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Globo tentou blindar “golpe” de Bolsonaro e Bonner cobrou de Ali Kamel: “é correto fazer de conta que não está percebendo?”

“Eu fui à sala dele e disse que nós todos sabíamos que o Jair Bolsonaro estava planejando um golpe, ele queria um golpe”, relatou Bonner em entrevista ao colega Ernesto Rodrigues, ex-editor do JN e autor de trilogia sobre a Globo.

Ex-editor-chefe do Jornal Nacional, Willian Bonner relatou em entrevista ao jornalista Ernesto Rodrigues, que trabalhou na emissora e é autor de uma trilogia sobre o grupo de comunicação da família Marinho, que a Globo tentou blindar o “golpe” de Jair Bolsonaro (PL) em 2021 em sua cobertura jornalista, diante das declarações que sinalizavam desde antes as intenções do ex-presidente no poder.

Em “A Globo Vol 3 (Metamorfose)”, terceiro livro da trilogia sobre a atuação da emissora entre 1999 e 2025, Rodrigues narra o período de forte tensão em junho de 2021 e usa declaração de Bonner, que relata que cobrou um posicionamento do então diretor de jornalismo, Ali Kamel, sobre os arroubos autoritários de Bolsonaro durante a pandemia, sinalizando o planejamento de um golpe.

“O Ali reagiu a uma provocação. Eu fui à sala dele e disse que nós todos sabíamos que o Jair Bolsonaro estava planejando um golpe, ele queria um golpe. E não é que nós fôssemos muito espertos, é porque eles estavam dizendo isso: ele já tinha anunciado no 7 de Setembro, já tinha feito a pirotecnia dele, já tinha se referido ao ‘meu Exército’”, contou Bonner ao colega, que trabalhou por 15 anos como editor de telejornais como Jornal Nacional e Jornal da Globo, a partir de 1986 – antes, ele já havia tido passagem, no início dos anos 1980, no jornal O Globo.

Em seguida, Bonner conta que cobrou posicionamento de Kamel, todo-poderoso do jornalismo da emissora e porta-voz dos irmãos Marinho.

“E aí eu disse ao Ali: Nós não fazemos campanha, está certo. Princípios editoriais. No entanto, diante de todos os sinais que o Jair Bolsonaro está dando, é correto a gente fazer de conta que não está percebendo?”, disparou o então editor do JN ao chefe, em trecho divulgado pelo também ex-Globo Guilherme Amado em seu site Amado Mundo e confirmado pela Fórum.

Dias depois da conversa, em 19 de junho de 2021, quando o Brasil registrou 500 mil mortes na pandemia da Covid-19, Bonner e Renata Vasconcelos leram um editorial com o tímido recado de que “quando o assunto é saúde e democracia, não existem dois lados”.

O livro de Ernesto Rodrigues, com a entrevista com Bonner, foi lançado no mês passado pela editora Autêntica e completa a trilogia em que o autor diz fazer “uma imersão profunda e independente nos bastidores e na história da maior emissora de televisão do Brasil”.

“O livro mostra ainda como a Globo, sem concorrentes nas grandes coberturas jornalísticas nacionais e internacionais do século 21, mergulhou fundo com a grande imprensa em uma cobertura estridente e enviesada do Mensalão e da Lava Jato, pagando um preço alto de credibilidade, atacada ora pela extrema direita de Jair Bolsonaro, ora pela esquerda, à medida que a gritaria ideológica polarizada das redes sociais e o fenômeno das fake news tomaram conta da internet”, diz a editora sobre a obra, diz a Forum.


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Merval Pereira, o lustra ferraduras de Bolsonaro, toma um coice do jumento

Com os olhos do mundo voltados para o Brasil, aguardando quais medidas efetivas o governo está tomando para conter os incêndios e a devastação na Amazônia, Jair Bolsonaro resolveu “denunciar” porta-voz da família Marinho no Twitter.

