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Palantir: a empresa mais perigosa do mundo

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem em destaque: Adrián Astorgano / El Salto)

A Palantir combina ferramentas de controle, a lucratividade da guerra e ideologias totalitárias em uma série de produtos que se espalharam por todo o planeta

inferno se abateu sobre a escola Shajareh Tayyebeh, em Minab. Era sábado, 28 de fevereiro de 2026, dia letivo no Irã. As aulas haviam sido suspensas devido aos bombardeios americanos, mas centenas de pessoas permaneciam no prédio, esperando que os alunos fossem buscados por suas famílias. Era um processo demorado, já que muitas meninas e meninos moravam nas aldeias vizinhas e precisavam esperar a chegada dos veículos vindos das áreas rurais. Três mísseis Tomahawk atingiram a escola de Minab, causando 175 vítimas fatais, a maioria delas crianças.

Shajareh Tayyebeh é o cenário do primeiro suposto crime de guerra da Operação Fúria Épica lançada pelos Estados Unidos e Israel. Conforme admitiram fontes do exército norte-americano, cuja administração a princípio negou o ataque, tratou-se de um erro. O software utilizado para a classificação de alvos havia identificado aquela escola infantil como uma infraestrutura militar. Assim estava designada desde 2013 e ninguém — nem humano, nem máquina — havia alterado a classificação daquele centro, que há muito tempo era independente do prédio militar adjacente.

Um software de comando e controle chamado Maven, que tem como base a hipótese de que a rapidez na tomada de decisões é determinante para a vitória em uma guerra, selecionou a infraestrutura civil e os humanos endossaram a decisão de bombardear a escola. Trata-se de um sistema de inteligência artificial utilizado pelo Pentágono para análise de inteligência, vigilância e planejamento de ataques.

Outras investigações indicam que o Maven também foi a ferramenta por trás da operação de sequestro de Nicolás Maduro lançada pela Casa Branca em 3 de janeiro de 2026. Em 21 de março de 2026, três semanas após o massacre de Minab, a Reuters informou que um memorando do Pentágono estabelecia o Maven como o sistema militar central dos Estados Unidos. Por trás do Maven está a Palantir ou, como a qualificou Robert Reich, ex-secretário do Trabalho no governo Obama, “a empresa mais perigosa da América”.

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. A CIA seguiu o instinto de Peter Thiel e Alex Karp, fundadores da Palantir, que perceberam que os ataques de 11 de setembro de 2001 poderiam ter sido antecipados com uma infraestrutura capaz de apresentar, de forma simples e operacional, os dados que já estavam nas bases das principais agências de inteligência do país.

Foi assim que a Palantir cresceu e, por meio dos softwares Gotham (para instituições de controle) e Foundry (para empresas), expandiu-se por todos os pontos do “Ocidente” com uma aposta baseada no domínio. A empresa fornece sistemas que permitem às agências governamentais acessar um panóptico de vigilância e, uma vez estabelecida nelas, torna-se parte indispensável da gestão política do Estado, contribuindo para uma base de obscuridade e invisibilidade das decisões que evita a prestação de contas democrática.

Em 18 de abril, o cofundador da Palantir, Alex Karp, e Nicholas W. Zamiska, chefe de assuntos corporativos da empresa, lançaram um manifesto por meio da rede de extrema direita X, o que colocou a empresa como tema de conversa em todo o mundo. Baseado no livro A República Tecnológica: Poder Bruto, Pensamento Fraco e o Futuro do Ocidente, escrito por Karp e Zamiska e publicado em 2025, o manifesto gerou milhares de posts e artigos, mas também teve um impacto colateral entre os funcionários da empresa. “Era supostamente nós que deveríamos impedir muitos desses abusos. Agora não os impedimos. Parece que estamos os promovendo”, explicava um desses funcionários à revista norte-americana Wired.

