Mês: janeiro 2026

Ninguém sabe qual será o próximo passo de Trump na Venezuela, muito menos ele

O que Trump disse ontem, esquece, hoje já está fora de moda.

Seguindo o padrão de suas tarifas, o balofo se perde na própria língua. Ele deve se inspirar nos napoleões de hospício. Sórdido, burro, é um lambão clássico, daquelas falas esculpidas do mais alto grau de estupidez.

O resultado é singular, porque o que ele disse ontem contrasta com aquilo que ele diz hoje e com o que dirá amanhã. No caso dele, é só uma troca de sardas e pés de galinha.

Sequestra o presidente da Venezuela e esposa e impossa sua vice desqualificando a líder da oposição venezuelana, dizendo que ela não tem graça, não tem voto, não tem popularidade, não tem p… nenhuma.

Esse é Trump, que mantém um romance com seu espelho 24 horas por dia, fazendo o governo dos EUA parecer uma lavanderia de roupa suja.

Com Trump é assim, não tem frescura, a merda que disse ontem se contrapõe ao que dirá hoje. E assim, a de hoje, amanhã vira verruga e a primeira fita que ele encontrar, enfeita um novo pavão.

O golpe que ele bolou para a Venezuela, dizem alguns analistas, foi urdido por muito muito tempo. Mas essa extrema dubiedade logo após o malfeito mostra que essa espécie de criatura vive dividida entre duas personalidades descadeiradas por sua própria falta de capacidade de gestão e de viver na base do improviso espetaculoso.

Tem que ser muito submisso a esse maluco de pedra para aturar suas marmeladas diárias.

Uma coisa é certa, o tal plano mirabolante que ele tramou, é uma escola de trapalhões que parece entrar num beco sem saída logo à frente, na segunda página da história.

Como o sujeito não preparou uma desculpa minimamente decente, tem que inventar um lero-lero a cada 5 minutos para justificar a corda o pescoço de Maduro.

Foi esse imbróglio que ele criou nesse tempo todo de plano de tomada de poder na Venezuela?

Trump vive de frase de efeito, festejando hoje o que expurgará amanhã. Fogueteia o alcance de uma glória e 1 hora depois expurga .

O fato é que, se Trump não sabe o que ele de fato quer, e isso está claro, ceifando todo e qualquer raciocínio lógico, só os tolos tentam reorganizar o discurso para “explicar esse animal”.


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Rússia denuncia tentativa de interceptação de navio russo pelos Estados Unidos

Empresa afirma que embarcação civil foi perseguida pela Guarda Costeira norte-americana em meio a tempestade, com risco extremo à segurança da tripulação

Um navio-tanque russo teria sido alvo de uma tentativa de interceptação por forças dos Estados Unidos no Atlântico Norte, em meio a condições climáticas severas. A denúncia envolve o navio mercante Marinera, que navegava sem carga durante uma forte tempestade, com ventos intensos, ondas elevadas e temperaturas próximas do congelamento.

De acordo com comunicado divulgado nesta terça-feira pela empresa russa BurevestMarin, proprietária da embarcação, o Marinera vem sendo perseguido há um período prolongado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos. Segundo o 247, a companhia afirma que, apesar das repetidas tentativas do capitão de informar a identidade do navio e seu caráter estritamente civil, a perseguição teria continuado, inclusive com vigilância aérea realizada por aeronaves de reconhecimento P-8A Poseidon da Marinha norte-americana.

A empresa sustenta que o navio navega em lastro, sem qualquer tipo de carga, e que não representa ameaça. Ainda assim, segundo a BurevestMarin, informações obtidas em fontes públicas indicariam que os Estados Unidos estariam planejando uma interceptação iminente da embarcação. Para a companhia, qualquer tentativa de abordagem por helicópteros ou de desembarque de tropas em alto-mar, nas condições atuais, configuraria um risco extremo.

O alerta se baseia no cenário meteorológico descrito pela empresa: ventos de até 20 metros por segundo, com rajadas fortes, ondas superiores a cinco metros de altura e temperaturas próximas ou abaixo de zero. Nessas circunstâncias, a BurevestMarin classifica uma eventual operação militar como “uma ameaça grave e injustificável” à segurança.


