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Relatores da ONU denunciam possíveis crimes contra a humanidade em arquivos de Epstein

Especialistas denunciam rede global de criminosos e alertam que a responsabilização criminosos tem sido limitada, com apenas uma pessoa sob investigação

Os “Arquivos Epstein” contêm “evidências perturbadoras e credíveis de abuso sexual sistemático e em larga escala, tráfico e exploração de mulheres e meninas”. O alerta foi feito por relatores da ONU que apontam como as informações sugerem escravidão sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura, tratamento desumano e degradante e feminicídio.

“Esses crimes foram cometidos em um contexto de crenças supremacistas, racismo, corrupção, misoginia extrema e mercantilização e desumanização de mulheres e meninas de diferentes partes do mundo”, disseram os especialistas, num comunicado conjunto.

“Os ‘Arquivos Epstein’, que sugerem a existência de uma organização criminosa global, chocaram a consciência da humanidade e levantaram implicações aterradoras sobre o nível de impunidade para tais crimes”, diz o texto.

A declaração é assinada por Attiya Waris, Perita Independente sobre os efeitos da dívida externa,
George Katrougalos, Perito Independente sobre a promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa, Balakrishnan Rajagopal, Relator Especial sobre o direito à habitação, Michael Fakhri, Relator Especial sobre o direito à alimentação, Ana Brian Nougrères, Relatora Especial sobre o direito à privacidade, Heba Hagrass, Relatora Especial sobre os direitos das pessoas com deficiência, Gina Romero, Relatora Especial sobre os direitos à liberdade de reunião pacífica e de associação e Mariana Katzarova, Relatora Especial sobre a situação dos direitos humanos na Federação Russa.

“A escala, a natureza, o caráter sistemático e o alcance transnacional dessas atrocidades contra mulheres e meninas são tão graves que algumas delas podem, razoavelmente, atingir o limiar legal de crimes contra a humanidade”, concluíram.

De acordo com o direito penal internacional, crimes contra a humanidade ocorrem quando atos como escravidão sexual, estupro, prostituição forçada, tráfico de pessoas, perseguição, tortura ou assassinato são cometidos como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil, com conhecimento do ataque.

Os especialistas alertaram que os componentes e padrões relatados podem atingir esse limiar e que esses crimes devem ser processados ​​em todos os tribunais nacionais e internacionais competentes.

“Todas as alegações contidas nos ‘Arquivos Epstein’ são de natureza grave e exigem investigação independente, completa e imparcial, bem como inquéritos para determinar como tais crimes puderam ocorrer por tanto tempo”, afirmaram.

O processo de divulgação está sendo realizado sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada em 19 de novembro de 2025. Em 30 de janeiro de 2026, após atrasos, o Departamento de Justiça divulgou um grande lote de material, incluindo mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180.000 imagens.

Os relatores da ONU ainda alertam que, apesar da escala das revelações, a responsabilização dos criminosos tem sido limitada, com apenas um associado próximo sob investigação.

“De acordo com o direito internacional dos direitos humanos, os Estados são obrigados a prevenir, investigar e punir a violência contra mulheres e meninas, incluindo atos cometidos por atores privados”, insistem.

“Os graves erros no processo de divulgação ressaltam a necessidade urgente de procedimentos operacionais padrão centrados na vítima para divulgação e redação, para que nenhuma vítima sofra mais danos”, afirmaram.

Os especialistas ainda pedem às autoridades americanas a corrigir urgentemente essas falhas, garantir a plena divulgação para compreender os métodos da organização criminosa, a reparação integral dos danos sofridos pelas vítimas e o fim da impunidade para os perpetradores. Os prazos de prescrição que impedem o processamento de crimes graves atribuídos à organização criminosa de Epstein devem ser revogados.

“Qualquer sugestão de que seja hora de deixar os ‘arquivos Epstein’ para trás é inaceitável.” “Isso representa uma falha de responsabilidade para com as vítimas”, afirmaram.

“A renúncia dos indivíduos envolvidos, por si só, não substitui a responsabilização criminal”, disseram os especialistas. Eles saudaram as medidas tomadas por alguns governos para investigar funcionários públicos, ex-funcionários e indivíduos privados citados nos processos. Eles também instaram outros Estados a fazerem o mesmo.

