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ÁUDIOS: Investigados na Carbono Oculto dizem que Ciro Nogueira é ‘amigo’ de Beto Louco

Investigados dizem no WhatsApp que senador do Piauí iria facilitar negócios entre Beto Louco e o grupo.

Empresários investigados pela Polícia Civil do Piauí na Operação Carbono Oculto 86 afirmaram, em mensagens de áudio às quais o ICL Notícias teve acesso, que Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, é “muito amigo” do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A relação também foi mencionada nos depoimentos prestados pelos investigados ao longo da apuração.

Beto Louco e seu sócio, Mohamed Mourad, o Primo, são acusados de liderar um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação no setor de postos de combustíveis. Ambos estão foragidos desde agosto do ano passado.

São eles também os donos da aeronave pilotada por Mauro Mattosinho, que revelou, em entrevista ao ICL Notícias em setembro do ano passado, ter transportado uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo. Segundo o piloto, o voo ocorreu dia 6 de agosto de 2024, mesma data em que Beto Louco comentou com outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira. Mattosinho também prestou depoimento à Polícia Federal (PF).

Antes da publicação da primeira matéria do ICL Notícias sobre o assunto, Ciro Nogueira negou ter “tido proximidade de qualquer espécie” com Beto Louco.

A Operação Carbono Oculto 86 (referência ao DDD do Piauí) é um desdobramento da operação homônima com foco principal em São Paulo. O inquérito foi trancado no último dia 2 de abril por decisão do juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos do Tribunal de Justiça do Piauí.

O Ministério Público piauiense (MP-PI) recorreu da decisão. A promotoria havia denunciado os empresários Haran Sampaio, Danillo Coelho de Sousa e Victor Linhares de Paiva por adulteração de combustíveis, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e associação com Beto Louco e Primo.

Ciro Nogueira conversa em aeroporto com empresários investigados na Carbono Oculto 86

Ciro Nogueira não é formalmente investigado no caso. No entanto, após a menção ao seu nome e ao do deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) ao longo da apuração, a Polícia Civil solicitou o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro privilegiado dos parlamentares.

De acordo com os relatos reunidos no inquérito, a aproximação entre os empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa — antigos proprietários da rede de postos de combustíveis HD — e o grupo ligado a Beto Louco e Primo – donos das empresas Copape, produtora de gasolina, e Aster, uma distribuidora — teve início em outubro de 2023. A dupla baseada em São Paulo já mantinha contato prévio com o senador Ciro Nogueira, mas buscava estreitar essa relação.

O movimento teria ocorrido em meio à disputa por espaço no mercado de combustível com o dono da Refit (antiga Refinaria Manguinhos), Ricardo Magro. Apontado como o maior sonegador do país, Magro é amigo de longa data de Ciro Nogueira, conforme mencionou em entrevista à Folha de S. Paulo.

Mensagens extraídas dos celulares de Haran Sampaio e Danillo de Sousa reforçam que o nome do senador — a quem se referiam como “Sena” — era recorrente nas tratativas. Em um dos áudios que estava nos celulares apreendidos, Danillo relata conversas envolvendo o grupo de Beto Louco e Primo e sugere o uso da proximidade com Ciro Nogueira como fator de influência para viabilizar os negócios.

“Se o ‘Sena’ desse uma ligada aí, Vitinho, pra esse Beto que é o que a gente vai encontrar amanhã, aí era top, viu. Porque ele disse que esse cara aí é muito amigo do Ciro, e é o cara que concorre com o Ricardo [Ricardo Magro].

O Ricardo é mais forte, pelo que eu entendi pela conversa, o Ricardo lá de Miami é mais forte que esse Beto, mas esse Beto era o cara que disputava com ele quem era mais forte, sabe?”, disse Danillo em mensagem de áudio enviada num grupo com Haran Sampaio e Victor Linhares, a quem chama de “Vitinho”.

Em outra mensagem, Haran contou para o sócio Daniel: “Rapaz, eu conversei muito com o Vitinho […] e ele disse: vamos botar o negócio pra frente que o Ciro já falou que vai ajudar a gente”. No mesmo áudio, o empresário contou que havia incluído o senador Ciro Nogueira num grupo de Whatsapp. O grupo se chamava Ciro Vitor Haran Danilo, em referência ao nome dos integrantes.

