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Flávio ganhou Rolex de empresário após orgia com prostitutas em plena pandemia

Um churrasco na lancha com Flávio Bolsonaro, lobistas e garotas de programa durante a pandemia

Às 20h30 da noite de 16 de julho de 2020, o consórcio montado por veículos de imprensa para contabilizar as vítimas da Covid registrava um marco trágico: 1.299 mortos apenas naquele dia. No total, 76.822 brasileiros já tinham morrido em decorrência do vírus, e os números não paravam de crescer. Poucos minutos depois desse registro público, mais precisamente às 20h49, o jatinho de prefixo PR-SAD decolou do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília.

O jato executivo Embraer Phenom 300, que pertencia à empresa Prime You e já teve Daniel Vorcaro como um de seus usuários, havia sido destacado para transportar dois empresários: Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, respectivamente. Os dois diziam representar o laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pelo desenvolvimento da vacina Covaxin, e queriam fechar um acordo com o governo de Jair Bolsonaro para produzir vacinas para o Brasil.

Embora, àquela altura, as vacinas ainda não fossem uma realidade palpável no mundo, havia uma corrida para sua pesquisa, produção e comercialização. Contratos começavam a ser firmados. Como o Brasil tinha um presidente negacionista, o país estava fora do páreo. Tanto a americana Pfizer quanto a chinesa Sinovac tentavam negociar com o Ministério da Saúde, mas nada avançava. A Precisa Medicamentos já era uma grande fornecedora do governo, a quem vendia de testes rápidos de Covid a preservativos femininos. Mas a empresa via a oportunidade de aumentar seus laços com a gestão de Jair Bolsonaro.

Para azeitar a perspectiva de bons negócios, Danilo Trento e Francisco Maximiano decidiram promover um passeio cujo objetivo era agradar ao primogênito do então presidente, o senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência da República pelo PL. A dupla recorreu então a um procedimento de praxe: procurou seu agente de viagens, Raphael Barão, dono da Barão Turismo, e o encarregou de organizar um churrasco a bordo de uma lancha, no Lago Paranoá, em Brasília. O principal atrativo do passeio, porém, não seria a picanha, mas três garotas de programa trazidas de São Paulo.

Havia seis pessoas a bordo naquele voo na noite de 16 de julho de 2020. Eram elas: os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano, o agente de viagens Raphael Barão e três garotas, duas loiras e uma morena. A aeronave aterrissou no aeroporto de Brasília às 22h12. De lá, todos os seis se dirigiram ao hotel Meliá Brasil 21, localizado no setor hoteleiro Sul da capital federal. O evento na lancha só ocorreria no dia seguinte.

Os jornais amanheceram em 17 de julho como de costume: tomados por notícias sobre mortos, infectados e desvios de recursos que deveriam ser usados para tratar os doentes. Por volta das 10h30 da manhã, um carro estacionou em um dos decks com acesso ao Lago Paranoá. O automóvel estava carregado com bebidas, como vodca, gim e cerveja, além de petiscos, destinados a abastecer a lancha de uma cabina, com cerca de 20 metros de comprimento, que estava atracada à beira do lago.

Entraram na embarcação Danilo Trento, as três garotas e o condutor da lancha. Logo em seguida, chegou o convidado principal da festa: Flávio Bolsonaro, que veio acompanhado de seu amigo, Alexandre Santini. Àquela época, Santini era sócio de Flávio Bolsonaro na operação da franquia da célebre loja da Kopenhagen, no Rio de Janeiro. (De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, a loja foi usada para lavar dinheiro oriundo da prática de rachadinha operacionalizada por Fabricio Queiroz, ex-PM e operador da família. O MP estima que 1,6 milhão de reais em espécie, devolvidos por assessores da Alerj, foram lavados por meio da loja de chocolates. O caso foi arquivado depois que o STF anulou as provas, em 2021).

