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Chineses sobre Trump: ‘Cães ladram por medo’

Pequim vê agressividade do governo americano no mundo como sinal de decadência, mas enfrenta seus próprios dilemas estruturais e sabe que EUA não cederá lugar sem disputa

O Vento e Sol disputavam quem era o mais poderoso e um eterno debate precisa acabar. Foi estabelecido, assim, que uma competição seria oficialmente realizada para colocar fim ao impasse. O critério era simples: quem conseguisse retirar a roupas dos seres humanos seria declarado como o mais forte.

O Vento foi o primeiro. Soprou de forma violenta, causando caos e destruição. Soprou e soprou. Apesar da agressividade e de seu impacto indiscutível, apenas conseguiu arrancar partes das roupas das pessoas.

Chegou a vez do Sol, que teve apenas de existir para iniciar sua participação na competição. Naquele dia, seu calor irradiado foi suficiente para que todos optassem por se despir. Estava decretado o vencedor.

Percorrendo a China nos últimos dias, foi assim que observadores me explicaram o cenário quando questionei como viam a disputa entre eles e os EUA pela hegemonia no século 21. A ordem entre os chineses é a de buscar ter influência sem repetir a atitude de violência dos “ventos americanos”.

Oficialmente, o governo em Pequim insiste que não quer imitar o modelo de europeus e americanos dos últimos 300 anos, como hegemonias globais. Seja por meio de colônias ou por uma ingerência constante em assuntos domésticos de países, incluindo o assassinato de líderes estrangeiros e golpes de estado.

Mas, fora das conversas oficiais, a constatação é de que todos sabem que o eixo do poder no mundo está rapidamente migrando para a Ásia e que, no novo modelo de influência internacional, a longevidade do poder chinês pelo mundo vai depender da capacidade de construi-la por vias mais sofisticadas que a das invasões e pilhagens.

Também admitem que, cada vez mais, a diplomacia chinesa está adotando uma nova postura, mais ousada e subindo a voz, sempre que for necessário. Por enquanto, pelo menos de forma pública, os ataques públicos por parte de Pequim tem se limitado às potências Ocidentais, com denúncias por parte dos chineses de violações de direitos humanos nos EUA, Canadá e Europa.

Mas mesmo essa atitude apenas passou a ser tomada quando Pequim se deu conta que está, finalmente, em condições de exigir um lugar de absoluto destaque na mesa das potências que definirão as regras do século 21.

Os EUA também sabem disso. Ao assumir o Departamento de Estado, Marco Rubio disse que a China é o maior desafio existencial dos norte-americanos em sua história. Nem a URSS representou tal desafio, mesmo no auge da Guerra Fria. Para Washington, em dez anos, Pequim terá as condições econômicas, políticas e de infraestrutura para decidir o que os EUA podem ou não podem ter acesso no mundo.

A China, de fato, deu uma demonstração dessa ameaça que podem representar quando, em resposta às tarifas dos EUA, Xi Jinping anunciou a proibição de exportação de minérios críticos, um abalo para a indústria de ponta e de defesa americana.

De fato, o próprio Departamento de Estado considera que Pequim poderá ter a capacidade de gerar um desabastecimento global em poucos anos se decidir vetar as vendas de insumos no setor farmacêutico ou de tecnologia.

Parar a China, antes que seja tarde demais
No governo Trump, a ordem é a de criar um cenário internacional no qual seria colocado fim à ideia de uma decadência inevitável dos EUA e uma ascensão imparável da China. Para a Casa Branca, isso precisa ser feito “imediatamente”, antes que seja tarde demais.

Para isso, a escolha foi por gerar uma profunda ruptura na ordem internacional e, portanto, nessa lógica. A estratégia é a de garantir que os EUA reduzam ao máximo sua dependência em relação ao abastecimento chinês, criar acordos para garantir acesso a recursos naturais fundamentais para tecnologia e ao setor militar.