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Com suas platitudes modorrentas, GloboNews segue tratando Maduro como ditador e Trump como vingador

A GloboNews, a seu modo, está passando pano para o ataque dos EUA na Venezuela, que resultou no sequestro de Maduro e sua esposa.

Nem o número de vítimas civis fatais, dentro de casa, pelo Exército dos EUA, aqueles comentaristas, que passam o dia todo comentando platitudes sonolentas, ousam falar.

É muito bromato na massa para apresenar uma embalagem com conteúdo vazio aos velhos moldes de manipulação dos Marinho. O máximo que chegam é falar de an passam que Trump descumpriu leis e acordos internacionais, mas o tratam como um vilão boa praça, amigo da garotada, com uma aura de vilania café com leite, sendo apresentado como presidente dos Estados Unidos, enquanto o agredido e sequestrado Nicolás Maduro é diuturnamente tratado como um ditador que oprime seu povo.

Isso segue uma cartilha padrão pró-imperialista, marca inconfudível do império Globo, parceiro de décadas e propagandista oficial dos EUA no Brasil, sem falar que a Globo é a principal responsável pela representação da indústria norte-americana de cultura de massa e fomentadora do pior nicho cultural importado daquele país.

Não espere ouvir nada além de comentários sem qualquer importância no debate nacional sobre os atos do Exército norte-americcano e as consequências para a Venezuela e toda a América Latina.

A Rede Globo de Televisão nasseu com essa missão, a de ser a máquina de propaganda do império no Brasil.

Os comentaristas não podem deformar tanto os fatos, mas fazem pior, omitem informações como se fatos graves não tivessem acontecido na Venezuela a mando de Trump.

É um troço pavoroso. Com uma crítica meia boca a Trump e um martelete tilintando que o grande vilão da história é o próprio Maduro.

É inacreditável alguém se sujeitar a cumprir esse papel em nome da manutenção do emprego, mas essa é a condição sine qua non para fazer parte do colunismo da GloboNews.


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Estados Unidos mergulha de ponta-cabeça em sua própria merda e muda o status de acusação a Maduro de chefe do narcoterrorismo a um troço genérico sem pé nem cabeça

A justiça norte-americana, grosso modo, disse que Maduro não é o diabo, mas é parte do inferno venezuelano. Isso, depois que os Estados Unidos esqueceu o que havia dito dias atrás sobre uma suposta organização criminosa hierarquizada, em que Maduro seria o líder máximo de um grupo narcoterrorista.

A história, que já era debiloide, de tão ridícula, ganha conntornos de patética e oca. Nada faz sentido. Esqueceram do que falaram ontem, num duelo com eles próprios.

Sabe como é né, bang bang americano nesse neofaroeste vive de estrondos. Nesse caso, Maduro não é mais considerado narcoterrorista, sarou.

Ou seja, a inteligância, a justiça e o governo Trump deram calote na tipografia de suas fábulas.

O assunto delito, agora, diante das cavalgaduras norte-americas, não conseguiu sequer explicar Maduro como chefe da tropa narcoterrorista, a solução é acusá-lo de narco não terrorista.

Para ter um fim mais trágico e, sem ter que demonstrar qualquer remorso, diz que ele é parte de um sistema formado em rede sem hierarquia. Em outras palavras, Maduro é somente parte de uma sopa rala de criminosos.

Isso nos deixa a matutar, que tipo de lombriga habita o intestino dessa gente.

Depois de Trump subir no pódium de campeão e se auto medalhar, pouca ou nenhuma versão de sua história caricata inspiraria o pior dos roteiros do pior filme trash.

Em certa medida, isso explica por que a sociedade norte-americana, numa clara crise identitária e civilizatória, colocou na Presidência da República por duas vezes, uma topeira que se iguala mentalmente a Bolsonaro.


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ONU diz que invasão dos EUA na Venezuela torna o mundo menos seguro

A porta-voz Ravina Shamdasani afirmou que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, representa uma violação do direito internacional. Ela destacou que a ação prejudica a arquitetura da segurança internacional e torna o mundo menos seguro, enviando a mensagem de que países poderosos podem agir sem limites.

“A comunidade internacional deve deixar claro que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela é uma violação do direito internacional que torna o mundo menos seguro. Longe de ser uma vitória para os direitos humanos, esta intervenção militar prejudica a estrutura da segurança internacional e torna todos os países menos seguros.”

