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Embaixada do Brasil em Tel Aviv desconfiou de espionagem de Israel

Funcionários se reuniram com embaixador para pedir que fosse feita uma varredura antigrampo

Diplomatas lotados na embaixada brasileira em Tel Aviv se reuniram com o embaixador Frederico Meyer dias atrás para tratar da necessidade de fazer uma varredura no local em busca de grampos.

Antes até de estourar a crise provocada pela declaração do presidente Lula comparando os ataques em Gaza ao Holocausto, os funcionários da representação do Brasil em Tel Aviv já desconfiavam que suas conversas estavam sendo monitoradas pelo serviço secreto de Israel, segundo Rodrigo Rangel, Metrópoles.

Na reunião, diplomatas mais experientes argumentaram que fazer a varredura seria inócuo porque, ainda que fosse encontrado algum dispositivo de escuta, seguramente outros seriam instalados em seguida pelos israelenses, conhecidos por deter tecnologias de espionagem de ponta.

Segundo relato feito à coluna por um dos presentes, um itamarateca graduado disse aos demais que melhor seria trabalhar com a certeza de que a embaixada brasileira (foto em destaque), assim como as de outros países, é monitorada permanentemente, ainda mais em tempos de guerra.

O argumento prevaleceu. No fim, todos saíram convencidos — e a varredura nem sequer foi encomendada.

Israel tem algumas das mais famosas agências de inteligência do mundo. A mais conhecida é o Mossad. Há, ainda, a Amam, responsável pela inteligência militar, e o Shin Bet, voltado para a segurança interna.

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Israel atacou comboio de alimentos da ONU em Gaza, mostram documentos e análise de satélite

Caminhão que transportava suprimentos vitais para o enclave foi alvejado em rota previamente acordada com as forças israelenses, segundo dados analisados pela CNN.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) dispararam contra um comboio da Organização das Nações Unidas (ONU) que transportava suprimentos alimentares vitais no centro da Faixa de Gaza em 5 de fevereiro, antes de finalmente impedirem que os caminhões avançassem para a parte norte do território, onde os palestinos estão à beira da fome, de acordo com documentos compartilhados exclusivamente pela ONU e com análise própria da CNN.

A CNN viu correspondência entre a ONU e os militares israleneses que mostram que a rota do comboio foi acordada por ambas as partes antes do ataque.

De acordo com um relatório de incidente interno compilado pela agência das Nações Unidas para refugiados palestinos (UNRWA), a principal agência de ajuda humanitária da ONU em Gaza, que também foi visto pela CNN, o caminhão era um dos dez num comboio parado em ponto de detenção das FDI quando foi alvejado.

Ninguém no comboio ficou ferido, mas grande parte do seu conteúdo – principalmente farinha de trigo necessária para fazer pão – foi destruído.

Rastrear o ataque oferece uma janela para os principais desafios que os esforços humanitários enfrentam para levar ajuda aos mais de 2 milhões de habitantes de Gaza – quase 85% dos quais são deslocados internamente – no meio do bombardeamento de quase cinco meses de Israel na Faixa de Gaza.

“Um comboio que transportava comida, rumo ao norte da Faixa de Gaza. Aquele comboio a caminho do que chamamos de áreas intermediárias foi atingido. Um dos caminhões que transportava suprimentos foi atingido por fogo naval israelense”, disse Juliette Touma, porta-voz da UNRWA, à CNN.

As FDI não responderam aos repetidos pedidos da CNN para comentar o ataque, mas disse em 5 de fevereiro que estava investigando o incidente.

É um dos vários incidentes em que comboios de ajuda, bem como armazéns que armazenam ajuda, foram atingidos desde o início da guerra.

Israel lançou o seu bombardeamento e invasão terrestre da Faixa de Gaza após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, no qual pelo menos 1.200 pessoas foram mortas e mais de 250 outras feitas reféns. Mais de 29.000 pessoas foram mortas em ataques israelenses na faixa, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde de Gaza.

Na sequência do ataque de 5 de fevereiro, a UNRWA decidiu parar de enviar comboios para o norte de Gaza. A última vez que a agência conseguiu entregar alimentos a norte de Wadi Gaza – uma faixa de zonas húmidas que corta o enclave ao meio – foi em 23 de Janeiro.

A ONU estima que 300 mil pessoas ainda vivem no norte de Gaza, com muito pouca assistência. A desnutrição aguda já foi identificada em 16,2% das crianças locais, acima do limite considerado crítico, segundo a ONU.

O comboio, composto por 10 caminhões de ajuda humanitária e dois veículos blindados marcados com a insígnia da ONU, iniciou sua jornada nas primeiras horas de 5 de fevereiro.

A UNRWA disse que as viagens são realizadas no início do dia para evitar que o conteúdo dos caminhões seja invadido ao longo da rota por aqueles desesperados por comida.

