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Movimento Rap Contra a Direita (RCD) convoca artistas e fãs a mobilizar eleitores nas redes sociais por Lula

Idealizado por Kauan Sabino, o movimento busca mobilizar artistas e público, enquanto rappers de diferentes gerações expressam suas posições políticas

Desde o início da corrida eleitoral para a Presidência da República em 2026, muitos artistas têm sido cobrados nas redes sociais a se posicionar politicamente. Nesse cenário, trabalhos artísticos historicamente associados a ideias progressistas e à defesa de pautas sociais ganham destaque no debate público.

Lançado no Instagram em 6 de outubro, o movimento Rap Contra a Direita (RCD) reúne fãs, criadores de conteúdo e MCs com o objetivo de ampliar o debate político no universo do hip hop e incentivar a participação dos jovens nas eleições. Idealizada por Kauan Sabino, 22 anos, a iniciativa surgiu após o primeiro turno, uma maneira para transformar a insatisfação com o resultado em mobilização coletiva.

Kauan é estudante de Jornalismo, rapper desde os 14 anos e morador de Cabo Frio, no Rio de Janeiro

Kauan é estudante de Jornalismo, rapper desde os 14 anos e morador de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ele que já está inserido há anos no cenário do rap, também é um dos responsáveis pela gravadora GhettoWlrd, criada ao lado do rapper ogLeleco para fortalecer artistas independentes. A rede de contatos construída ao longo do tempo foi fundamental para tirar o RCD do papel.

“Nasceu após um triste sentimento com o primeiro turno das eleições e com a vontade de unir o que mais amo no momento mais importante, pelo objetivo maior. Queria uma mobilização coletiva e contundente. Não podia ficar parado, precisava agir. Falei com a Gabrielly Stoeck, ela super apoiou a ideia”, conta Kauan sobre a criação do movimento.

O contato com o rap começou por meio da família: “Cresci ouvindo todo tipo de música, mas me recordo de diversas vezes em que meu tio colocava Racionais no carro, então, esse é um dos primeiros contatos de que tenho recordação”, relembra.

A articulação do Rap Contra a Direita também se beneficiou das conexões de Kauan com artistas e agentes do cenário musical: “Assim que criei o perfil, acionei alguns contatos que tinha, pois estou inserido no cenário do rap há anos e colecionei diversas amizades. Fui acionando alguns artistas, como o Gelatto Neves, e, a partir dele, fomos chegando a outros e outros. A Nanda Tsunami está na nossa equipe desde o primeiro dia e também deu uma força gigante, e muitos vieram à minha DM, e outros se posicionaram por conta de seus fã-clubes”, relata.

A iniciativa busca estimular a união entre artistas para se posicionarem em um momento decisivo para o país: “Tenho percebido que o rap ainda pode ser totalmente unido. Tenho conversado diariamente com todos os artistas sobre a necessidade de encerrar brigas e de todos criarmos algo ainda maior. Somente juntos podemos mudar nosso futuro!”, defende Kauan.

Encontro Histórico
Desde que ganhou força no Brasil, nos anos 1980, o rap se afirmou como uma importante expressão cultural das periferias. Com letras que denunciam desigualdades, racismo, violência policial e a ausência de direitos básicos, o gênero construiu uma trajetória marcada pela crítica social e pela valorização das experiências da população negra e periférica.

Essa origem ajuda a compreender a razão em que parte dos artistas e integrantes da cena considera importante o posicionamento político do hip hop, já que, questões como o acesso à educação, à cultura e aos serviços públicos estão diretamente relacionadas às realidades retratadas nas músicas.

Um episódio emblemático dessa aproximação entre o hip hop e o poder público ocorreu em 2004, quando rappers como KL Jay, Edi Rock, Rappin’ Hood e MV Bill se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro da Cultura, Gilberto Gil, para discutir políticas públicas voltadas ao movimento.

O encontro representou um momento significativo de reconhecimento do hip hop como uma expressão cultural capaz de contribuir para o debate público e dar visibilidade às demandas de diferentes gerações.

Para Kauan, o rap não pode se distanciar desse papel histórico, sobretudo diante da disputa política atual: “É fundamental que o rap, gênero musical responsável por denunciar injustiças sociais, levantar debates urgentes e dar voz a realidades historicamente silenciadas, esteja na linha de frente da luta por um bem maior no nosso país. Nós nunca fecharíamos com os ideais da direita nem com os do bolsonarismo. É preciso botar a cara agora e agir, sem medo!”, afirma.

