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Imóvel de suposto encontro de Kássio Nunes com prostituta, paga por Vorcaro, era da empresa de cunhado do banqueiro

Na época citada, o imóvel pertencia à Super Empreendimentos e Participações S.A, que teve como diretor Fabiano Zettel

O suposto encontro de Kássio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), com uma garota de programa paga por Daniel Vorcaro ocorreu em um apartamento em São Paulo que pertenceu a uma empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, de acordo com levantamento feito em cartório pelos núcleos investigativos dos portais Alma Preta e ICL Notícias.

Na época do suposto encontro, o imóvel pertencia à Super Empreendimentos e Participações S.A, que teve como diretor Fabiano Zettel, ex-pastor da Igreja Lagoinha e casado com Natália Vorcaro. Preso também em março, ele é apontado pelas investigações da Polícia Federal como o operador financeiro dos esquemas de lavagem de dinheiro do Master. A empresa teve suas atividades suspensas por decisão judicial, no âmbito das investigações sobre as fraudes no Banco Master.

Reportagens dos sites UOL e Metrópoles divulgaram nesta quarta-feira (15) novas mensagens extraídas do celular do ex-dono do Banco Master e que foram enviadas aos gabinetes dos dez ministros da mais alta corte do país. O STF vive a mais grave crise da sua história por causa das relações reveladas entre alguns de seus integrantes e o pivô do maior escândalo financeiro do país.

Entre as conversas, há um diálogo de uma mulher de nome Rayanna com Daniel Vorcaro. Ela seria uma agenciadora de garotas de programa, de acordo com nossa apuração.

No dia 28 de fevereiro de 2025, Rayanna informa ao dono do Banco Master que “as meninas estão prontas”. O banqueiro manda em resposta o seguinte endereço: “Leopoldo 1377 andar 23 itaim”. A data foi uma sexta-feira, primeiro dia do carnaval de 2025.

Trata-se do apartamento tríplex que ocupa todo o 23º andar do edifício Pateo Leopoldo, localizado na Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior, 1377, no bairro do Itaim Bibi, bairro de classe média alta de São Paulo.

Uma semana depois, em 7 de março de 2025, Rayanna envia novas mensagens por WhatsApp ao banqueiro sobre o que havia ocorrido naquele dia, de acordo com a reportagem do Metrópoles. Ela manda a seguinte sequência de mensagens: “A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.

Vorcaro pede “dados e valor” e Rayanna responde “10 né” e volta a afirmar “Ela ficou com ele”. Kassio seria uma referência ao ministro do STF Kassio Nunes Marques e do contexto da conversa infere-se que se trata de uma negociação sobre pagamentos de serviços sexuais.

Procurado pela reportagem, o ministro Kassio Nunes Marques não respondeu aos questionamentos. Ao Metrópoles, ele negou o encontro.

Apartamento de encontro vale R$ 50 milhões
O imóvel na rua Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior tem área de 914 metros quadrados, com direito a sete vagas de garagem e atendimento garantido de manobrista e ocupa todo o 23º andar.

O imóvel foi comprado pela Super Empreendimentos pelo valor de R$ 38 milhões em 14 de março de 2022. Fabiano Zettel entrou na empresa em agosto de 2021 e permaneceu até julho de 2024, quando renunciou ao cargo de diretor da companhia. Em março de 2026, a empresa foi suspensa por ordem judicial por ligação com o caso Master.

Segundo a Agência Pública, Zettel foi o maior doador pessoa física da campanha de Tarcísio de Freitas para o governo de São Paulo, em 2022, com R$ 2 milhões, e de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões.

Entrada de Fabiano Zettel no quadro societário da Super Empreendimentos e Participações S.A. Imagem: Reprodução/Junta comercial de SP

Na época do suposto encontro entre Nunes Marques e uma garota de programa, os diretores da empresa eram Leonardo Palhares e Ana Claudia de Paiva.

Palhares prestou depoimento para a Polícia Federal e foi apontado como integrante da estrutura financeira de Vorcaro, e Paiva é apontada como a responsável por fazer os pagamentos para “A Turma”, uma milícia utilizada para coagir pessoas incômodas ao banqueiro. Atualmente, Paiva é a única sócia da Super Empreendimentos e Participações S.A.

O apartamento teve uma valorização expressiva, ao longo do tempo. A IM2D Participações, responsável por vender o imóvel para a Super Empreendimentos, comprou em 2016 o imóvel por R$ 13 milhões. Em outubro de 2025, a Super Empreendimentos conseguiu aumentar os valores do imóvel, com a venda para a SF 1030X Participações Societárias por R$ 50 milhões.