Partindo do sul de Gaza, o comboio percorreu a estrada Al Rashid, que segue a orla costeira da faixa. A estrada tem sido a principal rota permitida pelos militares israelenses para comboios humanitários e evacuações desde janeiro.

Às 4h15 (horário local), o comboio chegou a um ponto de espera designado pelas FDI na estrada Al Rashid, de acordo com o relatório interno do incidente da UNRWA, onde os caminhões ficaram parados por mais de uma hora. Às 5h35 (horário local), foram ouvidos tiros navais e o caminhão foi atingido, disse a reportagem.

A agência disse que antes de iniciar a entrega da ajuda, coordenou antecipadamente com os militares israelenses, concordando com o caminho que tomaria – como sempre faz.

A correspondência por e-mail entre a UNRWA e o Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT), a agência militar israelense que supervisiona as atividades nos territórios palestinos, a ajuda humanitária, também mostra um acordo para o comboio tomar a estrada Al Rashid.

“Compartilhamos com o exército israelense as coordenadas dos comboios e a rota desse comboio”, disse Touma. “Somente quando o exército israelense nos dá a aprovação, a luz verde, é que a UNRWA se move. Não nos movemos sem essa coordenação.”

Ela disse que o objetivo desta coordenação, denominado processo de resolução de conflitos, é garantir que os comboios de ajuda não sejam atingidos.

“Gaza tornou-se muito rapidamente um dos lugares mais perigosos para se trabalhar com ajuda humanitária”, disse Touma. “É um ambiente extremamente complexo para operar. Muitas vezes as nossas equipes são forçadas a prestar assistência humanitária sob ataque.”

 

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Tem 100 países comemorando a fala do Lula, garante professor de política internacional

Em entrevista ao GGN, Dawisson Lopes afirma que a “crise” entre Israel e Brasil não tem a escala que tentam vender na mídia.

A principal notícia do dia foi a repercussão da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que durante viagem à Etiópia, comparou as ofensivas de Israel à Faixa de Gaza ao holocausto promovido por Adolf Hitler, além de chamar a guerra de genocídio.

Na mídia e no meio político, a repercussão tem sido negativa, uma vez que oportunistas usaram a irritação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que chegou até a convocar o embaixador brasileiro para explicações, para atacar o governo federal e até para pedir um impeachment.

Mas como o GGN mostrou nesta segunda-feira (19), a fala de Lula não só converge com as leis internacionais como espelha princípios civilizatórios previstos na constituição brasileira.

Durante o programa TVGGN 20H, o professor de política internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dawisson Belém Lopes, reafirmou a necessidade da declaração contundente do presidente, que, aliás, subiu o tom há várias semanas a fim de criticar a insistência de Netanyahu em tentar dizimar o povo palestino. [Assista a íntegra da entrevista abaixo]

A coragem do presidente brasileiro em nomear as atrocidades cometidas por Israel desde 7 de outubro foi um golpe certeiro para capturar a atenção das pessoas mundo afora. “Tem 100 países comemorando a fala do Lula“, garante Lopes.

No cenário global, a imagem de Netanyahu e de Israel não é positiva, não apenas entre os países da América do Sul, tendo em vista as diversas manifestações realizadas na Europa em apoio ao povo palestino.

Até porque, enquanto o número de mortos israelenses vitimados pelo Hamas se mantém em torno de mil, o de palestinos beira os 30 mil óbitos. Israel deixou ainda mais de 68 mil pessoas feridas, impôs a restrição de recursos básicos para a população da Faixa de Gaza, como alimentos, remédios, água, energia elétrica e internet, além de mandar que a população rumasse para o sul. Cerca de 90% dos palestinos perderam suas casas.

As tropas israelenses não pouparam sequer os hospitais. No último domingo (18), o segundo maior hospital da Faixa de Gaza deixou de funcionar, depois de um mês de ocupação dos soldados de Netanyahu. E há a expectativa de uma ofensiva contra Rafah, cidade que reúne refugiados.

E não há, até o momento, qualquer indício de que a guerra está próxima do fim, até porque membros do governo israelense já declararam, em diversas ocasiões, que o conflito só acabará junto com o Hamas e que expulsar todos os palestinos para o Egito não seria uma solução ruim, até porque os palestinos já estão acostumados a perder territórios.

Covardia
O professor de relações internacionais afirma que o genocídio só terá fim quando houver uma intervenção resoluta dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, e dos demais países que “mantém o cinturão de proteção” aos israelenses.

Mas, em vez de exigir o fim das atrocidades cometidas majoritariamente contra mulheres e crianças palestinas, os Estados Unidos e alguns países da União Europeia deixaram de oferecer apoio à Faixa de Gaza.