Conforme revelou a Revista Piauí, o senador interagiu no grupo, inclusive convidando os empresários para um encontro em sua casa, em novembro de 2023. Semanas depois, em meio às negociações para a venda de parte da rede de postos HD ao grupo de Beto Louco e Primo, mensagens indicam que um aval de Ciro Nogueira foi dado — e o negócio acabou fechado ainda em dezembro daquele ano.

Negócio começou numa festa em Trancoso
A relação entre os empresários do setor de combustíveis do Piauí com o grupo de Beto Louco e Primo, segundo depoimentos dos investigados, teria começado em uma festa em um bar na beira da praia em Trancoso (BA), em outubro de 2023. Na ocasião, Haran, Danillo e Victor teriam sido apresentados a um intermediário ligado ao grupo paulista.

De acordo com os relatos, o encontro teve clima informal. Em determinado momento, o interlocutor teria mencionado a proximidade com o senador Ciro Nogueira: “a gente é amigo do senador”. “É meu pai”, teria respondido Victor Linhares.

Homem de confiança de Ciro Nogueira, Victor Linhares trabalhou no gabinete do parlamentar entre abril de 2018 e março de 2019, e também na liderança do Partido Progressista (PP) no Senado em 2020. O político é padrinho de uma filha de Linhares, e há ainda diversas fotos publicadas em redes sociais que indicam a proximidade entre os dois.

O encontro em Trancoso foi mencionado em um áudio enviado por Danillo a Haran. Na mesma mensagem, Danillo menciona uma conversa que teve com o interlocutor da dupla baseada em São Paulo e volta a falar sobre a amizade entre Ciro Nogueira e Beto Louco.

“Era melhor vir aqui porque não adianta ser em Salvador, porque não vai estar a pessoa que deveria estar, que eu acho que é esse Beto, entendeu, que é o pica lá, pelo que eu já sondei, né, que é o amigo do Ciro. Aí ele falou assim: ‘rapaz, eu até falei de vocês aqui pro meu sócio e ele ficou interessado’.

Na sequência, Danillo reforça a expectativa de que uma eventual aproximação política pudesse acelerar os negócios. “Já adiantei sobre vocês, ele se interessou, e tem amigos em comum… aí, pô, o Ciro… você já pulou 90% das etapas”, disse, referindo-se ao que teria ouvido do interlocutor. “Aí tu imagina o Ciro dando uma ligadinha pra ele hoje, falando que a gente se conheceu lá, falando bem da gente, né? Aí, meu patrão, a gente já chega lá com as portas abertas. A gente pede pro Sena fazer essa ligação aí.”

*ICL


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“O Ciro vai ajudar a gente”: Mensagens obtidas na Operação Carbono Oculto revelam que Ciro Nogueira tinha grupo de WhatsApp com investigados na máfia dos combustíveis

Um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis, encontrou mensagens trocadas entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e acusados de participação na fraude. O material foi obtido por meio da quebra do sigilo telemático (de dados de celulares, computadores e arquivos em nuvem) de Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, empresários de Teresina que na semana passada foram denunciados à Justiça sob acusação de adulterar combustíveis, fraudar vendas, ocultar patrimônio e lavar dinheiro em associação com Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo.

Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, não é investigado no inquérito. Mas a Carbono Oculto 86 (o número faz referência ao DDD de Teresina) identificou um grupo de WhatsApp do qual o senador participou, intitulado Ciro Vitor Haran Danilo. Era uma referência ao nome dos integrantes: além do próprio Ciro e da dupla de empresários Haran e Danillo, estava lá Victor Linhares de Paiva, tratado informalmente como Vitinho. Ele é uma figura próxima de Ciro. Foi seu assessor no Senado, exerceu mandato de vereador em Teresina pelo PP e também está na lista de denunciados pelo Ministério Público do Piauí, acusado de lavar dinheiro para o esquema.

Os participantes do grupo conversavam por meio de mensagens temporárias, que expiravam depois de 24 horas. No entanto, como Haran fez capturas de tela de alguns diálogos, a polícia conseguiu acessar parte do que foi falado. As informações constam num relatório ao qual a piauí teve acesso. Numa das mensagens, Ciro – a quem os demais participantes se referiam como Sena, presumivelmente uma abreviação de senador – convidou os três colegas para “tomar um café” em sua casa, em Teresina.