Os EUA conduziram uma operação militar surpresa em Caracas, com ataques aéreos e uma incursão de forças especiais que capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Eles foram levados para os EUA para julgamento por acusações de narcoterrorismo.

O presidente Donald Trump justificou a ação como operação de aplicação da lei contra o tráfico de drogas e anunciou interesse no petróleo venezuelano, declarando que os EUA administrariam o país temporariamente.

Reações Internacionais

A declaração do OHCHR reflete preocupações amplas na ONU, incluindo do secretário-geral António Guterres, que chamou a ação de “precedente perigoso”.

Países como Brasil, China, Rússia, Cuba e vários da América Latina condenaram a intervenção como violação da soberania.
Alguns, como Argentina (Javier Milei), celebraram a remoção de Maduro.

Essa posição da ONU enfatiza que, independentemente das críticas ao regime de Maduro, intervenções unilaterais armadas sem autorização do Conselho de Segurança violam a Carta da ONU e enfraquecem a ordem internacional. Fontes como Reuters, Guardian, CNN Brasil e sites brasileiros (Poder360, G1, Infomoney) confirmam a declaração de forma consistente.


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A decadência norte-americana já passa de meio século, mesmo com todas as atrocidades que cometeram pelo mundo

É lógico que alguém ganha com as invasões, guerras, genocídios e destruição em massa provocados pelos Estados Unidos, mas não é o país.

A decadência norte-americana berra aos quatro cantos do mundo não só pela ascensão de países asiáticos, como China, Japão, Coreias do Sul e do Norte, quem está matando os EUA é o próprio.

Detroit virou uma sucata depois de ser considerada o eldorado do capitalismo por cultura única e exclusiva da política predatória dos EUA e, se houve alguma recuperação, mais fantasiosa do que real, ela segue catando cavaco. O que é pior, os bilionários, que sugam vários países mundo afora, têm os próprios EUA como sua principal vítima que, certamente, se transformará em pouco tempo num grande cemitério industrial.

A atual desindustrialização norte-americana, que segue produzindo a ruína do país, não teve quelquer reversão com as políticas alopradas de Trump.

Assim como o roubo do petróleo da Venezuela também não fará qualquer mudança na derrocada tsunâmica do império em franca decadência há mais de meio século.

O slogan de Reagan, em 1981, já apontava que o país estava mal das pernas, que tropeçava em seu próprio calcanhar de aquiles.

De lá para cá, promoveram uma política de terra arrasada em vários países de vários continentes, e nada de bom aconteceu com as terras de tio Sam, a ponto de, em plena pandemia não só depender da China para fabricação de respiradores, mas também de algo até primitivo, máscaras para a própria população.

Os Estados Unidos estão afundados numa dívida pública que os levará à bancarrota e arrastará com ele boa parte do mundo. Não haverá exército, drones, bomba atômica que salvarão o ex-império.

A frase de Reagan “Make America Great Again”, “Torne a América grande novamente”, já mostrava que a economia norte-americana já estava em modo desespero. Daí a globalização neoliberal que acabou por servir muito mais à economia, na época, ainda periférica, da Chins para se transformar na grande potência econômica do mundo, de quem os EUA são cem por cento dependentes, até para produzir seus cacos industriais.

Dos sistemas, o que interessa é o resultado concreto, por isso, chega a ser cômico o clichê de Trump, decalcado de Reagan, para desglobalizar a economia, “Make America Great Again”.

Isso mostra como os EUA estão perpetuando sua derrocada, num Estado marasmático, estúpido e autoaniquilador.

Os Estados Unidos, nesse último meio século, está de fato inclinado a se autodestruir com uma montanha cumulativa de absurdos que desempenham papel crucial na tragédia estadunidense, mas parecem insistir nesse autoflagelo.

O tempo de 50 anos não abriu os olhos dos norte-americanos, porque seguem na sua autosabotagem com um vigor trumpista impressionante.

O petróleo, que já foi o sangue da economia daquele país e alvo da indústria moderna e aé mesmo a eficiência do seu poder militar de sobeania e dominação, hoje, mostra uma fúria às avessas.

