Ano: 2026

Carnaval é tão democrático que até Vera Magalhães arrisca dar opinião

Uma jornalista, que tem como profissão ser rapapé da elite brasileira, ter opinião sobre uma festa popular, sobretudo desfile de escolas de samba, onde os protagonistas, na imensa maioria, são das camadas pobres da população, é de fazer pensar.

Vera Magalhães, a mesma que disse, às vésperas da eleição de 2018, na disputa entre Haddad e Bolsonaro, era uma “escolha difícil” e, em 2022, num debate, foi chutada pelo mesmo Bolsonaro quando dirigiu sua pergunta a ele, é outra que sonha com o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para colocar a culpa em Lula.

Sim, na direita, a coisa está tão feia que anda nesse nível por não ter qualquer projeto de país para se opor ao PT, então, carnavaliza tudo como um desfile de insanidades nada elegantes, saídos da cachola de gente do mesmo naipe como Vera Magalhães, Silas Malafaia, andreazza, Merval, assim como Edir Macedo e Valadão, padrinho de Vorcaro, do Banco Master.

Para essa gente, não importa o tema do enredo, só o da Acadêmicos de Niterói, mais precisamente nas alas em que exalta Lula e detona Bolsonaro. São os ratos de salão debatendo as manifestações do asfalto.

Essa gente, que não tem afinidade racia, política e cultural com a escola de samba, resolveu pintar seu provincianismo nas telas multifacetadas do próprio carnaval, sem abrir mão do temperamento carregado de ódio contra o povo que desfila no maior espetáculo da terra

A sobrevivência dessa gente, seja no campo “espiritual ou jornalística”, depende da distorsão dos fatos, dos intermúndios que povoam as sombras e larvas dessas almas errantes, que desonram tanto o papel do jornalismo quanto o das religiões e da religiosidade do povo brasileiro.

Muito a contragosto esses jornalistas tivram que assistir ao fesfile, quando, na verdade, gostariam mesmo é de bejar os pés dos figurões do mercado, dos “donos da terra”, da Faria Lima/fintechs/PCC, mostrando a carnavalização no sentido pejorativo das redações do baronato midiático e dos templos comandados pelos charlatães do falso cristianismo, que formam a grande alegoria da direita brasileira.


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Mais que um candidato ao quarto mandato da Presidência da República, Lula é um sentimento nacional

A história de Lula é pura poesia, é a encarnação do povo brasileiro em sua diversidade cultural, política e social.

Há quem ache isso um acinte, um abuso de quem veio do nada, da fome mais cruel e seca à condição inegável do maior líder da geopolítica global.

Trump achou Lula simpático, carismático e objetivamente positivista além de humano nas causas mais caras aos que sofrem pela fome, pela guerra, pela ganância de quem aproveita das guerras para produzir fome e desumanização em nome da ganância. Ainda assim, Lula fala com todos, inclusive com os senhores da guerra e da fome, como Trump, que está longe de ser um déspota exclusivo, dentro e fora dos EUA.

O império americano, hoje, em franca decadência, é o resultado de um punhado de presidentes que, em maior ou menor grau, produziram tragédias e desgraças humanas para se apropriar de uma coroa capitalista capaz de esmagar quem a desafiasse ou simplesmente quem desagradasse os supostos reis do neocolonialismo contemporâneo.

Ainda assim, Trump, de boca própria, fez questão de dizer na tribuna de honra da ONU, para a morte em vida dos bolsonaristas, que Lula é o cara.

Sim, Trump usou outras palavras para decalcar a frase de Obama.

Mas o que há de tão especial em Lula para ser tão amado e querido dentro do Brasil e tão admirado mundo afora? A própria expressão do povo brasileiro, a cordialidade genuína do cidadão comum, invisível para as escalas do poder privado do mecado, aqueles que não entendem o sentido da vida que, infalivelmente, nasce e morre.