A mensagem foi enviada no dia 20 de novembro de 2023, e o convite era para o dia seguinte, dia 21. Na época, Haran e Danillo, donos da rede de postos de combustível HD, negociavam a venda de parte da empresa para Beto Louco e Primo, donos da distribuidora Copape. Em 11 de dezembro, Haran escreveu no grupo: “Está no ponto lá/ Só depende do ok dele/ Dando o ok já inicia amanhã.” Ao que Ciro respondeu “Ok”. Dali a poucos dias, ainda em dezembro de 2023, o negócio foi fechado.

O quarteto continuou conversando nas semanas seguintes, segundo os prints obtidos pela polícia. No dia 4 de janeiro, Ciro escreveu no grupo: “Querem passar aqui no hotel pra gente atualizar as coisas?” Haran respondeu: “Ok, estamos indo.” Dali a pouco, Vitinho disse: “Estamos aqui.” Ciro pediu então “5 min”. A conversa dá a entender que os três se encontraram naquela tarde.

 

Os prints das conversas obtidos pela Polícia Civil

Se o encontro realmente aconteceu, não foi o único. O site ICL Notícias já tinha publicado que, em fevereiro, Ciro se encontrou com Hiran e Danillo no Aeroporto de Brasília. A reportagem mostra uma foto em que os três aparecem conversando (a piauí também obteve, posteriormente, a imagem original) e informa que eles embarcaram juntos para Teresina.

O ICL também revelou a existência de um relatório do Coaf – o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – apontando que uma empresa do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, recebeu 63,9 mil reais da Pima Energia Amizade em 2025. A Pima foi criada por Beto Louco e Primo justamente para administrar os postos de combustível que compraram de Haran e Danillo, no Piauí. Além disso, segundo o Coaf, a empresa de Ciro transferiu 25,1 mil reais para a HD Petróleo Uruguai Ltda, um dos postos de combustível de Haran e Danillo.

Segundo o Coaf, os pagamentos feitos à empresa de Ciro ocorreram sem “aparente justificativa, vínculo ou compatibilidade da atividade econômica”. Parte do dinheiro foi movimentada por meio da BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, fintech apontada como peça central no esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Operação Carbono Oculto em São Paulo (uma das hipóteses ainda sob investigação é que o esquema lavava dinheiro do PCC, mas a informação não foi confirmada até aqui pelo Ministério Público).

As mensagens obtidas pela polícia indicam que, embora participassem do grupo de WhatsApp, Haran e Danillo pareciam não ter uma relação próxima com Ciro. Frequentemente, quando falavam a sós, os dois se referiam a Vitinho como um intermediário por meio do qual chegavam ao senador. O ex-assessor e braço direito de Ciro é descrito na denúncia do Ministério Público como lobista e intermediador financeiro da venda de parte da rede de postos HD para Beto Louco e Primo. Segundo a investigação, recebeu 230 mil reais de Haran em 20 de dezembro de 2023, mesma época em que aconteciam as conversas no grupo. O dinheiro foi depositado em uma conta aberta por ele na BK Bank havia pouco tempo. Segundo os procuradores, o pagamento foi uma “contraprestação pelos serviços de intermediação que viabilizaram a conexão entre os núcleos criminosos”.

A Carbono Oculto 86 também obteve áudios atribuídos a Danillo e enviados a Haran. Em um deles, o empresário faz menções a “Beto” e “Ciro” numa conversa sobre a venda da rede HD. “Eu acho que é esse Beto, entendeu? Que é o pica lá, pelo que eu já sondei, né? Que é o amigo do Ciro”, disse Danillo, segundo a gravação colhida pela polícia. Depois continua: “Aí tu imagina o Ciro dando uma ligadinha pra ele hoje, né? Falando que a gente se conheceu lá, aí falando bem da gente, né? Aí, meu patrão, aí a gente já chega lá com as portas abertas.” Em seguida, no mesmo áudio, o empresário se dirige a Vitinho, que parece estar ao seu lado: “Vitinho, pede pro Sena fazer essa ligação aí.”