*Por Pedro Borges (Alma Preta) e Flávio VM Costa (ICL Notícias)


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El País sobre Bolsonaro: Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher. Espere o efeito bumerangue

O ataque de Bolsonaro à repórter Patrícia Campos Mello vai ajudá-lo a definhar a partir de agora num Brasil onde 52% do eleitorado é feminino e que não vai mais voltar atrás em sua luta pelas mulheres.

Os covardes machistas podem fingir que não são covardes machistas, mas em algum momento eles se revelam. E não há momento mais oportuno para os atores públicos do Brasil mostrarem que não o são, longe de serem coniventes com a baixaria empreendida pelo presidente Jair Bolsonaro contra a repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, na manhã desta terça-feira. Num país em que 52% do eleitorado é feminino, deputados e senadores deveriam ficar alertas. Eles têm a grande oportunidade de mostrar que não vão deixar a vulgaridade assumir o Brasil, rasgando todo e qualquer senso de decência do Estado em relação a uma mulher, deixando que se propague uma mentira orquestrada dentro do Congresso.

Deixem de lado o fato de Patrícia ser jornalista. Ela é mulher. Poderia ser uma economista, uma copeira, uma faxineira, uma jogadora de futebol. Ela foi exposta com insinuações sexuais por um presidente, como nunca o Brasil viu. Ele não está na mesa de bar com amigos, está na frente das televisões dizendo que Patrícia queria “dar um furo a qualquer preço”, sugerindo sexo em troca de informação, o que é o mesmo que chamar uma mulher de prostituta. Só uma cabeça pervertida pode se sentir tão à vontade para dizê-lo em alto e bom som.

Nunca na democracia um chefe de Estado havia caído tão baixo apelando à vulgaridade para falsear a realidade. Quiçá no mundo. Nem Donald Trump chegou a tanto. O Congresso tem as provas à mão para admitir que Hans River do Rio Nascimento mentiu na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Parte dessas mentiras a insinuação asquerosa de Bolsonaro, pai de uma filha de 9 anos, que Patrícia faltou com a ética para ter uma informação. De qual referência parte Bolsonaro? Todo mundo sabia do que ele era capaz, desde que ele xingou uma repórter em abril de 2014. Mas editou a si próprio para fazer sua campanha e venceu. Legitimamente.

Desde então, empreende uma guerra grosseira, agressiva e mentirosa contra a realidade para esquivar-se de suas próprias capivaras. A morte de Adriano da Nóbrega, que convenientemente morreu nas mãos da polícia da Bahia, governada pelo Partido dos Trabalhadores, foi um presente no colo de Bolsonaro que agora se tornou o maior defensor de presos assassinos, embora repetisse sempre que “direitos humanos era para humanos direitos”, e seja um dos que faz coro ao jargão “bandido bom é bandido morto”. De onde vem essa mudança?

Os homens públicos deste país, empresários e agentes da Justiça vão deixar que o que já se construiu em termos de sociedade vá para o ralo? Em nome de quê? Senhores deputados e senadores, vocês podem ter um papel tremendamente decisivo neste início de 2020. Pelas suas filhas, pelas suas mães, pelas suas eleitoras, pelas suas irmãs. Não desprezem a construção que mulheres têm feito até aqui por um país mais decente e menos violento. A violência das palavras de um chefe de Estado reverbera em todas as esquinas e rincões do Brasil. Já se matam uma mulher a cada duas horas aqui, um estupro acontece a cada 11 minutos. Tenham decência, coragem, de estancar esta sangria desatada que abriu as portas para uma perversidade gratuita.

Vocês foram eleitos para que o Brasil fosse um país melhor, mais próspero, mais respeitado, mais ético. Não há melhora onde uma mentira é naturalizada na Casa em que vocês representam cada brasileira. Não há prosperidade num país onde se quer estabelecer o medo como forma de governo. Não há respeito por um país que fecha os olhos e silencia diante dos disparates que estamos assistindo. Isso também é corrupção. Corromper seu papel público em nome do poder.

Bolsonaro se cercou de ministros sem filtro, como Paulo Guedes ou Abraham Weintraub, e nos vemos agora tentando medir quais declarações foram mais ou menos canalhas que outras. O primeiro ano já havia sido execrável e neste 2020 ele dobrou a aposta. Brasil perverso. Estamos perto do dia 8 de março. Isso vai ter impacto. Foi assim que começaram grandes manifestações femininas pelo mundo. O presidente está dando farto material para as campanhas de seus adversários e dos inúmeros inimigos que está fazendo. Sabendo-se que é incorrigível e que está cego pelo poder, vai tropeçar em suas próprias palavras.

 

Carla Jiménez/El País