As novas roupagens do rap
A popularização do rap ampliou seu alcance para além das periferias, trazendo novos públicos, incluindo jovens das classes média e alta. Ao mesmo tempo, a expansão da indústria cultural e a ascensão de novos artistas contribuíram para diversificar as temáticas e as sonoridades do gênero.

Com o crescimento do trap, um subgênero do rap e do hip-hop, outros assuntos também foram surgindo. E, diferentemente das reivindicações por direitos, nascem as letras que demonstram a vontade de consumo, e temas como dinheiro e carros de luxo aparecem com frequência nas composições. Essa transformação alimenta, até hoje, debates sobre as novas ideias e os rumos do gênero musical, além do quanto a relação com as questões sociais que tanto marcaram suas origens.

As pautas progressistas hoje são bem mais fortes entre as artistas mulheres da cena do rap. Elas conquistaram espaço no mainstream do rap, e temas como liberdade sexual, autonomia feminina e enfrentamento às desigualdades de gênero seguem integrando o repertório de artistas que ampliam a representatividade dentro da cena.

O Rap Contra a Direita nasce em momento eleitoral para reforçar e estimular o debate sobre os projetos em disputa nas eleições de 2026, se preocupando em mostrar o que isso pode custar para a cultura, principalmente para gêneros musicais que ainda são marginalizados socialmente dentro da indústria quando o assunto é patrocínio e visibilidade. Para Kauan, a neutralidade política defendida por parte do público não corresponde à trajetória histórica do hip hop. Ele também critica a ideia de que o rap não deveria assumir um lado na disputa eleitoral.

“Achei muito engraçado quando vieram me dizer também que ‘o rap não tem lado’. Algumas pessoas precisam largar o gênero e ir ouvir sertanejo, então. Lá tem artistas com os quais elas podem se identificar mais. Somente isso”, conclui.

Artistas que se posicionaram contra a extrema direita
Alguns artistas do hip hop e rap nacional já se manifestaram em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em defesa da democracia e em oposição aos projetos políticos de Flávio Bolsonaro. Com trajetórias marcadas por diferentes estilos e abordagens, esses nomes também levam para a música debates sobre desigualdade social, racismo, direitos humanos e valorização da cultura.

Rappers homens:

Akira Presidente (RJ)
Alee (RJ)
AnjO 005 (SP)
Baco Exu do Blues (BA)
BK’ (RJ)
Borges (RJ)
Cae (SP)
Delacruz (RJ)
Dexter (SP)
DK47 (RJ)
Djonga (MG)
Don L (DF/CE)
Edi Rock (SP)
Emicida (SP)
Filipe Ret (RJ)
Froid (DF)
GOG (DF)
L7NNON (RJ)
Mano Brown (SP)
Marcelo D2 (RJ)
Matuê (CE)
MC Hariel (SP)
MC Marechal (RJ)
Nabru (MG)
Nikito Lebrae (SP)
Ogoin (MG)
Oklin (SP)
Pelé do Manifesto (PA)
Rashid (SP)
Ruas MC (SP)
Renan Inquérito (SP)
Rod 3030 (RJ)
Rico Dalasam (SP)
Salvador da Rima (SP)
Sant (RJ)
Spinardi (SP)
Tarcis Neggs (RJ)
TZ da Coronel (RJ)
Vandal (BA)
Xamã (MG/RJ)
Yago Oproprio (SP)
Yunk Vino (SP)

Rappers Mulheres:

Ajuliacosta (SP)
Azzy (RJ)
Barona (BA)
Budah (ES)
Ciça (RJ)
Clara Lima (MG)
Cris SNJ (SP)
Drik Barbosa (SP)
Duquesa (BA)
Ebony (RJ)
Flora Matos (DF)
Hanifah (SP)
Karol Conká (PR)
Lívia Cruz (PE)
MC Carol (RJ)
MC Luanna (SP)
N.I.N.A. (RJ)
NandaTsunami (SP)
Rubia RPW (SP)
Sara Donato (SP)
Sharylaine (SP)
Slipmami (RJ)
Stefanie (SP)
Tássia Reis (SP)
Tasha & Tracie (SP)

*ICL


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