apresentação de projeto de militarização da Escola Estadual Adalgisa de Barros. Após a discussão, a comunidade, formada por professores e alunos, negou por aclamação o projeto.

Vários bolsonaristas favoráveis à militarização da escola estavam presentes, inclusive policiais da Força Tática que portavam fuzis.

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A audiência pública que precedeu a votação contou com forte manifestação contrária da comunidade escolar, durante a explicação de um tenente-coronel PM sobre os aspectos das escolas militares.

Vários alunos e professores gritaram em protesto contra o projeto. Para eles, o projeto de mudar o caráter civil da escola era irrevogável.

Entre os parlamentares, estavam os deputados Lúdio Cabral (PT) e Valdir Barranco (PT), que são contra a militarização. O deputado estadual Elizeu Nascimento (PL), bolsonarista e que apoiava o projeto, também esteve presente.

A proposta de militarizar a escola Adalgisa foi apresentada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) no início de novembro.

*Com Forum

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Vídeo: PM espanca violentamente menor por se irritar com barulho de moto

Caso de violência policial explícita ocorreu em Candeias do Jamari, em Rondônia. Menor de 16 anos ficou com lesões por todo o corpo depois que o agente, de arma em punho, o surrou.

O vídeo chocante de um policial militar à paisana espancando com chutes violentíssimos um adolescente de 16 anos, no município de Candeias do Jamari, em Rondônia, viralizou nas redes sociais e revoltou internautas por todo o Brasil nas últimas horas. O crime teria ocorrido na noite de segunda-feira (19) e a vítima, acompanhada do pai, registrou boletim de ocorrência na delegacia da cidade, assim como fez a denúncia do caso à Corregedoria da Polícia Militar.

Nas imagens, o PM, cuja identidade não foi revelada e está em trajes civis, segura uma pistola e dá muitos chutes nas costas do jovem, que está caído num gramado e não consegue sequer levantar para fugir. De acordo com testemunhas, o agressor estava com uma mulher na praça onde ocorreram as agressões, quando o adolescente passou com uma moto acelerando, o que causa um ruído alto.

Incomodado com o ronco do motor da motocicleta, o agente resolveu se aproximar do menor que conduzia o veículo e passou a agredi-lo. No vídeo é possível ouvi-lo dizer “acelera, acelera, isso aí, acelera, porra”.

De acordo com a imprensa local, o PM é lotado no 5° Batalhão de Polícia Militar e atua no patrulhamento de Candeias do Jamari. As autoridades de Segurança rondonienses não se manifestaram até o momento sobre qual será a conduta adotada em relação ao caso.

Veja o vídeo:

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Assassino de Aracruz usava símbolo nazista no braço e é filho de PM que postou foto de Hitler

Adolescente invadiu duas escolas e assassinou três pessoas, além de ter deixado outras onze feridas.

O adolescente que invadiu armado duas escolas de Aracruz (ES) e que assassinou três pessoas, além de ter deixado outras onze feridas, nesta sexta-feira (25), promoveu o ataque utilizando um símbolo nazista em seu uniforme. Segundo a Rádio CBN Vitória, o atirador usava uma braçadeira de suástica no braço. Já imagens que circulam nas redes sociais dão conta de que a braçadeira seria de uma runa odal, também considerada um símbolo nazista.

O governador do estado, Renato Casagrande (PSB), confirmou nesta sexta (25) à tarde que o adolescente foi preso. Além de se manifestar sobre a prisão nas redes sociais, Casagrande anunciou luto oficial de três dias “em sinal de pesar pelas perdas irreparáveis”.

Pai PM e foto de Hitler

O pai do adolescente que promoveu o ataque às escolas é Policial Militar no Espírito Santo e, em sua conta no Instagram, exibe postagem do livro mais conhecido do nazista Adolf Hitler, “Minha Luta” (em alemão, Mein Kampf), acompanhado da mensagem “Ler é uma das chaves para expansão da consciência”.

Ataques

Em entrevista à Rádio CBN, o prefeito de Aracruz, Luiz Carlos Coutinho, disse que há outros professores em estado grave. De acordo com ele, no momento do ataque ao Colégio Estadual Primo Bitti os alunos estavam em seu horário de recreio. Então o atirador entrou na sala dos professores e efetuou os disparos.

Após sair da escola pública, o atirador se dirigiu a um colégio particular da cidade, acompanhado de outra pessoa, que teria lhe dado cobertura. Lá, fez novos disparos, onde tirou a vida de uma aluna de aproximadamente 12 anos. De acordo com Coutinho, além dela, um outro aluno quebrou o pé ao fugir do atentado e foi submetido a tratamento médico.

Dois suspeitos

A Polícia trabalha com dois suspeitos. Um, que já está preso, adentrou nas escolas e fez os disparos. Já o outro, do lado de fora, teria dado retaguarda ao atirador.

Após sair da escola pública, o atirador se dirigiu a um colégio particular da cidade, acompanhado de outra pessoa, que teria lhe dado cobertura. Lá, fez novos disparos, onde tirou a vida de uma aluna de aproximadamente 12 anos. De acordo com Coutinho, além dela, um outro aluno quebrou o pé ao fugir do atentado e foi submetido a tratamento médico.

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