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Política

Freio: Gilmar Mendes pede vista e congela julgamento sobre o afastamento do diretor-geral da PF

O pedido de vista de Gilmar Mendes não é um detalhe burocrático. Ele interrompe um julgamento que já caminhava para confirmar uma das decisões mais explosivas tomadas recentemente dentro do Supremo Tribunal Federal: o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, determinado por André Mendonça.

E há uma ironia difícil de ignorar: enquanto a crise entre ministros do STF se aprofunda, a Polícia Federal acaba colocada no centro de uma disputa institucional que envolve os próprios integrantes da Suprema Corte.

Mendonça justificou o afastamento com base em relatórios de inteligência que, segundo sua decisão, teriam ultrapassado os limites da atividade policial e produzido informações sobre autoridades, decisões judiciais e integrantes do próprio Estado. O ministro afirma ter sido alvo de monitoramento ilícito e determinou investigações para descobrir quem produziu, determinou e divulgou esses documentos.

Mas é justamente aí que a questão se torna muito maior do que a permanência ou não de um delegado no comando da PF.

Quem fiscaliza quem quando os próprios ministros do Supremo passam a ser personagens centrais da disputa?

O afastamento de um diretor-geral da Polícia Federal por decisão individual de um ministro do STF, em meio a uma crise que envolve outros ministros da Corte, exige muito mais do que decisões tomadas a portas fechadas e disputas de versões. Exige transparência, colegialidade e, sobretudo, limites institucionais claros.

A própria Advocacia-Geral da União anunciou que pretende contestar o afastamento e sustenta que a competência para nomear e retirar o diretor-geral da PF pertence ao presidente da República.

Por isso, o pedido de vista de Gilmar Mendes pode ter um efeito que ultrapassa o calendário do julgamento. Ele freia a confirmação de uma medida que já havia obtido maioria na Segunda Turma, mas não suspende, por enquanto, o afastamento: a decisão cautelar de Mendonça continua produzindo efeitos.

O problema central, portanto, permanece.

Não estamos diante de uma simples divergência jurídica. Estamos diante de uma escalada de conflitos entre ministros, Polícia Federal, AGU e personagens envolvidos nas investigações relacionadas ao Banco Master. E quando instituições que deveriam funcionar como freios e contrapesos passam a aparecer umas contra as outras, a sociedade tem o direito de perguntar quem está efetivamente garantindo o equilíbrio do sistema.

Gilmar Mendes ganhou tempo. Mas o STF não ganhou uma solução.

O julgamento foi interrompido, a crise permanece aberta e o comando da Polícia Federal continua submetido às consequências de uma decisão que já provocou forte reação institucional.

A questão agora é saber se o Supremo utilizará esse tempo para esclarecer os fatos e restabelecer critérios objetivos — ou se o pedido de vista será apenas mais um capítulo de uma crise, que tem como protagonista o ministro André Mendonça, em que cada decisão parece produzir uma nova crise.

Porque, quando a disputa pelo controle das instituições chega ao ponto de envolver o comando da Polícia Federal e os próprios ministros que deveriam arbitrar o conflito, já não basta perguntar quem ganhou uma votação. É preciso perguntar o que está acontecendo com as instituições brasileiras e, principalmente, por que André Mendonça tomou tal decisão e o que está por trás.


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Rachadinha

Rachadinha: pedido de vista de Mendonça gera mal-estar entre ministros

André Mendonça, ministro do STF, pediu vista de ação contra deputado bolsonarista. Possibilidade de punir o político prescreve em dezembro.

De acordo com o Metrópoles, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista da Ação Penal (AP) 864, em que o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) é acusado da prática de “rachadinha”. O caso tramita na Justiça há mais de 20 anos e, devido ao tempo, o prazo prescricional de condenação do réu é em 2 de dezembro.

O pedido de vista é um direito dos ministros e ele suspende a votação para quem o pediu analisar melhor o caso. No entanto, a vista regimental causou mal-estar entre os ministros. Mendonça alegou que o réu teria direito a um acordo de não persecução penal. Alexandre de Moraes ponderou que isso só ocorre quando o réu confessou um crime.

A presidente da Corte, Rosa Weber, ponderou que o caso corre, somente no STF há 12 anos. O ministro Edson Fachin chegou a dizer que o pedido seria “lamentável, mas um direito”. Moraes completou dizendo: “É um direito de cada um de nós o pedido de vista, mas é um dever da Justiça julgar os casos”. O relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso ressaltou: “Ninguém questiona o pedido de vista. Estamos debatendo sobre a racionalidade dele”.

André Mendonça manteve sua decisão e a ação fica em suspenso até que ele a coloque novamente em votação. Se isso não ocorrer até 2 dezembro, Silas Câmara, se condenado, não poderá mais ser punido devido a prescrição.

Rachadinha

O parlamentar, apoiador de Jair Bolsonaro (PL), que integra a bancada evangélica no Congresso Nacional, é acusado, em denúncia, de, com o auxílio de seu ex-secretário parlamentar, ter desviado, em proveito próprio, parte dos recursos públicos destinados à contratação de sua assessoria parlamentar, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2001.

O processo, que se arrasta há pelo 20 anos, entre diferentes instâncias judiciais, apura denúncias de ex-funcionários do gabinete do parlamentar de que Silas Câmara pedia a devolução de parte dos salários, o chamado “esquema das rachadinhas”.

Em seu voto, o relator da ação, ministro Luís Roberto Barroso, fixou pena de cinco anos e três meses de prisão e a perda do mandato do deputado federal, além da devolução de R$ 248,2 mil aos cofres públicos.

“Quitação de empréstimos”

Em defesa preliminar, o parlamentar sustentou ao STF, a inépcia da denúncia e a ausência de suporte probatório mínimo para instaurar a ação penal. Afirmou, ainda, que os valores depositados em sua conta bancária eram decorrentes de quitação de empréstimos realizados aos seus subordinados.

Silas Câmara pleiteou o reconhecimento de sua inocência e, subsidiariamente, pugnou por sua “absolvição por não existir prova suficiente para a condenação, na forma do inciso VII da referida norma legal”.

Apoio presidencial

Integrante da bancada evangélica, Silas Câmara fez palanque no Amazonas para Jair Bolsonaro. Em suas redes sociais, o candidato tem diversas fotos com o atual mandatário da República e defendeu: “Para nosso país continuar avançando, estou fechado com nosso presidente. Pela Pátria, família e liberdade, declaro voto em Bolsonaro, 22. Por um Brasil transparente e livre de corrupção”, disse em alguns posts no Instagram.

O deputado evangélico foi reeleito. Mesmo com a pendência em análise no STF, teve a candidatura considerada apta, pois a Lei da Ficha Limpa só considera inelegíveis aqueles com condenação em segunda instância.

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