“São esses países que agora viram as costas da forma mais covarde, inclusive tirando recursos, asfixiando financeiramente instituições que cuidam dos refugiados palestinos. A forma como o bloco ocidental sabota as instituições que eles criaram é vexatória“, conclui Dawisson Lopes.

Assista:

*GGN

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Vídeo: Judeu, que viveu o holocausto em Auschwitz, fala contra Israel e o sionismo

Ao contrário do que afirmou o apresentador Luciano Huck, o genocídio palestino sob apartheid se assemelha de modo escancarado ao holocausto. Podemos citar várias leis de segregação racial, a condição apátrida de 5 milhões de habitantes, os pogroms apoiados pelo governo

O genocídio que já deixou mais de 30 mil mortos, 90% da população de Gaza vivendo em tendas improvisadas, com falta de água e comida e sem coleta de lixo ou esgoto. A ONU estima que mais de 4 mil crianças de etnia árabe estão órfãs em Gaza.

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Ao restringir acesso de muçulmanos a Meca antes do Ramadã, Israel pode inflamar região

Mês sagrado do calendário muçulmano é marcado por ameaças israelenses de invasão a Rafah, na fronteira com Egito.

O Ramadã, mês sagrado de jejuns e preces do calendário muçulmano, começa por volta de 10 de março deste ano, tendo como pano de fundo a guerra entre Israel e o Hamas. A situação é explosiva, especialmente em Jerusalém. Contra a orientação das autoridades de segurança, o governo israelense decidiu restringir o acesso à Esplanada das Mesquitas.

O Ramadã é o mês mais sagrado do calendário muçulmano, e a Mesquita Al-Aqsa e sua esplanada, o 3ᵉ lugar mais sagrado do Islã, tiveram o acesso restringido por Israel. O gabinete de segurança israelense decidiu na noite de domingo (18/02) impor restrições ao acesso dos fiéis muçulmanos.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu acatou assim as exigências de Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional de extrema direita, destinadas a palestinos da Cisjordânia, residentes de Jerusalém Oriental e, pela primeira vez, também para árabes israelenses que desejam participar das orações.

Uma decisão perigosa

Até o momento, os critérios de seleção, incluindo a idade dos fiéis e seu local de residência, não foram divulgados. Para a polícia, o Exército e o Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel, essa é uma decisão perigosa que pode inflamar toda a região. Os partidos árabes falam de uma nova provocação do ministro supremacista Ben Gvir.

Para Ahmad Tibi, líder do partido Ta’al, esse é um assunto que deve ser debatido pela ONU. E no Reshet Bet, a emissora pública de Israel, o ex-ministro Mansour Abbas, líder do partido islâmico Ram, atacou diretamente o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e Benjamin Netanyahu: “É óbvio que essa é uma decisão ruim. É injusta, estúpida e irresponsável. Quando há recomendações de autoridades de segurança que não têm motivação política, devemos ouvir e seguir essas valiosas recomendações. E não sermos reféns nas mãos de Ben Gvir”, avisou.

“Ele [Gvir] é o verdadeiro primeiro-ministro”, avaliou um comentarista. “É o sonho do Hamas se tornando realidade: os palestinos de todos os lados se unirão”, disse um editorialista israelense.

Para o diário de esquerda Haaretz, trata-se de uma farsa política que pode se transformar em uma tragédia. Mas, de acordo com a mídia, a solução pode vir da procuradora geral de Israel. Ela adverte que não permitir que os árabes israelenses rezem na Esplanada das Mesquitas é simplesmente ilegal.

Ramadã como prazo

Israel ameaçou invadir Rafah no feriado do Ramadã, em março, se o Hamas não libertar os reféns até esta data. “O mundo deve saber, e os líderes do Hamas devem saber: se nossos reféns não estiverem em casa até ao Ramadã, os combates continuarão em todos os lugares, incluindo na área de Rafah”, declarou o ministro israelense, Benny Gantz, numa conferência de líderes judeus norte-americanos em Jerusalém.

“O Hamas tem a opção. Eles podem render-se, libertar os reféns e os civis de Gaza e poderão celebrar o feriado do Ramadã”, acrescentou Gantz, um dos três membros do gabinete de guerra israelense.

É a primeira vez que o governo israelense fixa um prazo para seu ataque a Rafah, a cidade onde se refugia a maioria dos 1,7 milhão de palestinos deslocados pela guerra.

Os governos estrangeiros, temendo a carnificina, instaram Israel a evitar atacar Rafah, a última cidade da Faixa de Gaza que não foi invadida por tropas terrestres na guerra que já dura quatro meses. Apesar da pressão internacional, Netanyahu insiste que a guerra não pode terminar sem entrar em Rafah.

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Salem Nasser: 30 mil mortos é o preço que os palestinos estão pagando para serem vistos, ouvidos e reconhecidos!