Outro pilar da contra-ofensiva é a de impedir a instalação da China como ator estratégico no que Washington considera como “suas fronteiras”. Ou seja, em todo o continente latino-americano.

Cortar o abastecimento de petróleo para a China também é outra dimensão fundamental da reposta dos EUA à ascensão chinesa. É nesse contexto que Pequim considera que Trump agiu na Venezuela e no Irã.

Um quarto pilar seria ainda estabelecer um arco de aliados que possam “cercar” a China. Isso inclui parcerias com Índia e o Sudeste Asiático.

O problema, segundo os chineses, é que a estratégia usada pelos EUA significará, de forma imediata, a introdução do caos no cenário internacional.

Para Pequim, o governo norte-americano dificilmente atingirá seus objetivos por esse caminho. O primeiro motivo seria o impacto que tal ruptura teria para a própria economia dos EUA, debilitando o dólar e a credibilidade americana como parceiro confiável.

A avaliação é ainda de que, apenas com chantagens, bombas e ameaças, alianças estabelecidas serão frágeis. “São acordos feitos com armas na cabeça. Não planos de mútuo desenvolvimento. Não são alianças, são capitulações”, avaliou uma observadora na China.

De fato, pesquisas mostram uma profunda queda de popularidade internacional dos EUA e da crença do mundo sobre a legitimidade da liderança americana. Segundo um levantamento realizado pela Gallup em 130 países, apenas 31% dos entrevistados ainda considera os EUA como capaz de agir como líder mundial. A China, pela primeira vez, aparece com uma certa distância nesse retrato global. Mas, ainda assim, com apenas 36% de popularidade. Usando a analogia da lenda que me foi contada, o Sol também pode queimar.

Os limites e vulnerabilidades da China
Para os autores do levantamento, isso revela que nem americanos e nem chineses conseguem hoje romper um cenário de desconfiança. De fato, a China tem seus limites. Seu crescimento continua dependente das exportações, por mais que a taxa do mercado internacional tenha sido reduzida no peso da atividade industrial do país.

Ela também continua dependente do consumo de petróleo, ainda que busque alternativas tecnológicas. Basta uma visita à China National Petroleum Company, com seus milhares de funcionários e sua sede imponente, para entender que a história do desenvolvimento chinês está profundamente ligado ao seu abastecimento de energia.

Os profundos problemas de violações de direitos humanos também ainda são passivos que podem ser instrumentalizados pelo Ocidente para fustigar a China no palco global.

A escolha da China, na esperança de dar uma resposta, é se apressa para se apresentar como o vetor de estabilidade global e o parceiro confiável, que aposta no direito internacional.

Por enquanto, porém, a realidade é que o mundo vive um furacão, convencido de que sua violência será capaz de garantir sua influência. “Serão anos de turbulência”, constata um observador em Pequim. Após uma pousa, ele emendou. “Mas não podemos nos esquecer que cães ladram por medo”, completou, entre a fumaça de sua sopa e sua paciência milenar.

*Jamil Chade/Uol


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Política

Vídeo – Lula sobre Mujica: “Espero que a carne se vá, mas que as ideias fiquem”

O presidente Lula (PT) lamentou novamente, nesta terça-feira (13), a morte do ex-presidente do Uruguai José Mujica, aos 89 anos, durante entrevista coletiva ao final da visita à China, em Pequim. Ele disse que conhece muitos políticos, mas nenhum tem a grandeza de alma de Mujica.

Lula expressou seu pesar pela morte do aliado político e afirmou que o mínimo que pode fazer é se “despedir das pessoas que serviram de exemplo para a gente”. Ele ainda comentou que, ao retornar de viagem à China para Brasília, fará uma visita a Montevidéu para o enterro de Mujica.

O petista descreveu Mujica como um exemplo de dignidade e coragem. “Era um ser humano muito importante para a democracia, para os setores progressistas, para a esquerda”, afirmou Lula. “Ele era efetivamente uma figura excepcional.”