Essa simples sabedoria popular, tão inequívoca, é que produz o poduziu na Avenida a Acadêmicos de Niterói, uma homenagem a seu próprio espelho.

Afinal, o que é a arte senão a inexorável expressão do humano a partir de sua própria identidade cultural?

Entendo que é difícil para as cabeças colonizadas desse país de classe dominante antinacional compreender isso e agirem como agem contra Lula na disputa pelo poder contra quem de fato representa o povo, suas crenças e seus sentimentos, sua forma de ser, de viver e de existir.


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Merval sopra o apito de cachorro da Globo convocando o bolsonarismo para destilar ódio contra Lula

Merval não é somente aquele bigodinho escrotinho, ele é a voz oficial dos Marinho, os mesmos que atacaram pesadamente Brizola, por ter construído o Sambódromo, a pedido de Darcy Ribeiro e arquitetura de Niemeyer, um espaço que se transformou no pavilhão que abriga o maior espetáculo da terra, o desfile das escolas de samba, ponto alto do carnaval brasileiro.

Isso é muito para a Globo, o império que nasceu da parceria entre a ditadura militar e Roberto Marinho.

Não há outro enredo a ser dito sobre a maior inimiga da cultura brasileira de todos os tempos, a mais totalmente racista, antipobre e antipetro rede de comunicação que, de maneira acelerada, vem perdendo sua hegemonia para a própria coletividade, formada pela massa do povo.

Tudo isso junto gera artigos descaradamente cínicos do quadro soberbo de manchetes negativas contra Lula, eivadas de ódio como uma sobrecarga do bolsonarimso mais filosófico já pensado no Brasil.

Por mais que os Marinho tentem usar alegorias, súmulas, exposições figuradas para exploração financeira do carnaval brasileiro, sobretudo no sambódromo com o colorido magistral das escolas, nas suas evoluções retóricas, fora da caravela colonialista, o quadro noturno do submundo global opera com um culto macabro contra a própria população brasileira.

Por isso o clarão de luz jogado na história de Lula e nos crimes de Bolsonaro pela Acadêmicos de Niterói, deixou a grande mídia furibunda, pois seu desenho traz o vigor de uma cultura protagonizada pelos negros, insuflando uma cena de rara beleza em que a cultura negra, em sua plenitude, fosse apresntada como a própria guardiã da maior expressão cultural brasileira, admirada por todo o planeta.

A ideia da malta golpista era a de ser extremamente antiLula para desclassificar um presidente da República em busca de uma ridícula cassação de sua candidatura à reeleição e, na mesma cena, fazer recair sobre um desfile de filosofia e fisionomia negra os rescaldos desse ataque a Lula.

O fato é que nunca uma pintura foi tão certeira, ainda mais quando, no mesmo desfile, se compara Lula com Bolsonaro que, diga-se de passagem, jamais recebeu dos Marinho uma linha crítica por ter devolvido o Brsil ao mapa da fome em quatro anos, com 34 milhões de miseráveis vivendo abaixo da linha da pobreza.

Para eles, não importa a fome que o povo passava na fila do osso, mas sim a condenação e prisão de Lula sem provas de crime, forjadas pelo herói forjado da Globo, Sergio Moro.

Na verdade, aquele Basil da fome que Bolsonaro que obrigou uma multidão de brasileiros a trajar, foi a paisagem dominante que Bolsonaro carregou como missão da oligarquia da qual a Globo é parte.

Merval Pereira, o mais falso, o mais totalmente reacionário escriba do Globo, senão de toda a mídia brasileira, dedica-se quase exclusivamente seu tempo para vomitar ódio a Lula em cada ponto e vírgula de seus enfadonhos e repetitivos ataques ao presidente da República.

Na realidade, o aboletado, que sempre defendeu a Babilônia neoliberal, é a própria interpretação do que vai na cabeça dos Marinho, na tela e nos jornalões impressos e digitais, até por afinidade racial e moral da classe dominante brasileira.