Quando a lancha zarpou, pararam no Alô Grau, um restaurante flutuante no lago, onde compraram mais comida e bebida. A conta, paga por Barão, ficou em 1.949 reais. O barco então circulou pelo Lago Paranoá. O Sol era inclemente e os tripulantes temiam que algum drone do entorno os registrasse em seu veraneio pandêmico. Santini e Flávio Bolsonaro ficaram sem camisa. Santini exagerou na bebida. À certa altura, Flávio desceu à cabina com uma das garotas. Ela não foi a única a fazer esse caminho acompanhada do senador naquela tarde. Santini e Trento não desceram. Passaram a maior parte do tempo na proa da embarcação.

O passeio de barco se encerrou por volta de 15 horas. Mas havia ainda uma surpresa. Com o barco já atracado no deck, Danilo Trento, o interessado em vender vacina para o governo, quis presentear Flávio Bolsonaro com um mimo. Ele tirou de seu pulso um relógio Rolex, com pulseira em tom prateado, e colocou no pulso do senador. Flávio Bolsonaro foi embora usando o novo presente.

Terminado o passeio, era hora de partir. Amigo e sócio de Flávio Bolsonaro, Santini pediu carona para voar de Brasília para São Paulo no mesmo jatinho em que estavam os dois empresários, o agente de turismo e as garotas. Ele então foi até o hotel onde estava hospedado, o Royal Tulip Brasília Alvorada, localizado próximo ao Palácio da Alvorada, para pegar as suas coisas.

A aeronave decolou de Brasília às 17h55 e aterrissou em São Paulo às 19h13. Pouco tempo depois, às 20h30, o consórcio de imprensa divulgaria os dados de óbitos por Covid naquele dia: 1.110 pessoas.

inda que aprimorada, ramificada e institucionalizada por Daniel Vorcaro, que contava com uma equipe de três promoters para oferecer serviços sexuais a autoridades, de políticos a ministro do Supremo Tribunal Federal, a prostituição como engrenagem de lobby e corrupção não foi inventada pelo dono do Banco Master. Em Brasília, a moeda extrapola reais e dólares e contempla também encontros privativos e discretos em lanchas e hotéis. “Esses eventos acontecem em dias de semana, que são menos concorridos. Em geral, os barcos ficam parados ao final da barragem, quando não há outros barcos nem sequer fiscalização”, diz um ex-assessor parlamentar que frequentou algumas festas em lanchas com prostitutas, duas delas na presença do próprio Flávio Bolsonaro (“uma antes e outra durante a pandemia”).

A regra tácita em todas as festas desse tipo, em que circulam políticos, juízes, desembargadores e outros poderosos em atividades subterrâneas, é que as garotas de programa passem por uma revista. O uso de celular é vetado e, para não haver risco de vazamentos, as bolsas das profissionais são confiscadas. Em geral, nesses encontros, há mais mulheres que homens. “Uma média de duas a três mulheres por convidado”, diz uma participante que pede para não ter seu nome divulgado por temer por sua segurança. “As lanchas têm dois andares, com uma ou duas cabines.”

Em setembro deste ano, o jornalista Rodrigo Rangel publicou uma reportagem no site PlatôBR mostrando como Alexandre Santini, que estava no passeio de lancha no Paranoá, promoveu encontros de Flávio Bolsonaro com garotas de programa. Em uma outra coincidência, a reportagem de Rangel também noticia que o senador recebeu o mesmo mimo: um relógio Rolex. De acordo com o material do PlatôBR, tratava-se de um relógio modelo Submariner Date, avaliado em 305 mil reais. Foi comprado pelo advogado Alan Belaciano, que representava interesses privados junto a autoridades de Brasília.

Para reconstituir o passeio de lancha do dia 17 de julho de 2020, a piauí conversou com uma pessoa que estava na embarcação sob a condição de não revelar sua identidade, cruzou quebras de sigilo de Barão, Maximiano e Trento enviados às CPIs da Pandemia, do INSS e do Crime Organizado, ouviu dois pilotos, um ex-deputado, três assessores parlamentares e uma garota de programa que não participou daquele evento, mas já esteve em outros similares. A reportagem ainda confrontou os dados aéreos obtidos na apuração com os de uma plataforma de rastreamento de voos em tempo real.

phael Barão funcionava como uma espécie de concierge das viagens de Trento e Maximiano. Além de organizar a logística, também viajava junto. Apenas em 2020, ano em que aconteceu o passeio de lancha no Paranoá, a Barão Turismo recebeu cerca de 4 milhões de reais das empresas que integravam o grupo econômico da Precisa Medicamentos. Quando a turma da Precisa viajou à Índia para negociar com a Bharat Biotech, Barão também organizou a viagem e dela participou. Como o grupo em torno da Precisa tornou-se alvo da CPI da Pandemia e a prestação de serviços de turismo não foi devidamente comprovada no período por Barão, as autoridades acabaram quebrando seu sigilo e o de sua agência, assim como os de Maximiano e Trento, altamente envolvidos nas suspeitas de irregularidades na compra da vacina.