O ex-império do mundo, por meio de um Exército dominado por uma lógica de autofagia, parece que desenvolveu uma ténica infalível de proteção que, ao fim e ao cabo, está conduzindo à autodestruição.

Todos os atos mais elementares da vida econômica do país, viraram pó, com consequências absolutamente nefastas, além da total falta de eficiência, fácil de ser tratorado por qualquer país minimamente organizado na geopolítica global.

Enfim, é só pegar os dados das últimas cinco décadas e, logicamente, de todas as guerras promovidas pelos EUA para servir a seus interesses, não se importando com qualquer traço humano e civilizatório de outras populações, para concluir como chegaram a isso.


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Jerusalem Post: EUA estudam intervenção no Irã após operação na Venezuela

Washington considera ajudar na derrubada do governo iraniano apoiando protestos, enquanto Israel estuda se captura de Maduro abre caminho para ação semelhante contra Teerã

Os Estados Unidos estão considerando uma intervenção direcionada para apoiar os manifestantes no Irã, enquanto Israel estuda se sua recente ação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro poderia criar um precedente aplicável ao governo iraniano, segundo informações do Jerusalem Post obtidas de diversas fontes.

O Irã vem vivenciando uma onda de protestos há vários dias, motivados pela tensa situação econômica e pela desvalorização da moeda nacional.

O artigo detalha que, inicialmente, Israel acreditava que os protestos contra o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, não eram grandes o suficiente para forçar uma mudança de governo. No entanto, a decisão de Washington de intervir na Venezuela provocou uma reavaliação estratégica em Jerusalém.

Paisagem em transformação
Embora as manifestações por si só sejam consideradas insuficientes para derrubar Khamenei, a possibilidade de fornecer assistência concreta ao movimento de oposição está sendo ativamente explorada. O Mossad israelense admitiu publicamente estar prestando auxílio aos manifestantes no terreno. Da mesma forma, a Ministra da Ciência e Tecnologia, Gila Gamliel, pediu ações concretas, e não apenas palavras de apoio.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião especial de segurança após a agressão militar dos EUA na Venezuela, e o ex-ministro da Defesa Benny Gantz pediu explicitamente uma intervenção.

Essa mudança marcante contrasta fortemente com a posição adotada em junho, quando tanto os EUA quanto Israel se opuseram à busca por uma mudança de regime no Irã, concentrando seus esforços no programa nuclear de Teerã. No entanto, eventos recentes alteraram o cenário. Embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, fontes indicam que uma intervenção limitada está sendo considerada como uma opção viável para evitar a repressão aos protestos e permitir que o movimento cresça, sem recorrer a uma invasão militar em larga escala.

A agressão dos EUA e o sequestro de Maduro
Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma grande agressão militar em território venezuelano no último sábado, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Caracas descreveu as ações de Washington como uma “agressão militar muito grave” e alertou que o objetivo dos ataques “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país”.

O presidente e a primeira-dama da Venezuela foram transferidos para o país norte-americano e estão atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova Iorque.

Maduro declarou-se inocente em sua primeira audiência perante o Departamento de Justiça dos EUA no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina do país sul-americano.

Diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.

*Opera Mundi


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Petróleo e poder: Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador

Por Bruno Fonseca – Agência Pública

Petróleo ou poder? Esses dois aspectos ficaram evidentes na fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando tentou justificar o ataque ilegal à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro durante o pronunciamento de quase uma hora feito no sábado, 3 de janeiro, na Flórida.

“Vamos reconstruir a infraestrutura de petróleo, o que vai custar bilhões de dólares. Isso será pago diretamente pelas empresas petrolíferas. Elas serão reembolsadas pelo que estiverem fazendo, mas tudo isso será pago, e vamos fazer o petróleo fluir como deveria […] Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão”, disse Trump, deixando esdruxulamente explícito o interesse dos EUA – e das empresas petrolíferas – em entrar na Venezuela.

Além de falar quase 20 vezes a palavra petróleo (oil, em inglês) Trump também sinalizou o que significa para os EUA destituir Maduro e decidir como o país deve ser governado: “A Venezuela tem muitas pessoas ruins lá dentro, muitas pessoas ruins que não deveriam liderar. Não vamos correr o risco de uma dessas pessoas assumir o lugar de Maduro […] Precisamos de países seguros ao nosso redor”, falou.

