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Vídeo: Lula, no Panamá, critica ações neocoloniais na América Latina

Presidednte discursou na abertura do Fórum Econômico América Latina-Caribe

O presidente Lula discursou na abertura de fórum econômico América Latina-Caribe, no Panamá. Lula propôs “regionalismo possível”, acima de divergências, condenou ações intervencionistas e lembrou do ex-presidente Franklin Roosevelt como exemplo de política de integração dos Estados Unidos com a América Latina.

Lula condena ações neocoloniais e defende união da América Latina acima de divergências

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, nesta quarta-feira (28/1), na cidade do Panamá. Em seu discurso, Lula afirmou que a região precisa se unir, superando divergências políticas, para formar um bloco capaz de fazer frente aos desafios do quadro internacional contemporâneo, em que ameaças intervencionistas e o uso da força bélica são ameaças reais.

A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, afirmou Lula, sob aplausos.

O presidente Lula condenou ações de intervenção na América Latina e no Caribe, sem citar diretamente os episódios de invasão da Venezuela pelos Estados Unidos ou o desejo já manifestado pelo governo estadunidense de controlar o Canal do Panamá.

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“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, disse o presidente.

Em seguida, Lula elogiou o retrospecto dos mandatos de Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), ex-presidente dos Estados Unidos. Em seu discurso, pareceu sugerir aos Estados Unidos uma nova forma de condução da política externa e nas relações com a América Latina e Caribe. Há previsão de encontro entre Lula e Donald Trump no início de março.

“O presidente Franklin Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe. Roosevelt também defendia que deveríamos erigir um mundo com base no que chamou de quatro liberdades fundamentais para a defesa da democracia e dos direitos humanos”.

Em discurso, Lula destaca quatro liberdades fundamentais
“Primeiro: liberdade de expressão, em que todos possam expressar suas opiniões livremente, sem manipulação de dados e informações, como vemos hoje nas redes digitais. Liberdade de culto: em que cada um possa professar a sua fé sem ser perseguido. Liberdade contra as privações: em que todos tenham direito a uma vida digna, incluindo acesso a alimentação, moradia e trabalho. E liberdade contra o medo: em que o desarmamento limitaria o recurso ao uso da força e agressões entre as nações.”

Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome e a desigualdade. E as únicas armas a empregar são as dos investimentos, da transferência de tecnologia e do comércio justo e equilibrado”, afirmou, sob aplausos.

Veja o discurso do presidente Lula no Panamá

https://youtu.be/KbqawfrnhIs

TVTNews


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Governo Trump prendeu acadêmica por publicar artigo contra Israel; leia o que ela escreveu

Documentos da Justiça revelam que administração não encontrou indícios que justificavam revogação de visto de estudante turca.

A publicação de um artigo em um jornal universitário foi motivo para que o governo de Donald Trump tenha colocado uma acadêmica na prisão e revogado seu visto. Isso é o que revelam documentos de um processo que está em curso nos tribunais dos EUA e que foram consultados pelo ICL Notícias.

No primeiro ano do governo de Donald Trump, a Casa Branca anunciou que revogou mais de 100 mil vistos e colocou critérios vagos como “antiamericanismo” como base para impedir a concessão de autorizações para a entrada de estrangeiros, mesmo como turistas. O governo dos EUA ainda passou a exigir que as redes sociais das pessoas que solicitem os vistos sejam abertas para que as autoridades possam avaliar se as mensagens são críticas ou não aos EUA.

Um dos casos se refere à estudante de doutorado da Universidade Tufts, Rümeysa Öztürk. O episódio envolvendo sua prisão causou um profundo mal-estar. No dia 25 de março de 2025, ela foi parada em Massachussets no meio da rua por um grupo de seis policiais mascarados e levada para uma prisão num carro sem identificação. Horas depois, ela seria transportada do nordeste dos EUA para uma prisão no Sul do país.

Os documentos revelam que o secretário de Estado Marco Rubio sustentava a tese de que ela mantinha relações com grupos terroristas islâmicos. Ela teria adotado uma postura que ia na mesma direção de grupos estudantis pró-Palestina, incluindo o Tufts Students for Justice in Palestine, que pediam que “membros da comunidade Tufts a se juntarem à intifada estudantil”.

Documento pede a revogação de visto de estudante turca

Mas num memorando interno, datado de 21 de março de 2025, a administração afirma que o Departamento de Segurança Interna “não forneceu nenhuma evidência que mostre que Ozturk se envolveu em qualquer atividade antissemita ou fez qualquer declaração pública indicando apoio a uma organização terrorista”.

Tampouco existiam provas de que ela fazia parte dos grupos estudantis que, de fato, foram provisoriamente suspensos da universidade.

Documento do governo dos EUA confirma que não havia indícios de antissemitismo

O único elemento de “prova”, portanto, seria um artigo de opinião num jornal estudantil escrito por ela e que continha denúncias contra Israel pela situação em Gaza. Juntamente com outros três estudantes, ela criticava no texto a resposta da universidade aos estudantes que exigiam que a Tufts “reconhecesse o genocídio palestino”, divulgasse seus investimentos e se desvinculasse de empresas com ligações com Israel.

Apesar da ausência de informações relacionadas à suposta vinculação da estudante com o terrorismo, o memorando recomendava a revogação do visto de Ozturk, citando “a totalidade das circunstâncias”.

O Departamento de Segurança Interna concluía que “essas atividades e associações com esses grupos podem prejudicar a política externa dos EUA, criando um ambiente hostil para estudantes judeus e indicando apoio a uma organização terrorista designada”.

O documento ainda sugeria que a revogação deveria ser realizada discretamente, sem notificar Ozturk. Quatro dias depois, a operação policial foi realizada para prender a estudante.

Dois meses depois, a turca de 30 anos foi finalmente liberada sob fiança.

 

O juiz distrital dos EUA, William K. Sessions, confirmou que nenhuma prova havia sido apresentada para sustentar sua detenção e que tal ato mandava um recado “assustador para aqueles que defendem a liberdade de expressão”.

No último dia 9 de dezembro, a Justiça dos EUA decidiu que ela poderia retomar suas atividades de pesquisa e ensino em Tufts.

A universidade emitiu uma declaração afirmando que estava ansiosa para recebê-la de volta. A declaração também reafirmou que o artigo de opinião escrito pela estudante não violou nenhuma política da universidade.

Leia o artigo que resultou em sua prisão, publicado no Tufts Daily:

Em 4 de março, o Senado da União Comunitária de Tufts aprovou 3 das 4 resoluções exigindo que a Universidade reconheça o genocídio palestino, peça desculpas pelas declarações do presidente da Universidade, Sunil Kumar, divulgue seus investimentos e desinvista de empresas com laços diretos ou indiretos com Israel. Essas resoluções foram fruto de um debate significativo no Senado e representam um esforço sincero para responsabilizar Israel por claras violações do direito internacional. Acusações críveis contra Israel incluem relatos de fome deliberada e massacre indiscriminado de civis palestinos e genocídio plausível.

Infelizmente, a resposta da Universidade às resoluções do Senado foi totalmente inadequada e desdenhosa em relação ao Senado, a voz coletiva do corpo discente. O grupo Estudantes de Pós-Graduação pela Palestina se une ao grupo Estudantes de Tufts pela Justiça na Palestina, à Coalizão de Professores e Funcionários de Tufts pelo Cessar-Fogo e ao grupo Estudantes de Fletcher pela Palestina para rejeitar a resposta da Universidade. Embora a Universidade não tenha permitido que os alunos de pós-graduação participassem da reunião do Senado, que durou quase oito horas, nossa presença no campus e o vínculo financeiro com a Universidade por meio do pagamento de mensalidades e do trabalho de pós-graduação que realizamos com bolsas e pesquisas nos tornam partes interessadas diretas na posição da Universidade.