Mas, acima de tudo, o manifesto colocava em primeiro plano alguns dos discursos que Karp tem defendido nos últimos anos. Sua hipótese é que a sociedade americana se tornou medíocre, que a “psicologização da política moderna” é um desvio do caminho correto e que a indústria tecnológica tem se orientado para satisfazer esse conformismo, o que fez com que os EUA ficassem para trás na corrida armamentista e na defesa da nação, algo com o que o manifesto se inicia. Para isso, sugerem o retorno do serviço militar obrigatório e a primazia que os EUA devem ocupar na “dissuasão baseada em IA”. Outro dos elementos que levou o manifesto a ser descrito como “os delírios de um supervilão”, é um forte viés supremacista, explicitado em frases como “algumas culturas produziram avanços vitais; outras continuam sendo disfuncionais e regressivas”.

Expandida por todo o mundo
Somando os contratos obtidos do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Defesa e do Pentágono, a empresa obteve 1,8 bilhões de dólares em receitas provenientes do governo dos EUA em 2025. 55% da receita da Palantir depende desses contratos, o que demonstra a imbricacão do atual governo Trump, suas políticas de choque e a posição monopolística que a empresa de Thiel e Karp está ocupando no atual processo de acumulação militarizada. A Palantir é proprietária de um software que está forjando as bases do novo Estado policial norte-americano, conforme descrito por Robert Reich. Na sequência do manifesto da Palantir, os autores Arnaud Miranda e Gilles Gressani descreveram como “por trás do vocabulário republicano, se desenrola uma estratégia que pode ser resumida em uma fórmula: transformar o Estado em uma filial de sua própria infraestrutura digital, esvaziando assim a soberania de sua dimensão democrática”.

O Ministério da Defesa espanhol, o serviço de inteligência francês ou sistemas como o de saúde e o de dissuasão nuclear britânicos contrataram os serviços da Palantir, que também se ofereceu para gerenciar, a baixo custo, sistemas logísticos de distribuição de ajuda por parte de ONGs. Uma experiência que agora serve para a gestão das batidas migratórias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) por meio do programa ImmigrationOS fornecido pela empresa de Thiel e Karp.

A jornalista especializada em tecnologia e direitos humanos Marta Peirano explica que a base do poder acumulado pela Palantir é a gestão privada de dados fornecidos por órgãos públicos. A partir dessa análise e apresentação, a empresa propõe modelos algorítmicos de tomada de decisão que oferecem soluções aparentemente técnicas. Em terceiro lugar, a Palantir treina seus modelos de inteligência artificial com base nos dados e na experiência coletados, de modo que, embora a empresa afirme não acumular esses dados, na prática eles se tornam o combustível que alimenta seu produto.

Em toda a cadeia de decisões, há considerações éticas sobre privacidade e os vieses empregados nessas segmentações que despertam a atenção de defensores dos direitos humanos em todo o mundo. Há uma “delegação de funções e responsabilidades por parte do governo”, detalha Peirano, que transforma a empresa em um ator privilegiado no comando de instituições, a priori, sujeitas ao escrutínio democrático. Como alertou o pesquisador francês Olivier Tesquet, coautor de Apocalipsis Nerd, por meio dessa posição de poder na tomada de decisões, a Palantir aspira se tornar “o sistema nervoso da próxima ordem mundial”.

O anticristo e o transumanismo
Uma empresa perigosa requer fundadores perigosos. Na campanha de 2016, Thiel foi um dos grandes doadores de Trump, o primeiro dentro do até então nominalmente liberal Vale do Silício. Posteriormente, tornou-se o grande patrocinador do agora vice-presidente dos EUA, JD Vance. Após a vitória da chapa formada por Trump e Vance em 2024, Thiel colocou parte de sua comitiva em cargos-chave do governo americano. Outra figura fundamental do governo Trump, o porta-voz e vice-diretor do Gabinete de Políticas da Casa Branca, Stephen Miller, possui uma participação de várias centenas de milhares de dólares na Palantir.

