Mês: maio 2026

Partido de Trump envia missão para tratar de terras raras no Brasil

Assessores republicanos viajarão ao país com a questão do acesso aos minérios críticos como pauta central

O lobby do partido de Donald Trump pelas terras raras no Brasil avança. O ICL Notícias apurou que, na próxima semana, uma delegação de assessores parlamentares dos EUA desembarca em Brasília e em outras cidades do país. Na pauta: o acesso aos minerais críticos brasileiros.

A delegação conta com técnicos e assessores que operam para coletar informações e levar às reuniões com interlocutores brasileiros os interesses do partido republicano.

Farão parte da missão assessores sêniores da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos.

Na terça-feira, 5 de maio, o encontro em Brasília com parlamentares terá minerais raros como foco principal. Na quarta-feira, 6 de maio, será a vez dos assessores ligados ao Partido Democrata, com foco no combate a facções criminosas.

A reportagem apurou que senadores e deputados brasileiros foram consultados sobre a possibilidade de receber a delegação. Um deles deve ser o senador Nelsinho Trad.

O interesse não ocorre por acaso. O governo Trump colocou o acesso aos minerais críticos como uma prioridade, principalmente diante do avanço da China. Nas últimas semanas, a Casa Branca tem assinado acordos com diversos países, entre eles a Bolívia.

O tema é ainda fruto de intenso debate dentro do governo Lula. O presidente brasileiro chegou a criticar publicamente a administração Trump pela cobiça pelos recursos naturais e alertou, em diversos, que existe um movimento similar ao “colonialismo”.

Um levamento do governo americano, porém, revela a dimensão da importância do Brasil. Hoje, o país detém 23% das reservas conhecidas de minérios raros. Mas menos de 0,1% da produção mundial.

A China, com metade das reservas do mundo, produz hoje 69% de todas as commodities desse setor.

Os EUA produzem 12% do mercado global atual. Mas contam com apenas 2,1% das reservas do planeta.

Por essa conta, portanto, o controle das reservas brasileiras é considerado como estratégico.

A missão dos EUA ainda ocorre poucas semanas depois de uma mineradora dos EUA ter comprado a única operação de exploração de minerais críticos no Brasil.

A USA Rare Earth anunciou que irá adquirir a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações.

O governo de Donald Trump chegou a convidar o Brasil a fazer parte de uma aliança anti-China no setor de terras raras, mas Brasília declinou. O acordo previa que os participantes teriam de fornecer, de forma preferencial, os minérios ao mercado dos EUA.

Com o acordo, a mineradora Serra Verde indicou ainda que firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% de sua produção durante a fase inicial da mina para uma Sociedade de Propósito Específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas.

Em janeiro, a empresa que adquiriu a mineradora brasileira recebeu uma injeção de US$ 1,6 bilhão do governo Trump, que passou a controlar 10% da companhia. Naquele momento, o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o investimento “garante que nossas cadeias de suprimentos sejam resilientes e não dependam mais de países estrangeiros.”

Serra Verde, segundo fontes do mercado, sempre contou com investidores estrangeiros. Em 2010, foi o Fundo de Private Equity Denham Capital quem comprou o projeto. Anos depois, foi o fundo britânico Vision Blue que desembarcou.

Para aportar capital, os europeus solicitaram um contrato para assegurar o fluxo de caixa. A saída veio da China, com exclusividade de compra do fluxo até 2028. Já em 2025, a mineradora recebeu um apoio adicional do Departamento da Guerra dos EUA, de US$ 565 milhões, para aumentar a escala de produção.

*Jamil Chade/Uol


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Bolsonaristas, evangélicos, traficantes, estupradores: Uni-vos!

É isso que o bolsonarismo se transformou: um grande clube de proteção mútua para criminosos.

Enquanto o Brasil inteiro sofre com a violência, Jair Bolsonaro e seus aliados no Congresso trabalham descaradamente para afrouxar as leis e abrir as portas da cadeia mais cedo. Prova concreta é o PL da Dosimetria, lei que o próprio Bolsonaro apoiou e cuja derrubada do veto foi comemorada pela sua base. O resultado? Redução de pena e progressão de regime mais rápida para condenados por tráfico pesado, estupro e feminicídio.

Bolsonaro, que sempre se vendeu como o “homem da lei e da ordem”, agora ajuda a dar atalho para estupradores e feminicidas saírem mais cedo da prisão. O que começou como uma manobra para proteger os envolvidos no 8 de janeiro virou uma farra geral para beneficiar bandidos violentos.

