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Chavismo segue no poder, bolsonarismo comemora só as bombas dos EUA

Nicolás Maduro foi sequestrado em uma invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos, mas o regime chavista não caiu. A vice transformada em presidente interina, Delcy Rodríguez, mandou uma mensagem clara aos EUA, de que quer trabalhar em conjunto, o que inclui a exploração de petróleo, enquanto garante apoio interno criticando o ataque dos EUA.

Se as empresas norte-americanas tiverem acesso ilimitado aos hidrocarbonetos e Washington trouxer Caracas para a sua esfera de influência, decidindo quem pode comprar ou não o petróleo venezuelano, ordenando o aumento e a produção de barris (o que afeta o preço internacional) de acordo com suas necessidades e reduzindo a presença da China e da Rússia, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio podem se dar por satisfeitos, pelo menos neste momento.

O chavismo terá que fazer uma correção de rumo para sobreviver, abandonando a polarização com os EUA. Mas a sua estrutura, seus protagonistas, a presença dos militares controlando várias camadas da economia e da vida cotidiana e, provavelmente, violações de direitos, continuam.

É sobre petróleo e geopolítica. Drogas e democracia são apenas a purpurina jogada em cima para brilhar aos olhos do público interno e da extrema direita global.

Aqui, no Brasil, de presidenciáveis, passando por líderes políticos e religiosos até chegar a cidadãos comuns, não são poucos os que saudaram a queda do regime chavista. Mas que queda?

Os EUA apresentam seu storytelling para justificar que são os picas das galáxias e, por isso, abduziram o autocrata facilmente. Mas foi tão fácil que tudo isso tem cheiro de acordão, do tipo: entregou-se o anel do Maduro, que está sendo exposto de forma humilhante como troféu, para manter os dedos.

Na prática, Delcy Rodríguez, que é vice desde 2018 e faz parte da chapa presidencial que fraudou as últimas eleições, segue no poder. E, principalmente, continuam o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, e Diosdado Cabello, ministro do Interior e Justiça. O primeiro continua comandando as tropas e o segundo, as forças de segurança. Não é que os EUA desmantelaram o poderio militar da Venezuela; ele não foi devidamente acionado neste final de semana.

Maria Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz apesar de ser uma das principais defensoras de uma invasão norte-americana na Venezuela, foi descartada, pelo menos por enquanto, por Trump. Ele falou, com todas as palavras, que ela é gente boa, mas não impõe respeito do seu próprio povo. O que é um lembrete: cuidado em tentar ser vassalo, você pode conseguir. Nesse sentido, as chances de Edmundo González, aliado de Corina que disputou as eleições com Maduro, são baixas.

Rodríguez foi fundamental nas negociações para que a Chevron operasse em seu país e sabe mesclar pragmatismo geopolítico e econômico e manter excitada sua base com a retórica do chavismo.

Ainda é muito cedo para entender o que virá pela frente, até porque estamos falando de Trump. Mas corre risco, por enquanto, de a extrema direita brasileira estar celebrando apenas o bombardeio da América do Sul por uma potência estrangeira, não o retorno da democracia na Venezuela.

*Sakamoto/Uol


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Breno Altman: “O chavismo fez uma aposta na politização do povo”

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, o jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi, comentou sobre a situação política na Venezuela e o papel do chavismo na politização da população, que, segundo ele, explicaria uma nova vitória do presidente Nicolás Maduro no processo eleitoral. Segundo Altman, “o debate político na Venezuela é bastante acentuado.

O país é muito politizado, o chavismo fez uma aposta na politização do povo. Você conversa com as pessoas aparentemente mais simples e elas dialogam sobre a política como sujeitos da política e não como audiência. É muito comum o eleitor chavista se referir o tempo todo como nós, ele se refere como parte integrante do processo.”

Altman destacou que “a politização é mais visível, é mais classista. O chavismo tem a ver com a massa da classe trabalhadora, da população mais pobre. No Brasil a classe trabalhadora não tem esse nível de politização. A disputa é uma disputa de ideias muito acirrada.”

O jornalista enfatizou que “o chavismo fez uma aposta na mobilização, na organização, na politização e na transformação do povo venezuelano no fator essencial da governabilidade, desde o primeiro momento.

A relação de Chávez e depois de Maduro com o povo não era uma relação de entrega, no sentido em que o governo realiza políticas públicas, agrada ou desagrada o eleitorado e recebe em troca o seu apoio eleitoral a cada eleição. Não foi esta relação, não foi uma relação de opinião pública. Foi uma relação de organizar, mobilizar e educar, e mudar o Estado venezuelano para que fossem criadas instituições de poder popular. O chavismo também implementou um sistema de referendos e plebiscitos, de tal maneira que o povo decidisse as grandes questões.”.