Embora se possa argumentar que a Universidade não deveria tomar posições políticas e deveria se concentrar em pesquisa e intercâmbio intelectual, a rejeição automática, a natureza desdenhosa e o tom condescendente na declaração da Universidade nos levaram a questionar se a Universidade está de fato se posicionando contra seus próprios compromissos declarados com a liberdade de expressão, reunião e expressão democrática. De acordo com o Código de Conduta Estudantil, “[a] cidadania ativa, incluindo o exercício da liberdade de expressão e o envolvimento em protestos, reuniões e manifestações, é uma parte vital da comunidade Tufts.” Além disso, o Gabinete do Decano de Estudantes escreveu: “[e]mbora, por vezes, a troca de ideias e opiniões controversas possa causar desconforto ou mesmo angústia, nossa missão como universidade é promover o pensamento crítico, o exame rigoroso e a discussão de fatos e teorias, bem como ideias e opiniões diversas e, por vezes, contraditórias”. Por que, então, a Universidade está desacreditando e desconsiderando seus alunos que praticam os próprios ideais de pensamento crítico, intercâmbio intelectual e engajamento cívico que Tufts afirma representar?

O papel das resoluções do Senado da TCU é abundantemente claro. As resoluções do Senado servem como uma “forte ferramenta de lobby que expressa à administração de Tufts os desejos e necessidades do corpo discente. Elas falam como uma voz coletiva e são instrumentais na implementação de mudanças sistêmicas”. Neste caso, as “mudanças sistêmicas” que a voz coletiva do corpo discente está exigindo são que a Universidade cesse sua cumplicidade com Israel, na medida em que este oprime o povo palestino e nega seu direito à autodeterminação — um direito garantido pelo direito internacional. Essas fortes ferramentas de lobby são ainda mais urgentes agora, dada a ordem da Corte Internacional de Justiça confirmando que os direitos do povo palestino de Gaza, sob a Convenção sobre o Genocídio, correm um risco “plausível” de serem violados.

Essa voz coletiva dos estudantes não é inédita. Hoje, a Universidade pode se lembrar com orgulho de sua decisão, em fevereiro de 1989, de desinvestir na África do Sul sob o apartheid e encerrar sua cumplicidade com o então regime racista. No entanto, devemos lembrar que a Universidade desinvestiu até 11 anos depois de algumas de suas congêneres. Por exemplo, o Conselho de Regentes da Universidade Estadual de Michigan aprovou resoluções para encerrar sua cumplicidade com a África do Sul do apartheid já em 1978. Se Tufts tivesse atendido ao chamado do movimento estudantil no final da década de 1970, a Universidade poderia ter estado do lado certo da história mais cedo.

Rejeitamos qualquer tentativa da Universidade ou do Gabinete da Reitoria de descartar sumariamente o papel do Senado e de caracterizar erroneamente sua resolução como divisiva. O debate aberto e livre demonstrado pelo processo do Senado (exemplificado pela duração, aviso prévio e troca substancial nos procedimentos e pela não aprovação de uma das resoluções propostas), juntamente com os sérios esforços de organização dos estudantes, justificam uma autorreflexão crível por parte do Gabinete da Reitoria e da Universidade. Nós, como estudantes de pós-graduação, afirmamos a igual dignidade e humanidade de todas as pessoas e rejeitamos a caracterização errônea dos esforços do Senado feita pela Universidade.

O grande autor e defensor dos direitos civis, James Baldwin, escreveu certa vez: “O paradoxo da educação é precisamente este: que, à medida que se começa a tomar consciência, começa-se a examinar a sociedade na qual se está sendo educado”. Como educador, o Reitor Kumar deveria acolher os esforços dos estudantes para avaliar “ideias e opiniões diversas e, por vezes, contraditórias”. Além disso, o reitor deveria confiar no processo rigoroso e democrático do Senado e nas resoluções que este alcançou.

Instamos o Presidente Kumar e a administração da Tufts a se envolverem de forma significativa e a implementarem as resoluções aprovadas pelo Senado.

Este artigo de opinião foi escrito por Nick Ambeliotis (CEE, ‘25), Fatima Rahman (STEM Education, ‘27), Genesis Perez (English, ‘27) e Rumeysa Ozturk (CSHD, ‘25) e é endossado por outros 32 alunos de pós-graduação da Escola de Engenharia e Artes e Ciências da Tufts.

*Jamil Chade/ICL


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Em 1ª resolução, Conselho de Trump toma Gaza e exclui palestinos

Documento revela poderes absolutos para Trump em Gaza e sem previsão de qualquer prazo para entregar território à administração dos palestinos

Um controle absoluto sobre Gaza, sem monitoramento externo e sem o envolvimento de qualquer autoridade palestina. Esses são os termos da primeira resolução proposta pelo Conselho da Paz, criado pelo presidente Donald Trump com o apoio de cerca de 30 países.

O documento da resolução deixa explícito que, a partir de agora, Gaza será um território governado a partir de pessoas indicadas exclusivamente pelo governo dos EUA, isentos de qualquer mecanismo de responsabilização ou órgãos independentes. As forças militares no local também serão aprovadas por Trump, pessoalmente.

A resolução, obtida pelo ICL Notícias, determina o futuro de um território palestino e que, nos últimos dois anos, foi alvo do que grupos de direitos humanos qualificaram como “genocídio”. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Donald Trump e sugeriu que o Conselho tenha seu mandato limitado à reconstrução de Gaza e com a participação da Autoridade Palestina.

Mas no documento, não há previsão para a entrega de Gaza para uma autoridade palestina.

“O Conselho de Paz atuará como a administração governamental transitória de Gaza para supervisionar e fiscalizar a implementação do Plano Abrangente, garantindo que Gaza seja uma zona desradicalizada e desmilitarizada, livre de terrorismo, que não represente uma ameaça aos seus vizinhos e que seja desenvolvida para o benefício do povo de Gaza”.

Mas a resolução ainda insiste que ninguém mais terá poderes sobre a região. “Toda a autoridade legislativa e executiva transitória, os poderes de emergência e a administração da justiça são conferidos ao Conselho de Paz”, declara.

De acordo com a resolução, o Conselho de Paz “poderá exercer todos os poderes e autoridades que julgar necessários e apropriados para implementar o Plano Abrangente, incluindo, entre outros:

  • emitir resoluções e diretrizes;
  • estabelecer subcomissões e entidades subsidiárias, como um Gabinete do Alto Representante para Gaza, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) e a polícia local autorizada pelo Alto Representante;
  • coordenar a reconstrução e o desenvolvimento em Gaza;
  • supervisionar e fornecer orientação estratégica a uma Força Internacional de Estabilização (FIE) temporária, juntamente com a cooperação em matéria de desmilitarização e segurança por e com essa Força;
  • coordenar o processo de desradicalização e o auxílio humanitário em Gaza;
  • engajar doadores, aprovar orçamentos e administrar mecanismos financeiros;
  • concluir quaisquer acordos internacionais necessários com Estados ou organizações internacionais que se mostrem necessários para implementar o Plano Abrangente;
    abrir contas bancárias e estabelecer controles financeiros adequados.