Então, fica assim, como dizia Brizola, nessa guerra entre Globo e sociedade, nós, como povo, estaremos sempre do lado oposto do velho mundo dos Marinho.


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Receita vê indícios de que servidor entregou dados sigilosos a terceiros

Apuração aponta acessos irregulares a sistemas do Fisco e motivou operação da PF em três estados.

A Receita Federal encontrou indícios de que um servidor do Serpro (empresa estatal de processamento de dados) cedido ao Fisco está envolvido na quebra de sigilo de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares. De acordo com apuração inicial, o servidor, lotado no Rio de Janeiro, teria acessado irregularmente os sistemas da Receita e entregue dados para outras pessoas.

Ainda não há informação sobre o nome do suspeito ou sobre a identidade de quem teria recebido o material.

A notícia de vazamento de dados da Receita ocorre na esteira do caso do Master, liquidado pelo Banco Central no ano passado e que já levou a operações da Polícia Federal em Brasília, São Paulo e outros estados.

De acordo com a apuração inicial, o funcionário já era alvo de outra investigação da corregedoria da Receita e da Polícia Federal sobre vazamento de dados.

Foi detectada uma sobreposição do mesmo servidor nos dois casos, o que fez as autoridades acelerarem a operação realizada na manhã desta terça-feira (17). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

O rastreamento feito pela Receita permitiu identificar acessos indevidos, quanto tempo durou a visualização das páginas e se os dados do Fisco foram baixados ou impressos.

O mapeamento dos acessos também levou em conta as pessoas que tinham autorização para entrar no sistema por meio de procuração.

Lista envolve mais de 100 pessoas
Um robô foi utilizado para fazer o levantamento nos sistemas e verificar a quebra de sigilo de ministros e seus familiares (mães, pais, cônjuges e filhos). Trata-se de uma lista que envolve mais de 100 pessoas, como revelou a Folha de S.Paulo.

A primeira parte do levantamento da Receita foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, que havia solicitado as informações. Foi com base nessa informações que a operação foi autorizada.
Moraes foi informado de que houve acesso à declaração da sua esposa, a advogada Viviane Barsi.

O escritório dela foi contratado pelo Master por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição, de acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo em dezembro.

Outros integrantes da Corte também foram informados que dados dos seus familiares foram consultados irregularmente. Estão na lista de possíveis alvos dos acessos indevidos as ex-esposas do ministro Dias Toffoli, Roberta Rangel, e de Gilmar Mendes, Guiomar Feitosa.

De acordo com a Receita, o STF solicitou ao órgão em 12 de janeiro uma auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos três anos. O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal, com base em notícias veiculadas pela imprensa.

Segundo a Receita, desde 2023 foram ampliados os controles de acessos a dados, com forte restrição aos perfis de acesso e ampliação de alertas. Foram concluídos sete processos disciplinares no período, com três demissões e sanções nos demais.

A Receita ainda tem dez processos administrativos em andamento, de acordo com pessoas a par do tema.

*ICL


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Os infiltrados na Receita e o jornalismo lavajatista

O auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes, um dos servidores acusados de invadir o sistema da Receita para vazar dados de ministros do Supremo e familiares, tem salário de R$ 38.261,86. É o que informa o jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles.

O que eu, tu, todos nós queremos saber agora é para quem os dados eram vazados no esquema lavajatista de cerco a Alexandre de Moraes e ao STF.

Esses dados chegavam a alguém que centralizava a distribuição das informações. Tem jornalista envolvido? Pode ter. E aí teremos uma longa discussão sobre o direito do acesso a informações, mesmo as obtidas de forma criminosa.

Jornalistas podem dizer que não sabiam que eram informações ilegais (o que será uma desculpa furada) e que esquemas criminosos são denunciados muitas vezes a partir de ações criminosas.

Poderão alegar que, para chegar às movimentações de ministros e seus parentes, alguém se infiltrou na Receita e depois passou os dados a alguém que os repassou aos jornalistas.