“A falha dos governos em investigar e processar efetivamente os responsáveis ​​por esses crimes, inclusive por cumplicidade ou aquiescência, quando houver jurisdição, corre o risco de minar os marcos legais destinados a prevenir e responder à violência contra mulheres e meninas”, alertaram.

“É imprescindível que os governos ajam com firmeza para responsabilizar os perpetradores”, disseram os especialistas. “Ninguém é rico ou poderoso demais para estar acima da lei.”

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

Brasil se recusa a ser mera reserva de minerais críticos e articula acordo inédito com a Índia

Governo busca autonomia no processamento e evita pactos que limitem parcerias com outros países

O governo brasileiro negocia um tratado com a Índia focado em minerais críticos e terras raras. As conversas para esse acordo inédito ocorrem enquanto o país demonstra resistência ao bloco comercial sugerido pelos Estados Unidos. O Executivo brasileiro busca manter a autonomia e garantir que o processamento desses materiais aconteça em território nacional, recusando-se a ser uma mera reserva desses minerais para o benefício de uma única nação.

A assinatura do acordo pode ocorrer durante a viagem oficial que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fará a Nova Déli, entre os dias 17 e 21 de fevereiro, quando também devem ser assinados 14 acordos bilaterais em matéria de inteligência artificial e venda de aeronaves militares.

O Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras no planeta. Por esse motivo, o Palácio do Planalto quer evitar acordos que funcionem como uma “camisa de força” para suas exportações. O objetivo é diversificar os parceiros comerciais, incluindo China e União Europeia, sem dar exclusividade aos estadunidenses.

O assunto deve estar na pauta da reunião entre Lula e Donald Trump, que deve ocorrer na primeira semana de março, e o governo brasileiro deve reafirmar sua posição.

Luiz Paulo Siqueira, da direção nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), lembra que a Índia, embora não possua reservas tão grandes quanto as chinesas e brasileiras, é uma referência internacional no processamento de terras raras e outros minerais críticos. Por outro lado, destaca que o modelo de exploração que será adotado no Brasil deve ser estabelecido pelos próprios brasileiros.

“Devemos dar um passo anterior: estabelecer entre nós, brasileiros, o que queremos em relação aos bens minerais, sejam os minerais críticos, como terras raras e lítio, ou o conjunto de bens minerais que temos em território nacional. A partir daí, poderemos avançar na construção de acordos, pois qualquer parceria deve ter como condição primordial que o Brasil seja soberano, independente e autônomo em relação ao processamento desses bens minerais”, avalia Siqueira.

“Dessa forma, qualquer acordo realizado no qual inicialmente exportemos essas matérias-primas deve ter como premissa a transferência de tecnologia para que sejamos autônomos no processo de beneficiamento e processamento desses bens minerais.

Na mesma linha, o professor de direito internacional público da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, avalia que a posição “confortável” do Brasil, por ser a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, lhe confere uma margem maior nas negociações, com vistas a garantir que o interesse nacional seja preservado.

“É importante que o Brasil se posicione de maneira a proteger o interesse nacional e ter em mente o desenvolvimento da capacidade de beneficiamento no território nacional. São elementos estratégicos da indústria e da tecnologia”, considera o professor.

“Faz sentido que o Brasil coloque cláusulas estipulando que o beneficiamento seja feito em parte ou integralmente em território brasileiro. Esse ponto é muito importante para que não fiquemos privados da tecnologia de tratamento e de industrialização desses elementos. Temos as reservas, precisamos desenvolver a capacidade de extração, refino e processamento para utilizações industriais estratégicas e muito variadas”, completa.

Aliança gringa
Recentemente, os Estados Unidos reuniram representantes de 54 países em Washington para lançar uma nova aliança em torno a esse tema. A estratégia do governo estadunidense busca isolar a China na corrida por esses componentes minerais, essenciais para a transição energética.

Os minerais estratégicos são fundamentais para a produção de chips, baterias e equipamentos de alta tecnologia. Atualmente, a China domina o refino de 19 dos 20 minerais listados em estudos globais. O governo estadunidense planeja investir US$ 3 bilhões de dólares em financiamentos para tentar reduzir essa dependência e fortalecer as cadeias de suprimento de seus aliados.