O Conselho Executivo será compostos pelos seguintes nomes indicados por Trump

  • Secretário Marco RubioSusan WilesSteve WitkoffJared Kushner
  • Sir Tony Blair
  • Marc Rowan
  • Ajay Banga
  • Robert Gabriel
  • Martin Edelman

Se faltam palestinos, sobram indicações de Trump com relações estreitas com Israel. Dois deles ainda fazem parte da liderança do projeto.

“O Presidente designa, por meio deste documento, Arych Lightstone e Joshua Gruenbaum como consultores seniores do Conselho da Paz, encarregados de liderar a estratégia e as operações diárias e de traduzir o mandato e as prioridades diplomáticas do Conselho em uma execução disciplinada”, explicou. Lightstone foi embaixador dos EUA em Israel, enquanto Gruenbaum serve na administração americana.

Fica ainda estabelecido um Conselho Executivo de Gaza. Mais uma vez, o grupo é repleto de funcionários de Trump e aliados.

  • Steve Witkoff
  • Susan Wiles
  • Jared Kushner
  • Ministro Hakan Fidan
  • Ali Al-Thawadi
  • General Hassan Rashad
  • Sir Tony Blair
  • Marc Rowan
  • Ministra Reem Al-Hashimy
  • Nickolay Mladenov
  • Yakir Gabay

Um Alto Representante para Gaza foi indicado pelo próprio Trump e “servirá como braço operacional para a implementação do projeto. Ele formará um “comitê tecnocrático, apolítico e selecionado, composto por palestinos competentes e qualificados da Faixa de Gaza, e autorizar, dirigir e supervisionar todas as suas atividades e operações diárias”.

Caberá a ele supervisionar a força policial em Gaza, supervisionar a administração, a entrega e o não desvio da ajuda humanitária em Gaza, gerir a reconstrução e o redesenvolvimento de Gaza.

Será o representante de Trump quem irá nomear e destituir pessoas que desempenham funções de governança civil e administração da justiça. Ele irá supervisionar o pessoal, o orçamento, as despesas e as operações.

Para este cargo, a resolução escolheu o búlgaro Nickolay Mladenov como o primeiro Alto Representante. Ex-chanceler de seu país, ele é visto com desconfiança pelos palestinos, que acusam Mladenov de ter atendido aos pedidos de Israel de forma desequilibrada enquanto ocupou um cargo na ONU.

Força Internacional de Estabilização…dos EUA
A resolução ainda estabelece uma força internacional e que terá os Estados Unidos “como a nação líder inaugural”. O Major-General Jasper Jeffers será o primeiro Comandante da Força. A Força de Segurança Interna (FSI) cumprirá sua missão conforme endossado pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança, mas “sob a orientação estratégica que o Presidente (Trump) fornecer”.

Qualquer nação que assumir o cargo no futuro terá de ser aprovada por Trump. “O Presidente detém a autoridade exclusiva para aprovar a nomeação de qualquer nação para Comandante da Força e para substituir o Comandante da Força a seu critério”, diz o texto.

Um dos poucos palestinos a ser citado na resolução é Ali Sha’ath, que terá uma função de implementar certos aspectos da segurança da Gaza. Mas sem qualquer voz para determinar a direção do projeto.

Trump com poder de veto
Qualquer resolução que seja adotada pelo Conselho ou pelo Alto Representante “estão sujeitas à suspensão pelo Presidente em casos urgentes”.

“As resoluções do Conselho serão aprovadas e assinadas pelo Presidente e entrarão em vigor na data nelas especificada. Serão emitidas em inglês e publicadas no sítio web do Conselho”, diz o texto, que sequer faz referências à tradução das decisões para o árabe.

Princípios de Governança para a Nova Gaza
Na resolução, critérios foram estabelecidos para determinar as leis civis e penais aplicáveis ​​em Gaza, assim como padrões que cada um dos envolvidos terão de seguir.

“Para criar uma Gaza desradicalizada e livre do terrorismo, que não represente ameaça aos seus vizinhos e seja reconstruída para o benefício do povo de Gaza, conforme as diretrizes do Plano Abrangente, somente as pessoas que apoiarem e agirem em consonância com esse plano serão elegíveis para participar das atividades de governança, reconstrução, desenvolvimento econômico ou assistência humanitária em Gaza”, diz.

Por exemplo, pessoas ou entidades como organizações terroristas estrangeiras (conforme designadas pelos Estados-Membros do Conselho de Paz ou pelo próprio Conselho de Paz) e organizações não governamentais que tenham apoiado ou possuam um histórico comprovado de colaboração, infiltração ou influência com ou por parte do Hamas ou outros grupos terroristas estão proibidas de participar.

O Conselho Executivo e o Alto Representante deverão, por meio de resolução e decreto, criar padrões de elegibilidade adequados para a participação no desenvolvimento da Nova Gaza e aplicá-los caso a caso, sujeitos à aprovação do Presidente.

Palestinos “livres para sair”
O texto diz ainda que o povo de Gaza será “incentivado a aproveitar esta oportunidade para construir uma Nova Gaza próspera e pacífica, e as atividades de reconstrução e reabilitação do Conselho serão dedicadas exclusivamente àqueles que consideram Gaza seu lar e local de residência”.

“Ninguém será forçado a deixar Gaza. Aqueles que desejarem sair terão a liberdade de fazê-lo e a liberdade de retornar a Gaza”, afirma o documento.

A resolução ainda diz que serão estabelecidas zonas humanitárias e corredores controlados de proteção civil para que a assistência humanitária possa chegar livremente a todas as pessoas necessitadas de Gaza.

Mas serão administradas pelos EUA. “O acesso a essas zonas será limitado a pessoas aprovadas pelo Conselho Executivo e pelo Alto Representante; elas serão patrulhadas pelas Forças de Segurança Internacional (FSI) e livres de armas não autorizadas ou atividades armadas”.

*Jamil Chade/ICL


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Irã instala outdoor gigante com porta-aviões bombardeado e manda recado aos EUA: ‘Quem semeia vento colhe tempestade’

O Irã disse, nesta segunda-feira (26), que responderá de forma “contundente” a qualquer eventual agressão dos Estados Unidos, coincidindo com o reforço da presença militar americana no Oriente Médio com a chegada de um porta-aviões.

As autoridades iranianas também instalaram em uma praça central de Teerã um enorme outdoor que mostra um porta-aviões destruído: “Quem semeia vento colhe tempestade”, diz o cartaz.

Ambas as mensagens foram emitidas no mesmo dia em que o Comando Central militar dos Estados Unidos (Centcom) anunciou a chegada do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio.

O porta-aviões e os navios que o acompanham foram enviados enquanto o Irã reprimia manifestações em larga escala. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tenha seguido em frente com uma ação militar contra Teerã, ele insiste que todas as opções continuam na mesa.

O Centcom, responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio e partes da Ásia Central, anunciou que o navio “está estacionado atualmente no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regionais”.

Na nota desta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que haverá uma “resposta contundente” que provocará “arrependimento perante qualquer agressão”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, declarou que o Irã tem “confiança nas suas próprias capacidades”.

Em uma referência ao porta-aviões, o porta-voz acrescentou: “A chegada de um navio de guerra deste tipo não afetará a determinação e seriedade do Irã.”

*G1


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Delcy Rodríguez reafirma soberania da Venezuela: ‘basta das ordens de Washington’

Aos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturaisAos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturais

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, voltou a criticar neste domingo (25/01) a influência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país e reforçou a defesa da soberania política e energética venezuelana.

Em discurso dirigido a trabalhadores do setor de hidrocarbonetos, no estado de Anzoátegui, ela afirmou que o país não aceitará imposições externas e que os conflitos internos devem ser resolvidos exclusivamente no âmbito nacional.