Lula também falou sobre o último encontro entre eles, em março, durante a posse do presidente Yamandú Orsi, e disse ter a certeza de que era a última vez que se encontravam em vida. “Ele mesmo dizia que estava no fim. Ele não escondeu nenhuma vez a gravidade da evolução da doença”, contou.

“Ele me disse ‘Lula, estou indo embora’. Com a maior tranquilidade que ele me disse isso, era o jeito que ele governava o Uruguai. A carne se vai, mas as ideias ficam. Espero que as pessoas tirem proveito das ideias e do ensinamento do Pepe Mujica.”

https://twitter.com/i/status/1922486551675609482

Lula também publicou em suas redes sociais uma homenagem, dizendo que a trajetória de Mujica “foi um exemplo de que a luta política e a doçura podem andar juntas”. “E de que a coragem e a força podem vir acompanhadas da humildade e do desapego.”

“Em seus quase 90 anos de vida, Mujica combateu fervorosamente a ditadura que um dia existiu em seu país. Defendeu, como poucos, a democracia. E nunca deixou de militar pela justiça social e o fim de todas as desigualdades”, escreveu o presidente.

*DCM

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Cotidiano

SP: Pior ar do mundo

Poluição é mais grave que em Pequim.

A qualidade do ar em áreas da cidade de São Paulo e da região metropolitana já começou a manhã desta segunda-feira (9) entre ruim e muito ruim em meio a mais um dia de calor, tempo seco e fumaça de incêndios. A situação fez de São Paulo a metrópole com a pior qualidade de ar no mundo por volta das 10h, de acordo com o site suíço IQAir.

Com registro de 160 no índice usado pelo site, a capital paulista não apenas superou as cidades de Ho Chi Minh, no Vietnã, e Lahore, no Paquistão –segunda e terceira colocadas, respectivamente–, mas também Jerusalém, em Israel, Doha, no Catar, e Pequim, na China, a quinta e a sexta com o ar mais poluído.

Dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) indicavam qualidade muito ruim, segundo pior da escala, nas estações de Carapicuíba, Itaim Paulista e Osasco. Na capital, o nível foi registrado na marginal Tietê (altura da ponte dos Remédios), no Parque Dom Pedro 2º (região central), em Perus e em Santana (ambos na zona norte).

Outras estações, como Ibirapuera, Interlagos e Santo Amaro, registravam o nível ruim. Apenas Itaquera e Mooca, ambas na capital, tinham qualidade boa na manhã desta segunda.

A categoria muito ruim pode agravar sintomas de quem tem doenças pulmonares e cardiovasculares, além de causar transtornos à população em geral.

Estações em outras áreas do estado, como Jundiaí e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, também apontavam qualidade do ar muito ruim.

Segundo a Defesa Civil estadual, 48 municípios paulistas seguem em alerta máximo para incêndio, e havia oito focos de fogo ativos nesta manhã, identificados, em General Salgado, Dois Córregos, Santo Antônio do Aracanguá, Pedregulho, Itirapuã, Mairiporã, São João da Boa Vista e Elias Fausto.

Quase todo o estado, com exceção do litoral, está em emergência para risco de incêndio, nível máximo de perigo apontado pela Defesa Civil, até o próximo sábado (14).

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Política

Críticas de Bolsonaro à China afetam negócios com maior parceiro comercial

O atraso no envio de insumos chineses para a produção de vacinas aqui no Brasil pode não ser o único impacto negativo para país após novas críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à China. Os comentários agressivos contra os chineses também estão atrapalhando a entrada de investimentos novos para setores como os de energia, transportes e tecnologia, dizem executivos que fazem intermediação dessas transações.

A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil, o país que mais compra produtos brasileiros. Os chineses são também um dos principais investidores estrangeiros nos setores de infraestrutura e tecnologia, áreas em que a economia brasileira precisa de capital para se desenvolver, destacam economistas.