Brasil enviou à reunião em Washington apenas um diplomata de baixo escalão para acompanhar as discussões, o que, na linguagem diplomática, demonstra que o país não deseja fazer parte da articulação liderada pelos Estados.

Para Siqueira, a posição do governo brasileiro frente às tentativas de subordinação dos Estados Unidos é acertada. “O acordo que tem sido costurado por Trump enforca o Brasil e nos força a entregar o conjunto de bens minerais que temos em território nacional exclusivamente aos interesses dos Estados Unidos e das multinacionais norte-americanas. Entre os pontos que o acordo estabelecia, os Estados Unidos seriam o parceiro único de exportação das terras raras, sem nenhum tipo de processo de refino no território nacional, sendo todos esses bens minerais destinados à exportação sem nenhum tipo de beneficiamento interno”, explica Siqueira.

“Segundo, obrigava o Brasil a divulgar todas as pesquisas geológicas relacionadas às terras raras ao governo estadunidense, ou seja, mais um atentado contra a soberania nacional ao entregar todas as informações do subsolo brasileiro ao império norte-americano. Terceiro, exigia ainda que o governo brasileiro flexibilizasse a legislação de licenciamento ambiental para dar celeridade na implantação dos projetos de mineração de terras raras. Isso representa toda essa retomada imperialista com maior agressividade do governo Trump na América Latina para abocanhar de vez o conjunto de bens minerais que temos no território latino-americano, especialmente no Brasil. Portanto, negar a participação nessa aliança é um passo fundamental”, completa.

Casella considera que participar de uma articulação com esse caráter seria assumir um lado na guerra comercial que os Estados Unidos tem travado, sobretudo contra a China.

“É muito razoável e sensato que o Brasil não se vincule a esse acordo que tem como objetivo somente o interesse do governo estadunidense e a posição do Brasil é de um lado mais confortável por sermos detentores da segunda reserva de terras raras e minerais estratégicos depois da China, mas com uma muito pequena capacidade de processamento e industrialização. Então, não faz sentido o Brasil em primeiro lugar se vincular aos Estados Unidos nessa briga que não é nossa e em segundo lugar hostilizar ou tentar criar qualquer restrição com relação à atuação coordenada com a China”, pontua.

Alinhamento com o G20, exceto Estados Unidos
A posição brasileira sobre o tema já havia sido verbalizada pelo próprio presidente da República, em fóruns internacionais, como a Cúpula do G20, realizada no mês de novembro de 2025 em Joanesburgo (África do Sul), quando o governo dos Estados Unidos decidiu não enviar representação, em uma tentativa de boicote à reunião.

“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica”, declarou. “O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse Lula, enfatizando que os minerais críticos se tornaram um ativo central para a geopolítica contemporânea, sendo fundamentais tanto para o desenvolvimento de tecnologias de ponta quanto para a transição energética.

Essa posição também foi adotada pelos chefes de Estado presentes em Joanesburgo na declaração final da cúpula.

“Buscamos reforçar a resistência da cadeia de valor dos minerais críticos às tensões geopolíticas, às medidas comerciais unilaterais em violação às regras da OMC, às pandemias e às catástrofes naturais”, declararam os chefes de Estado do G20.

O G20 reconheceu que a transição energética e a inovação industrial ampliarão rapidamente a demanda por minerais críticos, mas que países produtores, sobretudo do Sul Global, enfrentam desafios para melhor os investimentos no setor, ampliar a capacidade de beneficiamento local e reduzir os impactos socioambientais.

Nesse sentido, os líderes lançam o G20 Critical Minerals Framework, uma espécie de guia voluntário e não vinculativo para promover cadeias de valor transparentes, estáveis e sustentáveis.

Contradições: a realidade de quem já sofre com a exploração de terras raras no Brasil
Embora em menor escala, a exploração de minerais raros já é uma realidade no Brasil. Na região do Vale do Jequitinhonha (MG), a mineração de lítio já provoca uma série de mazelas sociais, como explica Siqueira.

