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Tribunal da mídia e o jornalismo de convicção

No Brasil, a grande mídia se acha mais que um poder da República, mas o poder supremo sobre tudo e todos.

O jornalismo de convicção opera com o único rito onde a sentença sai antes do processo, a prova atrapalha a tese e o juiz é o dono da emissora.

A hierarquia que o tribunal da mídia inventou para si produz aquele powerpoint pornográfico, feito na base da “convicção”, totalmete alheio à realidade.

Andreia Sadi pediu desculpas sem fazer qualquer correção. Estava ela lá decalcando o powerpoint de Dallagnol sem se preocupar com o ridículo e, por esse ridículo, pagará pelo resto da vida.

Na verdade, para a população, foi ela quem meteu o chamegão e levou aquele troço ao ar, a partir de uma outra convicção, a de que a Globo é intocável, e quem estiver no bonde, como maquinista, idem, tem imunidade midiática automática.

Mas a coisa não foi bem assim, algo saiu errado. Sadi foi espinafrada em questão de minutos, com uma chuva de repúdios de internautas, a ponto de fazer a moça tirar o time de campo, apagando a sua conta nas redes sociais.

Não só ela, a direção do império dos Marinho, que se acha o primeiro poder da República, sentiu o tranco.

Eles devem ter percebido que esse primeiro poder está somente na cabeça deles, mas ainda ssim, dão uma no cravo, outra, na ferradura.

E o padrão segue. A tal “fonte próxima”, acusa. Mas a fonte não tem nome, não tem prova, não tem rosto, não tem nada e, lógico, produz um rio seco.

O passo seguinte, é a manchete, “Escândalo abala governo”, quando, na verdade, só abala a redação dos mancheteiros de plantão, mesmo que o comentarista contratado solte o clichê “isso é gravíssimo”, não sabe explicar por que é gravíssimo. Então, apela-se para a convocção do lavajatismo midiático.

Mas o limite bate palmas e acorda os desavisados.

O fato é que esse primeiro poder caiu de podre com a prisão de Bolsonaro. Os sintomas de sua falência são justamente o ataque coordenado ao Supremo, sobretudo a Moraes.

O raciocínio é simples, Bolsonaro é golpísta, genocida, corrupto, do pai aos filhos, mas é nosso, porque a Faria Lima (agiotas, fintechs e PCC), acha que mil Lulas não valem um Bolsonaro. Os motivos? Não tem graça comentar.

Chamar o STF de ditadura da toga, não cola. Ditadura que deixa golpista na TV, como Paulo Figueiredo, correspondente da GloboNews, nos RUA, não é só burrice, é escassez de solução para algo que não tem remédio, então, cria-se o “STF em crise”, em garrafais.

Lula abraça o fim da jornada 6 x 1 e a manchete, ignorada pelos trabalhadores e pela imensa maior massa do povo braileiro, é a de sempre, mercado não gostou.

A solução concreta é dizer a verdade como “Lula acerta na economia”, mas o cachimbo já entortou a boca dos barões da mídia, e a boca já nem fecha, mesmo diante de assinantes, eleitores que cansaram de convicção. Essa gente quer informação real e não fantasia.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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