“Já basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossa divergência e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, disse Rodríguez, ao se dirigir aos petroleiros reunidos na refinaria de Puerto La Cruz.

Rodríguez destacou que a reforma na Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos foi um instrumento para otimizar a exploração dos recursos naturais sob princípios de soberania energética. Segundo ela, a proposta busca assegurar que a riqueza do subsolo se converta em benefícios concretos para a população, garantindo “felicidade econômica e social” ao povo venezuelano.

Ela afirmou que o país não deve temer a dinâmica internacional do setor energético, nem pressões externas. “Não devemos ter medo da agenda energética, nem com os Estados Unidos, nem com o restante dos países do mundo. É direito da Venezuela ter diversidade em suas relações internacionais”, salientou, ao defender uma política externa baseada na autonomia e na ampliação de parcerias estratégicas.

Papel social do petróleo
Ao relacionar diretamente a produção de petróleo e gás com o bem-estar da população, a presidente interina enfatizou o papel social da indústria energética. “Que aqueles barris que estão em campos verdes se tornem salários, comida e saúde para nosso povo. Que capacidades nacionais e internacionais sejam adicionadas para desenvolver nossa reserva”, disse.

Entre os avanços destacados, ela citou a assinatura do primeiro contrato de exportação de gás natural da história do país, que, segundo o governo, marca um novo momento para o setor energético venezuelano. “Eles não acreditaram, mas já fechamos um contrato para exportar a primeira molécula de gás da Venezuela e agora estamos buscando mais”.

Ela relatou que a meta é transformar as vastas reservas do país em prosperidade concreta: “agora, é nossa vez de nos tornarmos o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, as maiores reservas de gás deste hemisfério. Agora é nossa vez de nos tornarmos uma verdadeira potência produtora de petróleo e gás”, acrescentou.

Rodríguez explicou que a reforma no setor preserva integralmente o modelo de propriedade estatal dos recursos naturais estabelecido durante o governo de Hugo Chávez. “O legado do Comandante Eterno na posse dos recursos permanecerá intocável e intacto dentro do novo arcabouço legal”, disse, ao ressaltar a importância da unidade do setor e do papel estratégico da classe trabalhadora na recuperação da indústria petrolífera.

Diplomacia da Paz
No campo diplomático, a presidente responsável reiterou que o país seguirá apostando na chamada Diplomacia Bolivariana da Paz. “Estamos enfrentando o governo dos Estados Unidos, vamos resolver nossas diferenças, nossas controvérsias históricas por meio da diplomacia bolivariana”.

Ao comentar a agressão militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e a primeira combatente Cilia Flores foram sequestrados, ela mencionou a calma e a lucidez da população venezuelana, defendendo a prudência estratégica, o compromisso político e a lealdade ao país.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

Mal-estar se instala na Copa de 2026 nos EUA e cresce debate sobre boicote

Em encontros reservados, europeus começam a debater possibilidade de uma resposta diante da ofensiva de Trump pela Groenlândia.

O mal-estar está instalado. O desmonte da democracia por parte de Donald Trump e seus ataques contra aliados e adversários desencadearam uma reação de questionamentos sobre a Copa de 2026, nos EUA, México e Canadá.

Na semana passada, os chefes de 20 federações de futebol da Europa se reuniram de forma discreta na Hungria. Na agenda estava a crescente preocupação diante do desejo de Donald Trump de anexar a Groenlândia.

A pergunta que tiveram de tratar era óbvia: como o futebol reagiria diante de uma crise política ou militar com a Europa?

O que era apenas tratado em salas reservadas eclodiu quando Oke Gottlich, vice-presidente da Federação Alemã de Futebol, afirmou que havia “chegado a hora” de falar de boicote.

Não se descarta, por exemplo, que jogadores ou federações avaliem possibilidades de promover algum tipo de protesto. Dos 104 jogos da Copa do Mundo, 78 serão realizados nos EUA.

“Se Trump cumprir os anúncios e ameaças relacionados à Groenlândia e iniciar uma guerra comercial com a UE, é difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo”, disse o parlamentar de direita, Roderich Kiesewetter.

De acordo com uma pesquisa do instituto Insa, 47% dos entrevistados na Alemanha disseram que seriam favoráveis a um boicote caso os EUA anexem a Groenlândia. 35% recusaram a ideia de um protesto, enquanto 18% afirmaram não ter posição.

Em 2022, a Alemanha já liderou uma ação contra o governo do Catar e acabou ameaçada pela Fifa. O motivo era uma braçadeira que os jogadores levariam durante as partidas, promovendo a diversidade e a inclusão.

Em vez disso, a FIFA antecipou sua própria campanha “Não à Discriminação”. Em protesto, os jogadores da Alemanha cobriram a boca durante a foto oficial da equipe antes da estreia na Copa do Mundo contra o Japão “para transmitir a mensagem de que a Fifa está silenciando”.

A constatação dos dirigentes, porém, é que tomar tal decisão exigirá uma coragem política que talvez hoje não exista. Ao mesmo tempo, europeus e africanos admitem que lhes custaria muito saber que estarão fazendo parte da transformação de uma Copa do Mundo em um palco ao líder com traços autoritários.

Entre diplomatas e cartolas, a acusação é de que a Copa, uma vez mais, revela uma profunda hipocrisia. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o resultado foi sua expulsão de dezenas de eventos.

Em fevereiro de 2022, a Fifa e a Uefa emitiram o seguinte comunicado:

“A Fifa e a Uefa decidiram em conjunto que todas as equipes russas, sejam seleções nacionais ou clubes, ficarão suspensas da participação em competições da Fifa e da Uefa até novo aviso.”

Nos últimos meses, os EUA atacaram a Venezuela, Irã e Nigéria, além de ameaçar dezena de países e exigir a entrega de um território europeu. Se não bastasse, aplicou sanções contra europeus e latino-americanos. Trump ainda fez repetidas ofensas contra países mais pobres e até questionou a inteligência da população da Somália.

Não por acaso, o ex-treinador do Senegal, Gana, Camarões e de diversas seleções africanas, o francês Claude Le Roy, afirmou que não via motivo para evitar o debate sobre um boicote, diante da forma pela qual Trump se refere aos africanos.

Outro movimento vem sendo identificado entre torcedores, com abaixo-assinados contra a Copa surgindo em alguns países europeus. Ainda assim, cartolas ouvidos pelo ICL Notícias admitem que esses movimentos precisam ter um respaldo das instituições.

Numa tentativa de mostrar que o mal-estar não existe, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se apressou em anunciar em Davos, na semana passada, que mais de 500 milhões de ingressos já tinham sido solicitados.

Antecedentes
Para dirigentes europeus, são os líderes que precisam assumir suas responsabilidades. O histórico, porém, é citado como algo a não ser esquecido.

Em 1936, enquanto Hitler erguia sua máquina de morte e implementava a base do que seria o Holocausto, dirigentes esportivos e políticos em todo o mundo optaram por fechar os olhos aos abusos e fazer parte da Olimpíada em Berlim.

Um ano antes, meio milhão de americanos assinaram petições exigindo uma sede alternativa para os Jogo. Vários jornais, incluindo o New York Times, registraram objeções à participação dos EUA.

Líderes religiosos, reitores de universidades e sindicalistas criaram nos EUA o Comitê para o Jogo Limpo nos Esportes com o objetivo explícito de impedir que o país enviasse seus atletas de elite a Berlim. “Todos os americanos de bom senso e amantes do bom esporte devem se opor à nossa participação”, dizia um de seus panfletos, “porque o governo nazista está planejando deliberadamente usar os Jogos Olímpicos para promover seu prestígio político e glorificar suas políticas”.