“O que temos visto é uma sistemática violação dos direitos das comunidades afetadas por esses projetos, violando tratados internacionais como a Convenção 169, que estabelece a necessidade de consultas às comunidades tradicionais antes da implementação desses empreendimentos. Assistimos à destruição das serras e das águas em uma região que já é semiárida e possui problemas estruturais de acesso à água, além da contaminação de cursos d’água, secagem de nascentes e deterioração da saúde ambiental e humana pela exposição à poeira da mineração”, relata o dirigente do MAM.

“Dados das cidades de Araçuaí e Itinga, que acolheram o primeiro projeto de extração de lítio no Vale do Jequitinhonha com a implementação da Sigma, mostram que no ano de 2025 houve um aumento de mais de 30% na demanda hospitalar, especialmente em casos de doenças respiratórias diretamente ligadas à mineração. Há também um caos na economia local, alterando o modo de vida da região e destruindo a tradicionalidade das comunidades do Vale do Jequitinhonha”, agrega.

Para Siqueira, embora o presidente Lula tenha dado declarações importantes no sentido de superar o modelo de desenvolvimento dependente, baseado na exportação de matérias-primas, no entanto, há uma “distancia significativa entre os discursos de Lula e as ações concretas do governo brasileiro, especialmente no Ministério de Minas e Energia”.

“Para avançarmos, é necessário implementar uma política nacional de mineração muito diferente da atual, com controle estatal dos bens minerais para que o Estado regule as taxas, os ritmos, os compradores e a finalidade, conduzindo um projeto de industrialização associado aos bens minerais do território nacional”, aponta Siqueira, que defende um maior controle do Estado sobre a atividade minerária.

“Com a nacionalização das jazidas e a criação de estatais específicas para a questão mineral, o Estado brasileiro passaria a ter controle sobre esses bens. Isso permitiria regular e processar os minerais em benefício de um projeto de industrialização nacional que traga melhorias de vida para o povo brasileiro, ao contrário do cenário atual, que deixa apenas um rastro de destruição e miséria”, finaliza.

*BdF


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Possível uso de arma por Israel para ‘evaporar’ palestinos é ‘grave crime de guerra’ e exige investigação, aponta especialista

Investigação da Al Jazeera indica utilização de armas termobáricas, que criam bola de fogo e efeito de vácuo

A denúncia feita pela rede Al Jazeera, a partir de uma investigação jornalística, de que Israel teria usado bombas termobáricas em Gaza, causando o desaparecimento de cerca de 3 mil corpos, é um “grave crime de guerra” e, no atual contexto, praticamente impossível de se averiguar. Essa é a avaliação do professor de Direito Internacional Público da USP, Paulo Borba Casella, em entrevista à edição de terça-feira (10) do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Chamadas de termobáricas ou de aerossol, essas armas dispersam uma a nuvem de combustível que se inflama para criar uma enorme bola de fogo e um efeito de vácuo. Atingindo temperaturas de mais de 3,5 mil graus celsius, elas não apenas matam, mas eliminam também a matéria.

Para Casella, a gravidade da acusação exige investigação, mas esta esbarra na falta de transparência imposta por Israel. “O exército israelense não permite o acesso de jornalistas, de ajuda humanitária e muito menos de autoridades neutras internacionais”, afirmou, citando também a tomada de instalações da UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos) e a destruição do reservatório de água em Rafah.

A Defesa Civil de Gaza afirma que 2.842 palestinos “evaporaram” em Gaza desde o início do genocídio, em outubro de 2023, sem deixar vestígios, além de respingos de sangue ou pequenos fragmentos de carne. Entre as armas detectadas, estão as MK-84 ‘Hammer’, a BLU-109 bunker buster e a GBU-39.

Apesar dos mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro Yoav Gallant por genocídio, Casella lembra que a instrução do processo depende da presença dos acusados. “Israel não aceita a jurisdição do TPI, mas a Palestina sim. Crimes cometidos em território palestino podem ser examinados”, explicou. O especialista citou ainda que os Estados Unidos, sob George W. Bush, retiraram sua assinatura do Estatuto de Roma, que criou o tribunal, alegando proteger seus soldados pelo mundo.