Por Salem Nasser*, em Cegueira Seletiva

Eu escrevi antes sobre a “fadiga da compaixão” e sobre a nossa tendência natural a cansar do fluxo contínuo de notícias que são de difícil digestão.

A guerra contra Gaza está correndo há tanto tempo que, a despeito da gravidade da situação humanitária e dos crimes de Israel, as pessoas começam a cansar de ouvir falar dela.

Ao mesmo tempo, a gente se perde em meio a tantos detalhes; formar uma imagem abrangente do que está acontecendo se transforma em tarefa quase impossível.

Por essas razões, decidi oferecer minha leitura geral própria da guerra e colocá-la em contexto histórico.

Algumas das coisas que direi não podiam ser ditas antes desta guerra que já dura 130 dias, não sem que se pagasse preços pesados em termos de censura, perseguição e acusações.

Algumas coisas, mesmo que se ousasse dizê-las, não seriam ouvidas por conta dos muitos tipos de muros de proteção erigidos em torno de Israel para repelir as críticas.

Um modo de entender a essência dessa guerra é este: 30.000 mortos é o preço que os palestinos estão pagando para serem vistos, para serem ouvidos, para serem reconhecidos!

1- MUITO ANTES DE 7 DE OUTUBRO

Chegou o tempo de reconhecermos todos, em termos muito claros, que Israel é o resultado de um projeto colonial, mais especificamente um projeto de colonização de assentamento.

Essa conclusão resulta clara da história do movimento sionista e da sua aliança com os interesses imperiais britânicos.

Desde o começo, esse projeto muito específico de colonização de assentamento dependia da atração de imigrantes que pertencessem a uma religião particular para que viessem se assentar no território da Palestina histórica e da expulsão – ou da eliminação por outros meios – da população indígena.

Projetos de colonização de assentamento só foram “bem sucedidos” onde os recém-chegados mataram a maior parte dos habitantes originários e se tornaram a maioria numérica da população. Estados Unidos e Austrália são bons exemplos desse sucesso.

Onde quer que o esforço colonial não consegue ou não quer exterminar a população local, porque, por exemplo, precisa explorar a sua mão de obra, o projeto colonial fracassará em algum momento e os colonizadores se encontrarão diante da opção entre voltar para casa – para a metrópole – ou ficar e viver como uma minoria entre os habitantes originários.

A despeito de seus melhores esforços, e por várias razões, Israel não foi capaz, ainda, de expulsar ou eliminar a maior parte da população palestina.

Enquanto continua a empreender nesse sentido e em direção a esse objetivo, estabeleceu um sistema de Apartheid que, se a História de fato repete a si mesma, talvez determine o fracasso futuro do projeto colonial israelense.

2- IMEDIATAMENTE ANTES DO 7 DE OUTUBRO

Também por várias razões o mundo encampou esse projeto colonial tardio e anacrônico.

Praticamente todos os Estados que fazem parte do que se costuma chamar de “Comunidade Internacional” continuaram a falar, por décadas, da boca para fora, sobre a necessidade de proteger os direitos dos palestinos e sobre a solução dos dois Estados, enquanto Israel continuava livremente a limpar etnicamente a Palestina, aumentar seu domínio sobre territórios ocupados, segregar e discriminar, e violar direitos humanos e direito humanitário.

Esse processo duplo pelo qual, de um lado, progredia no sentido da total liquidação da Questão Palestina, enterrando para sempre a ideia de um Estado palestino e condenando os palestinos ao exílio ou à vida sob segregação, e, de outro lado, acumulava a cumplicidade e/ou o silêncio internacional e dos governos árabes, estava atingindo seu ponto máximo nos últimos poucos anos.

A construção de assentamentos na Cisjordânia e em torno de Jerusalém continuava, o sistema de Apartheid estava posto e era operacional, o bloqueio total a Gaza era contínuo e draconiano, as violações a lugares sagrados do Cristianismo e do Islã aumentavam.

Algumas instituições internacionais relatavam e denunciavam. Grandes ONGs de direitos humanos finalmente criaram a coragem de chamar o Apartheid israelense pelo seu nome. Mas ninguém ouvia ou queria ouvir.

A despeito do crescimento em força militar, claramente identificável, daqueles que na região se opõem ao projeto Israelense – e do Ocidente -, aquilo que se costuma chamar de Comunidade Internacional agia como se o projeto estivesse a caminho do sucesso final e que os resultados estavam dados.

Os que acreditavam em algo diferente eram o Hamas e outros grupos armados da resistência palestina, o Hezbollah no Líbano, Ansar Allah no Iêmen, grupos de resistência iraquianos, a Síria, o Irã, e talvez alguns outros mais.

O que quer que se pense que aconteceu no dia 7 de outubro – e o fato é que a maioria não sabe o que aconteceu de verdade – e como quer que se julgue o que se pensa que aconteceu, os ataques daquele dia decorreram da necessidade de interromper esse curso da história, e foi isso que operaram.