Hitler sabia que os Jogos Olímpicos lhe proporcionariam uma oportunidade única para promover o “Reich de Mil Anos” que idealizava.

Os documentos das diferentes diplomacias não deixavam dúvidas de que todos sabiam o que estava em jogo. Sir Eric Phipps, embaixador britânico em Berlim, escreveu um telegrama para o Ministério das Relações Exteriores em 7 de novembro de 1935 o seguinte recado:

“O Chanceler (Hitler) está demonstrando um enorme interesse pelos Jogos Olímpicos. Na verdade, ele está começando a considerar as questões políticas sob a perspectiva de seu efeito sobre os Jogos. O governo alemão está simplesmente apavorado com a possibilidade de a pressão judaica induzir o governo dos Estados Unidos a retirar sua equipe e, assim, arruinar o festival, cujo valor material e propagandístico, em sua opinião, dificilmente pode ser exagerado.”

Aqueles que insistiram em ir ao evento sabiam da repressão contra os judeus e mesmo a diplomacia dos EUA sugeriu implementar o boicote.

“Caso os Jogos não sejam realizados em Berlim”, escreveu George Messersmith, cônsul-geral dos Estados Unidos em Berlim, a seus superiores no Departamento de Estado, “seria um dos golpes mais sérios que o prestígio nacional-socialista poderia sofrer em uma Alemanha em despertar e uma das maneiras mais eficazes que o mundo exterior tem de mostrar à juventude alemã sua opinião sobre a doutrina nacional-socialista.”

Para ele, era “inconcebível que o comitê olímpico americano mantivesse sua posição de que o esporte na Alemanha é apolítico, que não há discriminação”. “Outras nações estão olhando para os Estados Unidos antes de agirem, esperando por liderança; os alemães estão adiando o aumento da opressão econômica contra os judeus até que os jogos terminem. Os Estados Unidos deveriam impedir que seus atletas fossem usados por outro governo como instrumento político”, completou.

Mas o movimento nos EUA pelo boicote acabou fracassando, enterrando a pressão em outros países do mundo. Um voto na Associação de Atletas Amadores terminou com uma margem mínima de vantagem a quem defendia ir aos Jogos. De forma hipócrita, dirigentes dos EUA e de diversos países consideravam que deixar de ir ao principal evento do COI significaria o fim de suas carreiras no movimento olímpico.

O evento de Hitler acabaria tendo o maior número de delegações jamais visto até então. E o resto da história todos nós conhecemos.

*Jamil Chade/ICL


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Protestos em massa defendem imigrantes e desafiam Trump nos Estados Unidos

James Greem – A Pública Ataques do presidente contra trabalhadores indocumentados encontram resistência em todo o país

O assassinato de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em 7 de janeiro no estado do Minnesota, deu ainda mais impulso a um movimento nacional que protesta contra as prisões inconstitucionais de imigrantes indocumentados e cidadãos americanos pelo governo de Donald Trump. E essa revolta mira um dos pilares que levou Trump à cadeira de presidente.

Duas questões contribuíram significativamente para a vitória eleitoral de Trump em 2024. O primeiro foi o estado precário da economia dos EUA, com inflação crescente e uma preocupação generalizada com a acessibilidade a necessidades básicas do consumidor, como alimentação, moradia e assistência médica. O segundo, foi o apelo de Trump para deportar cerca de 15 milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

Em 2026, Trump perdeu apoio público significativo em ambas as frentes. Uma pesquisa recente da CNN constatou que 58% dos entrevistados consideram o primeiro ano do mandato de Trump um fracasso, com 55% declarando que as condições econômicas pioraram desde que ele assumiu o cargo em janeiro de 2025. Outros 9% acreditam que o presidente não fez o suficiente para reduzir os preços de bens essenciais. Isso inclui metade dos republicanos entrevistados, que afirmam que Trump precisa fazer mais para lidar com a questão da inflação e da acessibilidade.

As pesquisas que medem a opinião dos eleitores sobre as políticas de imigração da Casa Branca são ainda piores. Em uma pesquisa recente da Axios, 57% dos entrevistados desaprovam a maneira como o ICE está aplicando as leis de imigração, enquanto apenas 40% aprovam as ações do governo.

Um dos mentores por trás das impopulares políticas de imigração de Trump é Stephen Miller, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca para políticas e segurança interna. Miller dirigiu a militarização da aplicação das leis de imigração por meio do envio de agentes federais mascarados, muitas vezes operando em veículos descaracterizados, para as principais cidades que votaram em prefeitos democratas nas eleições recentes.

Eles têm sido apoiados por outras agências federais, juntamente com reforço e apoio logístico da Guarda Nacional, para cumprir uma cota imposta por Miller de deportar um milhão de trabalhadores indocumentados por ano. Para atingir esse objetivo, o governo realizou uma campanha de perfilamento racial, percorrendo áreas urbanas, abordando pessoas não brancas nas ruas e exigindo que elas comprovassem sua cidadania americana.

A maioria dos detidos é deportada rapidamente, sem o devido processo legal, seja para seu país de origem ou para um terceiro país que tenha concordado em receber milhares de pessoas expulsas em troca de generosos subsídios financeiros fornecidos pelo governo Trump.

Para implementar essa política draconiana, a maioria republicana no Congresso dos EUA autorizou 170 bilhões de dólares para o Departamento de Segurança Interna em julho de 2025. O governo reduziu os requisitos de contratação e forneceu treinamento deliberadamente inadequado sobre como deter e prender trabalhadores indocumentados, para atender à necessidade de empregar novos agentes do ICE. Isso resultou em milhares de reclamações sobre a violação das proteções constitucionais para os indocumentados e a prisão ilegal de cidadãos americanos nessas operações de busca e apreensão urbana.

Os números são expressivos: desde janeiro de 2025, 270 mil pessoas foram presas na fronteira, enquanto o governo Trump deportou outras 230 mil que estavam detidas dentro do país. Esse número é superior ao total de deportações realizadas durante os quatro anos do governo Biden, mas ainda está muito aquém da meta de deportar um milhão de pessoas por ano.

Em todo o país, pessoas responderam à política de Trump organizando esforços populares para proteger imigrantes vulneráveis de agentes do ICE. Quando agentes do governo chegam a um bairro, cidadãos americanos e residentes legais usam apitos para alertar os imigrantes sobre o perigo iminente de prisão, permitindo que muitos fujam ou se escondam. Ao mesmo tempo, os vizinhos cercam os veículos do governo para bloquear as prisões e gritar “vergonha” para os agentes que estão detendo aqueles que são pegos nessas operações.

Esse foi o cenário que levou o agente do ICE, Jonathan Ross, a disparar três tiros contra o carro de Renne Good enquanto ela e seu parceiro protestavam pacificamente contra a prisão de trabalhadores indocumentados. Quase imediatamente após o assassinato, Kristi Noem, diretora do Departamento de Segurança Interna, anunciou que Good havia tentado atropelar Ross com seu carro e era uma simpatizante de esquerda envolvida em atividades “terroristas”. As alegações de Noem contradizem as imagens de vídeo, que mostram Good desviando seu carro do agente do ICE que, mesmo assim, atirou nela à queima-roupa.

O vice-presidente J.D. Vance também se manifestou sobre o incidente, alegando que os agentes do ICE tinham imunidade absoluta contra qualquer processo por ações que realizassem “no cumprimento do dever”, embora advogados constitucionalistas refutem essa alegação.