A bancada evangélica, fiel de carteirinha de Bolsonaro, entra de cabeça nessa vergonha. Em vez de pregar a Bíblia, muitos pastores e deputados transformaram igreja em quartel-general político. Tentam criminalizar até mulher vítima de estupro que precisa abortar, enquanto defendem leis que aliviam a pena de estupradores e feminicidas. Para eles, o que vale não é a fé, é a lealdade cega: “nós, evangélicos” contra “eles”. Crime de aliado? Vira detalhe que se resolve.

E o cinismo não para. No Senado, bolsonaristas deram o recado direto durante a sabatina de Jorge Messias: “Nós aprovamos os ministros do STF, mas também podemos tirar”. Ameaça aberta, autoritária e cara de pau.

É o pacote podre completo:
• Bolsonaro apoiando lei que beneficia estuprador e feminicida;
• Igreja usada como escudo de impunidade e rede de proteção, e
• Ameaça explícita ao Supremo para mostrar quem manda de verdade.

Enquanto mães choram filhas assassinadas, famílias enterram filhos vítimas do tráfico e o povo vive apavorado nas ruas, Bolsonaro e sua tropa priorizam proteger “os seus” em vez de proteger o Brasil. Isso não é conservadorismo. Isso é uma aliança nojenta entre política, religião e impunidade.

Chega de hipocrisia! Chega de usar a Bíblia como salvo-conduto para bandido! Chega de Bolsonaro e seus aliados afrouxando a lei para proteger estuprador, feminicida e traficante enquanto posam de salvadores da pátria.

O Brasil não suporta mais essa palhaçada. Ou não devia mais suportar!!!

Lei tem que ser dura, igual para todos. Sem “nós” e “eles”. Sem proteção especial para aliado. Sem atalho para quem comete crime grave.

Quem atentou contra a democracia, quem estuprou, matou ou traficou tem que apodrecer na cadeia. Ponto final.

*Formado em Ciências Contábeis pela UFRJ, Aposentado pelo INSS, tendo trabalhado como Supervisor no Banco da Amazônia e também como Diretor Regional do SESC e do SENAC nos Estados do Acre e de Rondônia.

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Vitória de pirro: Pesquisa Atlas revela Alcolumbre e Hugo Motta como os políticos com pior avaliação no Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-AL), são os políticos mais mal avaliados do país, de acordo com a pesquisa Atlas Latam Pulse divulgada nesta quinta-feira (30).

Alcolumbre, que liderou o acordo para rejeitar a indicação do advogado-geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), registra apenas 3% de avaliação positiva, enquanto 81% dos entrevistados têm imagem negativa dele.

Hugo Motta aparece ainda pior: apenas 2% de avaliação positiva e 87% de imagem negativa. Com Termômetro da Política.


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Brasil exige soltura do ativista Thiago Avila, preso por Israel

Ativista fazia parte da flotilha que tentava chegar até Gaza com ajuda humanitária

O governo Lula exige que Israel solte o brasileiro Thiago Avila. O ativista fazia parte da flotilha que tentava chegar até Gaza, com ajuda humanitária e em barcos que estavam cruzando o mar Mediterrâneo.

“Os governos do Brasil e da Espanha condenam, nos termos mais enérgicos, o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel”, afirmou uma nota conjunta dos dois países.

“Ambos encontravam-se em embarcações da flotilha Samud, abordadas por forças israelenses na altura da Grécia, e não foram liberados quando da interceptação dessas naves, e posterior desembarque dos passageiros e tripulantes na ilha de Creta”, afirmou.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, dizem as autoridades dos dois países.

“Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança, e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção”, completa a nota.

De acordo com informações obtidas pelo ICL Notícias, 55 barcos navegavam em águas internacionais entre a Itália e a Grécia quando um ataque foi organizado contra a flotilha.

Lasers apontados para as pessoas e armas semiautomáticas foram usados e 21 pessoas foram sequestradas.

Pelo menos 34 pessoas sofreram ferimentos e foram transferidas para um hospital. Sem celulares, por conta do confisco por parte das autoridades, esses ativistas não conseguiram registrar os ferimentos.

Thiago, porém, não foi autorizado a desembarcar com o restante dos participantes e foi levado à força para Israel. Relatos apontam que qualquer um que tentasse evitar a operação eram alvo de violência.