A aproximação de Beto Louco e Primo com a dupla do Piauí aconteceu em um momento em que os donos da Copape e da Aster, principais alvos da Carbono Oculto, buscavam se fortalecer politicamente em meio a uma disputa de mercado com o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. Versátil, Ciro manteve um pé em cada canoa: ao mesmo tempo que conversava com Haran e Danillo, cultivou uma relação próxima com Magro, rival de Beto Louco e Primo. Mas os empresários do Piauí pareciam esperar a ajuda do senador para destravar a venda da rede HD. Em um outro áudio obtido pela polícia, Danillo disse para o sócio: “Rapaz, eu conversei muito com o Vitinho […] e ele disse: vamos botar o negócio pra frente que o Ciro já falou que vai ajudar a gente.”

A piauí entrou em contato com Ciro Nogueira para pedir esclarecimentos sobre sua relação com Haran e Danillo, as transações financeiras detectadas pelo Coaf e as conversas no grupo de WhatsApp. Perguntou também se ele intermediou a negociação da Rede HD com Beto Louco e Mohamad. O senador não respondeu às perguntas da reportagem, enviadas por WhatsApp. Sua assessoria de imprensa repassou apenas uma nota em que diz: “O senador Ciro Nogueira não é investigado no âmbito da operação mencionada e em nenhum outro inquérito em curso. Toda e qualquer tentativa de envolver o nome dele em escândalos acabará por ser frustrada, uma vez que o senador não tem envolvimento com ações ilícitas.”

A piauí não conseguiu localizar Haran e Danillo. O advogado Jader Madeira Portela Veloso, que representa os dois, disse que não poderia comentar o caso porque “o inquérito policial referente à Operação Carbono Oculto tramita em sigilo”. Vitinho, por sua vez, não atendeu às ligações nem respondeu às perguntas da reportagem, mas enviou uma mensagem dizendo: “O inquérito policial tramita em segredo de justiça. Qualquer divulgação indevida pode acarretar penalidades. Sugiro consultar a assessoria jurídica do portal para mais informações.” Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, estão foragidos desde a deflagração da Carbono Oculto em agosto de 2025. A piauí não conseguiu contatá-los, e seus advogados não responderam as mensagens até a publicação desta reportagem.

Além de Ciro Nogueira, outro parlamentar é citado no material apreendido pela Carbono Oculto 86: Júlio Arcoverde (PP-PI), deputado federal em primeiro mandato. Aliado de Ciro, em 2024 ele foi alçado ao cargo de presidente da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso.

A polícia obteve um áudio que diz assim: “Opa, deputado Júlio, tudo bom? É o Haran aqui. Quando você puder me dá uma ligada.” Não é possível cravar que o deputado em questão seja Júlio Arcoverde, e não outro Júlio. Mas, numa outra conversa, essa por mensagem de texto, um dos sócios tenta marcar um encontro com um interlocutor identificado como “Deputado Julio Arc”. Além disso, um relatório do Coaf detectou um repasse de 9,5 mil reais feito pelo CNPJ “Eleição 2022 Júlio Ferraz Arcoverde Deputado Federal” para a empresa HD Petróleo, pertencente aos dois empresários. Segundo o G1, o Coaf descobriu ainda um fato curioso: que, em 2024, Júlio Arcoverde e o deputado Átila Lira Filho (PP-PI) pagaram despesas de Ciro Nogueira no valor total de 17 mil reais.

Em áudios enviados a Haran, Danillo mencionou “o deputado Júlio” ao falar sobre a negociação de emendas parlamentares. Em um deles, ao tratar de recursos destinados a Caxias, no Maranhão, o empresário disse: “O problema foi porque o prefeito cobrou os 130. Mesmo a gente já tendo pago para o Júlio, ele cobrou os 130 de novo. Aí a gente teve que dar para aquele fela da puta, aquele prefeito. Aí o Júlio tinha que devolver os 130. Aí ele não devolveu.” Não fica claro, a partir da conversa, o que são os “130” a que ele se refere. Em uma outra mensagem de voz, o empresário dá a entender que não faria mais acertos com o tal Júlio. “Esse negócio que a gente fez de compromisso com o Júlio aí acabou. Não tem mais. […] Pode ser uma emenda de 1 trilhão. Não pago nada mais. Não faço mais nenhum compromisso daqui pra frente. Zero.”