Reforçando a acusação de que Good era um terrorista, o Departamento de Justiça se recusou a permitir que autoridades policiais locais da cidade de Minneapolis ou do estado de Minnesota participassem da investigação federal sobre a morte de Good, levando muitos a concluir que o governo Trump considerará que Ross agiu corretamente.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Justiça autorizou investigações contra Becky Good, esposa de Renee Good, por suas supostas ligações com grupos de esquerda que tentam interferir na aplicação das leis de imigração do governo. Como resultado, um grupo de procuradores federais de Minnesota renunciou aos seus cargos por se opor à realização da investigação.

O governo Trump também anunciou que está investigando o prefeito de Minneapolis, Jacob Fray, e o governador de Minnesota, Tim Walz, que foi o candidato a vice-presidente de Kamala Harris nas eleições de 2024, por supostamente obstruírem a Justiça ao criticarem as operações do ICE em seu estado.

Ambos os políticos democratas fizeram declarações contundentes condenando as ações do governo Trump, mas pediram aos seus residentes que protestassem pacificamente e evitassem interferir nas detenções do ICE. Especialistas jurídicos argumentam que Fray e Walz estavam exercendo seu direito constitucional à liberdade de expressão; e, como nunca estiveram fisicamente presentes em nenhum protesto que tenha envolvido confrontos com agentes do ICE, não podem ser responsabilizados pelas ações dos manifestantes.

Muitos observadores consideram que o envio de milhares de agentes do ICE para Minnesota foi um ato de retaliação contra um estado que votou contra Trump nas últimas três eleições.

A xenofobia sem escrúpulos de Trump
Minnesota também abriga 90 mil refugiados somalis, que fugiram da guerra civil em seu país de origem no início da década de 1990. Aproximadamente 95% dos que vivem em Minnesota são cidadãos americanos. E eles têm sido um alvo predileto do governo Trump.

O presidente dos EUA não escondeu seu desprezo por africanos e pessoas de ascendência africana do Caribe, que vieram para os Estados Unidos em busca de asilo político ou para melhorar sua situação econômica. Durante a campanha eleitoral de 2024, Trump fez alegações falsas durante um debate presidencial com Kamala Harris de que refugiados haitianos que viviam em Ohio e trabalhavam legalmente em indústrias locais e no setor de serviços estavam roubando e comendo gatos e cachorros de moradores.

Embora essas alegações tenham sido rapidamente desacreditadas, os apoiadores de Trump continuaram a acreditar nessas declarações. O próprio Trump não teve escrúpulos em repetir essas mentiras nos últimos dias da corrida presidencial. Ele já havia se referido a nações africanas e caribenhas como “países de merda” em uma reunião a portas fechadas na Casa Branca.

Quando jornalistas investigativos relataram no ano passado que membros da comunidade somali em Minnesota haviam fraudado o governo em milhões de dólares em fundos de assistência social, Trump usou a notícia para justificar o envio de 2,000 agentes do ICE ao estado para supostamente investigar o esquema.

No entanto, em vez de enviar especialistas em contabilidade e fraude administrativa, os agentes do ICE começaram a aterrorizar sistematicamente Minneapolis, onde vive a maioria dos somalis.

Homens mascarados com uniformes e equipamentos de combate do exército entraram nas casas das pessoas sem mandados de busca legais. Eles procuravam pais indocumentados nas escolas quando estes buscavam seus filhos. Os agentes do ICE usaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra manifestantes e pessoas que filmavam as ações dos agentes do ICE.

A resistência ao ICE
Postagens na internet mostrando a violência contínua de funcionários do Departamento de Segurança Interna contribuíram para a indignação pública contra a política de Trump em todo o país. Vídeos no Instagram documentando abusos semelhantes da Califórnia a Nova York também alimentaram atos de solidariedade com imigrantes visados ​​em todo o país, não apenas em grandes metrópoles, mas também em pequenas cidades e comunidades rurais.

O que é especialmente notável nesses gestos é a composição multiétnica e racial daqueles que monitoram as ações do ICE, apoiam seus vizinhos sem cidadania e protestam nas ruas. Embora haja uma longa tradição de racismo e xenofobia contra imigrantes nos Estados Unidos, que remonta a meados do século 19 e se reflete no apoio político que Trump mobilizou desde que anunciou sua primeira candidatura à presidência em 2015, essa defesa de residentes indocumentados e trabalhadores é notável e politicamente significativa.

Em resposta às mobilizações em curso contra as ações do ICE em Minnesota, na semana passada Trump ameaçou usar a Lei da Insurreição, que lhe permitiria enviar forças armadas dos EUA para Minnesota para conter uma suposta rebelião. No entanto, a reação às suas políticas tem sido tão forte e as imagens de violência estatal nas redes sociais tão chocantes que, por enquanto, Trump recuou dessa ameaça. Mesmo assim, dado o estilo volátil de tomada de decisões do presidente, ele pode mudar de ideia a qualquer momento.

Quando analistas políticos estudaram os resultados das eleições de 2024, notaram que Trump parecia ter conquistado apoio entre homens negros, latinos e jovens. No entanto, todos esses ganhos aparentemente foram anulados desde janeiro de 2025.

Parece que muitos afro-americanos que apoiaram Trump em 2024 se revoltaram com suas políticas que eliminam proteções de direitos civis e benefícios de assistência social para negros. Muitos eleitores latinos têm dificuldade em apoiar o perfilamento racial que visa pessoas de cor e as trata com violência ao tentar detê-las. Jovens em todo o país parecem estar revoltados com as políticas de imigração desumanas do governo.

Trump está em apuros. A má gestão da economia, as políticas duras contra imigrantes trabalhadores, sua prática contínua de inventar estatísticas e mentir para o público americano, e o caos constante originado da Casa Branca — desde ameaças de conquistar a Groenlândia até a apreensão do petróleo venezuelano — tornaram o presidente dos EUA politicamente vulnerável.

Embora os ataques contra imigrantes possam desviar a atenção da inflação crescente ou da falha do governo em divulgar os Arquivos Epstein, conforme exigido por uma lei do Congresso, Trump parece ter perdido o seu apoio além de sua base leal. Apesar de sua agressividade e ameaças extravagantes em casa e no exterior, as medidas anti-imigração de Trump parecem um ato desesperado de alguém na defensiva.

Tudo isso é um mau presságio para os republicanos, que, neste momento, parecem prestes a perder o controle da Câmara dos Representantes e possivelmente do Senado nas próximas eleições legislativas de 3 de novembro. As políticas internas e externas de Trump também podem condenar à derrota qualquer candidatura republicana à presidência em 2028.

*Matéria publicada exclusivamente pela A Pública


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Vídeo: Agentes do ICE matam homem durante protesto em Minneapolis, nos EUA

ONU pede investigação sobre abusos de polícia de imigração dos EUA

Um homem baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) morreu neste sábado (24) em Minneapolis, após ser levado ao hospital. Segundo autoridades locais, a vítima tinha 37 anos, morava na cidade e seria cidadão norte-americano. O caso ocorre em meio a protestos contra operações federais de imigração no estado de Minnesota.

O governador Tim Walz classificou o episódio como “atroz” e afirmou ter cobrado da Casa Branca o fim imediato das ações federais no estado.

“Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”, escreveu o governador nas redes sociais.

De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o homem estava armado com uma pistola semiautomática e dois carregadores e teria reagido de forma violenta durante uma “operação direcionada” para localizar um imigrante em situação irregular. Segundo o órgão, um agente atirou após temer pela própria vida.