Para o economista e co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), Mark Weisbrot, essa dupla de palavras “petróleo e poder” explica o que motivou a ação ilegal dos EUA na Venezuela, mas também serve para ilustrar as visões dos dois homens que mais têm controle sobre a política externa dos EUA atualmente: o próprio Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.

“Para Trump, trata-se de petróleo. Mas, para Marco Rubio, a questão é muito mais a mudança de regime […] E não se trata apenas de Cuba e Venezuela; eles querem transformar toda a região”, explica, em entrevista para a Agência Pública.

Weisbrot avalia que Rubio é um dos principais defensores do projeto de que os EUA interfiram cada vez mais em países da América Latina, sob a lógica da Doutrina “Donroe”, para destituir adversários e manter apenas os governos que sejam subservientes a Washington. Nesse plano, alvos prioritários seriam Cuba e Colômbia (cujo presidente foi ameaçado diretamente por Trump), mas Brasil e México também estão no radar – mesmo que seja improvável que os EUA atuem da mesma forma nesses países como fizeram na Venezuela.

“[Nas últimas décadas] Os Estados Unidos lançaram esforços de mudança de regime contra quase todos os governos social-democráticos, incluindo o Brasil […] Eles não querem que nenhum país tenha poder. E isso também é verdade para [a relação dos EUA com] Lula. Eles não gostaram que Lula não se alinhasse com seu projeto geopolítico, que é um projeto de dominar todos os governos que eles possam”, analisa.

Leia a entrevista completa a seguir.

Na sua visão, qual é a motivação central por trás do ataque dos Estados Unidos? É o petróleo? A geopolítica internacional? Algum outro fator?

Para Trump, trata-se de petróleo. Ele afirmou isso repetidamente… Mas para Marco Rubio [secretário de Estado dos Estados Unidos], a questão é muito mais sobre mudança de regime: ele vê essa mudança como um passo rumo ao seu sonho de toda a vida de promover uma mudança de regime em Cuba.

Essa operação de mudança de regime na Venezuela já dura 25 anos; documentos do Departamento de Estado dos EUA de 2002 reconhecem o papel substancial dos Estados Unidos no golpe daquele ano [na época, uma tentativa fracassada de golpe tentou retirar o presidente Hugo Chávez do poder]. E isso tem muito mais a ver com poder do que com petróleo. E esses esforços de mudança de regime continuaram de forma ininterrupta até hoje.

Com as maiores reservas de petróleo do mundo, o que de fato poderia mudar para os Estados Unidos, em termos de acesso ao petróleo, caso se consolide uma mudança de regime na Venezuela?

Não acho que vá haver muito interesse imediato por parte das empresas petrolíferas americanas na Venezuela, porque a situação é instável demais, e o próprio governo Trump é muito instável no que diz respeito ao que pode fazer a seguir.

Por que os Estados Unidos não tentaram negociar a questão do petróleo com Maduro, que desde o início disse que não queria um conflito?

Trump e seu enviado presidencial especial, Richard Grenell, de fato tentaram negociar a questão do petróleo com Maduro; não está claro por que isso não teve sucesso, mas é possível que a pressão contínua de Rubio por uma mudança de regime e outras abordagens mais violentas façam parte da resposta.

Houve uma grande diferença entre Rubio e Trump nesse ponto. Trump estava interessado no petróleo, e Rubio queria mudança de regime. E assim, segundo relatos da imprensa, por exemplo, do New York Times – enquanto Trump oscilava entre tentar negociar um acordo petrolífero com Maduro ou tentar derrubá-lo – Rubio parecia estar, de acordo com relatos de pessoas que falaram com ele, tentando convencer Trump de que a melhor forma de obter o petróleo seria por meio de uma mudança de regime.

O quão central é para os EUA de Trump ter acesso a reservas adicionais de petróleo e gás?

Os Estados Unidos são exportadores líquidos de mais de 800 milhões de barris de petróleo por ano e, portanto, não precisam ter acesso ao petróleo venezuelano. Mas Trump não aceita que o clima global esteja, de fato, mudando como resultado dos combustíveis fósseis; por isso, por várias razões, ele busca aumentar a produção de combustíveis fósseis nos Estados Unidos.