Nas sessões da CPI realizadas em agosto e setembro de 2021, um ano depois do passeio de lancha, o senador Randolfe Rodrigues afirmou que Barão mantinha uma empresa nos Estados Unidos usada para lavar dinheiro de Trento. O empresário negou. O senador Renan Calheiros quis saber de Maximiano se Flávio Bolsonaro havia intermediado o acesso da Precisa ao alto escalão do Ministério da Saúde. Maximiano negou. Calheiros perguntou, então, se fora Flávio quem aproximara a empresa do presidente Jair Bolsonaro, para que ele telefonasse ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e referendasse o negócio com a Bharat Biotech. Maximiano não respondeu, invocando o direito ao silêncio. Randolfe Rodrigues então perguntou a Trento se ele conhecia alguém da família Bolsonaro. Houve, enfim, uma resposta afirmativa. “Já estive em eventos institucionais com o senador Flávio”, disse Trento, antes de se corrigir: “Eventos públicos, não institucionais, desculpa.”

Flávio Bolsonaro, por sua vez, saiu publicamente em defesa da Precisa Medicamentos durante a CPI. Na oitiva de Emanuela Medrades, diretora da empresa, chegou a congratulá-la: “Cabe aqui um parabéns também público, pelo fato de a senhora, ao representar o laboratório indiano, ter batalhado para que fosse economizado dinheiro público”, afirmou. O elogio destoava dos valores negociados: o contrato da Covaxin previa o pagamento de 80 reais por dose, enquanto a Pfizer oferecia sua vacina por cerca de 56,30 reais e a AstraZeneca, por 18 reais.

As negociações haviam despertado suspeitas no servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, irmão do então deputado Luis Miranda, que denunciou publicamente as irregularidades. O contrato acabou sem que o primeiro pagamento fosse realizado. Flávio, porém, ironizava o escândalo. “É a primeira vez que eu vejo, na minha vida, um desvio de dinheiro público em que não tem um real que foi pago. Que dinheiro público? Então, eu fico satisfeito e até concordo com a oposição quando eles dizem que esse é o maior escândalo de corrupção do governo Bolsonaro, porque, no maior escândalo de governo, de corrupção, segundo eles, não houve corrupção.”

O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.

Em 20 de outubro de 2020, três meses depois do passeio de lancha, a proximidade com Flávio já havia rendido à dupla Trento e Maximiano uma demonstração concreta de prestígio. O senador abriu caminho para que Maximiano e outro executivo de sua empresa fossem recebidos pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano. A reunião, realizada virtualmente em razão da pandemia, tinha como objetivo discutir linhas de financiamento para uma nova empresa de Maximiano no setor de telecomunicações. Para deixar claro que endossava a empreitada, Flávio participou da ligação.

Quando a agenda veio a público, numa reportagem da Veja, o BNDES explicou que haviam ocorrido duas reuniões, uma delas com a presença de Montezano, e que nenhum financiamento fora contratado. Flávio, por sua vez, publicou um vídeo em que admitia ter “amigos em comum” com Maximiano em Brasília, mas negava manter com ele qualquer “relação comercial ou financeira”. “O que eu fiz sim foi pedir ao presidente do BNDES que ouvisse uma boa ideia que foi trazida pelo senhor Maximiano, para que o BNDES pudesse entender e, quem sabe, dar algum suporte para levar internet para o Norte e Nordeste”, justificou.