Vídeos não confirmados que circulam nas redes sociais mostram agentes com coletes identificados como “Polícia” imobilizando uma pessoa no chão antes dos disparos. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, informou que o caso foi comunicado à corporação por volta das 9h (horário local) e que a vítima possuía, ao que tudo indica, porte legal de arma, permitido pela legislação do estado.

Autoridades democratas e o prefeito da cidade, Jacob Frey, criticaram duramente a operação federal. Minneapolis vive clima de tensão desde o início do mês, quando outra ação do ICE resultou na morte de Renee Good, cidadã estadunidense de 37 anos, episódio que também provocou protestos e investigações em andamento.

Em postagens nas redes sociais, o presidente Donald Trump responsabilizou os policiais locais pelo tiroteio, elogiou agentes do ICE como “patriotas” e acusou o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis de provocarem uma “insurreição”. Trump também compartilhou uma foto de uma arma atribuída ao homem morto e, em seguida, alegou que as autoridades estaduais estariam encobrindo os fatos para enganar o governo federal.

Nações Unidas
O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que o governo do presidente Donald Trump seja investigado por possíveis violações de direitos humanos no tratamento dado a imigrantes e refugiados. Segundo ele, políticas migratórias recentes têm resultado em “abusos rotineiros”, prisões arbitrárias e práticas que estariam “destruindo famílias”.

Em comunicado emitido na sexta-feira (23), Türk afirmou estar “estarrecido” com o que classificou como detenções violentas e ilegais realizadas por autoridades norte-americanas, muitas vezes baseadas apenas na suspeita de que indivíduos sejam imigrantes sem documentação. De acordo com o alto comissário, operações de fiscalização têm ocorrido em locais sensíveis, como hospitais, igrejas, escolas, tribunais e residências.

“Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes de forma violenta, frequentemente apenas sob a mera suspeita de serem migrantes indocumentados”, declarou.

Ele também criticou o que chamou de representação “desumanizante” de migrantes e refugiados que, segundo a ONU, aumenta a exposição desse grupo à hostilidade xenofóbica e a abusos.

Um dos casos citados ocorreu na terça-feira (20), em Minneapolis, quando um menino de cinco anos foi detido junto com o pai por agentes de imigração. Segundo autoridades educacionais locais, a criança teria sido usada como “isca” para tentar localizar outros imigrantes em uma residência. Ambos foram levados para um centro de detenção no Texas, de acordo com o advogado da família.

Força desproporcional
Türk também manifestou preocupação com o uso do que considera força desnecessária ou desproporcional durante as operações. Ele ressaltou que, segundo o direito internacional, o uso intencional de força letal só é permitido como último recurso, quando há ameaça iminente à vida.

As ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) se intensificaram nos últimos meses e mobilizaram milhares de agentes federais para operações em grandes cidades. Minneapolis vive uma onda crescente de protestos desde a morte de Renee Good, baleada por um agente de imigração em janeiro, episódio que gerou protestos e críticas de autoridades locais.

*Agência Brasil

 


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Sem Brasil e potências europeias, Trump funda seu ‘Conselho da Paz’ e critica ONU

Evento em Davos ocorre depois que Reino Unido e França informaram que não irão aderir por enquanto ao projeto. Ato se transformou em palanque de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fundou nesta quinta-feira, em Davos, o que ele passou a chamar de Conselho da Paz. O órgão que rivaliza com a ONU teria a missão de lidar com as principais crises mundiais, ainda que o mandato e os detalhes do organismo não tenham sido esclarecidos.

Num palco com o símbolo da nova organização, repetindo os ramos cruzados no emblema das Nações Unidas, o protocolo sugeria que estava sendo criada uma entidade para consolidar o poder de Trump no mundo. Não por acaso, em todo o pano de fundo, era o brasão dos EUA que estava ao lado do termo “Conselho da Paz”.

O evento começou quando Trump foi chamado ao palco como autoridade máxima da nova iniciativa. O americano justificou que ele foi “convidado” a ser o líder do projeto, ainda que não tenha explicado quem o convidou.

Os demais líderes eram meros coadjuvantes, sentados em silêncio ao lado do americano, que fazia um longo monólogo sobre seus feitos.

Até mesmo a entrada em vigor do acordo foi feito a partir de uma manipulação. Pelo tratado, a assinatura de três países era suficiente para que a organização passasse a existir. Trump, então, chamou Bahrein e Marrocos para a mesa central do palco, assinou e seus assessores anunciaram que o novo organismo internacional estava criado.

Um por um, os demais líderes foram chamados para assinar o ato de fundação. Todos em silêncio.

Além de Trump, apenas mais três pessoas tomaram a palavra: a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leaviit, o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, e o secretário de Estado, Marco Rubio. “Isso aqui é resultado do sonho do presidente Trump”, disse o chefe da diplomacia dos EUA.

Rubio ainda criticou entidades onde “nada acontece” e sinalizou que o destino de Gaza pode ser o destino de “outras parte dos mundo”.

Alfinetadas contra a ONU
“Vamos trabalhar com todos, inclusive com a ONU”, prometeu Trump, que repetiu seu mantra que teria encerrado sozinho oito guerras. Em certo momento, ele admitiu que “nem sabia” que algumas daquelas guerras estavam ocorrendo.

Mas usou o evento para repetir suas críticas contra a instituição. “A ONU tem um enorme potencial e acho que combinação desse Conselho com eles pode ser positiva”, disse. No acordo, porém, o novo organismo tem o compromisso de apenas informar a cada seis meses o que está fazendo às Nações Unidas.

Se o Conselho é da paz, o discurso foi desenhado para insistir no poder militar dos EUA e no êxito dos ataques de seu governo contra inimigos. “Somos o maior poder militar do mundo”, disse.

Ele ainda garantiu que Gaza será desmilitarizada e que será “reconstruída lindamente”. O evento ainda anunciou a “desradicalização” do local, livre mercado e segurança. Um dos pontos de fronteira entre Gaza e o Egito serão abertos a partir da semana que vem.

Nova fase contra narcotráfico latino-americano
O discurso de criação ainda sugeriu que o governo americano poderá lançar uma nova ofensiva contra grupos do crime organizado na América Latina, desta vez por terra.

Para Trump, a parte “mais difícil” era por mar. “Agora será mais fácil”, disse. Ele sinalizou que estava esperando “resolver” a situação política na Venezuela com o sequestro de Nicolás Maduro para, agora, ampliar sua atuação.

Esvaziado
Trump, que convidou 59 líderes pelo mundo ao novo organismo, esperava transformar o ato na confirmação de seu poder. Pelas regras do Conselho, o presidente americano será a autoridade máxima da nova entidade e o único a poder vetar decisões. A adesão de um país para ser membro permanente depende de apenas dois critérios: depositar US$ 1 bilhão e ser convidado pelo presidente dos EUA.

A resposta gelada por parte de algumas das principais potências esvaziou o encontro em Davos. Ao lado de Trump estavam apenas seus aliados mais submissos, entre eles a Argentina, Paraguai, Marrocos, Armênia, Hungria e Israel.

Também farão parte os governos da Arábia Saudita, Paquistão, Catar, Kosovo, Indonésia, Uzbequistão, Mongólia, Turquia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão e Vietnã.

O governo brasileiro não mandou nenhum representante ao evento e ainda examina a proposta. Mas há uma forte pressão por parte de assessores do Palácio do Planalto para que o Brasil não aceite o convite.

Governos como o do Reino Unido, França, Eslovênia, Irlanda, Holanda e Noruega rejeitaram a iniciativa, por enquanto. Itália e Alemanha optaram por uma cautela, não se comprometendo com qualquer adesão.

