Tarcísio de Freitas, governador de SP (Republicanos) que chegou a afirmar que diploma não vale nada, resolveu colocar sua conta de comédia a serviço de uma aposta eleitoral com um cálculo estapafúrdio em que Flávio Bolsonaro venceria Lula por 53% a 47%. Uma previsão que revela muito sobre o ambiente político em que se movimentava e sobre a distância entre a bolha bolsonarista e a realidade brasileira.
Do outro lado, Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí (PT) com a maior votação do Brasil, um matemático, com menos de 2% das urnas apuradas, cravou que Lula estava eleito. Não era uma aposta baseada em torcida ou em bravatas de ocasião, mas uma leitura política e matemática do cenário que se desenhava nas urnas.
O contraste é emblemático: de um lado, a confiança performática de quem transforma desejo em prognóstico; do outro, um grande matemático e a percepção de quem acompanhava o movimento real da eleição.
Tarcísio apostou nos números que gostaria de ver. Fonteles enxergou o que estava acontecendo.
No fim, a urna não se curva a bravatas, pesquisas de conveniência ou apostas de ocasião. A realidade eleitoral tem uma característica implacável: não aceita ser substituída pela fantasia de quem acredita na própria propaganda.
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