Paulo Borba Casella também criticou o Conselho de Paz de Gaza, proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O grupo deve se reunir no dia 19 de fevereiro.

“É absurdo que esse ‘clube da paz’, criado supostamente para tratar da reconstrução de Gaza, não mencione Gaza e não tenha participação de palestinos”, pontua Casella.

O Brasil é um dos países convidados a integrar o colegiado, no entanto, ainda não respondeu ao convite. A diplomacia brasileira avalia que a proposta tem problemas de legitimidade, já que cerca de 60 países foram convidados a participar, dos 193 membros da ONU, e pouco mais de 20 aceitaram.

Desde o anúncio da proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou duas preocupações: primeiro, que o conselho se limite à questão em Gaza, evitando a criação de uma espécie de “ONU Paralela”; e segundo, que o órgão conte com uma representação palestina.

Ele avalia como correta a posição do Brasil, mas pouco provável de ser atendida. “Sintomaticamente, tem sido só regimes autoritários que têm se manifestado, em princípio, favoráveis a participar. Muitas democracias europeias já declinaram”.

*BdF


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Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos e 25 feridos

Vítimas foram encontradas em escola de ensino médio e em uma casa; atiradora é uma mulher

Um ataque em uma escola e em uma residência de Tumbler Ridge, no Canadá, deixou nove pessoas mortas e outras 25 feridas nesta terça-feira (10). A atiradora também morreu, segundo as autoridades locais.

A polícia encontrou seis pessoas mortas e dezenas de feridos ao chegar à escola de ensino médio em Tumbler Ridge, cidade de apenas 2.400 habitantes no nordeste da Colúmbia Britânica, no início da tarde de terça-feira (10). Outras duas morreram em uma casa que, segundo a polícia, teria ligação com o ataque. Uma pessoa ferida no ataque à escola foi socorrida e morreu a caminho do hospital.

Cerca de outras 25 pessoas também estavam recebendo atendimento em um centro médico local, segundo a polícia.

A atiradora foi encontrada morta na escola com um ferimento autoinfligido. A polícia confirmou que a pessoa que realizou os ataques se assemelhava ao descrito em um alerta enviado pelas autoridades mais cedo nesta terça (10). Segundo a imprensa canadense, o alerta descrevia a suspeita como uma pessoa do sexo feminino de vestido e cabelos castanhos.

A polícia conhece a identidade da atiradora, mas não divulgou mais detalhes, e não informou se ela era menor de idade. Os policiais também não divulgaram os nomes das vítimas nem informaram quantas das pessoas mortas eram crianças.

“Não estamos em posição, neste momento, de compreender o que pode ter motivado essa tragédia”, afirmou o superintendente Ken Floyd, comandante do Distrito Norte da Real Polícia Montada do Canadá na Colúmbia Britânica em coltiva após o ataque. “Acredito que teremos dificuldade para determinar o ‘porquê’, mas faremos o possível para entender o que aconteceu”, disse.

Ataques a tiros em massa são raros no Canadá, país com leis sobre armas muito mais rígidas do que as dos Estados Unidos, e casos dessa magnitude em escolas são quase inéditos. O último ataque a tiros em escola dessa magnitude no Canadá ocorreu em 1989, quando um atirador assassinou 14 mulheres na École Polytechnique, em Montreal.

A polícia não divulgou informações sobre o tipo de arma usada no ataque de terça-feira. No Canadá, é ilegal comprar rifles de estilo militar — a categoria de armas usada em vários dos ataques mais letais em escolas nos EUA.

Este é o segundo homicídio em massa na Colúmbia Britânica em menos de um ano. Em abril passado, um homem jogou seu SUV contra uma multidão durante um festival de rua filipino em Vancouver, matando 11 pessoas.

Após a tragédia, as escolas de Tumbler Ridge foram fechadas pelo restante da semana, segundo o site do distrito escolar.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que suas “orações e mais profundas condolências estão com as famílias e amigos que perderam entes queridos nesses atos horríveis de violência” em publicação na rede X. ICL.