O fundador da Palantir soube enxergar o potencial de Donald Trump como acelerador das tendências pós-democráticas necessárias para seu projeto político. Seu credo está relacionado ao do Iluminismo Negro. Baseia-se na preeminência dos monopólios, monarquias corporativas, destinadas a governar cidades ou territórios fora do princípio democrático. A ideia foi colocada em prática em ilhas como Roatán — cedida pelo governo corrupto de Juan Orlando Hernández, em Honduras — onde o município de Próspera é uma “zona de emprego e desenvolvimento econômico” fundada em 2017 com o dinheiro de uma série de tecnooligarcas, entre os quais se encontra Thiel. Próspera prefigura um plano muito mais ambicioso: o controle das populações por meio da tecnologia e da vigilância e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento das criptomoedas como ferramenta de controle por meio da economia. Mutatis mutandis, é o mesmo plano apresentado por Jared Kushner para a “nova Gaza”.

A Próspera tem sido, também, um pequeno laboratório de experimentação clínica, seguindo o principal desejo de transcendência que move Thiel e outros investidores como Sam Altman (ChatGPT) ou o investidor Marc Andreesen, seguidores das filosofias TESCREAL. Essa sigla, popularizada de forma crítica pelo filósofo Emile P. Torres, abrange uma série de vertentes de pensamento, entre as quais se destacam o transumanismo e o longoprazismo, nos quais Thiel milita ativamente.

Essas ideologias coincidem em um ponto-chave: a extinção dos seres humanos pode se tornar um dano colateral da chegada dos indivíduos pós-humanos, uma ideia defendida por Thiel, entre outros. Como Torres observou a respeito do longoprazismo no podcast Utopía X: “Vejo o longoprazismo como um movimento a favor da extinção que, como tal, representa uma ameaça significativa e de curto prazo para nossa espécie, porque os longoprazistas não estão interessados só em criar pós-humanos em algum momento, mas querem criar pós-humanos o mais rápido possível”.

Da Escola de Frankfurt à Escola de Minab
O segundo nome mais conhecido da Palantir é o de Alex Karp, CEO da empresa. Ao contrário de Thiel, Karp remete-se à tradição filosófica europeia, em princípio distante do milenarismo profético que caracteriza o primeiro. Influenciado por Jünger, Habermas e a Escola de Frankfurt, Karp mudou de um discurso que inicialmente era entendido como “a esquerda da Palantir” para um pensamento que identifica dois inimigos fundamentais.

Em primeiro lugar, os inimigos do que eles chamam de “Ocidente”, ou seja, a Rússia, o Irã e, sobretudo, a China. Em segundo lugar, o chamado “vírus woke”, com o qual a extrema direita classifica a esquerda defensora dos direitos humanos. Como resume Tesquet, para Karp “as democracias estão perdendo uma espécie de guerra de civilizações contra seus adversários autoritários, não porque lhes falte talento, mas porque seus engenheiros se tornaram apreensivos demais para colocar suas habilidades a serviço do poder militar”.

De origem judaica, o fator que desencadeou o discurso mais violento por parte de Karp foi o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, no qual a Palantir participou orgulhosamente, conforme confirmou o próprio CEO da empresa.

Os assassinatos extrajudiciais fazem parte dos danos com os quais a civilização deve arcar, segundo a ideologia exposta por Karp, que se inspira cada vez mais em uma fonte alemã radicalmente distinta das de Frankfurt, como é o pensamento do jurista do Terceiro Reich Carl Schmitt a respeito da dicotomia amigo-inimigo, na qual os Estados se baseiam para sua maior prosperidade. Em uma reviravolta inusitada, o manifesto publicado em abril por Karp e Zamiska fazia uma referência às potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial, em seu ponto número 15: “O desarmamento da Alemanha foi uma correção excessiva pela qual a Europa agora está pagando um alto preço. Um compromisso semelhante e altamente teatral com o pacifismo japonês, se mantido, também ameaçará alterar o equilíbrio de poder na Ásia”.