Uma possível razão pela qual o acesso ao petróleo venezuelano poderia ser importante para Trump: é amplamente visto que Trump acumulou bilhões de dólares por ter sido presidente, um fenômeno sem precedentes nos Estados Unidos.

Assim, é concebível que Trump veja o petróleo como mais um grande investimento que poderia beneficiar a ele e à sua família.

Para além do petróleo, quão importante é para Trump afirmar influência na América Latina como parte de sua agenda geopolítica? Como a Doutrina “Donroe” e o confronto com a influência chinesa entram nessa ação?

Bem, para Rubio isso é realmente importante. E não se trata apenas de Cuba e Venezuela — ele e seus aliados na administração Trump e no Congresso querem transformar toda a região. Cuba e Venezuela são apenas parte dessa transformação.

É importante lembrar que, no século 21, em determinado momento da primeira década, a maior parte do Hemisfério Sul viveu sob governos de centro-esquerda, em sua maioria social-democratas. Alguns eram conhecidos como socialistas, mas, na prática, governaram como social-democratas.

Economicamente, os governos de centro-esquerda foram muito bem-sucedidos, reduzindo a pobreza na região de 44% para 28% entre 2002 e 2013, após 20 anos sem nenhum avanço nesse campo. Não é que o governo dos EUA fosse contra a redução da pobreza; ele simplesmente não queria tolerar a independência nacional de que os governos latino-americanos precisavam para produzir esses resultados. E isso é ainda mais verdadeiro hoje, com pessoas como Rubio e Trump no comando.

No século 21, os Estados Unidos lançaram esforços de mudança de regime contra quase todos os governos social-democratas da América Latina, incluindo o Brasil.

Lula observou que o governo dos EUA trabalhou para ajudá-lo a ser preso em 2018, para que não pudesse concorrer à Presidência naquele ano. Eles também ajudaram e apoiaram o impeachment de Dilma. E eu poderia passar horas falando sobre todos os governos democraticamente eleitos na América Latina que os EUA tentaram derrubar apenas no século 21: incluindo o apoio a golpes de Estado que removeram presidentes na Bolívia, em Honduras e no Haiti; e que tiveram um enorme impacto negativo sobre democracias de centro-esquerda na Argentina, no Paraguai e em outros países.

Apenas algumas semanas atrás, eles inclusive interferiram na eleição hondurenha [no fim de 2025], com Trump dizendo de forma muito contundente que Honduras seria punida se o eleitorado não votasse no candidato escolhido por Trump. É claro que a administração Barack Obama também apoiou o golpe em Honduras em 2009.

Mas a Venezuela tem sido o principal alvo de mudança de regime na América Latina – e um dos principais alvos no mundo – durante a maior parte dos últimos 25 anos, com algumas exceções, como a guerra do Iraque.

E o país pagou um preço horrível por isso em termos de morte e sofrimento. As sanções dos EUA causaram a maior parte da pior depressão econômica em tempos de paz da história, na Venezuela, com dezenas de milhares de vidas perdidas apenas no primeiro ano das sanções de Trump, em 2017 e 2018; e muito mais do que isso nos anos de 2018 a 2022.

Trata-se de petróleo, mas muito mais de poder, porque a Venezuela, com 300 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, sempre será um país com influência. Em certo momento, na primeira década do século 21, ela estava fornecendo mais ajuda externa a países da América Latina do que os Estados Unidos. E é isso que o governo dos EUA não quer.

Eles não querem que nenhum país tenha o poder – sobretudo – de perseguir, especialmente em grupo, uma política externa independente dos Estados Unidos. E isso também tem sido verdadeiro na relação dos EUA com Lula. Eles não gostaram do fato de Lula não se alinhar ao projeto geopolítico deles, que é um projeto de dominação de todos os governos que conseguirem.

Trump afirmou, em uma entrevista à Fox News, que algo teria de ser feito em relação ao México, citando as atividades de grupos de tráfico de drogas. Quanta realidade você vê nessa ameaça?

Bem, Trump está ameaçando o México, não há dúvida quanto a isso; Rubio provavelmente veria Sheinbaum como um problema, porque ela é uma presidente independente e reconhece, assim como os outros governos independentes remanescentes da região, o quanto a soberania nacional é importante. Novamente, trata-se de poder.