A História não começou no dia 7 de outubro. Ela mudou de curso nesse dia.

3- O QUE ACONTECEU NO DIA 7 DE OUTUBRO

Eu tenho dito que, de quem quer que queira criticar Israel pelos seus crimes contra a população de Gaza e contra os palestinos de modo geral, espera-se, no debate público, que pague um pedágio: fazer referência ao 7 de outubro e condenar o Hamas pelos crimes que teria cometido nesse dia.

E, então, se alguém se incomoda com perguntar e procurar, descobre que o que se sabe com certeza é muito diferente do que os israelenses dizem.

A segunda razão para eu pensar que o pedágio é abusivo é esta: na realidade, se você critica o Hamas pelo que teria feito naquele dia, as pessoas entenderão subconscientemente é que Israel tem suas razões para fazer o que faz; se, por outro lado, você tentar explicar ou justificar o comportamento do Hamas, você perde credibilidade porque se colocou do lado dos “terroristas”.

Finalmente, impor às pessoas a crítica ao Hamas por suas ações “contra os civis” é, ou uma estratégia para nos fazer esquecer o que Israel faz, e sempre fez antes do dia 7 de outubro, diariamente, contra civis palestinos, ou, pior, uma estratégia para nos fazer acreditar que o mal que se faz contra civis israelenses é mais merecedor de críticas do que o mal que se faz contra civis palestinos, porque alguns civis valeriam mais do que outros.

Mais do que as perdas civis e os presos levados, o que realmente assustou Israel e seus apoiadores ocidentais foi a percepção das fragilidades militares de Israel. O ataque do Hamas foi um feito militar e um fracasso enorme da parte de Israel.

A reação de Israel foi inspirada por dois desejos: operar uma vingança, do modo mais brutal, e reafirmar sua superioridade militar e sua capacidade de dissuadir seus inimigos.

A reação do Ocidente foi de correr para a proteção de Israel, que agora tinha se revelado mais frágil do que se poderia pensar.

4- DEPOIS DO 7 DE OUTUBRO

Muitos israelenses podem se sentir vingados pelos massacres contra crianças, mulheres e idosos… palestinos em Gaza, pela destruição das cidades e pelo deslocamento da população, e podem desejar mais do mesmo, mas a vingança não vale muito se não afeta o balanço de poder.

A verdadeira questão, portanto, diz respeito à situação da balança de poder depois do ataque de outubro e dos 130 dias de conflito que se seguiram.

O primeiro fato indiscutível, confirmado por esta guerra, é que Israel tem o poder de jogar bombas do céu e atirar projéteis de longas distâncias, do mar ou da terra, que são suficientes para destruir cidades inteiras e para matar pessoas aos milhares.

Essa capacidade é garantida pelo suprimento ilimitado de armas e munições por parte dos Estados Unidos e alguns outros.

Não obstante essa verdade, está claro agora que, enquanto essa capacidade militar consegue destruir e expulsar a população civil, ela não é suficiente para assegurar vitória contra uma resistência bem treinada, altamente motivada, que luta em seu próprio território.

Depois de ter hesitado, o exército israelense decidiu invadir Gaza por terra, porque de outro modo sua superioridade militar não seria reafirmada.

Os resultados até agora mostram que Israel não consegue vencer uma guerra que se luta em proximidade e que suas perdas são maiores do que pode suportar.

A resistência palestina está relativamente confiante com os resultados da guerra e pode até declarar vitória parcial. O seu ponto fraco, no entanto, é o sofrimento da população civil.

Israel, por outro lado, não conseguindo ferir significativamente a resistência, aumenta suas apostas no ataque aos civis.

A despeito do silêncio da grande mídia, da cumplicidade de países ocidentais e da paralisia vergonhosa dos países árabes, a realidade da trágica situação humanitária veio a ser conhecida pelo mundo todo.

Os crimes de Israel que ninguém parecia poder ver ou ouvir vão se tornando visíveis! E a imagem que se revela é muito feia.

Enquanto escrevo, Israel parece decidido a atacar Rafah, onde 80% da população de Gaza buscou seu último refúgio, e a expulsar os palestinos em direção ao Egito.

Não é certo que consiga realizar isso, mas muitos em Israel veriam nisso uma vitória e um passo em direção ao estabelecimento do Grande Israel.

Até agora, não obstante os discursos politicamente corretos sobre direito humanitário e sobre preservar as vidas de civis, o Establishment ocidental está dando a Israel o tempo para tentar realizar algum tipo de vitória.

Ao mesmo tempo, esforços são empreendidos para trazer de volta do mundo dos mortos a ideia da solução dos dois Estados – apenas a ideia, não a coisa em si – para parar a guerra, convencer a Arábia Saudita a normalizar relações com Israel, e salvar Israel da derrota que sofreu no dia 7 de outubro e desde então.

