A direita perdeu a eleição para a Presidência da República por inúmeros motivos. Mas o principal deles foi acreditar nas próprias mentiras, a começar pelo candidato.
De tanto fabricar narrativas, distorcer fatos e alimentar uma realidade paralela, acabou prisioneira do próprio discurso. Passou a confundir propaganda com realidade, barulho nas redes sociais com apoio popular e ataques sistemáticos a Lula com capacidade de apresentar alguma alternativa concreta ao país.
Acreditou que bastava demonizar Lula, transformar o PT em inimigo permanente, espalhar desinformação e apostar no desgaste das instituições para conquistar o poder. Imaginou que o eleitorado brasileiro continuaria refém do medo, do ressentimento e do ódio. Não percebeu que a política não se resume ao universo fechado das redes sociais, nem que repetir uma mentira milhares de vezes a transforma em verdade.
O problema da direita foi também a incapacidade de olhar para o Brasil real. Enquanto se dedicava a alimentar guerras ideológicas, esqueceu-se de discutir o país, suas desigualdades, seus desafios e as necessidades concretas da população. Apostou na força dos algoritmos, na proteção de setores da mídia, no poder econômico e na repetição de velhos slogans, como se tudo isso pudesse substituir um projeto nacional.
Foi uma sucessão de erros políticos, mas havia um erro maior por trás de todos eles: a convicção de que sua própria versão dos acontecimentos era a única realidade possível. Cercada por bajuladores, comentaristas que reproduziam suas certezas e militantes incapazes de questionar a própria bolha, a direita perdeu a capacidade de perceber o que acontecia fora dela.
E quando a realidade bateu à porta, não havia narrativa capaz de salvá-la.
A direita não pode culpar apenas seus adversários pelo resultado. Foi derrotada também pela arrogância, pela desconexão com o país e pela incapacidade de distinguir seus desejos dos fatos. Acreditou tanto nas próprias mentiras que deixou de enxergar a realidade. E a realidade, como se viu, não costuma perdoar quem insiste em ignorá-la.
No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.
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