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Sob Trump, EUA caem para a pior posição histórica em ranking global de percepção de corrupção

Levantamento coloca país na 29ª posição entre 182 nações avaliadas pela Transparência Internacional

Os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, registraram a pior colocação desde 2012 no Índice de Percepção da Corrupção, segundo levantamento divulgado pela Transparência Internacional, organização não governamental sediada na Alemanha. O país passou a ocupar a 29ª posição entre 182 nações avaliadas. As informações são da CNN Brasil.

Na edição mais recente, os Estados Unidos aparecem empatados com as Bahamas e atrás de países como Uruguai, Lituânia e Barbados. O ranking segue sendo liderado pela Dinamarca, que permaneceu no topo pelo oitavo ano consecutivo, sendo considerada a nação com menor percepção de corrupção no setor público.

O Índice de Percepção da Corrupção é utilizado internacionalmente como referência para analisar a avaliação sobre integridade institucional em diferentes países. A metodologia padronizada permite comparações ao longo dos anos, o que torna a queda dos Estados Unidos relevante dentro da série histórica recente.


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Brasil Mundo

Imagens sugerem que há documentos de Epstein sobre o Brasil ainda não revelados

Fotos mostram arquivos sobre o Brasil e viagens do financista com pelo menos uma menina ao país

effrey Epstein guardava um dossiê sobre o Brasil e novos documentos sugerem que pode existir um volume ainda desconhecido de fotos e informações sobre suas atividades no país.

Há uma semana, o Departamento de Justiça publicou 3 milhões de páginas de documentos, assim como 2 mil vídeos e 180 mil imagens. Trata-se do material que, durante duas décadas, foi usado como base para as investigações contra o financista.

Numa das fotos, arquivos de propriedade do americano aparecem sobre uma estante em sua residência em Little St James, a ilha onde ele organizava operações criminosas com meninas menores de idades.

E, neles, pelo menos um conta com um adesivo no qual se pode ler a palavra “Brazil”.

O mesmo fichário ainda traz nomes de outros destinos, como St. Barts — uma ilha no Caribe — ou Chateau Villete, conhecido como “Pequeno Versalhes” ao norte de Paris.

Epstein

Fotos arquivo Epstein

As fotos também sugerem que Epstein viajou com pelo menos uma das menores ao Brasil. Num dos documentos, os arquivos trazem uma espécie de fotonovela, feito à mão e contando a história de uma viagem que Epstein teria feito com uma menina, por volta de 2007.

No roteiro da viagem, uma vez mais aparece o Brasil como destino.

A garota, que tem sua identidade preservada, é quem conta a história. Fala, inicialmente, de uma “pequena menina sem noção” e que, ao encontrar Epstein, vai vivendo diferentes etapas de uma relação.

Numa das passagens, o rosto do financista é colado na página, numa referência ao Natal. Ao lado, uma frase: “eu serei o primeiro”. “Eu aprendi e cresci”, escreveu ela em outro trecho.

Nas páginas seguintes da pequena novela, ela mostra como “cuidou” de Epstein, colocando cremes em seu rosto.

“Nós viajamos”, diz outro trecho. Nesta página, onde se misturam elementos infantis como um biscoito e leite, ela cita Dubai, Praga, St. Barths e Brasil.

Epstein

Epstein

Fotos em arquivos de Epstein citam Brasil

Operação Brasil
Em recente reportagem, a BBC Brasil revelou que existiriam cerca de 4 mil menções ao país em documentos.

Os arquivos ainda apontam que ele teria uma conexão no Brasil com uma “agente”, que conseguia garotas menores de idade quando ele estava no país.

Segundo a reportagem, os documentos apontam que ao menos quatro garotas brasileiras, inclusive adolescentes, teriam sido levadas para ele em uma festa, em uma de suas casas, nos Estados Unidos.

“A BBC News Brasil mostrou, em dezembro, que uma das vítimas de Epstein disse que ao menos 50 brasileiras estiveram em sua mansão”, indicou o site.

“Há ainda conversas em emails sobre uma ideia de criar um concurso de beleza para atrair garotas jovens no Brasil e o interesse em adquirir uma revista de moda para atrair modelos”, completou.