Vamos ao exemplo histórico desse tipo de ação criminosa. Sergio Moro permitiu que a Polícia Federal grampeasse Dilma, em março de 2016. O objetivo era grampear Lula.

O conteúdo do grampo criminoso foi repassado por Moro a alguém da Globo, que o exibiu no Jornal Nacional. O que aconteceu com a Globo? Nada. E com o ex-juiz? Nada. Porque as vítimas eram Dilma e Lula.

É possível que os vazamentos de agora, de dentro da Receita, que municiavam os novos lavajatistas contra o Supremo (com o apoio de parte das esquerdas), também sejam vistos como ‘normais’.

E o baile segue, com todo mundo dançando bem agarradinho a Flávio e Michelle Bolsonaro, a Sergio Moro e aos fascistas em geral. Tem jornalista dançando bem coladinho.

Bandidagem ativa
A operação contra os invasores de dados da Receita vai oferecer mais uma prova de que a extrema direita continua atuando como quadrilha dentro das estruturas de Estado, apesar de ter perdido a eleição e fracassado no golpe.

Até o estagiário da Abin sabe que o fascismo mantém suas engrenagens golpistas funcionando, dentro e fora do setor público.

*Moisés Mendes/DCM


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Michelle tromba de frente com Bolsonaro através de seus reborns

O clã Bolsonaro é um califado em que o próprio Bolsonaro manda e comanda as ações de cada um dos filhos. Todos, sem exceção, rejubilam todas as pinturas impostas pelo pai.

Do ponto de vista intelectual, moral, político e outras banalidades além do patrimônio familiar, controlado por mão de ferro pelo Jair, seus filhos, na verdade, não existem além do CPF. Não têm vida própria,  nunca tiveram. São peças de um arquitetura política criada por Bolsonaro para garantir que seu sangue ampliasse espaço no poder e, consequentemente, no banco.

Isso não é um truque, é uma dominação rude, medieval, bárbara de um sujeito que sempre operou dessa forma na vida de cada filho.

Michelle, mais do que ninguém, sabe disso. Então, quando ela desautoriza os filhos de Jair, que estão no topo da corte, logo desautoriza o próprio rei, hoje, caquético e preso na Papuda por tentativa de golpe e assassinato de Lula, Alckmin e Moraes.

Mais do que isso, Michelle antecipa sua ação política contra esse mesmo califado, antes até de Flavio se tornar de fato candidado à Presidência da República, afirmando que não o apoiará e menos ainda Carluxo para o Senado em Santa Catarina, já que Eduardo está inelegível e Jair Renan nada disputa.

A impressão que se tem é a de que Michelle não se sente plena somente com a prisão de Bolsonaro, é nítido que ela não quer deixar pedra sobre pedra para que Bolsonaro possa, de alguma forma, usar como degrau ao mundo político, mesmo de maneira decorativa.

Os motivos disso, que estava totalmente fora do radar especulativo, ninguém sabe, até porque muitos não se deram conta desse racha total entre Michelle e Bolsonaro.

Seja como for, o que se lê na grande mídia, é o afastamento de Michelle do principal núcleo político de Bolsonaro sem esconder sua oposição a todo o califado.


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O bambuzal de Cármen Lúcia e os novos ventos da política

Luis Nassif

É mais uma demonstração do estilo Cármen Lúcia: um bambuzal que se verga conforme os ventos da cobertura jornalística.

Nas eleições de 2026, uma atuação isenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estará ameaçada por sua atual presidente, a ministra Cármen Lúcia, e, posteriormente, por seu sucessor, Kassio Nunes Marques. Ouso afirmar que os maiores riscos residem em Cármen Lúcia.

No julgamento das ações contra a escola de samba de Niterói, suas declarações soaram como ameaça explícita. A ministra comparou o cenário de possíveis ilegalidades no Carnaval a uma “areia movediça”, advertindo que o ambiente festivo favorece que candidatos e partidos adentrem um terreno perigoso de excessos e abusos.