A reunião com Maximiano foi o único encontro oficial de Flávio com o BNDES, na condição de autoridade e sem outros parlamentares, desde o início da gestão de Montezano, em julho de 2019, até aquele momento. Para o presidente do banco, tampouco se tratava de uma agenda corriqueira. Montezano recebia com frequência deputados e senadores, individualmente ou em grupo. O incomum era que chegassem acompanhados de um empresário amigo, interessado em financiamento público.

Àquela altura, Flávio Bolsonaro já demonstrava interesse pelo mercado de telecomunicações. Frequentava viagens promovidas pelo senador Ciro Nogueira e pelo então ministro das Comunicações, Fábio Faria, para eventos internacionais do setor. Os parlamentares que integravam o grupo de trabalho responsável por acompanhar o leilão do 5G no Brasil, porém, não eram convidados para essas viagens.

Uma das viagens internacionais de Flávio como senador, a Las Vegas, em janeiro de 2020, coincidiu com a de Danilo Trento. Foi antes da pandemia e do passeio de lancha. A viagem custou 12,5 mil reais aos cofres do Senado apenas em diárias. Na programação, Flávio visitou o ateliê de Romero Britto, almoçou com executivos de uma empresa de navios turísticos e hotéis-cassinos e fez “visitas técnicas” acompanhado do então presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, o sanfoneiro. Encontrou-se até com Sheldon Adelson, magnata dos cassinos que morreria no ano seguinte. No pedido de autorização da viagem ao Senado, Flávio declarara que seu objetivo era “promover o turismo brasileiro no mercado internacional”, atrair cruzeiros e estimular o “investimento e instalação de novos resorts”.

Como Trento também estivera em Las Vegas exatamente naquele período, a CPI da Pandemia interessou-se em saber se ele havia viajado na companhia de algum senador. “Sr. Senador, com todo o respeito e baseado no meu habeas corpus, eu irei permanecer em silêncio”, respondeu. Diante da recusa de Trento em esclarecer o episódio, Flávio apressou-se em divulgar uma nota: “O senador nunca se reuniu com o Sr. Danilo Berndt Trento em Las Vegas, nem possui vínculo de qualquer espécie com o mesmo.”

Las Vegas não seria a última ocasião em que Flávio Bolsonaro apareceria associado ao universo dos cassinos. Em janeiro de 2025, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o senador passou o fim de semana anterior à posse de Donald Trump em Miami, no Hard Rock Hotel & Casino. Estava acompanhado do amigo Willer Tomaz, com quem é suspeito de manter uma sociedade oculta numa bet, conforme revelou a piauí. Segundo Jardim, a dupla passou a madrugada numa sala de jogos reservada. Flávio acompanhou Tomaz até o caixa do cassino ao fim da noitada, às 6h30. Lá, o amigo sacou 236 mil dólares em dinheiro vivo.

Na noite da última terça-feira, 20 de outubro, O Globo revelou que Tomaz havia pago a um site para desativar links com informações que o desagradavam. Um deles remetia a uma notícia cujo título, à luz dessas viagens, ganhava especial interesse: “Flávio Bolsonaro é contra PL dos Jogos, mas frequenta cassinos e se reúne com operadoras em Las Vegas.”

Até o fechamento desta reportagem, Flavio Bolsonaro não se manifestou. Também procurado, Danilo Trento não atendeu às ligações da piauí e, por mensagem, pediu para antecipar o assunto por estar em uma “call”. Uma vez informado sobre os detalhes da pauta – os voos, a confraternização na lancha e o Rolex –, interrompeu a comunicação. A reportagem também procurou os advogados de Francisco Maximiliano, por mensagem de WhatsApp e por e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

*João Batista Jr., de São Paulo, Ana Clara Costa, do Rio de Janeiro, e Breno Pires, de Brasília/Revista piauí


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Investigação

FBI envia e-mail à PF com troca de mensagens entre Cid e loja do Rolex de Bolsonaro

Em nova prova, Cid detalha como o advogado Frederick Wassef compraria relógio em dinheiro vivo para reintegrá-lo ao acervo presidencial.

A Polícia Federal recebeu, em cooperação internacional com o FBI, uma troca de e-mails do ex-ajudante de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, com a Precision Watches, loja onde foi recomprado, ilegalmente, o Rolex do ex-presidente, segundo Bela Megale, O Globo.