*Leandro Demore e Jamil Chade/ICL


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Mundo

Candidato socialista vence direita radical e é eleito presidente de Portugal, indicam projeções

António José Seguro, de centro-esquerda, foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8/2), segundo as projeções de boca de urna, batendo André Ventura, do Chega

Ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, Seguro teria entre 68% a 73% dos votos, segundo a projeção da Universidade Católica feita para a emissora pública RTP.

Assim, Seguro teria vencido confortavelmente o candidato André Ventura, líder do Chega, da direita radical, que concorreu com um forte discurso anti-imigração.

Seguro é visto como uma figura centrista e moderada.

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, reconheceu a derrota logo após o anúncio das primeiras projeções, mas disse que seu partido é “o grande vencedor da direita. “Provamos que vínhamos para ser diferentes” e contra o sistema “que se uniu contra nós”.

Portugal tem um regime semipresidencialista de matriz parlamentar. Isso quer dizer que, embora o presidente seja eleito por voto direto, o poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, indicado após eleições legislativas e que depende de apoio mínimo no Parlamento.

Desde 2024, o primeiro-ministro de Portugal é Luís Montenegro, da coligação de centro-direita liderada pelo Partido Social Democrata (PSD).

O papel do presidente, porém, está longe de ser protocolar, já que exerce um poder moderador crucial.

O presidente pode vetar leis, devolvendo-as ao Parlamento, e tem a prerrogativa de dar posse ao primeiro-ministro. Em casos extremos, também pode dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas — medida conhecida como “bomba atômica”.

Seguro, então, pode ser decisivo para garantir a estabilidade do governo minoritário de centro-direita liderado pelo PSD — e Seguro é, afinal, o candidato melhor posicionado para ocupar o cargo.

O novo presidente foi eleito com o apoio de várias figuras políticas portuguesas moderadas, entre eles Aníbal Cavaco Silva, presidente entre 2006 e 2016 e primeiro-ministro entre 1985 e 1995.

Também o apoiaram os prefeitos de Lisboa, Carlos Moedas, e do Porto, Pedro Duarte, ambos do PSD. Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD no primeiro turno, afirmou que votaria em Seguro por seu alinhamento com a “defesa da democracia” e a “moderação política”.

A votação deste domingo ocorreu com o país em estado de “calamidade pública”, em meio a uma onda de fortes tempestades. Ventura chegou a pedir o adiamento da eleição, mas autoridades eleitorais afastaram essa possibilidade, admitindo apenas adiamentos pontuais em alguns municípios.

Segundo os primeiros resultado, o comparecimento no segundo turno foi semelhante ao do primeiro turno. Correio Brazilinse.


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Qual será a influência de Trump na eleição presidencial do Brasil?

Pouco ou, na verdade, nada tem sido falado sobre a influência de Trump no resultado da eleição no Brasil.

Na realidade, nem esquerda, nem direita trazem à baila esse debate, mas certamente ambos os lados discutem essa questão na cúpula das campanhas.

Uma coisa é certa, isso não passará em branco. A direita não fala, mas está com Trump entalado na goela pelos elogios que teceu a Lula e sua proximidade com o presidente, que já tem um encontro marcado com ele nos EUA em março. Lula diz que terá uma conversa olho no olho com Trump.

Sem a idolatria do capitalismo americano, a direita nativa, que já não tem projeto de país, como nunca teve, não podeerá usar a administração Trump como referência de nada, já que ele desbundou Eduardo Bolsonaro, o que significa que a Casa Banca descartou qualquer menção de poio  Bolsonaro que pudesse significar para os bolsonaristas uma esperança de anistia ao genocida.

Trump, hoje considerado o político mais tóxico dos EUA, sobretudo pela perseguição nazista aos imigrantes, está levando os republicanos a uma condição que não se tem notícia na história do partido, tal as lambanças cotidianas que o grandalhão não para de produzir, a última, o racismo nu e cru em que pblicou um ataque inacreditável a Obama e sua esposa, Michelle. Sem falar no que vem sendo revelado sobre a abertura da caixa preta do caso Epstein em que Trump é praticamente um sócio dos crimes do personagem central, Jeffrey Epstein.

Lula, até então, tem mantido uma dianteira cada vez mais larga quando o assunto é Brasil e EUA, pois, como disse o New York Times, soube fazer um enfrentamento a Trump com cem por cento de êxito no caso das tarifas que, segundo o jornal amerciano, deveria servir de exmplo para outras nações mundo afora.