*Salem Nasser/Viomundo

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Netanyahu reage a fala de Lula sobre guerra: “Cruzou linha vermelha”

O presidente Lula comparou os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao massacre de judeus na Alemanha nazista, promovido por Adolf Hitler.

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparar os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao massacre de judeus na Alemanha nazista, promovido por Adolf Hitler, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou as falas do petista e anunciou que irá convocar o embaixador brasileiro em Israel para “uma dura conversa de repreensão”, segundo o Metrópoles.

Netanyahu reage contra Lula
Porém, essa fala de Lula não foi bem vista tanto entre a comunidade judaica quanto entre as autoridades israelenses. Em resposta às declarações do presidente do Brasil, Netanyahu afirmou que o petista “banalizou” o Holocausto e tentou “prejudicar o povo judeu” e o “direito de Israel de se defender”.

rata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender”, escreveu o primeiro-ministro israelense no X (antigo Twitter).

Netanyahu prosseguiu: “Comparar Israel ao Holocausto nazista e a Hitler é cruzar uma linha vermelha. Israel luta pela sua defesa e pela garantia do seu futuro até a vitória completa, e faz isso ao mesmo tempo que defende o direito internacional”.

O premiê ainda informou que solicitou que o ministro das Relações Exteriores do país, Israel Katz, convocasse “imediatamente” o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, “para uma dura conversa de repreensão”.

Também por meio do X, Katz afirmou que as palavras de Lula são “vergonhosas e graves”. “Ninguém prejudicará o direito de Israel se defender. Ordenei ao pessoal do meu gabinete que convoque o embaixador brasileiro para uma chamada de repreensão amanhã”, finalizou o chanceler israelense.

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Vídeo: Lula defende união de países para combater fome e desemprego no mundo e critica “extrema direita racista e xenófoba”

Presidente brasileiro discursou como convidado da 37ª Cúpula da União Africana, formada por 55 países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as alternativas para fome e desemprego não virão da “extrema direita racista e xenófoba” ao discursar como convidado da 37ª Cúpula da União Africana, formada por 55 países.

— A alternativa das mazelas da globalização neoliberal não virá da extrema direita racista e xenófoba. O desenvolvimento não pode continuar sendo privilégio de poucos. Só um projeto social inclusivo nos permitirá ter sociedades prósperas, livres, democráticas e soberanas. Não haverá estabilidade e democracia com fome e desemprego. O momento é propício para resgatar as melhores tradições humanistas dos grandes líderes da descolonização africana — afirmou Lula.

Lula citou que ser humanista implica em condenar os ataques no conflito entre Israel e Hamas e defendeu que o fim do conflito passa pela criação de um Estado Palestino “livre e soberano”:

— Ser humanista hoje implica condenar os ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelenses e demandar a libertação imediata de todos os reféns. Ser humanista impõe igualmente o rechaço a resposta desproporcional de Israel que vitimou quase 30 mil palestinos em Gaza, em sua ampla maioria, mulheres e crianças e provocou deslocamento forçado de mais de 80% da população. A solução para essa crise só será duradoura se avançarmos rapidamente na criação de um Estado Palestino livre e soberano, um Estado Palestino que seja reconhecido como membro pleno das Nações Unidas.

O presidente reforçou importância de uma reaproximação com o continente africano e afirmou que por muito tempo o Brasil foi governado sem olhar para África:

— O Brasil sempre olhou o mundo sem enxergar o continente africano. O Brasil durante muitos séculos foi governado olhando para o Estados Unidos e olhando para a Europa, e o Brasil não via nem a América do Sul e muito menos via continente africano. Quando assumi a presidência em 2003, resolvi fazer com que o Brasil se aproximasse do continente africano. O oceano Atlântico não é um obstáculo para nossa aproximação, é uma dádiva de Deus para nossa aproximação.

Lula afirmou que já visitou 20 vezes o continente africano, que em seus mandatos foram abertos 19 embaixadas nos países africanos e voltou a falar da dívida histórica que o Brasil tem com o continente pelo período da escravidão

— Voltei a presidir o país, eu voltei e quero contribuir com o continente africano. Tudo, muito ou pouco, que o Brasil tem, quero compartilhar com o os países africanos, pois temos uma dívida histórica de 300 anos de escravidão que a única forma de pagar é com solidariedade e muito amor.

Veja no vídeo abaixo o discurso completo do presidente.

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Os palestinos de Gaza não têm para onde ir

Após ter deslocado palestinos para o sul de Gaza, Israel agora ataca Rafah, após ter destruído toda a Faixa, deixando os palestinos sem ter para onde fugir.