*Jamil Chade/ICL

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Vivi para ver a grande mídia em peso se associar à nata da bandidagem carioca

As esfuziantes manchetes desta quinta, 30, que, em garrafais,  ofereciam a cabeça de Lula na bandeja, não escondiam a total adesão à campanha de Flavio Bolsonaro, do clã de bandidos mais famoso do Brasil.

Mas isso não é sequer 10% do novelo que está por trás desse rolo que, hoje, opera no Congresso como operava até dias atrás na Alerj sob o comando de Flavio, que só está sendo totalmente desbaratado pelo desembargador Ricardo Couto, governador interino do estado do Rio de Janeiro que, somente no primeiro escalão, degolou mais de 1.600 cabeças da medusa bolsonarista carioca e fluminense.

Fato esse escanteado pela grande mídia em clara proteção à imgaem dos Bolsonaro.

O suplício de Flavio no Rio está apenas começando, pois o desembargador segue agora fazendo um pente fino e, junto, uma faxina no segundo escalão.

Ou seja, nesse esquema do clã Bolsonaro na Alerj tem contraventor de todo sabor, tamanho e gosto. Todo tipo de bandidagem carioca e fluminense tem um representante na Alerj sequestrada pelo clã Bolsonaro. É coisa de gangsters mesmo.

A faxina no esquema do governo Claudio Castro, pau mandado dos Bolsonaro, está fazendo barba, cabelo e bigode.

Também por isso, Flavio começa a rifar Castro para tentar estancar a sangria. E tudo issso é colocado pela mídia, em suas matérias, de forma protocolar para que o cheiro de esgoto do esquema comandado pelo clã no Rio não contamine o ar político no Brasil inteiro.

Sim, porque a catedral bolsonarista era a Alerj, e ela está sendo literalmente demolida por Ricardo Couto, com risco de contaminar o esquema de Flavio no Congresso, dominado por bolsonaristas sob a mesma batuta de Jair.

Isso revela que a direita, mas sobretudo a grande mídia nunca desceu tão baixo.

Todos sabem que políticos de direita não têm projeto de pais, vivem do patrocínio corrente do lobby das grandes corporações que não querem saber de Brasol, mas de seus interesses.

Ao fim e ao cabo, o que se viu nesta quinta no Congresso foi uma espécie de monumento de ações praticadas pela bandidagem carioca dentro da alerj que está sendo varrida pelos grileiro da milícia, do tráfico, do bicho, dos assassinos de aluguel.

Sem o menor pudor, a mídia romancista, aliada de Flavio contra Lula, quer apssar a ideia de que Flavio é apenas um senador que se candidata à Presidência da República em um capítulo da guerra ideológica entre direita e esquerda, não é, e a mídia sabe, de cor e salteado, a teia de criminosos que o clã Bolsonaro comanda no Congresso como comandou na Alerj, mostrando quais os valores e tons morais que a mídia industrial no Brasil opera como propaqgandista dessa gigantesca facção.


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PL da Dosimetria, posta em votação por Alcolumbre, pode livrar Bolsonaro da prisão até as eleições de 2030; entenda

A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, pelo Congresso, pode antecipar a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro da prisão para o regime semiaberto, com possibilidade de liberdade em pouco mais de dois anos, antes das eleições presidenciais de 2030. De acordo com o DCM, a proposta, que foi restabelecida no dia 30 de abril, reduz as penas de todos os envolvidos na tentativa de golpe de estado, abrangendo tanto os organizadores quanto os executores da trama. As informações são da VEJA.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio público, delitos igualmente atribuídos aos outros envolvidos no movimento golpista. Com a aprovação do PL da Dosimetria, as penas para esses crimes podem ser reduzidas, e a progressão de regime pode acontecer mais rapidamente.

O PL da Dosimetria introduz mudanças significativas no sistema penal. A principal alteração é a unificação das penas de golpe de estado e abolição violenta do estado democrático de direito, que atualmente são somadas, passando a ser computadas como uma só. Além disso, a proposta estabelece novas regras para a progressão de regime, permitindo que, em certos casos, o condenado cumpra apenas 20% de sua pena antes de poder passar para o regime semiaberto. Nesse novo cenário, o ex-presidente teria que cumprir, no mínimo, três anos e cinco meses em regime fechado antes de avançar de regime.

Esse pacote de medidas foi aprovado com o objetivo de facilitar a reintegração de pessoas condenadas por crimes considerados de alta gravidade, como os que envolvem a tentativa de golpe de estado. Para os especialistas, isso representa uma mudança no tratamento das penas e pode beneficiar outros condenados que se enquadram nesse tipo de delito. No caso de Bolsonaro, isso abre a possibilidade de sua saída do sistema fechado mais rapidamente, o que foi motivo de debate político em Brasília.