Um dos principais temores é de que o projeto represente um abalo mortal para a já combalida ONU.

Já Vladimir Putin sugeriu que poderia considerar o projeto. Mas disse que estava disposto a pagar US$ 1 bilhão, caso os ativos russos confiscados nos EUA desde a invasão da Ucrânia sejam descongelados. O Kremlin, assim, coloca a administração Trump em uma encruzilhada.

Trump parecia não se importar com os fatos e o esvaziamento do projeto. “Teremos paz no mundo”, disse.

*Jamil Chade/ICL

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Diálogo entre Lula e Putin defende uso do BRICS em prol da Venezuela

Ambos os líderes, que acreditam no papel do bloco para auxiliar a América Latina, se comprometeram a manter esforços em prol da soberania da Venezuela

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, coincidiram em sua análise da situação na Venezuela, de acordo com um breve comunicado do Kremlin sobre a conversa telefônica que mantiveram nesta quarta-feira (14), por iniciativa do governante brasileiro.

Ambos os líderes, segundo a nota oficial russa, “respaldaram a necessidade de garantir a soberania do Estado e os interesses nacionais da República Bolivariana da Venezuela”.

Esta é a primeira vez que Putin — que reapareceu em público na última segunda-feira (12), após duas semanas de festividades de fim de ano — se refere de maneira indireta, por meio de seu serviço de imprensa, ao que acontece no país sul-americano, depois que o presidente Nicolás Maduro foi retirado de forma ilegal e levado aos Estados Unidos.

“Os líderes trocaram opiniões sobre a atualidade internacional, com especial atenção à situação na Venezuela”, assinalou o Kremlin no comunicado.

O texto acrescenta que ambos os mandatários “acordaram continuar coordenando esforços, inclusive no âmbito da Organização das Nações Unidas e por meio do Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), para reduzir a tensão na América Latina e em outras regiões do mundo”.

Lavrov comenta liderança de Delcy Rodríguez
Horas antes do comunicado, o chanceler Serguei Lavrov destacou as medidas que a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, está adotando para defender a soberania nacional.

“Observamos com grande interesse, preocupação e simpatia como as autoridades venezuelanas defendem seus direitos e sua independência, ao mesmo tempo em que demonstram flexibilidade e expressam sua disposição para dialogar com os Estados Unidos, caso essa comunicação tenha forma e conteúdo baseados nos princípios de igualdade e respeito mútuos, bem como na rejeição aos métodos unilaterais de imposição na política e, especialmente, à influência por meio do uso da força”, afirmou Lavrov.

Para o chefe da diplomacia russa, os Estados Unidos cometeram “uma operação ilegal” ao sequestrar o presidente Maduro, “avaliação compartilhada pela esmagadora maioria dos países do Sul Global e do Oriente”.

“Somente os europeus ocidentais e outros aliados de Washington procuram, constrangidos, não criticar o presidente estadunidense, Donald Trump, embora no fundo todos compreendam que se trata de uma gravíssima violação do direito internacional”, sustentou.

Segundo Lavrov, “o que vemos no cenário internacional evidencia não uma tentativa isolada, mas toda uma política de nossos colegas estadunidenses para destruir o sistema que, ao longo dos anos, foi sendo construído com a própria participação deles”.

“Refiro-me não apenas às estruturas das Nações Unidas, mas também aos princípios do modelo de globalização que os próprios Estados Unidos tentaram implantar, recorrendo a slogans como liberdade de mercado, concorrência justa, inviolabilidade da propriedade e muitos outros que ‘se evaporaram’, como costuma se dizer”, ressaltou o diplomata.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia concluiu: “Não posso prever o que vai acontecer na Venezuela, mas, na etapa atual, vemos que as autoridades bolivarianas defendem suas prioridades nacionais e demonstram clara intenção de participar das relações internacionais em pé de igualdade, precisamente como um Estado soberano e independente”.

“Inquebrantável solidariedade” à Venezuela
Na última terça-feira (13), a chancelaria russa também emitiu um comunicado a favor de Delcy Rodríguez como presidenta encarregada da Venezuela. A nomeação, segundo a declaração:

“Mostra a determinação do governo bolivariano de garantir a unidade e preservar a estrutura vertical do poder estabelecida de acordo com a legislação nacional, conter o risco de uma crise constitucional e criar as condições necessárias para o desenvolvimento pacífico e estável da Venezuela frente às flagrantes ameaças neocoloniais e à agressão armada vinda do exterior.”

Rússia “saúda os esforços das autoridades oficiais desse país para proteger a soberania e os interesses nacionais”, ao mesmo tempo em que “reafirma sua inquebrantável solidariedade com o povo e o governo da Venezuela”. Da mesma forma, “defende com firmeza o direito da Venezuela de decidir seu próprio destino sem nenhum tipo de nefasta ingerência externa”.

A nação russa, nesse sentido, exige “a desescalada da situação atual” e pede que se “resolva qualquer problema por meio do diálogo construtivo e do respeito às normas do Direito Internacional”, sobretudo à Carta da Organização das Nações Unidas.

Também deseja êxito à presidenta encarregada na solução das tarefas que a República Bolivariana enfrenta e ratifica a disposição de “seguir prestando o apoio que a amistosa Venezuela requeira”.

Por fim, o texto do Ministério das Relações Exteriores da Rússia conclui ressaltando que a América Latina e o Caribe “devem continuar sendo uma zona de paz” e sustenta que todos os países da região “merecem ter como garantia a possibilidade de escolher a via de desenvolvimento soberano”.

Putin e o papel da Rússia na questão venezuelana
Até a última quarta-feira (14), Putin não havia dedicado ações públicas sobre a situação na Venezuela. No entanto, delegou à chancelaria russa a tarefa de transmitir, por meio de quatro comunicados desde 3 de janeiro, a posição da Rússia de condenação à agressão armada e ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A postura do titular do Kremlin, segundo analistas, possivelmente se daria por comportamentos hostis de Trump em relação à nação russa. O primeiro foi afirmar que não acredita que tenha ocorrido qualquer ataque com “91 drones” contra a residência de Putin — o mandatário estadunidense deu a declaração dias após demonstrar indignação pelo relato feito por telefone pelo próprio presidente russo, que responsabilizou os ucranianos.

O episódio mais recente foi o cartaz publicado nas redes sociais na segunda-feira (12), pelo Departamento de Estado, com uma fotografia do republicano e uma eloquente inscrição em russo: “Não brinquem com Trump.”

Nas redes sociais russas, defensores da política do Kremlin sugerem que o sequestro de Maduro seria resultado de um pacto entre Putin e Trump, que teriam trocado a Venezuela pela Ucrânia. No entanto, no outro extremo, no mesmo dia em que o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, participaram pela primeira vez da Conferência de Aliados da Ucrânia, em Paris, não são poucos os que se perguntam o que a Rússia ganharia com um acordo que beneficia apenas os Estados Unidos.

Apontam, entre outras consequências negativas, que a queda de Maduro deixa no limbo os 17 bilhões de dólares que Moscou investiu em projetos petrolíferos na Venezuela e em fornecimento de armamentos não pagos; pode provocar uma queda do preço internacional dos hidrocarbonetos quando Washington passar a controlar a indústria petrolífera venezuelana, afetando a principal fonte de financiamento da operação russa na Ucrânia; e põe em xeque a credibilidade dos acordos estratégicos firmados com o Kremlin, que pressupõem assistência militar recíproca em caso de agressão e que, até o momento, não foram aplicados na Armênia, na Síria, no Irã e, agora, na Venezuela.

*Diálogos do Sul


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