No dia 9 de fevereiro de 2024, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que seu exército invadiria Rafah, a última cidade remanescente em Gaza não ocupada pelos israelenses. A maioria dos 2,3 milhões de palestinos que vivem em Gaza fugiram para a sua fronteira sul com o Egito depois de serem informados pelos israelenses, no dia 13 de outubro de 2023, que o norte deveria ser abandonado e que o sul seria uma “zona segura”. Quando os palestinos do norte, especialmente da cidade de Gaza, começaram a marcha para o sul – muitas vezes a pé – foram atacados pelas forças israelenses, que não lhes deram passagem segura. Os israelenses disseram que tudo o que estivesse ao sul de Wadi Gaza, que divide a estreita Faixa de Gaza, seria seguro, mas quando os palestinos se deslocaram para Deir-al-Balah, Khan Younis e Rafah, depararam-se com jatos israelenses os seguindo e com as tropas israelenses os perseguindo. Agora, Netanyahu disse que suas forças entrarão em Rafah para combater o Hamas. Em 11 de fevereiro, Netanyahu disse à NBC News que os israelenses forneceriam “passagem segura para a população civil” e que não haveria “catástrofe”.

Catástrofe

O uso da palavra “catástrofe” é significativo. Essa é a tradução aceita em português da palavra “nakba”, utilizada desde 1948 para descrever a remoção forçada, naquele ano, de metade da população palestina de suas casas. O uso do termo por Netanyahu se dá depois de altos funcionários do governo israelense já terem falado de uma “Nakba de Gaza” ou de uma “Segunda Nakba”. A utilização dessas frases fez parte do requerimento da África do Sul à Corte Internacional de Justiça (CIJ) em 29 de dezembro de 2023, alegando que fazem parte das “expressões de intenção genocida contra o povo palestino por parte de autoridades do Estado israelense”. Um mês depois, a CIJ disse que havia evidências “plausíveis” de genocídio sendo conduzido em Gaza, destacando as palavras das autoridades israelenses. Uma das autoridades, o ministro da Defesa israelense Yoav Gallant, disse: “Eu suspendi todas as restrições [para a ação militar]” (o que foi citado tanto na queixa sul-africana quanto na ordem da CIJ).

Netanyahu disse que não haveria “catástrofe” depois que mais de 28 mil palestinos foram mortos e depois que dois milhões dos 2,3 milhões de palestinos em Gaza foram deslocados, o que é intrigante. Desde a ordem da CIJ, o exército israelense matou quase 2 mil palestinos. O exército israelense já começou a atacar Rafah, uma cidade com uma densidade populacional de 22 mil pessoas por quilômetro quadrado. Em resposta ao anúncio israelense de que entrariam na cidade de Rafah, o Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) – um dos poucos grupos que operam na parte sul de Gaza – declarou que essa invasão “poderia levar a resposta humanitária a um colapso”. O NRC avaliou nove dos abrigos existentes em Rafah, que abrigam 27,4 mil civis, e descobriu que os residentes não têm água potável. Como os abrigos estão extenuados, operando com 150% da capacidade, centenas de palestinos estão vivendo nas ruas. Em cada uma das áreas estudadas pelo NRC, os refugiados palestinos foram acometidos por hepatite A, gastroenterite, diarreia, varíola, piolhos e gripe. Devido ao colapso dessa resposta humanitária do NRC e das Nações Unidas – cuja agência UNRWA perdeu seu financiamento e está sob ataque dos israelenses – a situação se deteriorará ainda mais.

Passagem segura

Netanyahu diz que seu governo fornecerá uma “passagem segura” aos palestinos. Essas palavras têm sido ouvidas pelos palestinos desde meados de outubro, quando lhes foi ordenado que continuassem indo para o sul para evitar que fossem mortos pelos bombardeios israelenses. Ninguém acredita em nada do que Netanyahu diz. Saleem, um agente de saúde palestino, me disse que não consegue imaginar nenhum lugar seguro em Gaza. Ele chegou ao bairro de al-Zohour, em Rafah, vindo de Khan Younis, caminhando com a família, desesperado para sair do alcance das armas israelenses. “Para onde vamos agora?”, ele me pergunta. “Não podemos entrar no Egito. A fronteira está fechada. Portanto, não podemos ir para o sul. Não podemos entrar em Israel, porque isso é impossível. Devemos ir para o norte, de volta a Khan Younis e à Cidade de Gaza?”

Saleem se lembra que, quando chegou a al-Zohour, os israelenses atacaram a casa do Dr. Omar Mohammed Harb, matando 22 palestinos (entre eles, cinco crianças). A casa foi destruída. O nome do Dr. Omar Mohammed Harb me marcou porque me lembrei de que há dois anos sua filha Abeer se casaria com Ismail Abdel-Hameed Dweik. Um ataque aéreo israelense ao campo de refugiados de Shouhada havia matado Ismail em agosto de 2022. Abeer foi morta no ataque à casa de seu pai, que era um refúgio para os que fugiam do norte. Saleem mudou-se para essa área de Rafah. Agora ele está inquieto. “Para onde ir?”, ele pergunta.