É mais uma demonstração do estilo Cármen Lúcia: um bambuzal que se verga conforme os ventos da cobertura jornalística.

No Mensalão, foi fiel seguidora do relator Joaquim Barbosa, endossando suas arbitrariedades e ilegalidades. Na Lava Jato, revelou-se a mais implacável dos ministros do Supremo, rendendo-se à adulação das Organizações Globo, que enaltecia seus dotes de frasista e sua “mineiridade”.

Era um jogo de lisonja explícito, que envolvia completamente a ministra. A ponto de ela contratar como assessor o responsável por um blog de frases feitas. Embalada por esse apoio, Carmen Lúcia viveu momentos de apoteose: atacou o presidente do Senado por críticas dirigidas a um juiz de primeira instância e chegou a cogitar a convocação do Estado-Maior das Forças Armadas e dos ministérios da Justiça e da Defesa para finalidade indefinida.

O papel na Lava Jato

Nada, porém, foi mais revelador de sua personalidade do que as idas e vindas em torno da Lava Jato.

Em janeiro de 2018, como presidente do STF, Cármen Lúcia negou dois habeas corpus preventivos impetrados por estudantes de Direito em favor de Lula, após sua condenação em segunda instância pelo TRF-4.

Valeu-se, em seguida, de todos os subterfúgios para evitar que o plenário votasse a questão da prisão após sentença em segunda instância — tema que, se julgado, poderia ter beneficiado Lula e aberto caminho para sua candidatura em 2018. Em vez disso, submeteu ao colegiado o habeas corpus de Lula, remédio juridicamente mais restrito e de aprovação muito mais improvável. O HC foi negado por seis votos a cinco, com Carmen Lúcia garantindo o voto decisivo. A votação pavimentou a futura vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.

O envolvimento direto com a operação

Gravações da Operação Spoofing apontaram indícios de que Cármen Lúcia orientou membros da Lava Jato a não cumprirem uma ordem do TRF-4 que determinava a soltura de Lula, em 2019. Segundo relato de Deltan Dallagnol reproduzido nas interceptações: “Cármen Lúcia ligou para Jungman e mandou não cumprir, e teria falado também com Thompson” — referência ao então presidente do TRF-4, Thompson Flores. O episódio ocorreu no fim de semana em que o desembargador Favreto ordenou a soltura de Lula e foi barrado por uma ação irregular do próprio presidente do tribunal.

Além disso, em entrevista à revista Veja, o hacker Walter Delgatti — responsável pelos grampos da Operação Spoofing — afirmou ter tido acesso a um grupo de WhatsApp do qual participavam Cármen Lúcia e Rosa Weber. Segundo ele, Cármen Lúcia teria comentado a morte do neto de Lula (que ela teria confundido com sobrinho) com a frase: “Quem faz mal a outrem, um dia o mal retorna, e pode ser até no sobrinho.” Ainda de acordo com Delgatti, a observação teria levado Rosa Weber a abandonar o grupo imediatamente. As afirmações merecem o devido crivo crítico.

A atuação de Cármen Lúcia na Lava Jato está marcada por arbitrariedades — devidamente acompanhadas de frases de efeito, como a que cunhou no voto que decretou a prisão do senador Delcídio do Amaral: “O escárnio venceu o cinismo.”

As suspeitas

Em temas menos expostos politicamente, a presidência de Carmen Lúcia carrega ao menos um episódio de grave suspeição: o caso do pipeline farmacêutico. Tratava-se de um julgamento sobre medida tomada durante a gestão José Serra no Ministério da Saúde, que concedeu direitos de patente a medicamentos cujas patentes já haviam expirado até nos países de origem. Sem a cobertura da mídia, o episódio teria o porte de um grande escândalo da Justiça brasileira. O caso foi detalhado no artigo “Xadrez de Cármen Lúcia, uma cidadã acima de qualquer suspeita“, de 13 de setembro de 2018.