Como concluiu Olivier Tesquet, a Palantir ocupa um lugar central na biopolítica do capitalismo tardio, decidindo quem deve viver — inclusive, seguindo o credo de Thiel, que tipo de seres pós-humanos devem sobreviver à espécie homo sapiens — e quem deve morrer, em uma aposta pela necropolítica de difícil reversão. Para revertê-la, conclui Peirano, não basta acabar com a crescente dependência que os Estados ocidentais adotaram em relação à Palantir, mas será necessário destruir as bases de dados acumuladas por essa empresa, uma empresa que aspira criar uma espécie de Razão Tecnológica de Estado, uma versão acelerada e privada das tendências autoritárias latentes nas democracias liberais.

*Opera Mundi

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Política

Empresa israelense do software que Lava Jato e governo Bolsonaro negociaram, terá que indenizar o Whatsapp por espionagem

A NSO Group, empresa israelense criadora do software espião Pegasus, foi condenada a pagar US$ 167 milhões ao WhatsApp por invadir ilegalmente 1,4 mil contas em 2019. A decisão, anunciada por um júri nos Estados Unidos, marca a primeira vez que uma desenvolvedora de spyware é responsabilizada judicialmente por explorar falhas de segurança em plataformas digitais. Além da multa principal, a NSO deverá indenizar a Meta, proprietária do WhatsApp, em outros US$ 444 mil por danos adicionais.

O Pegasus é uma ferramenta que permite o acesso remoto a celulares, capturando microfones, câmeras e outras funcionalidades sem o consentimento do usuário. A empresa vendeu este programa a governos autoritários, que o utilizaram para espionar jornalistas, ativistas, políticos e membros de famílias reais árabes. Durante o governo de Jair Bolsonaro, houve tentativas de aquisição do Pegasus, impulsionadas por Carlos Bolsonaro, dentro de uma estratégia de monitoramento mais abrangente, gerando críticas de organizações civis e de direitos humanos. As negociações foram reveladas por jornais brasileiros e internacionais.

O caso traz à tona o envolvimento da Operação Lava Jato, que negociou, assim como o governo Bolsonaro, o software, em discussões sobre ferramentas de espionagem cibernética, conforme relatado pela defesa do presidente Lula, que mencionou, em petição ao Supremo Tribunal Federal, que a operação teve acesso a diversas tecnologias de espionagem, incluindo o Pegasus. O documento foi assinado por Valeska Teixeira Martins e Cristiano Zanin, que atualmente é ministro do STF.

Esta condenação e os eventos relacionados ao Pegasus levantam questões sobre privacidade, direitos humanos e o uso ético de tecnologias de vigilância. O desfecho do caso representa um marco significativo na responsabilização de empresas que desenvolvem software espião no cenário global.

A Meta celebrou uma importante decisão judicial contra o uso ilegal de spyware, destacando que a condenação da NSO Group envia um alerta para a indústria maliciosa que ataca empresas norte-americanas. O WhatsApp chamou essa decisão de “primeira vitória” no combate ao desenvolvimento e uso ilegal de spyware. Em contrapartida, a NSO Group declarou que revisará atentamente os detalhes do veredicto e considerará recorrer judicialmente. A empresa defende que seu software Pegasus é destinado unicamente a autoridades autorizadas para investigação de crimes graves e terrorismo, embora essa justificativa tenha sido amplamente contestada.

O escândalo relacionado ao Pegasus ganhou notoriedade em 2021, após o vazamento de uma lista com mais de 50 mil números de telefone que supostamente foram alvos de espionagem. Essa lista incluía presidentes, diplomatas, executivos, ativistas e mais de 180 jornalistas. Investigações conduzidas pelo Citizen Lab, grupo canadense, indicaram que até membros do governo britânico, incluindo autoridades do gabinete do primeiro-ministro e do Ministério das Relações Exteriores, foram hackeados.

Entre as figuras mais notórias espionadas estão o presidente francês, Emmanuel Macron, e pessoas associadas ao jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado em 2018 no consulado saudita em Istambul.