Nas câmaras de comércio, que são muitas vezes a porta de entrada no Brasil de empresários chineses interessados em negócios no mercado brasileiro, há relatos de reuniões canceladas ou adiadas depois que Bolsonaro acusou os chineses de terem aproveitado a pandemia para superar outras economias.

Agenda de negócios suspensa

Segundo o presidente da CCIBC (Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China), Charles Tang, que lidera uma das principais organizações chinesas desse perfil aqui no país, muitas transações dependem de fatores como financiamento ou aprovações de órgãos reguladores.

E por isso, a cada comentário contra a China, aponta ele, surge o temor de que a burocracia seja usada para travar um projeto, por exemplo. Daí, as negociações emperram.

Se tem negócio suspenso por causa das posições do governo sobre a China? Vou responder dando um exemplo. O mundo inteiro está correndo para ajudar a Índia. A China mandou milhões de vacinas para a Índia. A China não está correndo para ajudar o Brasil. Por que ajudou a Índia e não o Brasil? Charles Tang, presidente da CCIBC – Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China.

Sem acusações, haveria mais negócios fechados

Segundo a gerente de Desenvolvimento de Negócio da CCIBC, Isabelle Carvalho Costa Pinto, especialista em relações internacionais, há empresas chinesas prontas para fazer investimentos no setor de tecnologia, uma área que está ganhando espaço na agenda de negócios dos chineses no Brasil.

O setor de tecnologia e inovação vem ganhando espaço no interesse dos chineses. O Brasil tem grande demanda, e, do lado chinês, há capital e conhecimento para investir. A China já tem grandes fundos de investimentos dispostos a alocar recursos no setor de serviços, que já estão olhando onde há oportunidades no Brasil, mas também em outros países. Se não tivéssemos tanta tensão e ruído, haveria mais negócios já fechados neste ano. Isabelle Carvalho Costa Pinto.

Receio de que retórica vire ação

Segundo a professora brasileira que atua na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim (China), Tatiana Prazeres, os chineses são pragmáticos e analisam oportunidades de investimento no Brasil de maneira prática e objetiva, sempre com foco no longo prazo.

O problema, pondera Tatiana, que já foi assessora sênior do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, e secretária de Comércio Exterior do Brasil, é que cada declaração negativa de membros do governo brasileiro alimenta entre investidores chineses o receio de que alguma ação concreta seja tomada contra o país.

Os chineses analisam oportunidades no Brasil olhando o longo prazo. Mas se esses comentários mais duros do governo brasileiro em relação à China se traduzirem em medidas concretas, há consequências para os investimentos chineses no Brasil. Então, é claro que há um certo receio por parte da China de que isso possa acontecer, que essa retórica se traduza em medidas concretas. Tatiana Prazeres, senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim.

*Do Uol

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Política

Pequim acusa Eduardo Bolsonaro de ameaçar a relação entre Brasil e China: “Vai arcar com as consequências”

Embaixada da China no Brasil foi às redes sociais para acusar Eduardo Bolsonaro o filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, de realizar declarações infames e de colocar em risco a relação entre os dois países.

O alerta ocorreu depois que o deputado fez graves acusações contra Pequim, no dia 23 de novembro.

“Na contracorrente da opinião pública brasileira, o dep. Eduardo Bolsonaro e algumas personalidades têm produzido uma série de declarações infames que, além de desrespeitarem os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”, disse.

“Acreditamos que a sociedade brasileira, em geral, não endossa nem aceita esse tipo de postura”, escreveu Pequim.

Na avaliação do governo chinês, as declarações do deputado são “infames”, “desrespeitosas” e derivam de manifestações comuns à “extrema direita norte-americana”. “Solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil. A sociedade brasileira não endossa nem aceita esse tipo de postura”.

“Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema-direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e a amizade sino-brasileira, e evitar ir longe demais no caminho equivocado, tendo em vista os interesses de ambos os povos e a tendência geral da parceria bilateral”, alerta.

“Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”, completa Pequim.

 

*Com informações de Jamil Chade/Uol

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