3 de dezembro de 2020
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A prefeitura de São Paulo deve começar, nos próximos dias, a pesquisa censitária da população em situação de rua. A maior cidade do país – e também a mais rica – busca medidas para enfrentar o problema, que se agravou nos últimos anos.

O Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR) estima que, hoje, cerca de 40 mil pessoas vivam nas ruas da metrópole. Um número alarmante se comparado com o último censo, em 2015, realizado pela Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), quando foram registrados 15.905 habitantes.

“Esse estudo está defasado. Muita coisa mudou nos últimos quatro anos. A população de rua mais que dobrou”, afirma Edvaldo Gonçalves, coordenador estadual do MNPR.

Para o novo censo, a prefeitura contratou – por meio de licitação – a empresa Qualitest Inteligência em Pesquisa, situada no Espírito Santo. A mudança, segundo o Departamento de Comunicação do governo, teria sido motivada por uma decisão da gestão municipal.

A reportagem tentou entrevista com a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Berenice Maria Giannella, mas teve o pedido negado. A assessoria não deu detalhes do processo licitatório alegando estar em fase de planejamento, mas garantiu que os trabalhos começam em outubro, com prazo de 9 meses.

Para essa primeira fase, foram contratados 90 profissionais, que serão divididos em dez equipes (cada uma com 8 pesquisadores e 1 supervisor). Número considerado insuficiente pelo coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, padre Júlio Lancellotti. “Temos uma demanda de milhares de pessoas nas ruas, com rotinas e deslocamentos em várias regiões. O que pode afetar no desempenho da pesquisa”, disse.

Número de pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo:

O coordenador da pastoral acredita que, por dia, cerca de 30 novas pessoas chegam às ruas da capital. A maioria está há menos de um ano nessa situação. “Precisamos saber qual será o método desta nova pesquisa para fazermos um retrato aproximado dessa triste realidade”, afirma o padre Lancellotti.

Diante das dúvidas e da falta de informações transmitidas pela prefeitura, o Comitê da População de Rua da Cidade de São Paulo decidiu convocar, para a próxima segunda-feira (16), uma reunião extraordinária para pedir maior transparência no assunto.

 

 

*Por Everton Menezes/Yahoo

Celeste Silveira

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10 COMMENTS

  1. Pingback: São Paulo chega ao recorde de 40 mil moradores de rua retratando a tragédia dos governos Dória e Bolsonaro – Antropofagista | O LADO ESCURO DA LUA
  2. Claudio Souza do Soropositivo.Org Posted on 26 de outubro de 2019 at 15:31

    Eu saí de casa com pouco mais, meses, de dose anos. E vivi, mal sobrevivi, nas ruas de Sampa até os 17 e alguma coisa. Eu tive bons momentos e mesmo momentos em que houve até mesmo “especialização minha em sobrevivência!”. Mas o sistema de vida nas ruas acaba corroendo, geralmente de dentro para fora, qualquer especialização que você possa desenvolver. Trinta e tantos anos atrás, em face a realidade dos dias de hoje, a situação poderia set tida como “light”. Ontem mesmo eu vi, com um misto de horror, pavor e novo “um homem” (sic) agredir uma moradora de rua porque ela estava pedindo ajuda dentro da “empesa dele” que, parecia, um posto de gasolina.

    Muitos dirão que o dinheiro era para drogas. Eu não vi isso. E nem ouvi.

    Mas vi um monstro envergando a forma humanoide dando pelo menos rês chutes na cabeça de uma mulher com dois terços do peso dele, CAÍDA NO CHÃO. Os chutes eram na nuca, ou perto dela.

    Entenda-se. Ela recebeu chutes que sequer pode pressentir e tentar cobrir-se com as mãos pois, além de estar caída, foi agredida pelas costas. Eu sou muito sensível ao problema de moradores de rua pois conheço o sistema, a forma como as coisas acontecem.

    É um moto-perpétuo…. Você não tem emprego, ou trabalho porque está sujo. E não consegue tomar um banho porque não tem casa. Como vc não tem casa, não consegue trabalho. E não conseguindo trabalho você passa mais um dia sem banho e o mecanismo se retro-alimenta, em um magnificamente perfeito inferno autogerador.

    Além da violência física, há a violência estrutural. Falta tudo e a falta de tudo te impede de buscar o mínimo. Sem mínimo…. Seria mais fácil ilustrar com a Faixa de Moebius.
    Bem, Celeste. Eu te peço licença para divulgar este link e meu trabalho com ele 🙂 https://soropositivo.org/2018/08/20/dj-claudio-souza-ex-morador-de-rua/

    Reply
    1. Celeste Silveira Posted on 26 de outubro de 2019 at 16:50

      Emocionante o seu depoimento Claudio. Parabéns pelo seu trabalho! Grande abraço.

      Reply
      1. Claudio Souza do Soropositivo.Org Posted on 30 de outubro de 2019 at 09:07

        Puxa vida. Eu fico muito feliz em poder ajudar, mesmo que com tão pouco!

        Reply
      2. Claudio Souza do Soropositivo.Org Posted on 30 de outubro de 2019 at 09:09

        Se você precisar de algo mais, eu sempre estarei por aqui. No ano 2020 eu publicarei um livro. Se você puder me divulgar nesta hora eu não terei palavras pra expressar minha gratidao

        Reply
      3. Claudio Souza do Soropositivo.Org Posted on 7 de novembro de 2019 at 19:11

        Oi Celeste! Obrigado! Eu não imaginei que vc voltaria a meu blog! Sabe, eu tenho um amigo revisando uns textos meus. Não mais de 130. Eu pretendo publica-no no ano que vem! Gostaria de leu uns dois deles?

        Reply
  3. Celeste Silveira Posted on 30 de outubro de 2019 at 10:46

    Sim, Claudio. Obrigada. Terei um imenso prazer em divulgar. Eu é que te agradeço. Super abraço.

    Reply
    1. Claudio Souza do Soropositivo.Org Posted on 15 de novembro de 2019 at 21:15

      Estou na rua quando chegar em casa te mando dois textos e você decide o que fazer com eles

      Reply
      1. Celeste Silveira Posted on 16 de novembro de 2019 at 10:18

        Ok, Claudio. Aguardo então. Grande abraço.

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