Domicídio

Em 29 de janeiro de 2024, o relator especial da ONU sobre o direito à moradia adequada, Dr. Balakrishnan Rajagopal, escreveu um forte ensaio no The New York Times intitulado “Domicídio: a destruição em massa de casas deve ser um crime contra a humanidade”. Acompanhando seu artigo, havia um ensaio fotográfico de Yaqeen Baker, cuja casa foi destruída em Jabalia (norte de Gaza) pelo bombardeio israelense. “A destruição de casas em Gaza”, escreveu Baker, “tornou-se comum, assim como o sentimento de que ‘o importante é que você esteja seguro – todo o resto pode ser substituído'”. Essa é uma avaliação compartilhada em Gaza entre aqueles que ainda estão vivos. Mas, como diz o Dr. Rajagopal, a escala da destruição de moradias em Gaza não deve ser considerada um fato natural. Trata-se de uma forma de “domicídio”, um crime contra a humanidade.

O ataque israelense a Gaza, escreve o Dr. Rajagopal, é “muito pior do que o que vimos em Dresden e Roterdã durante a Segunda Guerra Mundial, onde cerca de 25 mil casas foram destruídas em cada cidade”. Em Gaza, segundo ele, mais de 70 mil unidades habitacionais foram totalmente destruídas e 290 mil foram parcialmente danificadas. Nesses três meses sob fogo israelense, ele observa, “um número chocante de 60% a 70% das estruturas em Gaza e até 84% das estruturas no norte de Gaza foram danificadas ou destruídas”. Devido ao domicídio, não há lugar para onde os palestinos de Rafah possam ir caso sigam para o norte. Suas casas foram destruídas. “Essa destruição de Gaza como um lugar”, reflete o Dr. Rajagopal, “apaga o passado, o presente e o futuro de muitos palestinos.” Essa declaração do Dr. Rajagopal é um reconhecimento do genocídio que está ocorrendo em Gaza.

Enquanto falo com Saleem, o som do avanço israelense pode ser ouvido à distância. “Não sei quando poderemos falar em seguida”, diz ele. “Não sei onde estarei.”

(*) Vijay Prashad é um historiador, editor e jornalista indiano. É redator bolsista e correspondente-chefe da Globetrotter. É editor da LeftWord Books e diretor do Tricontinental: Institute for Social Research. Escreveu mais de 20 livros, incluindo The Darker Nations e The Poorer Nations. Seus livros mais recentes são Struggle Makes Us Human: Learning from Movements for Socialism e (com Noam Chomsky) The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan, and the Fragility of U.S. Power.

*Opera Mundi

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Irlanda e Espanha pedem à UE rever cooperação com Israel devido a massacre em Gaza

Primeiros-ministros dos dois países entregaram documento em conjunto solicitando investigação sobre possíveis violações aos direitos humanos e exigindo criação do Estado palestino.

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, recebeu nesta quarta-feira (14/02) um documento assinado conjuntamente por Irlanda e Espanha propondo uma revisão do principal acordo de cooperação do bloco com o Estado de Israel.

O pedido, assinado pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e por seu homólogo irlandês Leo Varadkar, defende a abertura de uma investigação sobre os possíveis “crimes de guerra” e “violações aos direitos humanos” cometidas por militares israelenses durante os mais de quatro meses de bombardeios e ataques terrestres ao território palestino da Faixa de Gaza.

O texto da solicitação fala em “situação humanitária insustentável” e alerta para o “risco de uma catástrofe ainda maior a partir da expansão das operações em Rafah”.

Esse trecho se refere aos ataques iniciados durante o fim de semana, na cidade próxima à fronteira entre Gaza e o Egito, onde estão abrigados, como refugiados, uma grande parte dos palestinos que ficaram desabrigados devido à destruição promovida pela ofensiva militar israelense.

Em seguida, o documento exigir que as autoridades europeias “atuem urgentemente em relação à crise em Gaza”.

Nesse sentido, a proposta conjunta de Dublin e Madri consiste em avaliar as diretrizes do Acordo de Associação entre a União Europeia e o Estado de Israel, que sustenta a cooperação entre Bruxelas e Tel Aviv em aspectos econômicos, energéticos e militares, mas que também estabelece obrigações em termos de direitos humanos e princípios democráticos a serem cumpridos.

Na avaliação dos solicitantes, “é preciso verificar se Israel está cumprindo com suas obrigações dispostas no acordo”.

Em uma publicação em suas redes sociais, Sánchez mencionou a solicitação conjunta com a Irlanda, dizendo que “o compromisso da União Europeia com os direitos humanos e a dignidade das pessoas não pode ter exceções”.

*Victor Farinelli/Opera Mundi