A decisão judicial recente intensifica a pressão jurídica e política sobre a NSO Group, possibilitando que outras grandes empresas de tecnologia, que também foram vítimas do Pegasus, busquem reparações legais. Essa situação destaca a crescente importância de estabelecer limites claros e regulamentações para o uso de ferramentas de vigilância invasivas, especialmente em um cenário onde a privacidade e a segurança digital se tornam cada vez mais cruciais.

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Mundo

Grupo pede em Israel investigação criminal de software usado pela Abin

Pedido sobre “Abin Paralela” está nas mãos da Procuradoria Geral de Israel.

Um grupo israelense liderado pelo advogado Eitay Mack encaminhou à Procuradoria Geral de Israel um pedido de investigação criminal sobre o uso ilegal do software First Mile no Brasil. O programa – usado para espionar ilegalmente a localização de desafetos e até aliados da família Bolsonaro – foi vendido ao Exército Brasileiro pela empresa israelense Cognyte e está no centro do escândalo de espionagem ilegal dentro da Abin.

No documento protocolado pelo advogado Mack, as operações da Polícia Federal no Brasil são usadas como base na argumentação para que a Cognyte seja investigada em Israel, onde a empresa já tem histórico de escândalos. No ano passado, veio à público que a Cognyte vendeu programas de espionagem ao governo de Myanmar, mesmo depois que Israel baniu esse tipo de negócio com aquele país, que empilha mortos depois que um golpe militar destituiu o governo civil. Foi Eitay Mack o principal denunciante do caso.

Além do advogado, outras 32 pessoas assinam o pedido. entre juristas e acadêmicos, está Avrum Burg, ex-presidente do Parlamento de Israel.

O documento cita as evidências que baseiam o pedido, entre elas a suspeita de que até “30 mil pessoas foram monitoradas sem autorização judicial, entre servidores públicos, jornalistas, juízes, desembargadores do Supremo Tribunal, advogados, políticos, um ex-governador de estado do Partido dos Trabalhadores, de esquerda, e policiais. A vigilância foi feita tanto com o propósito de prejudicar adversários políticos como com o propósito de corrupção e de perturbação de investigações criminais, inclusive em relação à família de Bolsonaro.”

Para justificar o pedido de investigação, o grupo diz que “as informações sobre o paradeiro desses alvos foram armazenadas em datacenters em Israel.”

*Leandro Demori

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Política

Sistema israelense de espionagem que o clã Bolsonaro quis comprar tinha 180 jornalistas como alvos

O software Pegasus, que o clã Bolsonaro tentou trazer para o Brasil, gerou pelo menos uma lista de até 50 mil números de telefone que pode ter sido alvo do sistema nos últimos cinco anos.

“Estamos sob ataque. Há um plano e um objetivo. As vítimas não são os jornalistas. Mas sim a democracia e a liberdade”. A afirmação é do jornalista Jamil Chade em artigo no Uol neste domingo (18), se referindo à revelação de que ativistas de direitos humanos, jornalistas e advogados em todo o mundo têm sido alvos de espionagem através do sistema de software de hacking vendido pela empresa de vigilância israelense NSO Group.

Segundo investigação sobre um vazamento massivo de dados compartilhado pelo The Guardian, pelo menos 180 profissionais estavam em uma lista obtida pela imprensa internacional e que revela o interesse de clientes em espionar os telefones desses jornalistas.

O software Pegasus, que o clã Bolsonaro tentou trazer para o Brasil, gerou pelo menos uma lista de até 50 mil números de telefone que pode ter sido alvo do sistema nos últimos cinco anos.

De acordo com dados, a lista inclui profissionais de meios como “The Wall Street Journal”, CNN, “The New York Times”, Al-Jazeera, France 24, Radio Free Europe, Mediapart, “El País”, Associated Press, “Le Monde”, Bloomberg, “The Economist”, Reuters e Voice of America.