Portanto, eles não a percebem como alguém do lado deles, mas ela tem sido cuidadosa em administrar sua relação com a administração Trump, e Rubio sabe que uma operação de mudança de regime ali seria difícil e potencialmente muito confusa. Ainda assim, eles ameaçaram realizar ações militares dentro do México, e nunca se sabe quando podem considerar útil, para seus próprios objetivos, fazer isso.


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Chavismo segue no poder, bolsonarismo comemora só as bombas dos EUA

Nicolás Maduro foi sequestrado em uma invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos, mas o regime chavista não caiu. A vice transformada em presidente interina, Delcy Rodríguez, mandou uma mensagem clara aos EUA, de que quer trabalhar em conjunto, o que inclui a exploração de petróleo, enquanto garante apoio interno criticando o ataque dos EUA.

Se as empresas norte-americanas tiverem acesso ilimitado aos hidrocarbonetos e Washington trouxer Caracas para a sua esfera de influência, decidindo quem pode comprar ou não o petróleo venezuelano, ordenando o aumento e a produção de barris (o que afeta o preço internacional) de acordo com suas necessidades e reduzindo a presença da China e da Rússia, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio podem se dar por satisfeitos, pelo menos neste momento.

O chavismo terá que fazer uma correção de rumo para sobreviver, abandonando a polarização com os EUA. Mas a sua estrutura, seus protagonistas, a presença dos militares controlando várias camadas da economia e da vida cotidiana e, provavelmente, violações de direitos, continuam.

É sobre petróleo e geopolítica. Drogas e democracia são apenas a purpurina jogada em cima para brilhar aos olhos do público interno e da extrema direita global.

Aqui, no Brasil, de presidenciáveis, passando por líderes políticos e religiosos até chegar a cidadãos comuns, não são poucos os que saudaram a queda do regime chavista. Mas que queda?

Os EUA apresentam seu storytelling para justificar que são os picas das galáxias e, por isso, abduziram o autocrata facilmente. Mas foi tão fácil que tudo isso tem cheiro de acordão, do tipo: entregou-se o anel do Maduro, que está sendo exposto de forma humilhante como troféu, para manter os dedos.

Na prática, Delcy Rodríguez, que é vice desde 2018 e faz parte da chapa presidencial que fraudou as últimas eleições, segue no poder. E, principalmente, continuam o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, e Diosdado Cabello, ministro do Interior e Justiça. O primeiro continua comandando as tropas e o segundo, as forças de segurança. Não é que os EUA desmantelaram o poderio militar da Venezuela; ele não foi devidamente acionado neste final de semana.

Maria Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz apesar de ser uma das principais defensoras de uma invasão norte-americana na Venezuela, foi descartada, pelo menos por enquanto, por Trump. Ele falou, com todas as palavras, que ela é gente boa, mas não impõe respeito do seu próprio povo. O que é um lembrete: cuidado em tentar ser vassalo, você pode conseguir. Nesse sentido, as chances de Edmundo González, aliado de Corina que disputou as eleições com Maduro, são baixas.

Rodríguez foi fundamental nas negociações para que a Chevron operasse em seu país e sabe mesclar pragmatismo geopolítico e econômico e manter excitada sua base com a retórica do chavismo.

Ainda é muito cedo para entender o que virá pela frente, até porque estamos falando de Trump. Mas corre risco, por enquanto, de a extrema direita brasileira estar celebrando apenas o bombardeio da América do Sul por uma potência estrangeira, não o retorno da democracia na Venezuela.

*Sakamoto/Uol


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Equipe de segurança de Maduro foi morta a sangue frio, diz ministro

Equipe de segurança de Maduro foi morta a sangue frio, diz ministro

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse neste domingo (4) que boa parte da equipe de segurança de Nicolas Maduro foi morta “a sangue frio” durante o ataque perpetrado pelos Estados Unidos, no sábado (3), que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.

“Soldados, soldadas e cidadãos inocentes”, disse Padrino, sem citar nomes ou números específicos. A declaração foi feita em vídeo, em que o ministro aparece acompanhado de membros das Forças Armadas do país.

Ao ler um comunicado oficial, Padrino rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a liberação de Maduro, que está detido em Nova York, sob acusação de narcoterrorismo.

Entenda
No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

O ataque marca um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.

O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

*Agência Brasil


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