Na troca de mensagens, Cid informa à empresa que deseja fazer o pagamento em espécie e é avisado que, por se tratar de uma operação acima de US$ 10 mil, o comprador precisará assinar um documento. No e-mail, Cid afirma à loja que a pessoa que faria a compra seria o advogado Frederick Wassef.

A troca de e-mails contraria a versão apresentada por Wassef, como informou o “G1”. Em agosto, o advogado de Bolsonaro admitiu ter ido aos Estados Unidos para reaver o Rolex recebido pelo ex-presidente como um presente de Estado, mas negou ter sido orientado por Cid a fazer a operação.

Em sua confissão da recompra, o advogado mostrou um recibo no valor de US$ 49 mil. O Rolex foi vendido ilegalmente nos Estados Unidos pelo ex-ajudante Mauro Cid. Como se tratava de um presente de Estado, não poderia ser comercializado.

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Opinião

O que têm a contar os celulares de Wassef, advogado de Bolsonaro

São mais de mil gigabytes de informações, parte delas conversas com o ex-presidente.

Se arrependimento matasse, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante-de-ordem de Bolsonaro, já estaria morto. A perda por descuido ou de propósito do seu celular talvez bastasse para salvar a sua e a honra da família Lourena Cid, aí incluídos o pai, um general de quatro estrelas, e a mulher, mãe dos seus filhos.

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, foi mais esperto – ou descuidado. Às vésperas do golpe de 8 de janeiro, viajou aos Estados Unidos onde estava Bolsonaro. E voltou de lá sem o celular. Perdeu-o, foi o que simplesmente disse.

Nos celulares de Mauro Cid foram encontradas mensagens que o comprometem, e à sua mulher, Gabriela Santiago, com a falsificação de certificados de vacina contra a Covid-19 e a tentativa fracassada de golpe para anular os resultados das eleições vencidas por Lula em 2022 e perdidas por Bolsonaro.

Gabriela já foi ouvida pela Polícia Federal que guarda em segredo o que ela contou. Mauro Cid já foi ouvido mais de uma vez – somente ontem, durante 10 horas. Ninguém passa tanto tempo calado só ouvindo perguntas. É verdade que pode passar tanto tempo mentindo, mas quanto mais mentir, pior para ele.

Será inevitável que o general Mauro Lourena Cid acabe sendo chamado a depor. Vai ter que explicar por que uma das joias roubadas por Bolsonaro foi parar em suas mãos. Há fotos dele com ela. E porque parte do dinheiro apurado com a venda de outras joias foi depositada por ele, general, na conta de Bolsonaro.

Pai e filho envergonharam a farda que ainda vestem, e seus colegas de caserna. O que os colegas dirão à tropa? Que pai e filho, supostos discípulos de Caxias, o patrono do Exército, não souberam ou não quiseram dizer não às vontades de um ex-capitão, órfão da ditadura, que só pensava em ficar rico, e ficou?

No momento, o que parece interessar à Polícia Federal é o conteúdo dos quatro celulares tomados de Frederick Wassef, conhecido como Wasséfalo, um dos advogados de Bolsonaro. São mais de mil gigabytes de informações. Wasséfalo diz ter recomprado com seu dinheiro o Rolex que Bolsonaro roubou.

Recomprou para quê? Para devolvê-lo ao Estado brasileiro, dono das joias roubadas, apagando assim o crime cometido – mas isso Wasséfalo não diz. Dirá uma mentira qualquer para salvar a própria face, e a do seu patrão. Por ora, a Polícia Federal não tem pressa em interrogá-lo. Ouvirá primeiro os quatro celulares.

É o que Bolsonaro mais teme. Wasséfalo sempre foi um boquirroto, exibicionista e franco atirador. Faz o que lhe dá na cabeça. Mas é improvável que tenha resgatado o Rolex por sua própria conta e risco, e gastando do seu bolso. Cumprida a missão, ele entregou o relógio a Mauro Cid, que agora chora pelo pai,

Wassef pode ser mais Wasséfalo do que Wassef, mas não é de rasgar dinheiro. Pelo menos o dele, não. Só acumula. E é grato ao seu cliente preferencial. Bolsonaro é que é ingrato com todo mundo que o ajuda. Uma hora vai pagar por isso.