“Agora, as revelações apontam que a espionagem contra jornalistas não é uma iniciativa de amadores ou governantes isolados que, desesperados, optam por silenciar a imprensa e ativistas. Os detalhes das reportagens mostram que o trabalho é sistêmico, profissional e amplo”, enfatiza Chade, que destaca que um dos usuários do sistema estaria na Hungria, país comandando por Viktor Orban e um dos poucos aliados de Jair Bolsonaro pelo mundo.

“Ao longo de uma década, as autoridades de Budapeste conseguiram estrangular a imprensa e a guinada autoritária no país do Leste Europeu passou a ser consideradas como referências em Brasília”, completa.

*Com informações do 247

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Mundo

Snowden anuncia vazamento do ano sobre software israelense que clã Bolsonaro quis comprar

Sistema Pegasus, que Carlos Bolsonaro quis trazer ao Brasil, foi usado para espionar jornalistas e autoridades no mundo inteiro

Ativistas de direitos humanos, jornalistas e advogados em todo o mundo têm sido alvos de espionagem através do sistema de software de hacking vendido pela empresa de vigilância israelense NSO Group, segundo investigação sobre um vazamento massivo de dados compartilhado pelo The Guardian.

Houve um abuso generalizado e contínuo do spyware de hacking da NSO, Pegasus, que Carlos Bolsonaro quis trazer ao Brasil. A empresa, no entanto, para se defender, diz que o sistema é destinado apenas para uso contra criminosos e terroristas.

Vazamento

Pegasus é um malware que infecta iPhones e dispositivos Android para permitir que os operadores da ferramenta extraiam mensagens, fotos e e-mails, gravem chamadas e ativem microfones secretamente.

O vazamento contém uma lista de mais de 50.000 números de telefone que, acredita-se, foram identificados como de pessoas de interesse por clientes da NSO desde 2016, segundo o The Guardian.

A Forbidden Stories, uma organização midiática sem fins lucrativos com sede em Paris, e a Anistia Internacional inicialmente tiveram acesso à lista vazada e compartilharam o acesso com parceiros como parte do projeto Pegasus, um consórcio de reportagens.

Edward Snowden, ex-administrador da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que vazou detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da agência, anunciou a reportagem do The Guardian na internet.

Clã Bolsonaro

Em maio deste ano, o vereador Carlos Bolsonaro tentou trazer a Pegasus para o Brasil. Apesar de ser apenas vereador, Carlos tem grande influência no governo do pai, Jair Bolsonaro. A proposta, no entanto, gerou uma crise política entre a ala bolsonarista do governo e o alto comando militar.

Como confirma reportagem do The Guardian, o spyware foi usado por governos ao redor do mundo para invadir celulares e monitorar conversas de opositores políticos.

O Pegasus permite rastrear em segredo todas as atividades da pessoa que teve o aparelho infectado. Desde mensagens enviadas e digitadas até informações de acesso a contas bancárias, redes sociais e email.

Também é possível usá-lo para ativar remotamente o microfone do celular espionado para ouvir ligações e tirar fotos com a câmera, além de acessar a localização e monitorar os sites navegados com o tempo de acesso em cada um deles.

*Com informações do 247

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Política

Vídeo: Software conta motos da manifestação de Bolsonaro e crava 6.253

Quando noticiamos que a motociata do presidente Jair Bolsonaro tinha reunido pouco mais de 5 mil, muitos criticaram e apontaram número maior.

Agora, com auxílio de um software, internautas conseguiram fazer a contagem desde o início do ato e mostram que a motociata reuniu por volta de 6.253 motos.

A partir de uma tecnologia que faz a contagem por cores e quadrados, foi possível levantar o número exato de quantas motos participaram do passeio de moto de presidente Bolsonaro realizado no último sábado (12).

Segundo a tecnologia usada, o primeiro bloco, que acompanhava o presidente Bolsonaro era composto por 43 motos.

Por sua vez, o segundo bloco é composto por 300 motos, depois seguido de 200 e assim sucessivamente o software, a partir da identificação por cores e quadrado vai quantificando o número de motos que estiveram presentes no ato crava: 6.253.

Confira a contagem:

*Com informações da Forum

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