O deputado Júlio Arcoverde, assim como Ciro Nogueira, não é investigado na Operação Carbono Oculto. Caso um dos dois venha a ser, o caso terá de ser remetido ao Supremo Tribunal Federal, já que ambos têm direito a foro privilegiado.

Procurado pela piauí, Júlio Arcoverde enviou uma nota em que diz desconhecer “quaisquer menções relacionadas ao seu nome no contexto citado e reforça que não é investigado no âmbito da operação mencionada. O parlamentar reitera que não possui qualquer envolvimento com ações ilícitas”.

O deputado Átila Lira Filho, por sua vez, afirmou não conhecer Haran e Danillo, a não ser de “relação social”, e que as despesas que pagou a Ciro, de 3 mil reais, dizem respeito a um medicamento que o senador providenciou para ele. “Foi um remédio que o Ciro comprou para mim, para emagrecimento”, disse o deputado, em uma mensagem de áudio enviada à piauí. “Foi o Mounjaro. Foram uns 3 mil e 400 e poucos (reais)”, continuou. “O meu foi uma caneta só.”

*Breno Pires/Piauí


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Filosofia da Segurança Pública do Rio segundo Claudio Castro: o sapo pula e a rã salta

Sobrou para os bolsonaristas, o bagaço da laranja de Witzel!

Nesta quinta (6) no podcast piegas de Rogerio Vilela “Inteligência LTDA”, imagina isso, Claudio Castro adicionou mais uma pérola de sua incontável lista de patacoadas sobre gestão pública com vivas, palminhas e gritinho pamonha do próprio maestro do programa que operou como cabo eleitoral do espanta neném.

O sujeito tremilicou de gozo quando perguntou a Castro sobre a comparação da operação Carbono Oculto feita em SP pela PF, sem dar um único tiro, na Faria Lima que detonou bilhões do PCC, com a operação Pé de Chinelo nos complexos da Penha e Alemão que terminou numa trágica carnificina com execução sumária de mais de 130 jovens favelados sem qualquer patente no mundo do crime, e quatro policiais sem recuperar qualquer quantia em dinheiro do CV, muito menos quantidade robusta de drogas, e zero prisão dos chefes do Comando Vermelho.

Tudo isso, com tiroteios intensos no meio da comunidade que essa gente jura que não houve. Mas as imagens no Youtube denunciam essa gigantesca e gritante mentira.

Sem saber explicar o inexplicável fracasso da operação que ele classifica como sucesso, o vigarista que governa o estado do Rio meteu essa: É que São Paulo é cidade de logística, e o Rio é cidade de serviços.

Nem o pior charlatão do planeta mete uma mamona dessas pra não dizer as claras que aquela operação cheia de tiros e mortes de gente da comunidade pobre foi uma fraude que não trouxe ou trará qualquer efeito real contra a estrutura do crime organizado dentro das favelas e muito menos no dia a dia do carioca médio do asfalto.


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Carbono Oculto

Operação contra o PCC no Piauí: ‘Faria Lima investe no Nordeste para lavar dinheiro’, diz secretário.

DIGITAIS BOLSONARISTAS
Titular da Segurança Pública do estado, Chico Lucas afirmou ao GLOBO que ação é ‘marco histórico’ e demonstra ‘pela primeira vez’ ligação do maior centro financeiro do país São Paulo, de Tarcisio e Derrite, com fraudes na região.

Implicações e Repercussões
Essa operação expõe a vulnerabilidade do sistema financeiro brasileiro à infiltração criminosa, com o PCC usando ferramentas legítimas como fundos de investimento para legitimar bilhões em recursos ilícitos.
Autoridades estimam que o esquema gerou lucros bilionários para a facção, financiando mais atividades criminosas.

No Piauí, a ação reforça a necessidade de maior fiscalização em setores estratégicos como combustíveis, que movimentam economias locais.

O BK Bank, em nota, negou irregularidades e afirmou compliance rigoroso. Investigações continuam, com possibilidade de novas fases em outros estados.