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Luis Nassif: A Lava Jato 2 e o Assalto ao Supremo

Nesse jogo, é preciso mapear quem ganha com um STF enfraquecido, um governo Lula na defensiva e um Congresso com poderes demais

A derrota de Lula na indicação de Jorge Messias para o STF não é episódio isolado. É o capítulo mais recente de uma operação que envolve lobbies bilionários, o poder inédito de Alcolumbre e Motta, e o mesmo padrão de desestabilização institucional da Lava Jato original.

Quando o Senado recusou Jorge Messias, o governo perdeu uma batalha. Quando o mesmo movimento colocou sob ameaça o STF, o governo e o pouco que resta de disciplina institucional brasileira — todos ao mesmo tempo —, o que estava em jogo passou a ser maior do que uma vaga no Supremo.

A manobra tem roteiro conhecido. Começou com a campanha d’O Globo em torno do caso Master — um episódio de crédito privado transformado em crise sistêmica pelo jornalismo de interesse —, avançou pela sabatina do STF transformada em tribunal político, e chegou à configuração de poder inédita que hoje existe no Congresso: David Alcolumbre no Senado, Hugo Motta na Câmara, ambos com mandato renovado e agenda própria. É a Lava Jato 2.

Para entender o jogo de interesses por trás dessa manobra, é preciso mapear quem ganha com um STF enfraquecido, um governo Lula na defensiva e um Congresso com poderes que não tinha desde os tempos do presidencialismo de coalizão clássico.

Quando começou a campanha do impeachment, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi profético: a gente sabe como começa, mas nunca sabe como acaba.

A campanha conseguiu acabar com o PSDB, como alternativa de poder, o discurso antipolítica inundou a política com o que de há mais execrável, o desmonte institucional permitiu o avanço do crime organizado por todos os poros da República.

E nem assim se aprendeu.

Os lobbies que comandam o Congresso

O Congresso brasileiro de 2026 é, acima de tudo, uma arena de interesses organizados. As bancadas temáticas não são fenômeno novo, mas sua coesão, seu poder de fogo e sua disposição para agir de forma coordenada atingiram nível sem precedente recente.

A bancada ruralista é a mais numerosa e a mais organizada. A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne 358 congressistas — número suficiente para formar maioria sozinha em muitas votações. Por trás dos parlamentares estão Bayer, Basf, Syngenta, JBS, Cargill e Nestlé, entre outras corporações que financiam campanhas e mantêm estruturas permanentes de lobby em Brasília. Suas pautas — Código Florestal, licenciamento ambiental, demarcações indígenas, agrotóxicos — têm avançado sistematicamente, com ou sem anuência do Executivo.

A bancada evangélica reúne 222 congressistas em torno de pautas morais e religiosas: aborto, casamento homoafetivo, educação religiosa, controle de mídias. O aspecto frequentemente negligenciado é que muitos desses parlamentares são representantes políticos diretos de denominações — com mandato implícito de seus líderes religiosos —, não apenas eleitores de perfil conservador. A bancada tem aliança orgânica com os ruralistas, e juntas formam o núcleo duro do que se convencionou chamar de Centrão conservador.

A bancada da bala soma cerca de 240 congressistas na Frente Parlamentar da Segurança Pública, com um núcleo de 44 membros mais radicais. Representa interesses das forças policiais, das Forças Armadas e da indústria armamentista. Suas pautas — porte de armas, excludente de ilicitude para policiais, penas mais duras — têm avançado mesmo nos governos que deveriam ser seus adversários naturais.

Juntas, essas três bancadas compõem o que ficou conhecido como BBB — Boi, Bíblia e Bala. Muitos parlamentares participam simultaneamente das três frentes, o que amplifica o poder de articulação suprapartidária. A posição dessas bancadas em relação ao STF é conhecida e histórica: o Supremo representa, para elas, o principal obstáculo à aprovação de suas pautas. Portanto, um STF enfraquecido é funcionalmente do interesse direto das três bancadas.

O lobby financeiro e a conta com o Supremo

O setor financeiro opera de forma mais discreta, mas com eficácia que poucos outros conseguem igualar. Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara com décadas de redes construídas em Brasília, assumiu em 2023 a presidência da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (FIN). Com trânsito livre no Congresso e memória institucional incomparável, Maia representa hoje o que o sistema financeiro precisa: acesso sem mediação ao processo legislativo.