O bambuzal muda de novo

Quando os áudios da Spoofing vieram a público, cessou o apoio da Globo à Lava Jato — e Cármen Lúcia mudou de posição. De defensora intransigente dos abusos da operação, tornou-se crítica. Em agosto de 2019, surpreendeu os colegas: integrante da Segunda Turma do STF e aliada constante de Luiz Edson Fachin na defesa da Lava Jato, mudou subitamente de opinião e abriu caminho para a anulação da operação. Em março de 2021, seu voto foi decisivo no julgamento que reconheceu a parcialidade de Sérgio Moro no processo contra Lula.

Agora, desenha-se um novo quadro. A Globo tenta ressuscitar a Lava Jato por meio da Operação Master, e volta a articular a mesma soma de interesses que deu origem àquela operação. Nas últimas semanas, o noticiário da emissora foi marcado por uma enxurrada de entrevistas com Cármen Lúcia, realçando sua espirituosidade, seus dotes de frasista e seu perfil de “mineirinha”. E Cármen Lúcia respondeu na mesma moeda — com o discurso ameaçador sobre o desfile da escola de samba.

*Luis Nassif/GGN


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Receita Federal detectou quebra de sigilo de dados de ministros do STF e parentes

Não foram divulgados os nomes dos ministros vítimas de vazamentos

A Receita Federal do Brasil informou nesta terça-feira (17) que já foram detectados desvios no acesso a dados de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e parentes, após auditoria nos sistemas solicitada pelo tribunal.

Em nota à imprensa, o órgão afirmou que tais desvios já foram informados ao relator do STF. A Folha revelou no domingo (15) que o ministro Alexandre de Moraes utilizou o inquérito das fake news, relatado por ele, para solicitar à Receita que investigasse o possível vazamento de dados há cerca de três semanas.

“A Receita Federal do Brasil não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”, acrescentou.

De acordo com o órgão, a auditoria envolve dezenas de sistemas e contribuintes e segue em andamento. A Receita diz que os sistemas são “totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal” e que desde 2003 foram concluídos sete processos disciplinares, com três demissões e sanções.

Nesta terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito de investigação adicional que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo ministros do STF e familiares.

EUA anunciam sanção a Alexandre de Moraes com Lei Magnitsky e agravam  tensão diplomática - Brasil de Fato

A ação ocorreu por determinação do STF, a partir de uma representação feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Até o momento, não foram divulgados os nomes dos alvos da operação.

O tribunal também determinou a aplicação de medidas cautelares, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica, o afastamento do exercício de função pública, o cancelamento de passaportes e a proibição de saída do país.

Entenda a operação da PF contra vazamentos de dados de ministros do Supremo

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (17) de Carnaval, quatro mandados de busca e apreensão contra pessoas suspeitas de acessar e vazar dados fiscais sigilosos de ministros do STF e seus parentes

O que embasou a operação?

A Receita disse ter detectado “devios no acesso” aos dados fiscais de ministros da corte, sem informar quais. Como mostrou a Folha, o órgão rastreou os dados de 100 pessoas nos seus sistemas, incluindo pais, filhos, irmãos e cônjuges dos dez ministros do Supremo. O trabalho envolve 80 sistemas e cerca de 8.000 procedimentos de checagem

Quem determinou a ação da PF?

O pedido partiu da PGR (Procuradoria-Geral da República), após o ministro Alexandre de Moraes determinar a investigação na Receita usando o inquérito das fake news, que completou seis anos em 2025 e foi criado para investigar ataques bolsonaristas contra o Supremo

Por quê?

Ministros suspeitam que servidores tenham acessado ilegalmente informações fiscais sigilosas, e também acusam a Polícia Federal de investigar o ministro Dias Toffoli sem autorização

Qual é o contexto do caso?