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Homem de confiança de Ciro Nogueira é alvo da polícia na Carbono Oculto do Piauí

Victor Linhares de Paiva recebeu 230 mil reais em conta de fintech suspeita de lavar dinheiro para o PCC

Por Leandro Demori, Flávio VM Costa e Alice Maciel

A Polícia Civil do Piauí cumpriu nesta terça-feira (4) mandado de busca e apreensão contra Victor Linhares de Paiva, ex-assessor, aliado político e compadre do senador piauiense Ciro Nogueira (PP). Ele é alvo da Operação Carbono Oculto 86 que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis que supostamente atendem à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Victor Linhares recebeu a quantia de R$ 230 mil de outro alvo da mesma operação, o empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, antigo dono da rede de postos HD que seria o epicentro do esquema criminoso no Piauí. O ICL Notícias teve acesso exclusivo a um documento que comprova a transação financeira.

O dinheiro foi transferido em 20 de dezembro de 2023 para uma conta aberta por Linhares apenas oito dias antes na fintech BK Bank. A instituição financeira foi apontada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como peça-chave no esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A ligação entre o banco e a facção criminosa foi revelada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto e que atingiu empresas e fundos sediados na Faria Lima, em São Paulo.

A investigação piauiense é um desdobramento da operação homônima, que teve o foco maior em São Paulo. Por essa razão, foi batizada com acréscimo do número 86, referente ao DDD do Piauí. A Justiça autorizou o compartilhamento de provas entre as duas operações.

A comunicação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ao qual o ICL Notícias teve acesso, registra que Victor Linhares de Paiva transferiu o dinheiro para outra conta bancária registrada em seu nome, assim que recebeu o depósito de Sampaio.

“Após isso não houve mais nenhuma transação, indicando que a abertura de conta pode ter sido apenas para essa transação”, lê-se no documento.

Ciro

A movimentação financeira chamou a atenção dos investigadores do Piauí porque coincide com o período em que Haran Sampaio e seu sócio, Daniel Coelho de Souza, venderam os postos de combustíveis da rede HD para um fundo de investimentos administrado pela Altinvest Gestão de Administração de Recursos de Terceiros – empresa que também foi alvo da Carbono Oculto.

A suspeita dos investigadores é a de que Victor Linhares Paiva recebeu a quantia por intermediar a negociação.

Sampaio, Souza e Linhares foram alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça do Piauí, que rejeitou os pedidos de prisão temporária feitos pela Polícia Civil.

Os crimes investigados são de adulteração de combustíveis, fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, num esquema semelhante ao identificado pela PF e pelo MP-SP. Investigadores apontam que o mesmo esquema foi levado até o Piauí e replicado na rede de postos de gasolina HD.

Procurados pela reportagem, Haran Sampaio e Victor Linhares não responderam aos questionamentos da reportagem.

Questionado pela reportagem, o senador Ciro Nogueira renovou os ataques contra o ICL Notícias em vez de responder aos questionamentos.”A única coisa que tenho a dizer é que fiquei impressionado de vcs conseguirem divulgar a operação antes dela acontecer kkkk”, afirmou, por meio de mensagem por WhatsApp. “Na próxima sincronizem direito com quem contratou vcs”.

As ligações entre Victor Linhares e Ciro Nogueira
Aliado político do senador Ciro Nogueira, Victor Linhares ocupou, de 2 de janeiro até esta segunda-feira (3), o cargo de secretário municipal de Articulação Institucional (SEMAI) da prefeitura de Teresina. Na função, ele era responsável por intermediar, junto ao governo federal e ao Congresso Nacional, projetos e a liberação de verbas destinadas à capital piauiense.

Linhares já exerceu cargo de vereador da capital piauiense entre julho e dezembro de 2024. Ele trabalhou, anteriormente, no gabinete de Ciro Nogueira entre abril de 2018 e março de 2019 e também na liderança do Partido Progressista (PP) no Senado em 2020.

O senador é padrinho de uma filha de Linhares. Diversas fotos postadas em redes sociais mostram a proximidade entre os dois.

Em julho deste ano, a revista piauí revelou que Victor Linhares recebeu R$ 625 mil, entre dezembro de 2023 e setembro de 2024, do empresário do setor de apostas, Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG.