*Blog do Noblat

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Política

Wassef sinaliza que dará nome de ‘mandante’ de recompra do Rolex de Bolsonaro

Advogado é uma das oito pessoas que prestarão depoimentos simultâneos nesta quinta-feira à PF sobre o caso das joias.

O advogado do clã Bolsonaro, Frederick Wassef, tem sinalizado a pessoas próximas que dirá à Polícia Federal quem foi a pessoa que solicitou a recompra do Rolex dado ao ex-presidente, segundo Bela Megale, O Globo.

O gesto foi feito por Wassef a interlocutores do meio político com quem mantém contato. Ele será um dos oito intimados que prestarão depoimentos nesta quinta-feira aos investigadores sobre o caso das joias de maneira simultânea.

Na coletiva de imprensa que concedeu, há duas semanas, sobre a compra do Rolex, Wassef admitiu que adquiriu relógio em uma loja nos Estados Unidos para entregar o item ao Tribunal de Contas da União (TCU). Ele negou, porém, ter atendido a um pedido de Jair Bolsonaro ou do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

“Sim, fui aos Estados Unidos e comprei o Rolex. O motivo de eu ter comprado esse relógio: não foi Jair Messias Bolsonaro que me pediu. Meu cliente Jair Bolsonaro não tem nada a ver com essa conduta, que é minha, e eu assumo a responsabilidade. Eu fui, eu assumo, eu comprei”, afirmou na ocasião.

Agora, Wassef tem sinalizado que deve apontar o “mandante” da compra. Na mesma entrevista, advogado foi perguntado porque comprou o acessório de luxo e respondeu que só iria dar essa informação à PF ou em outro momento, após ter acesso ao inquérito.

Conforme relatório da PF, enquanto Wassef recuperação o Rolex, Mauro Cid também resgatava em outra loja nos EUA itens do conjunto de ouro branco que Bolsonaro recebeu como chefe de Estado.

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Justiça

PF deve pedir ao FBI diligência à joalheria onde Rolex de Bolsonaro foi recomprado por Wassef

Objetivo é buscar provas e respostas sobre a aquisição do relógio pelo advogado do ex-presidente. A PF fez uma lista de pedidos ao órgão norte-americano; veja quais são.

A Polícia Federal (PF) aguarda a validação de cooperação internacional para encaminhar ao FBI o pedido oficial fazer diligência na joalheira da Pensilvânia, nos EUA, com o objetivo de buscar provas e respostas sobre a recompra do relógio da marca Rolex, avaliado em R$ 300 mil, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo advogado Frederick Wassef.

Na terça (15), Wassef confirmou que viajou aos EUA e que comprou o relógio que Bolsonaro ganhou de presente e, depois vendeu no país. O advogado pagou US$ 49 mil em espécie. Wassef, no entanto, negou ter participado de uma “operação de resgate” da joia a mando do ex-assessor de Bolsonaro.

A Polícia Federal (PF) aguarda a validação de cooperação internacional para encaminhar ao FBI o pedido oficial fazer diligência na joalheira da Pensilvânia, nos EUA, com o objetivo de buscar provas e respostas sobre a recompra do relógio da marca Rolex, avaliado em R$ 300 mil, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo advogado Frederick Wassef, segundo o G1.

Na terça (15), Wassef confirmou que viajou aos EUA e que comprou o relógio que Bolsonaro ganhou de presente e, depois vendeu no país. O advogado pagou US$ 49 mil em espécie. Wassef, no entanto, negou ter participado de uma “operação de resgate” da joia a mando do ex-assessor de Bolsonaro.

A PF fez uma lista de pedidos ao FBI para obter mais informações:

  • Existe imagem do Wassef na joalheria?
  • Ele estava sozinho ou acompanhado?
  • Há registro do pagamento em dinheiro pela recompra do Rolex?
  • Foi usado algum cartão de crédito internacional? Caso sim, em nome de quem?
  • É possível rastrear a origem dos dólares usados na negociação?
  • O dinheiro saiu de alguma conta nos EUA em nome do próprio Wassef, de conta em nome do ex-presidente Bolsonaro, do Mauro Cid e/ou do general Cid?