Há tempos correm rumores nos corredores de Brasília sobre grandes banqueiros alimentando o tiroteio contra o STF. Para entender por que, basta examinar o que o Supremo fez ao setor financeiro nos últimos anos.

Em fevereiro de 2023, o STF estabeleceu que a quebra da coisa julgada tributária é automática. Isso significa que se uma empresa conquistou na Justiça o direito definitivo de não pagar um imposto, terá que pagá-lo retroativamente se o STF posteriormente decidir que a cobrança é constitucional. O caso concreto envolvia a CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Líquido —, cujas alíquotas chegam a 21% no caso de instituições financeiras, contra 9% para as demais empresas..

Na mesma linha, o STF consolidou a constitucionalidade da CSLL diferenciada para o setor financeiro — contribuição adicional de 2,5% sobre a folha de salários e Cofins elevada de 3% para 4% sobre o faturamento dos bancos. Em três teses tributárias distintas, as derrotas acumuladas do setor representaram impacto de R$ 35,823 bilhões para os cofres da União. Por fim, o STF avançou na tributação de lucros de controladas no exterior, apertando o cerco sobre estruturas de planejamento tributário internacional que beneficiavam diretamente Itaú, Bradesco e BTG, entre outros.

O padrão é claro: o STF tem sido, sistematicamente, um obstáculo tributário ao setor financeiro. Um Supremo enfraquecido — com ministros mais próximos das bancadas conservadoras do Congresso, ou simplesmente mais temerosos de conflito com o Legislativo — seria um Supremo mais favorável aos interesses dos grandes bancos.

O laboratório das bets

Para entender o poder que o Congresso acumulou, o caso das bets é o teste mais preciso. Em 2024, quando o governo tentou aumentar a tributação do setor de apostas online, o lobby das bets montou uma operação que causou espanto até a veteranos da política brasileira.

Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, disse publicamente: “Eu nunca vi um lobby tão poderoso no Congresso Nacional quanto vi nessas duas semanas. Um lobby que contou, inclusive, com a luxuosa participação de governadores de estado.” O setor conseguiu derrubar temporariamente a medida — uma vitória direta do lobby privado sobre o Executivo, reconhecida pelo próprio governo.

Quando o governo reagiu e aprovou medidas restritivas — licenciamento obrigatório, proibição de cartão de crédito, eliminação de bônus de boas-vindas, bloqueio de beneficiários do Bolsa Família, taxa de outorga de R$ 30 milhões por licença —, as bets responderam com o mesmo instrumento: pressão sobre parlamentares, financiamento implícito de coalizões, e a ameaça permanente de mobilizar o Congresso contra qualquer regulação adicional.

O episódio demonstra a dinâmica central do poder legislativo atual: o Executivo propõe, o Congresso dispõe, e os lobbies organizados são o verdadeiro árbitro entre os dois. Nesse ambiente, o STF era o único poder capaz de funcionar como contrapeso — o único que não depende de votos, financiamento ou alianças com o Centrão para agir.

O que está em disputa

A sabatina de Jorge Messias não foi apenas uma disputa sobre um nome para o STF. Foi um teste de força sobre quem manda no Brasil em 2026.

Do lado do Congresso: Alcolumbre no Senado e Motta na Câmara têm poder institucional inédito. Com as eleições de 2026 no horizonte, ambos precisam demonstrar independência do Executivo e capacidade de mobilizar apoio. Barrar uma indicação presidencial ao Supremo é o gesto político mais legível possível nesse sentido.

Do lado dos lobbies: a BBB quer um STF menos ativo na proteção de direitos ambientais, indígenas e sociais. O setor financeiro quer um STF menos agressivo na tributação diferenciada dos bancos e na cobrança retroativa de tributos. O setor de apostas quer um árbitro menos hostil às suas operações.

Do lado do governo: Lula precisa de um STF que funcione como parceiro institucional — não por cumplicidade, mas porque sem o Supremo como contrapeso, a capacidade do Executivo de governar contra a vontade do Centrão é ainda mais limitada do que já é.

O que a derrota de Messias sinalizou é que esse equilíbrio está se desfazendo. O Congresso descobriu que pode barrar o STF. Os lobbies descobriram que o Congresso pode barrar o Executivo. E o governo descobriu que a Operação Lava Jato 2 não precisa de procuradores, grampos ou acordos de delação para funcionar. Basta um calendário de sabatinas e parlamentares com contas a cobrar.

*Luis Nassif/GGN


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