No mesmo período, Paiva repassou R$ 35 mil à conta pessoal do senador Ciro Nogueira. As informações são do Relatório de Inteligência Financeira Relatórios de Inteligência Financeira (os chamados RIFs), acessados pela CPI das Bets, instalada em novembro de 2024 para investigar as empresas de apostas on-line.

À revista piauí, o senador afirmou que “o valor era o reembolso de uma reserva de hotel em Capri, na Itália, e que os R$ 625 mil foram o pagamento por um relógio Richard Mille, negociado diretamente entre Fernandin e seu ex-assessor”.

Linhares é apontado por políticos do Piauí ouvidos pela reportagem como “pupilo” de Ciro Nogueira. Em entrevista a um veículo local em agosto do ano passado, o senador disse que vai apoiar a candidatura do seu ex-assessor em 2026 para deputado federal ou estadual.

O ex-secretário era filiado ao PP até março deste ano, quando filiou-se ao União Brasil, que integra junto à sua ex-legenda, a Federação União Progressista.

O empresário que transferiu R$ 230 mil a Victor Linhares era dono da rede de postos de combustíveis “Postos HD”, que também foi alvo da Operação da Polícia Civil do Piauí, e é um dos principais grupos empresariais do setor nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.

A investigação, segundo relatório da Polícia Civil, “foi iniciada após ocorrências sobre adulteração na quantidade de combustível abastecida e buscou explorar possíveis conexões com o crime organizado”. Os investigadores também apontam no relatório “similaridade com a operação Carbono Oculto”.

A principal empresa do grupo, HD Petróleo Ltda, foi aberta em 13 de outubro de 2014 por Haran Santhiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Souza, com o capital social de R$ 200 mil e com cotas divididas igualmente entre ambos.

A rede cresceu e ganhou notoriedade regional. Em dezembro de 2023, a empresa foi vendida para a Pima Energia Participações Ltda. O valor da venda não foi informado no contrato de compra e venda registrado na Junta Comercial do Piauí. Apenas foi informado que o capital social da empresa subiu para 300 mil e que 100% das contas pertencem à Pima Energia.

O que chama atenção, segundo relatório da Polícia Civil do Piauí,é que a Pima Energia foi aberta em um endereço em São Paulo, apenas seis dias antes de comprar a rede de postos HD, “levantando a suspeita de que foi criada especificamente para formalizar a referida transação comercial”. Os investigadores suspeitam que foi uma venda de fachada, uma vez que houve uma “substituição de bandeira (de HD para Pima e Diamante) sem alteração operacional real”.

A investigação detectou 32 pessoas jurídicas que tinham como sócios Haran Sampaio e Danilo Souza e foram transferidas para a Pima Energia Participações Ltda.

O único sócio da Pima Energia à época da venda era o Jersey Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que por sua vez é administrado por uma empresa, também suspeita de lavar dinheiro e, igualmente, alvo da operação Carbono Oculto: a gestora de fundos Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

Hub de soluções financeiras, a Altinvest é liderada pelo empresário Rogério Garcia Peres e administra 10 fundos citados pelos promotores na Carbono Oculto. O MP-SP afirma que Peres é um dos responsáveis pelas “dinâmicas fraudulentas envolvendo fundos e a BK Instituição de Pagamento”.

Advogado, Peres também é apontado pela promotoria como “administrador de fundos de investimento, amplamente envolvido com o grupo Mohamad [Mohamed Hussein Mourad], sócio em postos de combustíveis”. Mourad, mais conhecido como “Primo”, é acusado de liderar o esquema de lavagem de dinheiro do PCC, junto a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Ambos estão foragidos da Justiça.

Segundo relatório da Polícia Civil do Piauí, após a conclusão da venda dos postos de combustível da rede HD, Moisés Eduardo Soares Pereira passou a figurar como único sócio da Pima Energia Participações Ltda. Ele é um ex-funcionário de Haran Sampaio e Danilo de Souza. Investigadores suspeitam que ele é um laranja de seus patrões.

Após a compra pela Pima Energia, os postos de gasolina da rede “Postos HD” passaram a ser chamados de Red Diamante. De acordo com a investigação da Operação Carbono Oculto 86, há evidências de uso de empresas de fachadas vinculadas às marcas “Postos HD”, “Postos Pima” e “Postos Diamante”, “que tem suspeita de ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”.