Pode-se afirmar que, mesmo a esquerda, no Brasil, execrando a figura de Trump e o bolsonarismo sendo execrado por Trump, nos EUA, que Lula está nadando de braçadas de vários corpos no clã Bolsonaro.

Parece contradição, mas, na verdade, é política feita com P maiúsculo pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que concede a ele o prêmio de craque do jogo.


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Epstein e Bannon planejaram derrubar o Papa Francisco, revelam documentos dos EUA

Jeffrey Epstein e o ex-chefe de campanha de Donald Trump, Steve Bannon, trocaram mensagens sobre a necessidade de financiar organizações católicas como forma de se infiltrar no Vaticano com o objetivo de derrubar o papa Francisco.

A informação consta em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Em uma troca de e-mails, Bannon diz a Epstein: “Vamos derrubar Francisco”. Na mesma mensagem, acrescenta que também deveriam atacar Hillary e Bill Clinton, o presidente da China, Xi Jinping, e a União Europeia.

Diversas mensagens revelam a obsessão de Epstein pelo Vaticano e uma aliança perturbadora com Bannon para o que chamavam de “purificar” a Igreja. Epstein também demonstrava grande interesse pela política externa do Vaticano. Por isso, passou a financiar organizações beneficentes católicas por meio de sua fundação e enviou integrantes de sua equipe para eventos ligados ao Vaticano.

Em uma das conversas, Epstein incentiva a cruzada de Steve Bannon contra o papa Francisco. O aliado de Trump chegou a brincar dizendo que Epstein era agora produtor executivo de um projeto com o codinome “ITCOTV”, em referência a um livro que aborda segredos da Santa Sé.

A resposta de Epstein, que morreu na prisão em 2019, foi uma única palavra enigmática: “Pornografia”. Bannon reagiu com a frase: “Vou derrubar Francisco”. Com DCM.

As revelações destacam os vínculos de Epstein com setores católicos ultraconservadores, aos quais Bannon se aproximou, sobretudo em oposição às reformas promovidas pelo papa Francisco. O pontífice, por sua vez, fez críticas duras ao tráfico de pessoas e à exploração sexual, que classificava como “escravidão moderna” e “violação da dignidade humana”.

Esses são justamente os crimes pelos quais Epstein foi condenado: tráfico de dezenas de meninas, além de exploração e abuso sexual.

Também veio a público um vídeo de uma longa entrevista entre Bannon e Epstein, gravada em 2019, pouco antes da prisão do financista. Na gravação, os dois conversam sobre política, economia e outros temas, demonstrando uma proximidade maior do que a conhecida até então. O material reacendeu o debate sobre a rede de contatos de Epstein com figuras poderosas e nomes influentes da mídia.


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Em recado a Trump, França e Canadá abrem consulados na Groenlândia

Ação é gesto de apoio à Dinamarca, que detém o território cobiçado por Donald Trump. Franceses e canadenses querem ampliar presença no Ártico.

A França e o Canadá abriram consulados na capital da Groenlândia, Nuuk, nesta sexta-feira (6), em uma forte demonstração de apoio aos groenlandeses e à Dinamarca. O movimento ocorre em meio às crescentes tensões geopolíticas na região do Ártico.

As duas nações se opõem à ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar assumir o controle do território dinamarquês semiautônomo.

Nas últimas semanas, a ilha esteve no centro das tensões geopolíticas internacionais, após Trump afirmar que o controle dos EUA sobre o território seria uma prioridade de segurança nacional.

A renovada pressão do líder americano para adquirir a Groenlândia, onde os Estados Unidos já têm seu próprio consulado, alarmou os aliados europeus e gerou um amplo debate sobre a soberania e a segurança do Ártico.

De acordo com o g1, no mês passado, Trump recuou das ameaças de tomar a Groenlândia depois de dizer que havia firmado as bases de um acordo com o chefe da Otan, Mark Rutte, para garantir maior influência dos EUA sobre o território.

Até o momento, porém, não foi esclarecido quais seriam os termos do acordo e em que pé estariam as negociações.


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