O STF está no centro de uma polêmica envolvendo a investigação contra o banqueiro Daniel Vorcaro, do caso Master, que é relatada pela corte. Reportagens revelaram sociedade entre irmãos do antigo relator do caso, ministro Dias Toffoli, e o banqueiro Daniel Vorcaro; além disso, a imprensa também revelou contrato entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, e o banco.

*Laura Scofield e José Marques/ICL


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Bozo na Sapucaí: Eduardo Bolsonaro dá ordem a pastores para demonizar Lula nas igrejas

Filho foragido do ex-presidente condenado determinou abertamente para que lideranças evangélicas digam a fiéis que o presidente tem “agenda anticristã”

Aresposta à humilhação pública sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em plena na Marquês de Sapucaí veio em tom de convocação religiosa descarada e pânico moral por parte de Eduardo Bolsonaro, o filho foragido do líder criminoso condenado. Acuado pelo sucesso do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula e retratou Bolsonaro como o palhaço Bozo atrás das grades, o ex-deputado extremista reagiu com fúria.

Do exterior, onde permanece foragido após perder o mandato por abandonar o Brasil para coordenar ataques econômicos contra o próprio país, o filho 03 de Bolsonaro ordenou abertamente que pastores evangélicos utilizem seus púlpitos para demonizar o presidente Lula.

A estratégia confessada nas redes visa aquilo que todos já sabem desde a primeira eleição do ex-presidente: transformar templos em comitês eleitorais, utilizando a fé de milhões de brasileiros como massa de manobra. Eduardo exigiu que lideranças religiosas doutrinem seus fiéis com a narrativa falaciosa de que o atual governo sustenta uma “agenda anticristã”, buscando converter o sentimento religioso em capital político através do medo e da desinformação. Com Forum.

A vingança contra o samba
O gatilho para a ofensiva foi a repercussão global da homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula. O desfile, que celebrou a trajetória do atual mandatário, não poupou críticas ao bolsonarismo, expondo a condenação de Jair Bolsonaro por crimes contra a democracia de forma satírica e contundente. Ao ver a imagem do pai ridicularizada como Bozo em rede mundial, Eduardo utilizou suas redes sociais para disparar ordens de retaliação:

“Todos, absolutamente todos devem entrar com ações em todas as justiças. Tem crime eleitoral, ofensas a evangélicos, mal uso de dinheiro público – pelo menos. Pastores devem alertar seus fiéis sobre esse escárnio e o avanço da agenda anti-cristã”, escreveu o ex-parlamentar no X (antigo Twitter).


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Boulos provoca Flávio por reclamar de homenagem a Lula: “Chora não”

Guilherme Boulos reagiu às reclamações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a homenagem feita ao presidente Lula pela Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí. A manifestação ocorreu após o desfile de domingo (15).

Em publicação nas redes sociais, Boulos escreveu: “Flávio Bolsonaro disse que vai à Justiça contra a homenagem da Acadêmicos de Niterói ao Lula. Fica tranquilo, Flávio! Chora não. Quando houver desfile da Acadêmicos da Milícia vão homenagear você e seu pai”.

A reação veio depois de Flávio anunciar que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile. O senador classificou a apresentação como irregular e afirmou que houve uso de recursos públicos.

“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família! Vamos vencer o mal com o bem!”, escreveu o parlamentar.

Durante o desfile, a escola zombou do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, que foi caracterizado como um palhaço usando faixa presidencial.

No encerramento, o ex-mandatário voltou a aparecer em alusão ao personagem Bozo, encenando uma prisão e utilizando uma tornozeleira eletrônica danificada. As alegorias fizeram parte do enredo que exaltava a trajetória de Lula.

Veja as publicações:

Guilherme Boulos
@GuilhermeBoulos

Flávio Bolsonaro disse que vai à Justiça contra a homenagem da Acadêmicos de Niterói ao Lula.

Fica tranquilo, @FlavioBolsonaro! Chora não. Quando houver desfile da Acadêmicos da Milícia vão homenagear você e seu pai.


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