“As evidências apontam para possível sobreposição de registros ou compartilhamento de estrutura física entre diferentes pessoas jurídicas, indicando manobra para ocultar operações financeiras e dificultar a rastreabilidade de recursos, prática típica de lavagem de capitais”, destacam os investigadores.

*Com exclusividade n ICL


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Política

ONG da irmã de chefe do PCC posta vídeo ligando Nikolas Ferreira a PCC

A Associação da Comunidade do Moinho, cuja presidente foi presa em operação policial nesta segunda-feira (8/9), republicou um vídeo sobre supostas relações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Alessandra Moja Cunha foi presa na operação Sharpe na manhã de hoje (8/9). Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), ela atuava em conjunto com o irmão, Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, considerado o principal líder do PCC no Centro de São Paulo.

Na semana passada, a Associação da Comunidade do Moinho, presidida por Alessandra, repostou no Instagram um vídeo sobre a operação Carbono Oculto, que investiga a influência do PCC no setor de combustíveis e a lavagem de dinheiro da facção por meio de fundos de investimento.

A capa do vídeo traz uma foto do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a placa da avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. “O crime organizado na Faria Lima”, diz o título. “Qual a relação da EXTREMA-DIREITA e do NIKOLAS FERREIRA com o caso?”, completa o texto da imagem.

O vídeo foi publicado originalmente pela vereadora do PSOL em São Paulo Keit Lima. No Instagram, ela se apresenta como “cristã, preta, nordestina, favelada e com 5 diplomas”.

“O crime organizado está na Faria Lima, no centro financeiro do país. A maior operação contra o crime organizado do Brasil escancarou uma verdade que a elite tenta esconder. Escancarou uma verdade que a periferia já sabia. O crime organizado que banca a vida de muita gente rica, inclusive muitos políticos, não está nas nossas periferias”, diz Keit Lima no vídeo.

A publicação faz menção ao vídeo viral de Nikolas Ferreira sobre a proposta da Receita Federal de fiscalização do Pix. Após a repercussão, o governo recuou da medida. Segundo a Receita, a ausência de regras facilitava a lavagem de dinheiro das facções. As novas normas entraram em vigor após a Carbono Oculto.

Na casa onde Alessandra Moja Cunha foi presa nesta segunda-feira, a polícia encontrou seis aparelhos celulares, 259 porções de cocaína, 630 de crack e 314 de maconha.

Segundo o MPSP, Alessandra “exerce importante papel na mobilização e organização das manifestações públicas que blindam a comunidade das intervenções policiais, além de auxiliar o irmão em suas empreitadas criminosas”.

Ainda de acordo com o MPSP, ela era responsável por extorquir moradores que desejavam aceitar o acordo proposto pelo governo do Estado para deixar o local.

Pela proposta, os moradores recebem uma ajuda de custo até serem alocados em imóveis da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Alessandra é “responsável pelo grupo que cobra propina das famílias beneficiadas pelo acordo com o CDHU, somente autorizando o cadastro e a assinatura mediante o pagamento de valores à família Moja”, diz um trecho da representação.

“Tanto os valores arrecadados neste contexto como os recursos derivados das demais atividades ilegais controladas por ‘Léo do Moinho’ são arrecadados por Alessandra com o intuito de branqueamento (lavagem)”, acrescenta o documento.

Como mostrou a coluna, a associação presidida por Alessandra Moja se reuniu com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, para preparar uma visita do presidente Lula (PT) e da primeira-dama Janja da Silva à Favela do Moinho, no fim de junho.

Na ocasião, Lula anunciou o acordo do governo federal com o governo do Estado de São Paulo para a cessão da área, que pertence à União. O governo estadual pretende construir um parque no local.

“Quando estiver tudo pronto, estiver certa a casa que vocês vão comprar, aí faremos a cessão definitiva para o governo do estado. Por mais bonito que seja um parque, ele não pode ser feito às custas do ser humano”, afirmou Lula na visita à favela do Moinho.

A coluna procurou tanto Nikolas Ferreira quanto a Associação da Comunidade do Moinho para comentários. Ainda não houve resposta, mas o espaço segue aberto.

*Metropoles


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