Jair Bolsonaro deu de ombros e publicou, neste sábado (24) em sua conta no Twitter, que o jornalista Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, teria recebido R$ 375 mil por uma palestra no Senac/RJ.

“Você contrataria um palestrante para sua empresa pagando R$375.000? Se contratar o dinheiro é seu e ninguém tem nada a ver com isso, tá ok? Mas, Merval Pereira, colunista do O Globo, em 24/03/16, pela empresa MPF Produções e Eventos,recebeu do SENAC/RJ, R$375.000 por uma palestra”, ironizou Bolsonaro.

Principal porta-voz da família Marinho, Merval Pereira, junto com Ali Kamel, é quem dá as diretrizes para cobertura política dos veículos das organizações Globo.

 

*Com informações da Forum

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Glenn avisa: hoje tem mais vazamento e põe nua a hipocrisia da Globo

Em uma sequência de tuítes, Glen Greenwald detona a Rede Globo e diz que terá.

O jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, usou o Twitter para criticar o “moralismo” da Globo, que já fez uso de documentos “roubados” anteriormente sem nenhum tipo de problema; “Quando moralizando sobre #VazaJato, algumas estrelas da Globo esquecem de mencionar que eles constantemente reportam documentos roubados”

Após a prisão de “hackers” suspeitos de invadir o celular do ministro Sérgio Moro (Justiça), o jornalista Glenn Greenwald afirmou que a resposta do Intercept “para todas essas fofocas e distrações hoje será simples: mais reportagens desse arquivo, em conjunto com nossos parceiros e com novos”; “As ações de Moro e Deltan foram obscurecidas hoje; não será para sempre”

“Todas as possíveis teorias da conspiração foram divulgadas hoje. Nenhuma alteração 3 pontos-chave: 1) Mesmo no Brasil de Bolsonaro, as evidências são necessárias para provar crimes; hashtags e tweets bazófia de Moro não são suficientes”, escreveu Greenwald no Twitter.

Sobre Snowden

Glenn: Globo publicou comigo documentos roubados na NSA e agora posa de “Moralista”.

“Esse trabalho em 2013 usando documentos roubados por nossa fonte – não apenas com Globo, mas jornais e revistas em todo o mundo – foi o episódio mais orgulhoso da minha carreira jornalística: até agora. #VazaJato é ainda mais importante devido à quantidade de corrupção ocultada.”

“Na verdade, a @RedeGlobo ficou tão orgulhosa que dedicaram uma hora inteira à noite para uma entrevista com a fonte que roubou os documentos, Edward Snowden, de Moscou, para explicar por que os documentos roubados são necessários para o jornalismo.”

“Os principais chefes da @RedeGlobo – incluindo João Roberto Marinho e Ali Kamel – estiveram pessoalmente envolvidos. Eles estavam gratos pela oportunidade de usar esses documentos roubados. Ninguém da Globo chegou a sugerir que era errado usar documentos roubados para reportart.”

“O jornalismo mais importante é freqüentemente feito com fontes que ilegalmente obtêm informações (veja ‘Papéis do Pentágono’) e todas as maneiras pelas quais jornalistas revelaram crimes de guerra nos EUA durante o Vietnã, Watergate e a Guerra ao Terror”, continua.

“Quando moralizando sobre #VazaJato, algumas estrelas da Globo esquecem de mencionar que eles constantemente reportam documentos roubados – não só com LJ mas tb em 2013, quando o @JornalOGlobo, o @RevistaEpoca e o @ShowDavida usaram os documentos roubados de Snowden. Vamos lembrar:”

“O uso de documentos roubados pela Globo para reportar começou com a @JornalOGlobo, que colocou 2 vezes em sua primeira página reportagem comigo baseado exclusivamente em documentos que eles sabiam terem sido roubados da NSA. Eu não ouvi ninguém na Globo se opor a fazer isso.”